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Textos publicados no jornal diário de São José dos Campos e região “O Vale” na coluna dominical “Papo de Domingo”

Um ano brilhante a todos

João Júlio da Silva
Este ano, em que o mundo não acabou e que ora termina, foi bem difícil, complicado mesmo. Do ponto de vista pessoal, foi terrível. Que bom que 2012 esteja chegando ao seu fim. Comigo, quase tudo deu errado e na maioria das vezes sem a minha interferência no resultado ruim. Algo tenebroso, principalmente na luta diária do ganha-pão. Tanto esforço, suor, para depois ir parar no hospital devido ao estresse da labuta. Parece até que uma confraria do mal desejava o meu fim, mas estou conseguindo, mesmo cambaleante, cruzar a linha final desta corrida no deserto.
O melhor a fazer é aproveitar o que ficou de aprendizado e esquecer o resto. Afinal, o ano novo já está batendo à porta com novas esperanças e o renovo de energia para mais uma caminhada, que seja brilhante, rumo à vitória.
Tenho consciência que nos tempos atuais são poucas as flores no caminho, mas, com perseverança, saberei encontra-las. Sei também que na escassez de flores, evitar os espinhos já é um grande avanço. Sou ainda consciente de que para haver flores é preciso planta-las, pois antes de tudo, é preciso semear a vida. Que 2013 seja um canteiro de luz, mesmo que o mundo esteja sombrio e as pessoas ao nosso redor estejam em trevas.
Podem me derrubar, mas jamais me verão derrotado, sempre me levantarei, pois com determinação a vitória é certa.
Os arrogantes poderes deste mundo passarão, o que permanece é o poder que vem do alto. Assim sempre foi, é e será eternamente.

Balanço. Para não perder o costume, como venho fazendo todo final de ano, desde 1997, de “Entrelinhas” a “Papo de Domingo”, vou relembrar os títulos das colunas publicadas neste espaço ao longo de mais um período, uma espécie de balanço. Então transcrevo a seguir, em ordem cronológica, os títulos dos textos que foram escritos aqui: “Caminhada e novos desafios; Recomeçar é preciso; Ameaça de movimento armado; Ficha Limpa e os políticos sujos;Perigo na praia e impunidade; A pesca, a minhoca e o ministro;Arena de rinha humana;Chamem Batman e Piti Bitoca; Tristeza em Chico City; De papel, papelzinho e papelão; Um tempo caçador, outro caça; Quinze anos de resistência; Clube da Esquina no parque;Trabalho e a crise global; Um surfista na Esplanada;Lei, crime, droga e a liberdade; Verdade, ainda que tardia; Código, meio ambiente e fome; De calcinha e calçolão; Maldade e degradação humana;Mundo sustentável e a Rio+40; Aquecimento global e paranóia; Inverno aconchegante e quente; Sinais do final dos tempos; Arauto da ética cai do pedestal; Ressurge o cavaleiro das trevas; Julgamento e disputa eleitoral; Supremo julgamento e opinião;Novela da sacolinha plástica;Manifestação nua e vazia; Na rua e muito além das urnas;Ensino e universitários cotados;Interrompendo o fôlego da vida; Os ‘prefeitinhos’ dos bairros; ‘Guerra santa’ em ano eleitoral; Um discurso eleitoral sincero; Hoje é o dia da força do cidadão; A um passo da queda; Ser forte nas adversidades; Julgamento político e partidário; Questão de vida eterna e morte; Até que o vento bata à porta; ‘Deus seja louvado’ no dinheiro; Mano e mina na confraria boleira;Gente poderosa e o abuso;Niemeyer: um sopro em curva;Mundo não vai acabar no dia 21; Êta mundão acabado! e Um ano bem brilhante a todos.”

Gratidão.Também ressalto hoje a minha gratidão ao estimado leitor e prezada leitora por mais um período de caminhada. Também estou muito grato pelas mensagens enviadas ao longo do ano.

Intervalo. No mês de janeiro esta coluna deixa de ser publicada, como vem ocorrendo por quase16 anos, para dar um certo refrigério ao querido leitor e à bondosa leitora e um merecido descanso ao extenuado colunista. Eu vou continuar trabalhando, mas a coluna folga.
E se o bendito Deus permitir e o espaço for mantido, voltarei em fevereiro para mais uma caminhada. Caso contrário, agradeço desde já pela companhia da querida leitora e do prezado leitor ao longo de todo o período percorrido.
Feliz 2013 com muita luz e muito brilhantismo!

Mundo não vai acabar no dia 21

João Júlio da Silva
O mundo vai acabar na próxima sexta-feira, dia 21 de dezembro de 2012, alerta uma profecia mundana. Será que esses pseudovisionários vão acertar desta vez. Uau! Que grande bobagem! Mas há quem acredite numa baboseira dessa e vai ficar em abrigo subterrâneo para tentar sobreviver à catástrofe. Essa gente vai mesmo fundo em suas neuroses, para deleite de líderes de seitas apocalípticas. Comportamento assim que é o fim do mundo.
A questão é que os antigos maias, com base em gráficos estelares, profetizaram que 21 de dezembro de 2012 seria o fim do mundo (ou pelo menos a data de algum tipo de catástrofe universal). O fenômeno 2012 compreenderia um conjunto de crenças escatológicas segundo as quais eventos cataclísmicos ou transformadores acontecerão na referida data[1][2][3].
Vários alinhamentos astronômicos e fórmulas matemáticas têm sido colocadas como pertencentes a essa data, apesar de nenhuma delas ter sido aceita por cientistas de destaque.
Parte dos lunáticos acreditam que será apenas o fim de um ciclo. A interpretação de que essa data marca o início da Nova Era diz que a Terra e seus habitantes podem sofrer uma transformação espiritual ou física positiva, e que 2012 seria o começo de um novo tempo.[4][5] Outros sugerem que 2012 marca o fim do mundo ou uma catástrofe similar. Ora, ora!
Muitos desses adivinhões de plantão disseram que o mundo acabaria às 11h11 do 11/11/11, mas a tal “profecia” foi apenas mais um fiasco. Ainda bem. Agora eles têm uma nova chance para tentar acertar.
E a data dos sugestivos números de 12h12 de 12/12/12? Também nada ocorreu com o velho mundo, mas nesta data eu estava internado no hospital com forte hemorragia nasal. No fatídico momento tive direito até a um “passeio” de ambulância. Mas, sobrevivi.
O certo é que o dia e a hora do grande fim ninguém sabe, mas que, segundo escritos sagrados, quando o apocalipse estivesse próximo haveria sinais no mundo. E pela lista de proféticas ocorrências, muitos fatos atuais podem fazer pensar que é chegado o tempo. Mas, determinar dia e ano é demais.
Então, vamos viver e fazer graça, pois há quem diga que o mundo iria se acabar mesmo se determinado time de futebol conseguisse ser campeão do mundo. Não creio que haja algum risco. Calma, já vou explicar. É que seja “C” ou “C” o campeão, isso não altera nada em coisa alguma.
Brincadeira à parte, o problema mesmo é suportar tanta arrogância e chatice.
Deixa pra lá, o que importa é que realmente o mundo continuará no eixo.
Será que algum dia esses “entendidos” no assunto acertarão sobre a data do tão falado fim do mundo? Jamais, nunca.
Pois eu digo que o mundo vai continuar firme e forte após o 21 de dezembro. Pode-se dizer que é bem cômodo garantir isso, pois caso o mundo acabe mesmo não haveria quem contestasse minha posição. Mas, minha certeza vem das sagradas escrituras.
[/5][/4][/3][/2][/1]Quando esteve entre nós, o próprio Jesus disse: “Daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai” (Mateus 24:36).
E Jesus nos alertou sobre a maldade do mundo: “Portanto, vede diligentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, usando bem cada oportunidade, porquanto os dias são maus” (Efésios 5:15-16). Mas, apesar dos tempos ruins, Jesus nos consolou: “No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33). Eu creio nesta palavra, é questão de fé, cada pessoa tem toda a liberdade para crer ou não.
Não há o que temer no futuro, pois basta a cada dia a sua luta. Sofrer por antecipação por algo não é salutar. E sofrer pelo que não passa de especulação chega a ser ridículo.
Para os que optaram em caminhar com Deus, certamente contam com a proteção divina em cada passo dado neste novo ano, pois os anjos do Senhor acampam ao redor dos que são seus.
Diante de tão infinita misericórdia e graça, só me resta desejar um feliz 21 de dezembro para todos, com muita fé e esperança num futuro melhor para todos.
Quanto ao fim do mundo, deixa que Deus cuida disso.

Niemeyer:um sopro em curva

João Júlio da Silva
Um sopro em curva. Baseado no que disse, assim poderia ser definida a vida de Oscar Niemeyer neste mundo. Foi, sem nenhuma dúvida, um ser humano que soube viver intensamente os seus quase 105 anos. “A minha vida não tem nada de especial. É a de um ser humano, assim, insignificante que atravessa a vida, que é um sopro.”
Em meio a tantas retas e paralelas, o grande arquiteto decidiu ousar e preferiu transitar pelas curvas, tanto em sua obra como nos pensamentos. E foi asssim, que sua genialidade deixou marcas sinuosas pelos caminhos em que passou. “Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual.” Sim, ele foi um sopro em curva.
Antes de tudo, foi um grande humanista que sempre defendeu a democratização do país e e lutou por justiça social.
Nos últimos dias quase tudo já foi dito sobre Oscar Niemeyer e na minha vasta insignificância diante do grande ícone mundial da arquitetura e da arte, também me atrevo a dizer algumas palavrinhas como uma singela homenagem.
Acredito que o grande destaque de suas atividades tenha sido o trabalho, mesmo às vésperas de sua morte, num leito de hospital, estava preocupado com o atraso de seus projetos. Se a maioria dos brasileiros fosse tão dedicada ao trabalho como ele foi, este país já estaria bem melhor. Foi-se o homem, mas fica o legado grandioso de sua existência.
Na internet, muito ainda se fala de sua vida e morte, mas o que me chama a atenção são os comentários raivosos, dos cães repugnantes sempre de plantão, sobre a posição política de Oscar Niemeyer, inclusive, foi até chamado de idiota por um colunista de uma grande revista que já não tem credibilidade nenhuma. Se é assim, então se o mundo tivesse mais imbecilidade como a dele, seria bem mais humano. “Você tem que pensar na política, a política é importante. Você tem que pensar na miséria. E quando sentir que a coisa está ruim demais, e a esperança fugiu do coração dos homens, aí é revolução”, dizia.Seria deveras estranho se num país capitalista como este, o pensamento político de Oscar Niemeyer não fosse discutido, pois durante toda sua vida procurou deixar sempre bem claro a sua opção pelo comunismo. Apesar de ser constante alvo de críticas por seu pensamento radical, considerado até como ultrapassado, as suas opiniões sobre o tema sempre foram consideradas bem lúcidas. E num cenário político onde a coerência é algo em extinção, Oscar Niemeyer foi fiel às suas convicções ideológicas até o fim, pois muitos são os homens públicos que não sustentam no período da tarde o que disseram pela manhã.
Numa certa ocasião, creio que uns 17 anos atrás, encontrei o arquiteto Oscar Niemeyer almoçando num restaurante, estava acompanhado de sua esposa. Ao ver aquele velhinho, já nos seus 87 anos, com tanta humildade e discrição, fiquei pensando sobre a sua grandiosidade no campo profissional e em seus lúcidos pensamentos políticos.
Tive muita vontade, mas não fui falar com ele, não quis invadir a sua privacidade, seria bem incômodo. Não me atrevi, só a sua presença ali já dizia muito do que representava tão grande personalidade nacional e mundial. “Gosto de ficar sozinho, a pensar na vida, neste universo imenso que nos encanta e humilha. De sentir a fragilidade das coisas e a nossa própria insignificância”, disse ele certa vez. Assim, tomei a decisão adequada .
Agora, com a morte de Oscar Niemeyer, o Brasil está bem menor com tão grande perda. “Para mim o importante é a vida, a gente se abraçar, conhecer as pessoas, haver solidariedade”, dizia ele.
“A vida é um sopro”, assim dizia Oscar Niemeyer. Mesmo com tantos anos de vida e com todo o seu legado, para mim, uma opinião pessoal e com todo o respeito pelo livre-arbítrio de qualquer pessoa, Oscar Niemeyer deixou a frase incompleta, isso sempre do meu ponto de vista, pois eu considero que ‘a vida é um sopro’ sim, mas de Deus, presente também em todas as curvas.
Palmas para o grande arquiteto Oscar Niemeyer e glória a Deus: o arquiteto supremo do universo!

Gente poderosa e o abuso

João Júlio da Silva
A revelação da influência política em acordos suspeitos de gente poderosa neste país não se trata de nenhuma novidade, pois desde o tempo de Pero Vaz de Caminha tem sido assim.
Essa turma abusada se acha acima do bem e do mal e apronta mesmo, portanto o caso revelado pela operação Porto Seguro, da Polícia Federal, envolvendo a ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, não me surpreende, pois esse mando e desmando político é bem comum por este país sem porteira, independente da coloração partidária de atrevidos governantes.
Rose, como é chamada, assessorou por cerca de 12 anos o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e depois ficou muito próxima do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com tanta intimidade no centro do poder, abusou do cargo e procurou se beneficiar da boquinha.
Durante a gestão do ex-presidente Lula, Rose exerceu grande influência, chegando a indicar apadrinhados a cargos de direção no governo.
Mas, seria ela a única pessoa pública a fazer isso? Com certeza, que não.
Quanta gente não é beneficiada por padrinhos políticos por aí, principalmente a parentela necessitada de uma ajudazinha bem oportuna.
Me lembro de um caso ocorrido lá em Minas Gerais, quando um prefeito, para ajudar o filho que não conseguiu ser nada na vida, montou uma panificadora para ele. Como era um negócio de pai para filho, a padaria passou a fornecer todos os pães da merenda escolar da rede municipal de ensino. Todo mundo na cidade sabia disso, mas ficou por isso mesmo. Exemplos como este citado proliferam pelo Brasil afora. Estarei enganado ou delirando? Muita gente sabe de algum caso semelhante.
Considero sempre que toda suspeita deve ser investiga sim e que, comprovada a culpa de qualquer ilícito, o sujeito deve ser penalizado ao rigor da lei, seja lá quem for o nobre cidadão em questão.
Episódios de malfeito pipocam por aí. Tem um outro caso em que um deputado e ex-prefeito criou uma nova secretaria na prefeitura de sua cidade para alojar o filho no cargo público, pois o mesmo estava por aí meio que sem muitas opções. Mas, o cara é tão bonzinho, coitado!
Então, essa relação entre o público e o privado é bem recorrente no país e não é exclusividade de nenhum partido, a abrangência é bem extensa.
Mas, tem certos políticos que se apresentam como novos arautos da ética e dizem que o seu partido é diferente.
Pois, foi o que ocorreu na última semana. Um ex-presidente da República atacou o seu sucessor na Presidência, criticando “a confusão entre o público e o privado” no seu governo.
“Uma coisa é o governo, a coisa pública, outra coisa é a família. A confusão entre seu interesse de família ou seu interesse pessoal com o interesse público leva à corrupção e é o cupim da democracia”, disse o expressivo ex.”
É simples sentar no próprio rabo, pois seu partido, enquanto esteve no poder, também não ficou livre de escândalos.
“Temos que descupinizar essa confusão que está havendo entre o interesse público e o interesse privado. E quando [FOR]for um dos nossos, vamos contra ele”, afirmou. Mas, seria assim mesmo?
As colocações do ex foi interpretada como uma referência à Operação Porto Seguro.
Ele nega. “Eu não gosto de entrar em detalhes. Não sei o que está acontecendo, não sou da investigação. Isso é geral. Não dá certo. O maior problema da nossa cultura política é o clientelismo e o patrimonialismo, a confusão do público com o privado. Isso vem do Império, vem da colônia, mas tem que acabar”, afirmou.
Sendo assim, então o mal passou pelo seu governo também.
Empolgado, disse que seus partidários precisam ir às ruas protestar contra a corrupção. Ele citou o julgamento do mensalão e disse que o fato mais importante do caso é que “pessoas poderosas foram tratadas como cidadão comum”.
Mas, uma pergunta não quer calar: Quando o mensalão ocorrido em Minas será julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), afinal o “Valerioduto” começou em berço bom de bico? Ora!

Julgamento político e partidário

João Júlio da Silva
Reta final. O julgamento da Ação Penal 470, o processo chamado como mensalão, no STF (Supremo Tribunal Federal), que teve início em 02 de agosto, está próximo de suas últimas sessões. Prestes a completar quase três meses de duração, o julgamento tem dado muito o que falar e rendido manchetes maiúsculas e garrafais nos jornalões da grande mídia. O tempo esteve bem quente no STF, com cenas até grotescas.
Decisão da Justiça em última instância não se questiona, mas uma série de ocorrências durante o julgamento dá margem para muitos questionamentos. As singularidades que ocorrem na corte máxima do país são bem notórias.
No meu simplório ponto de vista, o julgamento, realizado às vésperas de eleições, foi sim, de uma forma ou de outra, afetado pelo clima da campanha política. O julgamento pode não ter atingido, como muitos previam e queriam, as eleições municipais, exceto em algumas localidades, mas ele foi envolvido pela campanha, principalmente na grande mídia.
De minha parte, continuo considerando que todo escândalo e qualquer denúncia devem ser alvos de apuração séria e comprovado o ato criminoso que todos os envolvidos sejam punidos ao rigor da lei. Mas, também considero que um julgamento desse porte não poderia jamais ser realizado às vésperas de uma disputa eleitoral, dando margem para qualquer tipo de especulação.
Mesmo porque, o tratamento que a maioria dos meios de comunicações direciona para determinado partido é um e para certa legenda é outro completamente diferente. Para o partido que eles tanto detestam, bombas, para a legenda que defendem, bombons.
Está havendo uma avalanche de comentários recheados de ódio, sede de sangue e vingança, e ataques ao partido que foi a júri juntamente com os réus do processo. Além do mais, a constatação de frutas podres não implica que todo o pomar esteja contaminado. E volta a repetir: a corrupção política no país não é recente nem é de coloração partidária única, ela vem de longe e sua abrangência é bem ampla. A diferença é que os profissionais das maracutaias deste país não deixam rastros, enquanto os amadores metem os pés pelas mãos e suas digitais ficam expostas.
Agora, a grande pergunta: quando o STF vai julgar o mensalão tucano? Afinal o ninho do mensalão está ali, na origem do episódio, o criadouro, onde tudo começou, no governo de Eduardo Azeredo (PSDB) em Minas Gerais, acusado de envolvimento no valerioduto nas eleições mineiras, com desvio de dinheiro público para sua campanha de reeleição ao governo do Estado, em 1998, portanto, há 14 anos sem julgamento. Cadê a Justiça? Por que o silêncio e o esquecimento? Pois, foi ali, em ninho tucano, na raiz do mensalão, que o publicitário e empresário Marcos Valério começou a botar suas manguinhas de fora, bem antes de estender suas garras até Brasília.
Outra questão. Quando será julgada a compra de apoio, no Congresso, para a ambiciosa proposta de segundo mandato para o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB)? Não seria isso de uma gravidade sem precedentes?
Na ocasião, o deputado federal Ronivon Santiago (do então aliado PFL-AC) vendeu o seu voto a favor da emenda da reeleição, conforme seu relato a um amigo, em gravação divulgada à época. Ronivon disse que também participaram da falcatrua os deputados João Maia, Osmir Lima, Zila Bezerra e Pauderney Avelino (todos do PFL) e Chicão Brígido (PMDB). Mas a lista era bem maior. O negociador era o então ministro das Comunicações, o tucano Sérgio Motta, já falecido. “Era deputado toda hora ligando, era senador ligando, era ministro ligando. Aquele negócio foi muita gente. Todo mundo pegou na faixa de 200, 300… (mil reais)”, disse Ronivon. Ele disse isso um ano antes da origem do mensalão em berço tucano.
Tudo comprovado, onde estava o Supremo no tempo do governo tucano?
Por que em relação aos escândalos do mensalão inicial e do projeto reeleição, ambos tucanos, não houve e nem há tanta indignação da grande mídia? Ora! Haja entusiasmo, euforia e contentamento!

Mano e mina na confraria boleira

João Júlio da Silva
Demorou muito para que os incompetentes dirigentes da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), que está mais para Confraria de Boleiros Fanfarrões,decidissem pela demissão do técnico Mano Menezes da seleção.
O sujeito é muito ruim, é técnico de time de segunda divisão e olhe lá? Conseguiu ser pior que o seu antecessor, o nervosinho Dunga.
Após dois anos e quatro meses no cargo, interrompendo o trabalho de preparação da equipe para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, Mano foi demitido na sexta-feira. Já vai tarde e não deixa saudades, exceto da sua turminha!
A demissão foi anunciada pelo diretor de seleções da CBF, Andrés Sanchez, alegando que o presidente da entidade, José Maria Marin, decidiu dar um novo perfil à seleção a partir de 2013, quando será disputada a Copa das Confederações no Brasil.
Sanchez,oriundo do último clube onde Mano atuou como técnico, foi contra a decisão, afinal, Mano é mano. Aliás, Sanchez deveria aproveitar a oportunidade, pegar o boné e cair fora também. Seria outro que iria tarde. Afinal, já conseguiu um estádio de mão-beijada para o seu clube querido.
É bom lembrar que Sanchez foi chefe da delegação brasileira no fiasco da Copa do Mundo da África, mas conseguiu o objetivo maior, o estádio para o seu time. Na ocasião, ele chegou a dizer que “tem que acabar com isso de que estádio (privado) não pode ter dinheiro do governo –via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)”. Bacana ele, né? Emocionado, não resistiu e até chorou. Espertalhão, não?
O demitido assumiu a seleção em julho de 2010, no lugar de Dunga, após a derrota do Brasil para a Holanda nas quartas de final da Copa do Mundo da África do Sul. O treinador Mano disputou dois torneios oficiais com a seleção, sem conquistar nenhum título.
O Brasil foi derrotado nas quartas de final da Copa América de 2011 pelo Paraguai, nos pênaltis, e perdeu a final dos Jogos Olímpicos de Londres para o México, em agosto deste ano, um vexame total. Na ocasião da derrota para o México, quis tratar aqui da ruindade do técnico, mas aguardei pelo desfecho atual, a sua demissão tardia.
Dizem que o novo técnico será escolhido pela CBF apenas em janeiro. Os nomes mais cotados são Muricy Ramalho, Luiz Felipe Scolari e Tite. O quê? Tite? Seria como trocar Mano por meia dúzia, digo, seis por meia dúzia. Tite, não! Chega dessa panela? Basta de técnico meia-boca, como tantos por aí.
E por que o Abel Braga não é cotado? Ah, sei, não atua no futebol de São Paulo! Ele é o técnico campeão do brasileirão deste ano e tem muitas qualidades. Mas, qualquer um é melhor que Mano e Tite, até o Dito Enxadão do time do Arranca-toco.
Manou chegou à seleção brasileira, sem nunca ter conquistado nenhum campeonato brasileiro da primeira divisão. Foi duas vezes campeão da Série B, mas, e daí?
Quando Mano foi chamado para comandar a seleção, a CBF, em comunicado oficial, fez o seguinte elogio ao novo treinador: “Mano Menezes atende plenamente ao projeto traçado pela CBF. Técnico que conquistou o respeito pelo seu trabalho, marca a sua trajetória pelo equilíbrio e tem como característica o fato de gostar de trabalhar e lançar jovens jogadores.” Belo projeto!
Saiu Dunga em 2010, um pseudotécnico, que foi comandar a seleção sem ter treinado nenhum time antes, e entrou Mano, sem nenhum título realmente importante. Deu no que deu! Agora, Tite é cotado para o cargo, não, de novo não! Ufa,chega de tanta incompetência!
É sabido que nos bastidores do futebol pode acontecer de tudo. Por que será que Sanches foi nomeado chefe da delegação brasileira na última Copa e o desastroso técnico da seleção pertencia ao mesmo clube? Seria lobby?
Será que no fundo, pretendiam mesmo era que o clube querido conseguisse um estádio construído com dinheiro público? Sendo assim, entre Mano e mina,então o projeto atingiu o objetivo. Futebol? Ora, e algum dirigente está preocupado com futebol? Que venha a Copa de 2014!

Ser forte nas adversidades

João Júlio da Silva
Quando o céu está escuro e o mundo parece desabar sobre nós, o anseio por luz nos faz seguir adiante.
É sempre bom falar de luz, mas, da verdadeira luz. Em dias ruins, um lampejo que seja dessa luminosidade, um raiozinho apenas, já nos impulsiona a continuar caminhando em busca de um futuro melhor.
Há dias em que tudo parece conspirar contra nós. Como existem entidades do mal espalhadas por aí! Pessoas maldosas, ruins mesmo. Às vezes, dentro de nosso próprio ser as sombras tentam apagar nossa luz. Em quantas ocasiões não fomos também maldosos? O mal contamina, afinal, o mundo jaz no maligno.
Quantas vezes já não fomos vítimas das artimanhas do inimigo, de pessoas que só querem a nossa ruína e nossas lágrimas? Até pessoas próximas, queridas, já nos fizeram sofrer e causaram desgosto.
Em situação assim, é preciso levantar a cabeça e se manter firme. Mesmo assim, muitas vezes a irritação é certa, até nos deixa adoentados. Mas isso não pode comprometer a nossa vitória. As pessoas podem nos derrubar, conseguem até nos pisar uma vida inteira, apesar de toda a nossa luta, mas com determinação, no final a derrota é somente delas, pois há uma luz que faz toda a diferença em nosso favor.
As pessoas do mal adoram fazer conluios e intrigas, ficam de tocaia só aguardando um tropeço, são legiões que gastam o tempo armando ciladas pelos corredores da vida. São como víboras aguardando apenas um descuido para dar o bote certeiro.
O inimigo quer nos prejudicar. Num descuido nosso, num momento de fraqueza e de falta de prudência e vigília, inocentemente até, colaboramos com o sucesso do mal. Sim, as quedas são muitas, mas se nossa vida é pautada pela correção e pelo bem, o socorro sempre vem, para desespero de nossos adversários. É bem verdade também que as batalhas nos deixam mais fortes, elas trazem em si um crescimento interior sem igual.
Um grande exemplo de luta e vitória está na história de Jeosafá, rei de Judá (2ª Crônicas 17 a 20). Ela mostra bem o valor da coragem em dias difíceis. Jeosafá era o um homem temente a Deus e o Senhor era com ele. Ao saber que alguns povos partiram contra o seu reino para guerrear, o rei ficou amedrontado e buscou a Deus em oração.
“Nós não temos força para resistirmos a esta grande multidão que vem contra nós, nem sabemos o que havemos de fazer; porém os nossos olhos estão postos em ti.” Então o Espírito do Senhor falou: “Não temais, nem vos assusteis por causa desta grande multidão, porque a peleja não é vossa, mas de Deus…nesta batalha não tereis que pelejar; postai-vos, ficai parados e vede o livramento que o Senhor vos concederá… não temais, nem vos assusteis, porque o Senhor está convosco”. E o rei disse ao povo: “Crede no Senhor vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas, e sereis bem sucedidos”.
Quando começaram a cantar e a dar louvores, o Senhor pôs emboscadas contra os inimigos e eles foram derrotados ao deflagrar batalhas entre si. Então veio o temor de Deus sobre todos os reinos quando eles ouviram que o Senhor havia pelejado contra os inimigos de Jeosafá. E assim seu reino ficou em paz; pois Deus lhe deu repouso ao redor.
Que história de fé, não? Mas, há muitos que acham que isso não passa de mais uma historinha de ficção.
Nos dias de luta contra o mal, por mais fraca que uma pessoa possa ser, se ela mantém sua esperança, tudo acaba bem. Há momentos em que nada podemos fazer, nos sentimos impotentes, de mãos atadas, então, é crer, pedir e esperar pelo livramento. É preciso ser forte nas adversidades.
Essa multidão que caminha contra nós, será derrotada na hora certa. Sim, os tombos estarão nos aguardando pelo caminho, mas as mãos salvadoras virão em nosso socorro para nos levantar. São elas que nos sustentam nos momentos difíceis da vida.
A batalha pode ser doída e demorada, as quedas podem ser muitas, mas, com fé, esperança e perseverança, o inimigo já está derrotado.
O refúgio da luz é fortaleza diante de nossas fraquezas diárias. Eu creio na luz!

“Deus seja louvado” no dinheiro

João Júlio da Silva
Há quem diga que o dinheiro é o grande mal deste mundo e que ele não traz felicidade, mas convenhamos, sem ele o mundo não funcionaria de maneira nenhuma, seria o caos.Quanto à felicidade, o dinheiro pode não trazê-la, mas pode colaborar, de alguma forma, para que se possa chegar até ela.
Ah, o dinheiro! Muitas vezes ganho em negociações bem suspeitas e utilizado para o mal, mas também, conquistado com o suor do rosto e aplicado para o bem.
Esta breve introdução é apenas para chegar à polêmica envolvendo o Ministério Público Federal, que entrou com uma ação em que pede que as novas cédulas de real passem a ser impressas sem a expressão “Deus seja louvado”.
No pedido, a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, em São Paulo, diz que a existência da frase nas notas fere os princípios de laicidade do Estado e de liberdade religiosa. “A manutenção da expressão ‘Deus seja louvado’configura uma predileção pelas religiões adoradoras de Deus como divindade suprema, fato que, sem dúvida, impede a coexistência em condições igualitárias de todas as religiões cultuadas em solo brasileiro”, afirma trecho da ação, assinada pelo procurador Jefferson Aparecido Dias.
“Imaginemos a cédula de real com as seguintes expressões: ‘Alá seja louvado’, ‘Buda seja louvado’, ‘Salve Oxossi’, ‘Salve Lord Ganesha’, ‘Deus não existe’. Com certeza haveria agitação na sociedade brasileira em razão do constrangimento sofrido pelos cidadãos crentes em Deus”, segue o texto.
O Banco Central, consultado pela Procuradoria, emitiu um parecer jurídico em que diz que, como na cédula não há referência a uma “religião específica”, é “perfeitamente lícito” que a nota mantenha a expressão.
“O Estado, por não ser ateu, anticlerical ou antirreligioso, pode legitimamente fazer referência à existência de uma entidade superior, de uma divindade, desde que, assim agindo, não faça alusão a uma específica doutrina religiosa”, diz o parecer do BC.
São tantas as mazelas neste país que deveriam ser motivos de preocupação das autoridades, no entanto, ficam perdendo tempo com bobagem. Para mim e muitas outras pessoas que trabalham honestamente, tanto faz as cédulas terem ou não a expressão, pois o dinheiro continuará sendo muito difícil de se ganhar neste país.
Segundo o texto do BC, a expressão apareceu pela primeira vez na moeda nacional em 1986, nas cédulas de cruzados, por orientação do então presidente, José Sarney, e foi mantida nas notas de real por determinação de Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda.
A Procuradoria pede que a União comece a imprimir as cédulas sem a frase em até 120 dias. Pede ainda que haja uma multa simbólica de R$ 1 por dia de descumprimento.
Bem disse o secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Leonardo Ulrich Steiner, ao afirmar que há “coisas muito mais essenciais” para se preocupar do que a retirada da expressão “Deus seja louvado” das notas de real.
Para ele, a existência da expressão nas frases “poderia lembrar que o próprio dinheiro deve estar a serviço das pessoas, especialmente dos pobres, na partilha e na solidariedade”.
Deveria ser assim, mas na prática é bem diferente.
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), criticou a ação. Responsável por incluir a frase nas cédulas, Sarney disse que a ação é uma “falta do que fazer” do Ministério Público.
E o que diz a Palavra de Deus sobre o polêmico dinheiro? Na Bíblia estão os textos: “Quem ama o dinheiro não se fartará de dinheiro” (Eclesiastes 5.10),“Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1Timóteo 6.10), “Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem traça nem a ferrugem os consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará o teu coração” (Mateus 6.19-21).
Sem apego aos cifrões, que “Deus seja louvado” com o dinheiro nosso de cada dia.

A um passo da queda

João Júlio da Silva
Estavam a um passo da queda, mas sequer faziam ideia do tamanho do abismo que ela oculta aos desavisados e imprudentes. Confiança era o forte deles. O lema era o mesmo sempre: vencer e vencer. Eles não admitiam ameaça alguma, pois eram fortes o suficiente para alguém ousar derrota-los.
Mas, apesar de tanta segurança em si mesmos, havia algo estranho pairando sobre eles. Sentiam algo estranho no ar, começaram a ficar com os nervos à flor da pele, o desespero tomara conta de seus atos, então,correram em busca de algo, algum poder sobrenatural que os fortalecessem em mais uma empreitada.
Clamavam por vitória de templo em templo, de altar a púlpito, como faziam em todas as eleições, mas era necessária uma busca mais incisiva. Foi então que ouviram umas palavras incômodas que os deixaram estupefatos, perplexos, aterrorizados mesmo.
Estavam numa cerimônia religiosa, onde foram levar uma placa em homenagem àquela comunidade. Era um agrado bem oportuno para a almejada ambição, pois ali era um celeiro de votos. Terminados os afagos, o sacerdote iniciou a sua pregação. Nela, ele fez menção do perigo que qualquer pessoa corre diante da tentação diária e que era preciso estar sempre em estado de alerta para não cair em suas armadilhas.
Num determinado momento, o pregador pediu que cada pessoa ali presente dissesse com bastante nitidez a quem estivesse ao lado: “Você está a um passo da queda…”
As palavras ribombaram como um forte trovão e bateram fundo naquele grupo de desesperados, elas caíram como bomba em suas mentes. Entre os figurões daquele grupo, um e outro tentaram repetir a sentença, mas acabaram engasgando as palavras. Alguns nada pronunciaram, apenas se entreolharam acabrunhados e aflitos. Seria apenas um alerta ou uma profecia? Estaria chegando ao fim o longo período de poder naquela cidade?
Terminado o encontro religioso, aquele grupo decidiu tentar fazer de tudo para não perder o comando político do município, que, depois de tanto tempo, até já parecia ser uma propriedade do partido.
Estaria mesmo chegando ao fim o longo e “interminável” período de poder do grupo naquela localidade? Como poderia algo tão funesto se abater sobre eles, seres tão exemplares e eficientes, pelo menos, era como se achavam? Como poderia aquilo, de repente, do nada, afetar tão grande poder? Era inadmissível pensar que eles, tão “especiais”, pudessem de um dia para o outro, deixar de ser os donos do lugar, um paraíso onde mana leite e mel, e também muitos cifrões. Não deixariam tal calamidade ocorrer, jamais, nunca, era preciso fazer algo e com urgência. Mas, o quê?
Era necessário algo forte contra o adversário. Foram tantos anos mandando, fazendo acontecer, a torto e direito, que não seria muito difícil uma ação para salvar a lavoura, deles. Afinal, de que valeria a vida sem o poder que detinham por tantos anos?
Mas, só de imaginara uma desgraça daquela tirava o ânimo de qualquer um. O que fazer, então? Seria melhor tomar as palavras do sacerdote apenas como um alerta para se prevenirem do pior . Sim, era apenas isso, um alerta e nada mais. Mesmo assim, aquelas palavras tinham que ser levadas a sério. Do contrário, seria uma tragédia que poderia estar a caminho a passos largos. Mas, haveria como contê-la a tempo, pois as eleições ocorreriam em uma semana? A luz do alerta máximo piscava sem cessar, era preciso agir com rapidez e precisão. A tarefa era conter qualquer infortúnio, que seria o caos para todos eles, homens poderosos e acostumados à maciez dos tapetes palacianos. Mas o que fazer em tão pouco tempo, apesar do longo período de governo? Nada, não havia nada a fazer!
Então, aquele grupo de homens poderosos, cujo líder era sempre endeusado, apenas aguardou o grande dia.
E os eleitores foram às urnas e veio o veredicto da maioria. A insistência da humildade venceu a arrogância, prepotência, soberba, presunção, enfim, o nariz empinado daquela gente poderosa.
O dito profético se tornou realidade. A queda estava mesmo a um passo.

Até que o vento bata à porta

João Júlio da Silva
Sentia um certo frio nos ossos. O tempo estava estranho, parecia que uma grande tempestade estava por desabar a qualquer instante.
Em circunstâncias assim, desperta uma vontade avassaladora de viajar por lugares onde ainda são possíveis a reflexão e a meditação. Mas, trilhando por caminho tão convidativo, é preciso entrar, de preferência com mansidão, no mais íntimo do ser.
Os dias eram cinzentos, fechados, a atmosfera estava pesada, o mundo ameaçava, com suas maldades, qualquer perspectiva de luz. O horizonte parecia distante e inatingível.
Estaria delirando ao ver um vale sem sol, onde ossos secos tilintam de frio na nebulosidade de dias escuros, onde um grande pássaro negro derrama escuridão com seus voos rasantes? Como abrir caminho entre nuvens tão carregadas? A tempestade se aproximava com suas sombras tenebrosas.
Em tais dias, é oportuno o refúgio das grandes palavras.
Sentia uma sede medonha, incontrolável, por novos horizontes. Era urgente um remédio eficaz, mesmo sabendo que nem ele dissiparia tantas nuvens. Além da sede, tinha fome de luz.
Como pode um alimento saciar, quando em tudo há escuridão? A carência de luminosidade arrasa a alma. Nas trevas, é inevitável a procura por algo iluminado que acene novos gestos. Se “navegar é preciso”, procurar também é preciso. E se “viver não é preciso”, como diz o poeta, procurar viver é preciso. Nessa busca, os milagres acontecem. Assim, é possível que caia o véu do rosto da multidão anônima que vai cabisbaixa rumo a lugar nenhum.
A humanidade mostra a seu semblante secular, seja como a de uma criança lambuzada de chocolate ou como a de um homem que se esvai na fumaça de seu fumo, de seu vício, de sua vida. É, o grande poeta Fernando Pessoa não está restrito, como muita gente pensa, ao famoso “tudo vale a pena se a alma não é pequena”!
Não, não ouso ser um guardador de rebanhos pessoando versos! “Há dias em que sobe em mim, como que da terra alheia à cabeça própria, um tédio, uma mágoa, uma angústia de viver que só me não parece insuportável porque de facto a suporto. É um estrangulamento da vida em mim mesmo, um desejo de ser outra pessoa em todos os poros, uma breve notícia do fim.”
Ah, os ossos! Estava sentindo muito frio. Estaria com febre? Delírio? Ou seria apenas a intempérie do tempo?
Nesse estado, a mente fervilha em versos e mais versos, neles passeiam os mais ilustres poetas.
À frente, sempre Pessoa. “Senti-me inquieto já. De repente, o silêncio deixara de respirar. Súbito, de aço, um dia infinito estilhaçou-se. Agachei-me, animal, sobre a mesa, com as mãos garras inúteis sobre a tábua lisa. Uma luz sem alma entrara nos recantos e nas almas, e um som de montanha próxima desabara do alto, rasgando num grito sedas do abismo. Meu coração parou. Bateu-me a garganta. A minha consciência viu só um borrão de tinta num papel”.
A janela da rua estava batendo, havia ficado aberta… seria preciso fechá-la… Então, olhou o horizonte encoberto. Na penumbra avistou a tormenta. À sua frente, vislumbrou uma luz se aproximando. Vinha de mansinho… Ela chegou bem perto e abriu um grande livro que trazia consigo. Numa voz bem acolhedora disse: “O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai…”
Não ouviu mais nada, mas captou a grande mensagem. Então empreendeu uma viagem na melodia do vento e acabou não fechando a janela, quando deu por si o som das buzinas trouxe de volta a realidade do mundo hostil.
Mas, agora, uma brisa mansa paira sobre ele. Afinal de contas, o vento que bateu em sua janela fez com que nascesse de novo e agora vai alegre pelas distâncias da vida. Apesar da escuridão do mundo, sente a leveza das nuvens e a luminosidade das estrelas.
E assim prossegue, no vento consolador, a passos largos, caindo às vezes pelo caminho, mas sempre buscando o voo, rumo ao sol que há de chegar, pois não há tempestade que sempre dure nem dias nebulosos que nunca se vão.
Agora sente o sol…o vento suave tocando o rosto…

Questão de vida eterna e morte

João Júlio da Silva
Nestes dias em que tantas pessoas vão aos cemitérios visitar os túmulos de seus entes queridos, a vida e a morte reacendem nas mentes os questionamentos a respeito da existência humana. No Dia de Finados muitos relembram e choram os seus mortos, outros prestam cultos, e ainda outros preferem manter uma certa distância de tudo que esteja relacionado com a morte. Mas, afinal, o que é a vida e o que é a morte?
A questão é muito mais séria do que muitas pessoas pensam ou sequer imaginam. Afinal, é um caso de vida e morte.
A morte nos separa daqueles que amamos, mas a história de uma existência não termina assim, ainda não é o fim. Haverá sim um grande julgamento e nele será definido o destino de cada um de nós. O futuro aponta para dois lugares. Segundo as sagradas escrituras, existem apenas duas possibilidades: um lugar de alegria e bem-aventurança e um lugar de tormentos. Todos nós, pecadores que somos, merecemos o lugar de tormento, “porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3.23). Mas, por seu grande amor por nós, Deus em sua infinita misericórdia, mandou seu único Filho, Jesus Cristo, para ser nosso Salvador e para morrer pelos nossos pecados na cruz do Calvário: “o Pai enviou seu Filho como Salvador do mundo” (1 João 4.14) e “Cristo morreu por nossos pecados” (1 Coríntios 15.3).
A “boa nova” de Deus, Jesus de Nazaré, nos trouxe o perdão. Essa graça de Deus é para todos, mas para termos esse tão precioso presente, precisamos declarar a Deus o arrependimento dos nossos pecados, que cremos que Jesus morreu em nosso lugar e que derramou seu precioso sangue por nós. “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor” (Atos 3.19)..
Se cremos em Jesus Cristo como Salvador de nossas vidas, quando perdemos um ente querido que era salvo por crer no Senhor, podemos ter a certeza de que nos reencontraremos na presença de Deus.
Esta é uma perspectiva muito reconfortante para os que ficam. Os que assim creem, choram sim a partida da pessoa querida pela saudade que fica, mas jamais lamentam a morte, pois ela é apenas uma passagem pela porta que é Jesus. Pois quem nele crê, tem a vida eterna.
Mas, se uma pessoa, enquanto estiver viva, não pede perdão a Deus e não crê que Jesus é o único e suficiente Salvador, ao morrer terá de pagar o preço dos próprios pecados. Irá para um lugar onde “haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 8.12), ou seja, o inferno.
É uma questão de crer ou não na Palavra de Deus. De forma alguma isso é história de “Dona Carochinha”, como pensam alguns.
A morte é um fato, todos passarão por ela, e por não sabermos a data exata em que virá, não podemos correr o risco de passar a vida eterna distante da presença de Deus, em meio a trevas. Por isso, enquanto há vida há esperança.
E para que uma pessoa possa desfrutar de um relacionamento com Deus na vida eterna e ainda neste mundo, é preciso aceitar Jesus como Salvador de sua vida. E mesmo depois de se arrepender e de crer em Jesus, é preciso perseverar até o fim, ter fidelidade até o dia da partida.
“Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Apocalipse 2.10). Mas, que fique bem claro, é questão de fé e de livre-arbítrio de qualquer pessoa para decidir onde passará a vida após a morte, se num lugar de refrigério ou onde há choro e ranger de dentes. Afinal, a vida é eterna tanto em um, como no outro lugar. A morte é apenas uma passagem.
E aqui fica um alerta: a decisão tem que ser tomada enquanto estivermos vivos, pois a vida neste mundo é breve. “Quanto ao homem, os seus dias são como a erva; como a flor do campo, assim ele floresce. Pois, passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não a conhece mais” (Salmo 103.15-16). Ah, o tempo!
“Eis que medistes os meus dias a palmos; o tempo da minha vida é como que nada diante de ti” (Salmos 39.5).
É preciso estar firme até o dia final. A vida pode sim, ser um refrigério para toda a eternidade! Paz!

Hoje é o dia da força do cidadão

João Júlio da Silva

Democracia. Palavra bonita de significado ímpar. Neste dia especial de eleições é bom ter em mente que um governo legítimo é do povo, pelo povo e para o povo.
A liberdade que hoje temos de participar de forma efetiva de uma eleição deve ser defendida sempre para que o nosso direito de votar seja colocado em prática sem nenhuma interferência de manobras politiqueiras de quem ainda não entendeu que o país vive sim a democracia.
Hoje se faz oportuna a lembrança da importância do ato de votar, pois é o grande dia de mais uma festa da democracia com as eleições municipais no país. Apenas quem tem a liberdade de escolher o próprio caminho tem consciência da grandiosidade do ato de votar.
O singular momento diante de uma eleitoral é o triunfo de quem fez da bandeira da democracia a sua luta desde os tempos sombrios dos porões da ditadura. O gesto de votar é também como se fosse um memorial por todos aqueles que pereceram ao longo da batalha por direitos civis neste país.
Muitos ainda não aprenderam a convier com a democracia plena devido a resquícios dos anos de chumbo. Há também aqueles que hoje se posicionam como mestres da democracia, mas que num passado não muito distante perseguiam os defensores da liberdade democrática ou apoiavam os seus algozes.
Ainda hoje, há sim quem não apenas é saudosista daqueles tempos tenebrosos como seria capaz de apoiar novamente o estado de repressão aos direitos dos cidadãos.
Por isso, é preciso festejar e muito a data de hoje. Votar com consciência é exercer o direito máximo da cidadania e também o dever de participar da história do município, do Estado e da nação.
É preciso ter como objetivo que a democracia saia mais fortalecida a cada eleição, com a lisura de todo o processo e com a consciência política do eleitor. Que a voz do povo nas urnas seja sempre respeitada.
Voto é caso sério, como arma poderosa ele pode transformar uma realidade. Quando um povo escolhe mal os seus representantes, as consequências de sua ignorância política são as piores possíveis. A alienação política custa muito caro para todos, principalmente, as camadas menos favorecidas da população, que mais sentem na pele o que é um governo que nada faz pelos mais pobres e marginalizados.
A política deve e precisa ser levada a sério. Mesmo diante de tanta corrupção envolvendo homens públicos, ainda é preciso acreditar na política, na democracria. Os múltiplos casos de corrupção deixam cada vez mais a população desacreditada com os políticos e com a política. Mas a sujeira não está na política, e sim com os maus políticos, aqueles que só aparecem em ano de eleições oferecendo mundos e fundos em troca de votos.
Não é tão difícil reconhecer os sorrisos e gestos cínicos e hipócritas. Esses indivíduos, verdadeiras raposas, que aproveitam da boa fé do povo, devem ser banidos do cenário político. Esses mestres da politicagem se proliferam por aí como obstáculos para o caminhar luminoso da democracia.
O eleitor tem que colocar na cabeça que o voto não é mercadoria de troca nem moeda de negociatas. Muitos eleitores não dão a mínima para o exercício democrático de votar. Alegam que a eleição não adianta nada. Mas é com o voto consciente que poderemos fazer da cidade onde moramos, um local mais justo para todos.
E tudo começa no município, o domicílio real de cada cidadão. Um país maiúsculo se faz com a grandiosidade do ato de votar com consciência política, a começar pelos municípios. Espero que o eleitor hoje cumpra com o seu dever e goze do direito de votar, e que faça de forma brilhante, de maneira consciente. É numa eleição que os cidadãos devem mostrar o seu valor através do único e grande poder que têm para colocar as coisas nos seus devidos lugares, o voto.
É muito prazeroso festejar hoje, através do voto consciente, o dia D da Democracia. Que a luz da decisão democrática faça sempre a diferença nos anos vindouros.
“Governo do povo, pelo povo e para o povo”. Com a expressão máxima da democracia em mente, desejo, um bom e consciente voto.

Um discurso eleitoral sincero

João Júlio da Silva
Um candidato a vereador decidiu mostrar rara sinceridade ao pedir votos aos eleitores de uma maneira inusitada para um novo mandato, pois já atua na Câmara de sua cidade. Estaria ele agindo como um político normal ou estaria louco? Seria ele mera ficção, existiria mesmo?
“Prezado eleitor. Venho nesta oportunidade pedir o seu voto nas próximas eleições municipais. Como você já deve saber, sou novamente candidato a mais um mandato de vereador. Na eleição anterior tive uma votação bem expressiva e acredito que neste ano não será diferente. Mas, para que isso se torne realidade conto com o seu apoio.
O que posso prometer para o novo mandato é um empenho ainda maior naquilo que tenho feito ao longo de tantos anos como político.
Prometo que irei à Câmara de vez em quando, pois uma vez por semana é muita coisa, e lá participarei ativamente em apoiar todos os projetos da prefeitura, afinal seria loucura ir contra uma fonte tão abundante de recursos. Também vou me dedicar ao máximo nas reuniões em que se discutem os nomes que serão dados a novas ruas, becos e praças e a distribuição de títulos de cidadão do município para as personalidades de destaque da sociedade local e para as celebridades convenientes.
Prometo ainda, decidir na calada da noite, mais um robusto aumento salarial para os vereadores, pois se dedicam demais pela causa pública.
Aos que patrocinam minha campanha eleitoral, jamais os esquecerei após mais uma vitória. Cumprirei novamente o acordo de tantas outras ocasiões. Não se deve esquecer que uma mão lava a outra, um lema que a prefeitura conhece muito bem. Sim, prometo utilizar bem a parte que me cabe dos recursos que virão.
Em hipótese alguma, deixarei cair o meu padrão de vida. Tenho que manter minhas contas bancárias abarrotadas e com aplicações bem lucrativas, a segurança de minha mansão no condomínio fechado, meus carros importados, os cursos de meus filhos e os tratamentos de estética de minha querida esposa. Também continuarei mantendo outros gastos extras, afinal, ninguém é de ferro. Sim, não farei pouco-caso dos carros públicos e dos motoristas que me servem, continuarei utilizando-os para afazeres particulares, inclusive, para pegar meus filhos na escola e minha digníssima esposa no salão de beleza.
Prometo continuar chamando de minhas as obras que a prefeitura realiza nos bairros, com direito a fotos ao lado do nobre alcaide no dia da inauguração. Não vou deixar de entupir as caixas de correspondências de sua residência com o meu tradicional jornalzinho em que apareço sorridente em todas as páginas inaugurando uma obra ‘minha’. Prometo também continuar atazanando os seus ouvidos com a minha propaganda em carro de som.
Infelizmente, não poderei mais continuar empregando meus familiares na Câmara, pois o nepotismo está sendo fortemente combatido. Mas não os deixarei na mão. Não serei ingrato com meus familiares, ajeitarei para eles cargos de grande importância na prefeitura e nas empresas do município. Na própria Câmara posso arrumar com os meus nobres colegas uma forma de instalar todos eles, pois uma boquinha nunca há de faltar.
Também não me esquecerei dos amigos leais, darei um jeitinho de arrumar uma colocação para todos.
Espero contar com a fidelidade do prezado eleitor ainda por muitos anos. E para que não se esqueça de mim em futuras eleições, estarei pronto em socorrê-lo em momentos de alguma necessidade. Conte comigo para um remédio de amostra grátis, um botijão de gás, um par de botinas e até cesta básica, pois a prefeitura não há de faltar com seus recursos numa hora tão estratégica, pois é preciso ter sempre como alvo as urnas das eleições que virão.
Confiante em mais um mandato, prometo ainda deitar e rolar em meio aos cifrões dos cofres públicos, mais sedento que nunca. E para que o caro eleitor não ache que sou ingrato, agradeço desde já pelo seu valoroso e lucrativo voto.”
Políticos iguais ao do discurso o país tem aos montes, saindo pelo ladrão, já uma sinceridade como a demonstrada só mesmo na imaginação.

‘Guerra santa’ em ano eleitoral

João Júlio da Silva
Todo ano de eleição é o mesmo absurdo. Os candidatos, sejam para o Executivo ou para o Legislativo, fazem verdadeira romaria, via sacra, procissão, peregrinação(ou seria marcha?) pelas igrejas em busca dos votos dos fieis. Quando chega essa época fica insuportável para o valoroso fiel, que apenas quer praticar o seu ato de fé, participar de alguma cerimônia religiosa, tamanha a audácia de políticos caras-de-pau e da permissividade de líderes religiosos inescrupulosos. . O que era para ser casa de oração virou uma verdadeira casa-da-mãe-joana, tanta é a liberalidade do trânsito dessas pessoas no local. Púlpito e altar, onde deve ser pregada a palavra de Deus, se transformam em palanques eleitorais. Perderam todo o respeito e o temor a Deus.
Não satisfeitos, os políticos ainda colocam seus cabos eleitorais, com permissão da liderança religiosa, nos portões e áreas do templo para distribuírem os ‘santinhos’ dos candidatos. Por que ‘santinhos’? Não estariam mais para ‘diabinhos’?
E quando os líderes religiosos resolvem se intrometer na eleição, pedindo, não, exigindo, que os fieis votem em determinado candidato e não votem, em hipótese nenhuma, em outro que não seja do agrado deles? Chegam a participar da campanha partidária pregando voto a favor do seu candidato e demonizando o adversário. É exatamente o que está ocorrendo agora na capital paulista. Uma verdadeira e ridícula guerra santa eleitoral, assim como ocorreu na eleição de 2010, quando líderes religiosos pregaram voto contra a então candidata e agora presidente da República. Eles conseguiram, naquele ano, levar a eleição para o segundo turno, mas perderam para a escolha democrática dos eleitores. Neste ano, em São Paulo, lideranças de determinada corrente religiosa fazem campanha e pedem voto para o seu candidato preferido e outros líderes de uma certa denominação religiosa pregam voto para o seu candidato querido. Uma briga de foices! Ora, pessoal, vá pregar a palavra de Deus!
A história da humanidade nos ensina muito bem que política e religião não combinam, o resultado pode ser devastador. O que não faltam são exemplos tenebrosos. Para o bem de uma nação é necessário que o Estado seja laico.
Política, mais precisamente eleição, e religião juntas são um desacato à democracia. Utilizar as eleições para fazer pressão, ameaça e chantagem não condiz com um Estado democrático. Os votos dos fieis não são propriedade da igreja para serem usados como instrumento de manipulação, eles são armas que o cidadão tem o direito de utilizar conforme a sua consciência política. Os fieis não são massa de manobra, vaquinhas de presépio, para que seus líderes decidam por eles quem é o melhor candidato numa eleição.
Essa postura da liderança religiosa é retrógrada e está bem distante do que vem a ser uma verdadeira democracia, é retrocesso político, um ataque ao processo democrático eleitoral e um decreto de morte à liberdade individual.
A utilização da religião numa campanha eleitoral jamais visa o bem comum de toda a população, mas sim a ascensão política de grupos interesseiros, ávidos por recursos públicos. Se numa campanha, eles só fazem espalhar a discórdia com seus ataques e ofensas, do que seriam capazes se, de fato, conquistassem o poder? Deus nos livre!
Os políticos oportunistas e espertalhões não fazem mais que encenação, comungam e congregam em qualquer denominação religiosa. Fazem qualquer negócio, ficam entre a cruz e a espada, acendem uma vela para Deus, rezam, oram e gritam “aleluia” e acendem outra vela para o coisa-ruim.
Esses líderes religiosos, neopolíticos dos “últimos dias”,que estão cada vez mais distantes das causas divinas, o que querem mesmo é barganhar, negociar o apoio eleitoral das igrejas em troca, posteriormente, do atendimento de suas reivindicações, visando galgar o poder político e ampliar seus instrumentos midiáticos, afinal, as concessões de emissoras de rádio e televisão são muito bem vindas. Depois, é como dizem, basta tomar posse.
Está faltando luz neste cenário de trevas! Misericórdia!

Os ‘prefeitinhos’ dos bairros

João Júlio da Silva
Eles estão por aí a todo vapor. No horário eleitoral gratuito na televisão podemos ver e ouvir os mais diversos tipos de candidatos a vereador pedindo o voto do eleitor, cada qual do seu jeito. É uma festa!
Certas figuras dão um verdadeiro show de horrores. A maioria deles não tem a mínima noção de qual seja o verdadeiro papel do vereador, sequer sabe quais as reais atribuições do Poder Legislativo no município.
Muitos prometem o que é atribuição exclusiva da prefeitura. Quando conseguem se eleger, atuam como se fossem servidores do Poder Executivo, tamanha é a submissão.
Essa falta de conhecimento das funções de um vereador é compartilhada com a maioria dos eleitores, que confunde os papeis da Câmara e da prefeitura. Isso ocorre por um simples e corriqueiro fato: muitas prefeituras fazem da Câmara de vereadores uma extensão de seus domínios.
Muitos vereadores dizem que são suas as obras executadas pela prefeitura. O “nobre edil” visa passar para o seu eleitorado a ideia de que ele é o grande responsável pelas melhorias em sua região. Ou seja, se posiciona como um “prefeitinho” do bairro. E o que faz a prefeitura diante de tal postura? De certa forma acaba aprovando, pois precisa do apoio de seus “prefeitinhos” na Câmara. Aliás, o “nobre edil” age nos bairros que compõem sua base eleitoral como se fosse o dono do pedaço, com o território demarcado como seu.
Em época de eleição esses vereadores picaretas fazem qualquer coisa para garantir a reeleição para um novo mandato. O que se nota é que esse tipo de político não faz política e sim politicagem. É um politiqueiro, um profissional dos mais rasteiros. Enfim, um verdadeiro “politicanalha”.
Mas, afinal quais são as verdadeiras funções do vereador? Eleito pelo povo, portanto, representante dele, o vereador tem como funções: legislar, ou seja, criar leis que tornem a sociedade mais justa e humana; a fiscalização financeira; e manter o controle externo do Poder Executivo Municipal, principalmente quanto à execução orçamentária ao julgamento das contas apresentadas pelo prefeito.
Com o tempo, as atribuições do vereador foram se desviando e ele passou a exercer funções de um “despachante de luxo”. Em muitos casos, explorando a situação de penúria de seus eleitores. E para garantir o voto fácil presta os mais diversos favores, enfim, uma troca interesseira.
Além de “despachante de luxo”, em certos municípios o vereador se presta ao papel de “office-boy” do prefeito. Para mudar esse quadro, a população deve procurar se inteirar das atribuições do vereador e cobrar a verdadeira função. No exercício de sua função, o vereador é o fiscal dos atos do prefeito na administração dos recursos do município relacionados no orçamento.
O vereador como representante do povo, deve também ser consciente de que um Legislativo forte e representativo é ponto preponderante para a democracia no município.
Ao saber disso, o eleitor tem melhores condições, na hora de votar, de escolher os seus representantes, tendo consciência do que deve realmente fazer o seu candidato, caso seja eleito. E depois cobrar a sua postura de acordo com as suas legítimas funções.
Infelizmente, a grande maioria dos vereadores não faz a mínima ideia do que vem a ser legislar para o município. O mandato é usado de maneira assistencialista e a tarefa principal do vereador, de criar leis e fiscalizar o Executivo, muitas vezes, sequer é cumprida. Ao praticar o assistencialismo político, prometendo de quase tudo, desde botijão de gás, cesta básica e até consulta médica, esse tipo de vereador acaba atuando para indivíduos e não para toda a coletividade, ou seja, para o bem-estar de todos os cidadãos do município. O vereador que se comporta assim apenas colabora para o atraso político da sua cidade, do Estado e do país.
Cabe ao eleitor buscar se informar corretamente para que possa ter consciência política, pois é praticando a cidadania que se faz da democracia um caminho firme para a tão almejada justiça social.
Que neste ano o eleitorado vote para renovar a Câmara de vereadores para melhor.

Interrompendo o fôlego da vida

João Júlio da Silva
O que é a vida? Programa após programa, o apresentador repete na televisão a pergunta a seu entrevistado. As respostas são as mais variadas possíveis, raramente algum convidado relaciona a vida à criação divina. Mas isso não surpreende, pois os entrevistados são, quase sempre, intelectuais e artistas. Se a pergunta fosse feita na rua, entre populares, a maioria ligaria a vida a Deus. Respeitando todas as diferenças e o livre-arbítrio, eu fico com o que considera a maioria das pessoas: “a vida é dom de Deus”.
Esta introdução é para levar ao que viso na coluna de hoje. Amanhã, 10 de setembro, é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, um fenômeno que afeta todas as regiões do mundo e todos os grupos de idade, e que é especialmente preocupante porque para cada suicídio há 20 tentativas fracassadas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 40 segundos uma pessoa se suicida no mundo, o que eleva para um milhão por ano o número daqueles que decidem tirar a própria vida, algo que cada vez mais se estende aos jovens. Para a OMS, em meio século houve uma mudança de tendência: se em 1950, 60% dos suicídios eram protagonizados por pessoas com mais de 45 anos, atualmente, 55% dos que tiram a vida são mais novos que o constatado anteriormente. O suicídio é considerado a terceira causa de morte entre as pessoas de 15 a 44 anos, e entre os jovens de 10 a 24 anos, mundialmente, o suicídio constitui a segunda causa de morte.
Os índices de suicídios entre os jovens aumentaram tanto que em um terço dos países esta faixa de idade é considerada a de “maior risco” pela OMS.
“As causas exatas do porquê desta mudança de tendência não sabemos. É um fenômeno que afeta todos os países e que está aumentando, mas as razões principais não as conhecemos, são muitas, variadas e mudam muito de caso a caso”, afirmou Alexandra Fleischmann, do departamento de Saúde Mental da OMS. Em geral, as mulheres realizam mais tentativas de suicídios do que os homens, mas estes são mais efetivos porque usam métodos mais radicais. Segundo a OMS, os fatores que determinam uma tentativa de suicídio são múltiplos e variados –psicológicos, sociais, biológicos, culturais e ambientais. Eu acrescentaria o fator espiritual.
“Em números absolutos, o Brasil está entre os 10 países com o mais elevado número de suicídios no mundo, registrando 24 suicídios por dia, ou seja, uma média de um suicídio a cada hora”, afirma a psicóloga Soraya Carvalho, idealizadora e coordenadora do Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio (Neps), da Bahia.
Uma pesquisa do núcleo de epidemiologia psiquiátrica da Universidade de São Paulo (USP) concluiu que 9,5% da população urbana brasileira já tiveram pensamentos suicidas e 3,1% tentaram tirar a própria vida. A OMS considera o suicídio um grave problema de saúde pública, correspondendo a mais da metade das mortes violentas no Planeta.
Há quem considere que as pessoas têm o direito de acabar com a própria vida quando bem quiserem. Eu coloco essa posição radical como algo referente ao livre-arbítrio.
Para a fé cristã, “o Senhor é que dá e tira a vida”, segundo a Bíblia em 1ª Samuel. 6. Recorrer às sagradas escrituras é sempre oportuno.
“E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente” (Gênesis 2.7). “Eis que medistes os meus dias a palmos; o tempo da minha vida é como que nada diante de ti” (Salmos 39.5). “Quanto ao homem, os seus dias são como a erva; como a flor do campo, assim ele floresce. Pois, passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não a conhece mais” (Salmos 103.15-16).
Viver neste mundo de aflições não é fácil, mas há o consolo que só a graça da fé pode proporcionar. “Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal” (Mateus 6.34).
Apesar das dificuldades e maldades é preciso seguir adiante sempre. “Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1 João 2.17).
Então, celebremos a vida!

Ensino e universitários cotados

João Júlio da Silva
Qualquer cidadão sabe muito bem a quantas anda a educação no Brasil e, principalmente, como ela é tratada pelos governantes. A qualidade do ensino público é sempre alvo de muitas críticas, portanto, falar de algo referente ao tema é como tratar do que há de pior neste país.
E de nada adianta melhorar os cursos superiores, graduados, se a base fundamental do ensino da rede pública continua precária. E que fique bem claro que a culpa pelo estado a que chegou a educação não é dos professores, que se esforçam ao máximo, ganhando um salário ridículo. E agora, tem mais um agravante, os professores enfrentam ainda a violência dos alunos dentro da escola e na sala de aula. É o pior dos mundos. E sem vontade política, fica muito difícil qualquer solução para o caos instalado.
Faço esta introdução para me ater ao fato da presidente Dilma Rousseff ter sancionado, na quarta-feira, a lei que institui o sistema de cotas raciais e sociais para universidades federais de todo o país. A lei prevê que as universidades públicas federais e os institutos técnicos federais reservem, no mínimo, 50% das vagas para estudantes que tenham cursado todo o ensino médio em escolas da rede pública, com distribuição das vagas entre negros, pardos ou indígenas. A lei foi sancionada, mas o sistema de cotas ainda dá margem para muitas discussões no meio educacional. Ao assinar a lei, Dilma disse que o mecanismo precisa associar inclusão e qualidade do ensino superior público.
O governo decidiu que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será a ferramenta para definir o preenchimento das vagas reservadas.
A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, disse que a Lei de Cotas, deverá ampliar de 8,7 mil para 56 mil o número de estudantes negros que ingressam anualmente nas universidades públicas federais. Segundo a ministra, a associação de critérios sociais e raciais para as cotas foi a solução “politicamente possível” para tentar reverter a desigualdade no acesso ao ensino superior público. Além de ampliar a diversidade no ensino superior público, Luiza Bairros acredita que a nova lei deverá estimular a melhora da qualidade do ensino médio nas escolas da rede pública.
É lógico, a lei não agrada a todos e provoca muitas divergências. Num debate recente entre estudantes sobre as cotas, muitos deles ressaltaram que essa política pode causar preconceitos nas universidades. “Se (a cota) for por uma questão de cor/raça, eu acho que geraria um preconceito lá dentro (na universidade)”, disse um aluno de uma escola pública do ensino médio. “Colocando uma cota, você vai gerar uma exclusão dentro da universidade”, disse. Uma outra estudante da mesma escola fez a seguinte colocação: “Se o Luis (um colega de escola) tem a mesma capacidade do que eu, que sou negra. Por que eu deveria ‘ter a oportunidade’ e ele não ter?”, declarou. Um outro estudante critica a precariedade da educação: “Para mim as cotas de escola públicas é o governo admitindo e se acomodando por ter o pior ensino possível. […]Não quero ter 50% (de cota), quero ter um ensino de qualidade”. Ele disse que as cotas raciais estimulariam o racismo ao dividir a sociedade em raças. Baseado nesses comentários, fica a questão: seria a cota, racista?
Há quem defenda o sistema de cotas raciais da universidade por ser “reparatório para corrigir as injustiças do passado”. Outros argumentam que as cotas deveriam ser somente para estudantes pobres. Muitos educadores alegam que o sistema é ruim porque fere a autonomia das universidades.
A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, considerou constitucional a política de cotas. Para ela, a intervenção estatal para diminuir a desigualdade é válida. “Liberdade e igualdade andam de mãos dadas. Para ser livre é preciso ser igual, para ser igual é preciso ser livre”, disse a ministra.
Eu acredito que para ser igual, não se deve levar em cota, digo, conta, a raça de cada um, somente assim, a liberdade seria plena. E mais, eu penso que todo brasileiro, independente de ter a pele verde, rosa ou azul, deveria ter o direito a um ensino público de qualidade.

Na rua e muito além das urnas

João Júlio da Silva
O sol estava escaldante naquele meio-dia e o cidadão da rua descansava à sombra de uma casa, sentado na calçada. Ao seu lado, o filho ajeitava o material reciclável que teimava em cair do carrinho de madeira. Carrinho não, aquilo era mesmo uma carroça. Essa gente tem a vida dura. Mas, era assim que aqueles dois ganhavam as migalhas de cada dia para manter acesa a luz da sobrevivência.
O filho tinha uns 14 anos e morava com o pai num barraco de uma favela da cidade. Não sabia o que era ter mãe, segundo conta seu pai, homem de uns 40 anos de sofrimento às costas, ela morrera assim que ele nasceu. Foi criado pela avó, morta há um ano.
Viviam os dois assim, suando as migalhas que lhe cabiam, catando todo o tipo de material, puxando carroça pelas ruas do lugar. O pai estava sempre tristonho, não gostava de ver o filho ali naquela labuta, fazendo aquele tipo de serviço. Sonhava poder um dia dar condições para ele estudar, mas os anos iam se passando e nada da vida melhorar. Estava arrependido por não ter estudado quando ainda morava numa cidadezinha do interior. Agora, puxa carroça como um burro qualquer. Pois é exatamente isso que faz dia após dia, como um animal se estrebuchando de tanto fazer força para garantir alguns trocados. Aprendeu a ler e escrever, mas não passou disso, não teve condições para ir além, assim ficou à margem, excluído pela velocidade tecnológica do mundo atual.
A tristeza no rosto estampava a desilusão de um farrapo humano num mundo mesquinho e injusto. Às vezes, ousava viajar com os pensamentos e imaginava uma vida mais digna. Logo seus olhos ameaçavam lacrimejar e então despertava para a sua dura realidade.
Estavam os dois ali, no horário do almoço que nunca tinham, pois só iriam comer alguma coisa requentada no barraco, já na entrada da noite.
Enquanto tentava ganhar mais forças para terminar o dia, derramado de cansaço naquela calçada, observava as pessoas que passavam pela rua. O filho estava amarrando alguns papelões no carrinho, quando ele decidiu se levantar para tocar a vida adiante, ou seja, puxar a vida ladeira acima com o seu corpo queimado pelo sol e já estropiado pelo peso da carga que puxa todos os dias. Ao se levantar da calçada, viu se aproximar um homem bem trajado e todo sorridente. Ele lhe entregou um papel com uma foto e um número, disse ser candidato nas próximas eleições e que esperava contar com o seu voto.
O homem, com certeza, não o conhecia, mas o cidadão da rua sabia muito bem de quem se tratava. Era o dono de uma empresa que não permitia que ele recolhesse os papelões que eram descartados na portaria de sua propriedade. Se tratava de um homem de nariz empinado, que em campanha eleitoral se transformava em outra pessoa, um ser aparentemente agradável, embora falso. Estava agora empenhado em conseguir um cargo político.
O cidadão da rua acredita que gente assim deita e rola com o dinheiro público. Para ele, sujeitos como aquele só buscam altos salários, valores absurdos e incompatíveis pelo que nada fazem em seus inúteis gabinetes. Para o cidadão da rua, os homens públicos indignos pensam exclusivamente em suas contas bancárias.
O homem falou e se foi, atravessou a rua com os passos de alguém que se sente como se fosse o dono do mundo, rumo aos seus cifrões preciosos.
O cidadão da rua então, após todo aquele movimento, voltou os olhos para si e teve muito orgulho da vida que leva, pois mesmo não tendo nem o mínimo suficiente para sobreviver como um ser humano, algo faz toda a diferença entre ele e aquele político desprezível, pois tem a honradez de contar apenas com o que lhe cabe, mesmo não tendo quase nada. Tomou fôlego, se posicionou na carroça, chamou o filho e seguiu na labuta de carregar o país às costas.
Enquanto políticos inescrupulosos arrasam cidades, Estados e país, o cidadão da rua e seu filho e muitos outros, uma multidão imensurável de farrapos humanos, continuam, honestamente, catando migalhas pelas ruas, rastejando pelas sarjetas. O cidadão da rua segue em frente, animalescamente puxando carroça dia após dia, muito além das urnas.

Manifestação nua e vazia

João Júlio da Silva
Foi-se o tempo em que ativistas feministas, num momento de grande euforia, queimavam o sutiã em praça pública para reivindicar seus direitos, hoje a peça nem faz parte do vestuário das manifestantes. A onda agora é colocar os seios à mostra por qualquer motivo, muitas vezes até sem nenhuma razão aparente.
O que essas mulheres consideram ser um ato de protesto não passa de uma exibição vulgar do corpo. Se todos resolvessem protestar assim, seria a adoção da vulgaridade para qualquer reivindicação.
Um exemplo disso são as mulheres que integram o grupo Femen, de origem ucraniana. “A gente mete o nariz em tudo”, admite Anna Gutsal, 27 anos, líder e fundadora do grupo. O nariz? Junto com as amigas Sasha Shevchenko, e Oksana Shachko, ela colocou os peitos de fora pela primeira vez como protesto em 2008. Desde então, o grupo tem crescido e participado de várias manifestações e já tem simpatizantes em vários países, inclusive no Brasil. “Os seios são armas, como granadas”, diz Sasha. Uau, explosivo isso!
Na sexta-feira, ativistas do grupo tomaram as dores das três integrantes da banda punk Pussy Riot, que foram presas, julgadas e condenadas a dois anos de prisão por um protesto contra o governo russo, feito no altar de uma igreja cristã de Moscou. Em protesto, as mulheres do Femen, meteram os peitos e usaram uma motosserra para cortar uma cruz ortodoxa em Kiev. Querem protestar, tudo bem, mas com o desrespeito ao símbolo de fé de tantos fiéis elas perderam completamente o bom senso. Tanto as garotas da banda punk como as ativistas do Femen miraram um alvo e atingiram outro. Lamentável. Que protestem contra o governo de uma maneira mais racional. No Brasil, três integrantes do grupo Femen foram detidas na quarta-feira após um protesto em frente ao consulado da Rússia, em São Paulo. Elas vestiam apenas calcinha e gritaram pela liberdade do grupo russo. Elas ainda jogaram tinta no muro do consulado. Elas resistiram à prisão e foram conduzidas à força, arrastadas pela polícia.
Após a prisão, a imagem de uma tatuagem no peito da líder brasileira do Femen, Sara Winter, 20, deu início a discussões na internet com acusações de que ela teria pertencido a um grupo neonazista. Ela, que diz ter sido garota de programa, nega. Mas, questionada, confirmou. “É verdade, mas não estou pronta para falar sobre isso. Foi há dois anos, logo que eu vim para São Paulo”, disse.
“Quando eu tinha uns 15 anos, eu conversava muito pela internet com as pessoas [envolvidas com movimentos nazistas] e tinha algumas ideias similares às deles, mas conforme eu fui crescendo, vi que era um pensamento muito errado”, declarou. “Eu era uma menina de 15 anos, mal sabia o que estava falando. Mas jamais andei ao lado de um skinhead, de um whitepower, tudo eram conversas na internet”, disse.
Internautas associaram inclusive o nome de guerra dela (seu sobrenome é, na verdade, Gerominho) ao de uma britânica que foi militante nazista durante a Segunda Guerra Mundial. “Foi uma triste coincidência”, disse a manifestante.
Que situação, hem? Como disse no início, a onda é por os peitos pra fora. Há quem vá além. A pseudoescritora e também ex-garota de programa, Vanessa de Oliveira, 37 anos, ficou nua na Avenida Paulista para protestar contra a pirataria. Sem nenhuma peça de roupa e com o corpo pintado, ela atraiu curiosos ao falar sobre sua campanha e lançar o livro “Psicopatas do coração”. Não seria mais adequado o título “Psicopatas em ação”?
Penso que a prisão das garotas russas foi um exagero, assim como a detenção das brasileiras. E sou contra a pirataria. Mas, acredito que seja necessário rever a forma de protesto. Houve um tempo em que as mulheres realizavam manifestações conscientes por melhores condições de trabalho e direito ao voto! Tempo em que a luta era em busca de conquistas sociais, políticas e econômicas e também contra as discriminações e as violências a que estão sujeitas, ainda hoje.
A mulher deve se manifestar como realmente é, inteira, grande, brilhante e nas alturas, e não como um ser vulgar arrastado na sarjeta, em imagens deploráveis.
E viva as mulheres, sempre!

Novela da sacolinha plástica

João Júlio da Silva
Já está torrando a paciência o episódio das sacolinhas plásticas. A novela continua e já está se tornando um dramalhão mexicano. Preocupação com o meio ambiente. Este não deve ser o verdadeiro motivo para que redes de supermercados não queiram fornecer as sacolinhas plásticas para embalagem dos produtos.
O caso teve mais uma reviravolta. Agora os supermercados vão disponibilizar as sacolinhas “gratuitas” até o dia 15 de setembro.É gratuita coisa nenhuma, o consumidor paga e muito por elas, pois o custo é diluído nos produtos vendidos. Após a data, esses comerciantes que faturam alto não serão mais obrigados a fornecer as embalagens e poderão vender sacola reutilizável a R$ 0,59 por unidade. O preço tem de ser mantido até 15 de abril do próximo ano. Depois, cada comerciante do ramo deve fazer a farra a seu gosto.
A decisão é liminar e foi dada na última quarta-feira pelo desembargador Torres de Carvalho, da Câmara Reservada ao Meio Ambiente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, depois de analisar recurso de um poderoso grupo multinacional de supermercados. A medida beneficia todos os supermercados paulistas.
Pois então, o poderoso grupo obteve a benesse após recorrer da determinação da juíza Cynthia Cristófaro, que havia decidido em 25 de junho que os supermercados voltassem a distribuir gratuitamente as sacolinhas aos clientes. Ela tomou a decisão depois que a SOS Consumidores entrou com uma ação cível pública para pedir a distribuição.
Mas estarão as redes de supermercados interessadas mesmo com o meio ambiente ou perceberam que terão um lucro extra com a venda da sacola ecológica? E mais, agora vão faturar também aumentando a venda de sacos plásticos para lixo, pois o consumidor não terá mais as sacolinhas para isso. Esses especialistas em ganhar sempre agora estão até indicando com destaque em qual corredor estão os sacos. Afinal, faturar é preciso. Sem alternativa, o consumidor compra e paga.
E essa história de que o saco de lixo se decompõe com maior rapidez que as sacolinhas não me convence. E se a preocupação do Tribunal com o meio ambiente é tanta, por que essa ideia ecologicamente correta não vale para todos os setores do comércio? Por que as lojas continuam com suas embalagens plásticas? Se está constatado que o plástico é ruim para o meio ambiente, então que ele seja banido e substituído por outro produto que não traga tantos danos para a natureza. Posso até estar errado, mas vejo nesse embaraço todo apenas interesse comercial e nada mais.
E os consumidores? Ora, que se lasquem! A verdade é que a maioria deles prefere as sacolinhas plásticas pela facilidade de levar a compra e também para reutiliza-la depois para o descarte do resíduo doméstico.
No período em que os supermercados deixaram de fornecer a embalagem foi um estresse total.Clientes ainda desacostumados com a ideia de levar consigo uma sacola de reserva, esbravejavam nos caixas pela falta das sacolinhas e por ter que pagar por uma sacola ecológica. Alguns utilizavam sacolas plásticas conseguidas em outros comércios e outros deixavam metade da compra para não ter que comprar sacolas demais ou então abandonavam toda a compra no caixa.
Se uma pessoa estiver passando em frente a um supermercado e se lembrar que precisa comprar algumas coisinhas, tipo leite e sabão, esquece. Essa facilidade não existirá mais. Afinal, ninguém anda com uma sacola debaixo do braço o tempo todo. Se estiver desprovido dela, terá que pagar por uma nova se não quiser ficar sem o leite e o sabão. Teve gente que ficou sem comprar alguma coisa no supermercado, justamente por isso.
Considero que o saquinho de papel seria uma boa solução para o caso das sacolinhas plásticas. Os supermercados deveriam fornecer “gratuitamente” o saco de papel no lugar das sacolinhas, ele ficaria disponível nos caixas e com variedade de tamanhos. E mais, eles poderiam até ser de papel reciclado. Não seria uma boa para a natureza? Estariam os supermercados interessados nisso?Mas a novela ainda não acabou, pois cabe recurso.

Supremo julgamento e opinião

João Júlio da Silva
Começou bem quente o julgamento do mensalão no plenário do STF (Supremo Tribunal Federal), na última quinta-feira. Teve até bate-boca entre ministros.
Como já era esperado o caso está dando o que falar e será o grande destaque dos noticiários até o Supremo chegar a um veredicto.
Infelizmente, o julgamento foi politizado às vésperas das eleições municipais e a maioria da grande mídia tomou partido no episódio, como já disse aqui na coluna do domingo passado. Queiram admitir ou não, o julgamento já está politizado e vai ser usado sim nas eleições municipais.
Colunistas estão mandando ver. Há quem fale que o julgamento é o maior da história do país, que o caso é maior crime de todos os tempos, que o momento é dos mais difíceis e que o mundo inteiro está acompanhando o episódio. Até parece que o mundo já não tem problemas demais para se preocupar.
Eu continuo considerando que todo escândalo e qualquer denúncia devem ser alvos de apuração séria e comprovado o ato criminoso que todos os envolvidos sejam punidos com o rigor da lei.
Mas, também considero que um julgamento desse não poderia jamais ser realizado às vésperas de uma disputa eleitoral, dando margem para qualquer especulação.
Além do mais, o tratamento dado pela maioria dos meios de comunicações para determinado partido é um e para certa legenda é outro completamente diferente. Pesos e medidas não são iguais.
Em meio à avalanche de comentários recheados de ódio e ataques a determinado partido, ainda há vozes que destoam do que se tornou praxe. E destaco aqui as sábias palavras do jornalista Janio de Freitas, que deveriam ser tomadas como exemplo por muita gente que anda dizendo um monte de besteiras por aí.
“O julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal é desnecessário. Entre a insinuação mal disfarçada e a condenação explícita, a massa de reportagens e comentários lançados agora, sobre o mensalão, contém uma evidência condenatória que equivale à dispensa dos magistrados e das leis a que devem servir os seus saberes. Os trabalhos jornalísticos com esforço de equilíbrio estão em minoria quase comovente.
“O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, reforça o sentido das reportagens e dos comentários mais numerosos, ao achar que “o mensalão é o maior escândalo da história” –do Brasil, subentende-se. O procurador-geral há de ter lido, ao menos isso, sobre o escândalo arquitetado pelo brilho agitador de Carlos Lacerda em 1954, que levou à República do Galeão, constituída por oficiais da FAB, e ao golpe iniciado contra Getúlio Vargas e interrompido à custa da vida do presidente. Como desdobramento, uma série de tentativas de golpes militares e dois golpes consumados em 1955. O procurador Roberto Gurgel não precisou ler sobre o escândalo de corrupção que levou multidões à rua contra Fernando Collor e, caso único na República, ao impeachment de um presidente. Nem esse episódio de corrupção foi escândalo maior? Dois inícios de guerra civil em 1930 e 1932, insurreição militar-comunista em 1935, golpe integralista abortado em 1937, levante gaúcho de defesa da legalidade em 1961, dezenas de tentativas e de golpes militares desde a década de 1920. E agora, à espera do julgamento do mensalão, é que “vivemos um dos momentos mais difíceis da história republicana”.”
Grande jornalista Janio de Freitas, nem tudo está perdido neste país!
E o Gurgel, hem? Sobre os problemas para provas periciais, ao expor as denúncias do caso, ele disse que não é fácil encontrar provas de questões tratadas entre quatro paredes. Detalhe interessante esse!
Gurgel, um sujeito que se assemelha a um misto de Jô Soares com Rei Momo, carregou nos adjetivos de acusação.
Mesmo sob pressão da opinião pública partidária, que o Supremo julgue sempre, não apenas esse caso, de maneira técnica, tendo a lei como base única, seja para condenar ou para absolver qualquer réu. Pois, é inconcebível que a corte máxima do país tome decisões que demonstrem alguma coloração partidária.

Julgamento e disputa eleitoral

João Júlio da Silva
O STF (Supremo Tribunal Federal) dará início na próxima quinta-feira, 2 de agosto, ao julgamento do caso chamado de “mensalão” e deve durar pelo menos um mês. O esquema denominado como “valerioduto” vai dar ainda muito o que falar .
O julgamento vai decidir o futuro de 38 réus, incluindo toda a ex-cúpula nacional do PT. Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os suspeitos no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB). Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.
O núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios. Tudo começou com o flagrante de um funcionário dos Correios recebendo propina em nome de Jefferson.
Na época, surgiram indícios de que políticos do PT, PR e PTB receberam quantias do valerioduto. Para Jefferson, Lula não sabia do esquema.
Na última quarta-feira, um grupo de advogados de São Paulo, três deles ligados ao PT, pediram à presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministra do Supremo, Cármen Lúcia Antunes Rocha, que pondere com seus colegas da alta corte que é inoportuno julgar a ação do mensalão durante o período da corrida eleitoral deste ano. O objetivo é adiar a análise do caso para depois das eleições de outubro. Eles alegam que as eleições e a exposição midiática atrapalhariam o julgamento. Eles negam que a iniciativa da proposta tenha sido articulada com o partido ou réus da ação penal.
Admitam ou não os membros do Supremo e a maioria da grande mídia, o julgamento já está politizado e vai ser usado sim nas eleições municipais.
E será um prato cheio também para certos jornalões, que classificam com muito prazer o caso de “mensalão do PT ou petista”, mas em relação ao primeiro caso de mensalão deste país, o que envolve o processo contra o senador tucano Eduardo Azeredo (MG), acusado de envolvimento no valerioduto nas eleições mineiras, com desvio de dinheiro público para sua campanha de reeleição ao governo de Minas, em 1998, essa mesma mídia o trata como “mensalão de Minas” e não de “mensalão do PSDB ou tucano”. No outro caso, o partido acusado é bem destacado. Há quem considere o caso Azeredo como “valerioduto de Minas”. O termo mensalão nem é mencionado.
Eu continuo firme com minha convicção de que todo escândalo e qualquer denúncia devem ser alvos de apuração séria e comprovado o ato criminoso que todos os envolvidos sejam punidos com o rigor da lei. E penso também que um julgamento de tamanha envergadura e repercussão não poderia jamais ser realizado às vésperas de uma disputa eleitoral. Quem não tem nada a ver com o caso pode acabar prejudicado sim. Além do mais, a constatação de frutas podres não implica que todo o pomar esteja contaminado. Por que o julgamento não foi efetuado antes, num ano sem eleições? Evitaria assim qualquer tipo de especulação.
E repito, uma coisa é bem nítida, o tratamento dado pela maioria dos meios de comunicações para determinado partido é um e para certa legenda é outro bem diferente. Há pesos e medidas bem diferenciados. Conforme o alvo o enfoque e o espaço dados são completamente desiguais. Para essa turma, Fernando Henrique Cardoso deve ter conseguido no Congresso o seu segundo mandato presidencial de maneira bem angelical. A aprovação do projeto reeleição para si próprio deve ter sido apenas um milagre. Sem negociata nenhuma.
A corrupção política no país não é recente nem é de coloração partidária única, ela vem de longe e sua abrangência é bem ampla. Quem assim não considera, está, no mínimo, mal intencionado.
No saco político brasileiro, as farinhas partidárias se misturam. O combate deve ser sempre contra os corruptos para que a corrupção seja contida.

Ressurge o cavaleiro das trevas

João Júlio da Silva
Aconteceu de novo. E para variar, nos Estados Unidos!Um maluco armado atirou contra várias pessoas em um local público. Dessa vez foi num cinema.
O atirador, identificado como James Eagan Holmes, de 24 anos, vestindo roupa à prova de bala, matou 12 pessoas e feriu outras 58 numa sessão de estreia do filme “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” na madrugada de sexta-feira em Aurora, no Colorado (Estados Unidos). Ele abriu fogo contra os espectadores.
O presidente norte-americano, Barack Obama decretou luto de seis dias e se mostrou comovido. “Talvez nunca possamos entender o que leva uma pessoa a tirar a vida de outra, é algo sem sentido, cruel. Mas se podemos aprender algo dessa tragédia é que a vida é muito frágil”, disse.
Se o governante mais poderoso do mundo considera a vida “muito frágil”, quem sou eu para discordar. É realmente um fato, a todo instante as barbáries do mundo revelam isso.
Segundo a polícia, o atirador comprou nos últimos 60 dias quatro pistolas em uma loja local e, através da internet, adquiriu “mais de seis mil munições”, sendo três mil balas calibre 22 para uma espingarda, três mil de calibre 40 para duas pistolas que levava consigo e mais 300 para uma escopeta calibre 12. Ele também comprou na internet “múltiplos carregadores” para uma espingarda de calibre 223.
A polícia ainda cercou o apartamento de Holmes e revelou que o local estava repleto de explosivos “sofisticados”.
O cara estava se preparando para uma guerra. Pelo visto, foi mesmo tudo premeditado.
Em depoimento à polícia, Holmes disse ser o Coringa, vilão do filme anterior do Batman, conhecido pela violência e crueldade. Segundos testemunhas, ele tinha cabelo e barba pintados de vermelho.
O maluco estava matriculado na escola de medicina da Universidade do Colorado. Ele estudava neurociência. Seu único antecedente na polícia era uma multa devido ao excesso de velocidade. Ao que parece, a neurociência não fez muito bem para o autor dos assassinatos. Vizinhos do atirador dizem que ele era um rapaz tímido e não demonstrava comportamento incomum. Colegas do tempo de colégio contam que ele era “um garoto superlegal”, “meio quieto” e “realmente esperto”. Esses desequilibrados geralmente são tímidos, o que não quer dizer que todos os tímidos tenham alguma tendência para tamanha violência. É bom deixar isso bem claro, senão os tímidos vão acabar comigo na internet. Além do mais, eu também sou um grande tímido, mas de uma timidez sadia. O quer dizer timidez sadia? Ora, que a pessoa não sai por aí atirando contra as pessoas como um maluco .
Quando ocorre episódio desse tipo nos lembramos de casos anteriores. E são vários e marcantes.
Por exemplo, em 22 de julho do ano passado, Anders Behring Breivik matou 77 pessoas na Noruega em atentado a bomba e tiroteio; ele era militante anti-islâmico e admitiu os ataques . Em 5 de novembro de 2009, Nidal Hasan, psiquiatra do Exército, matou 13 e feriu 32 em Fort Hood, no Texas (EUA). Em 16 de abril de 2007, Seung-Hui Cho matou 32 e se suicidou no campus de Virginia Tech, em Blacksburg, Virgínia, também nos EUA. Em 20 de abril de1999, Eric Harris e Dylan Klebold dispararam na escola Columbine, no Colorado, matando 12 colegas e um professor e ferindo 26 .
Em terras brasileiras também ocorreram fatos semelhantes. No dia 7 de abril do ano passado, Wellington Menezes de Oliveira invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira, no Realengo, no Rio, e atirou contra os alunos, matando 12; acuado, se suicidou.
E quem não se lembra do caso ocorrido em 3 de novembro de 1999, também num cinema, quando o estudante de medicina Mateus da Costa Meira matou três e feriu quatro durante exibição do filme “Clube da Luta”, no Morumbi Shopping, em São Paulo.
Todos esses fatos revelam que o mundo jaz mesmo no maligno e que os malucos estão à solta apenas aguardando o momento exato para mostrarem do que são capazes. O atirador de Colorado deixou com marcas de sangue que “o cavaleiro das trevas ressurge” sempre para a barbárie.

Arauto da ética cai do pedestal

João Júlio da Silva
Ele caiu. Sim, finalmente ele caiu. O roto que atacava esfarrapados. O paladino da moralidade pública, arauto da ética política, desabou de seu límpido trono. Enfim, já era. Com a decisão do plenário do Senado de cassar o seu mandato, Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) perdeu toda aquela pose de homem acima de qualquer suspeita. Está cabisbaixo agora, o tempo de nariz empinado ficou para trás. O prestígio que lhe era concedido e a reputação que manifestava ter já fazem parte do passado. Ele foi tirado do alto do pedestal, onde se posicionava como um ícone da lisura política e era aclamado pelos jornalões da grande mídia. Chegou a ser tratado como a própria dignidade em pessoa num programa de televisão. “Realmente, os políticos estão perdendo a vergonha na cara”, foi o que disse em 2007 sobre um colega pego com a boca na botija.
Aquele crítico voraz na tribuna do Senado e na imprensa, que atacava os governos de seus adversários, estava apenas fazendo cena. Pois acabou pego em ligações promíscuas com o empresário de jogos ilegais, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O então senador chamava o bicheiro de ‘Professor’, que, por sua vez, tratava Demóstenes como ‘Doutor’.Eles se entendiam bem. O professor deveria ensinar tudo sobre atividades consideradas ilegais e o doutor remediava em relação ao que entendia ser decoro parlamentar. Denúncias de envolvimento com Cachoeira, preso em fevereiro durante operação da Polícia Federal, foram fatais para que perdesse o mandato. Gravações telefônicas feitas pela PF revelaram que Demóstenes usou o cargo para beneficiar Cachoeira.
O Senado aprovou na quarta-feira, por 56 votos a 19, a cassação do mandato de Demóstenes Torres por quebra de decoro parlamentar. Houve ainda cinco abstenções. Com o mandato cassado, ele ficará inelegível até 2027. Ele não pode concorrer a um cargo público por até oito anos após o fim do seu mandato, que acaba em 2019. Esta é a segunda cassação na história do Senado. Em 2000, Luiz Estevão foi cassado por 52 votos a 18. Ele era acusado de participar de um desvio de verba nas obras do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de São Paulo.
Nos dias que antecederam a cassação, Demóstenes tentou se defender na tribuna do Senado para um plenário vazio. Discursou para as paredes num Congresso às moscas. Sua imagem era patética, bem diferente daquele parlamentar que atacava seus ‘inimigos’ políticos, com um discurso explosivo e contundente. A cada discurso que fazia, os holofotes estavam presentes, ele era o ‘queridinho’ de um monte de puxa-sacos que torciam por sua aventura política. Como grande “líder” da oposição, combatia com aparente seriedade a corrupção do governo federal, mas pelo que foi revelado depois, não fez a lição de casa em seu reduto eleitoral, em Goiás, fez pouco caso de sua ficha suja, deixando de lado a própria trajetória de malfeitos. Mas, do alto da tribuna do Senado foi à lona por quebra de decoro parlamentar e acabou deixando o Congresso pela porta dos fundos, de cabeça baixa, sufocado por corrupção e tráfico de influências.
Desmoronou aquela tão aclamada imagem de homem de bem, guardião da ética e defensor dos bons costumes políticos. Os males politiqueiros atingiram o imaculado “demo”, que acabou caindo em tentação. Ao se juntar com Cachoeira, Demóstenes, como “despachante de luxo”, se molhou em águas sujas da contravenção e chafurdou num lamaçal de areia movediça, acabou arrastado para a derrocada política. Seu suplente, Wilder de Morais (DEM-GO), tomou posse já na sexta-feira num Senado vazio. Ele é ex-marido da atual mulher de Cachoeira, a bela Andressa Mendonça, e deve ter muitas explicações a dar sobre sua ligação com o contraventor. Que belo Senado, esse!
Demóstenes Torres, que antes cobrava ,de maneira enérgica, hombridade dos homens públicos, a partir de agora, ao ter o mandato de senador cassado, deveria, ao menos, tirar de tudo isso uma grande lição. É como ensinam as sábias palavras: “Hipócrita! Livre-se primeiro da viga do seu olho, e então você poderá ver claramente para cuidar do cisco do olho do seu irmão”.

Sinais do final dos tempos

João Júlio da Silva
Tratar de futebol aqui? Não, do fim do mundo. É sabido que um grupo de lunáticos espera pelo fim do mundo em 21 de dezembro deste ano. Puro delírio! O certo é que o dia e a hora do grande fim ninguém sabe, mas que, segundo escritos sagrados, quando o apocalipse estivesse próximo haveria sinais no mundo. E pela lista de proféticas ocorrências, muitos fatos atuais podem fazer pensar que é chegado o tempo. Mas, determinar dia e ano já é demais.
Eu também tenho uma lista de ocorrências que apontam para o fim do mundo. Lógico, ela é bem diferente da listagem sagrada, mas pode sim, ser um sinal apocalíptico. Ou não.
Uma das ocorrências talvez caiba também no que diz as escrituras religiosas sobre o avanço da ciência. Estou me referindo ao anúncio feito na última quarta-feira pelos físicos do LHC (Grande Colisor de Hádrons), maior acelerador de partículas do mundo, sobre a descoberta de uma nova partícula. E eles acreditam que seja o famoso Bóson de Higgs, conhecido fora da comunidade científica como a “partícula de Deus ou partícula-Deus”. Depois de anos de espera, imprevistos, problemas técnicos e muito suor, o anúncio da descoberta foi feito na sede do Cern (Organização Europeia para Pesquisa Nuclear), em Genebra, Suíça. Para os físicos, o feito é o coroamento da teoria científica mais bem-sucedida de todos os tempos, o chamado Modelo Padrão, que explica como se comportam todos os componentes e forças existentes na natureza, salvo a gravidade (explicada pela relatividade geral). Meio século após postular sua teoria sobre a existência da ‘partícula de Deus’, que teria permitido a formação do Universo e de tudo que existe, seu autor, o físico inglês Peter Higgs, se disse, na última sexta-feira, orgulhoso em ter razão.
‘Foi uma longa espera, mas poderia ter sido inclusive maior e eu não estaria aqui para vê-la. Às vezes é muito bom ter razão’, comentou o professor emérito da Universidade escocesa de Edimburgo, de 83 anos. Na realidade, a atual descoberta dos físicos é mais uma de tantas outras importantes na história das ciências. É o progresso e assim deve ser, senão, estaríamos ainda acocorados dentro de uma caverna. Os físicos que estudam o Bóson, detestam que se fale em “partícula de Deus” e com muita razão, afinal, se trata de um estudo científico. Mas quem começou com esse negócio de “partícula de Deus” foi também um físico, Leon Lederman, que assim se referia à tão cobiçada partícula. Mas, seria mais este avanço da ciência um sinal do fim do mundo, após tantas e tão bem sucedidas experiências científicas? Não sei, mas está em minha lista
Seguindo adiante, consta também em minha lista apocalíptica, o fato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter se aliado ao adversário histórico Paulo Maluf (PP) em prol da candidatura de Fernando Haddad (PT) pela prefeitura de São Paulo. O que, isso não vale? Sei, certos políticos são capazes de tudo pelo poder.
Sendo assim, então outro episódio que eu contava em minha lista também cai por terra, a promessa do ex-governador José Serra (PSDB) de que, se eleito, vai cumprir o mandato de prefeito da capital paulista. Não seria o fim do mundo isso, uma vez que já prometeu o mesmo anteriormente e não cumpriu, mesmo tendo assinado o compromisso num “papelzinho”? Mesmo cumprindo será o fim, principalmente na capital. É, de determinados políticos pode se esperar qualquer coisa, principalmente, o pior.
Mas um fato é incontestável, o mundo vai mesmo acabar após sua ocorrência. Um time de futebol, depois de mais de 100 anos de existência, ganhou sua primeira taça Libertadores da América. Agora sim, o fim dos tempos chegou. Epa, há controvérsias, pois na final do torneio o outro time atuou de modo, no mínimo suspeito. Como pode um time argentino andar em campo, dar uma infinidade de passos errados e não chegar ao gol adversário e pior, machucar o próprio goleiro? Vai saber? Mas o que fica mesmo para a história é o resultado do negócio, digo, do jogo.
É, em tempo de periguete o Boca, de meia-boca virou boquete. Agora, haja boca-suja! Então só resta ouvir o delírio, os gritos insaciáveis: Chupa!

Inverno aconchegante e quente

João Júlio da Silva
São muitas as pessoas que detestam o inverno, mas muitas outras adoram, eu sou uma das que curtem um friozinho. Gosto não se discute, cada um tem o seu. Eu me viro bem em qualquer uma das quatro estações. Será que ainda existem as quatro nestes tempos em que o clima está uma loucura? Afinal, às vezes num mesmo dia ou numa mesma noite é possível sentir frio e calor. Mas, de uma maneira geral, as estações tem sua características peculiares e agradam uns e desagradam outros.
Que bom que seja assim, se todos gostassem da mesma coisa o mundo seria uma chatice.
De minha parte, se fosse para escolher entre verão e inverno eu ficaria com a segunda opção. Tem muito mais a ver comigo, assim como o verão se enquadra melhor com outras pessoas.
E por preferir uma estação à outra, não devo sair por aí menosprezando quem gosta mais da que não aprecio tanto. Como disse, eu procuro tirar o bom de todas as estações e viver bem com todas, apesar da minha preferida. Eu aprecio muito o frio por uma série de razões que tem a ver com o meu jeito de ser. Assim como quem opta pelo verão.
Em tempos de internet, se escreve muito sobre quase tudo na rede, e nesta época de frio muitas pessoas que não gostam de temperaturas mais baixas, há quem odeia mesmo a estação, acabam depreciando, talvez até inconscientemente, quem não são como elas e gostam justamente do que detestam tanto.
E é bom que se diga que por gostar de inverno, nenhuma pessoa não gosta de viver, muito pelo contrário. Eu falo por mim e garanto que vivo intensamente, no inverno então nem se fala, fico muito bem disposto e feliz. Gostaria até de ter mais tempo para fazer tudo que desejo. Tenho muitas inspirações nesta época.
Muitas outras pessoas são como eu e, com certeza, não concordam de maneira alguma com a ideia de que quem gosta de viver não deve gostar de frio, com a justificativa simplória de que no frio se dorme mais, logo se vive menos. Ora, pois! Não devemos generalizar jamais, pois as pessoas não são iguais, e isso faz toda a diferença neste mundo. O inverno tem sim muitas belezas e inúmeros prazeres, que, acredito nem seja necessário fazer uma enumeração aqui.
Os dias de inverno correm normais como os de outras estações. São necessários para o ciclo da natureza.
O inverno não é sinônimo de tristeza e chatice, há nele muitos prazeres por descobrir, principalmente, por quem o rejeita tanto por não compreende-lo bem.
Conheci uma pessoa que dizia que, tirando o frio tudo mais era aconchegante no inverno, principalmente os quitutes das festas juninas e toda a culinária da época. Para mim, o frio é essencial, ele me fortalece e traz boas recordações.
Considero oportuno no momento lembrar quem não gosta de determinadas estações algo bem simples e verdadeiro escrito por Anton Tchekhov: “Quando as pessoas são felizes, não reparam se é Inverno ou Verão”.
Pronto, é isso mesmo, e acrescento que o amor aquece e muito o rigor do inverno. Nestes dias em que o friozinho se faz presente, nada como um “cobertor de orelha”.
Como é bom estar bem acompanhado, aquecer quem a gente gosta e ser aquecido por ela. Recomendo a quem tanto detesta o inverno, um bom “cobertor de orelha”.
Que frio, que nada! O inverno pode ser muito quente, depende da chama de cada um.
É como escreveu Victor Hugo: “O inverno cobre minha cabeça, mas uma eterna primavera vive em meu coração”.
E que todos nós possamos prezar a convivência saudável, tolerantes com os gostos alheios, sendo mais amáveis uns com os outros, com esperança de dias melhores neste mundo já tão combalido, tanto para os que gostam de verão como os que preferem o inverno aconchegante e quente.
O importante é que a paz e o amor estejam presentes em todos os dias, não importando se é outono, inverno, primavera ou verão. Assim deve ser, mas não se esqueça do “cobertor de orelha”, que faz muito bem em qualquer estação.
Então vá dormir de conchinha e curta a estação. Um inverno bem caloroso a todos!

Aquecimento global e paranoia

João Júlio da Silva
A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, chegou ao fim com o resultado já previsto: um fiasco. O evento foi palco de muitas discussões, manifestações e reivindicações, mas de concreto mesmo, nadica de nada. Mas, o fracasso não é surpresa nenhuma, pois é nisso mesmo que chega esse tipo de encontro. Gasta-se os fundos para a sua realização para se chegar a lugar algum.
Os chefes de Estado, o baixo clero mundial, já que os grandes líderes não vieram, não conseguiram chegar a algo de prático para a preservação do meio ambiente com sustentabilidade (a palavra da moda).
A conferência não foi completamente inútil, serviu para o encontro de diversas “tribos”, inclusive, indígenas. O que não faltou foi gente querendo aparecer na mídia a qualquer custo, seja com os seios à mostra ou com o corpo completamente nu, e até encenando qualquer coisa, pois estava valendo tudo.
Mas, e o Planeta, estaria mesmo fadado ao fim? Apesar da onda verde que cobre a Terra, com tantos ativistas ecológicos preocupados com o meio ambiente, há quem não acredite muito no aquecimento global. Nesse ceticismo se enquadram um bocado de cientistas que não se curvam à ideia quase inquestionável de que o Planeta está esquentando, as emissões de gases devem ser contidas se não virá a catástrofe e a culpa toda será do homem.
Entre os céticos, está o norte-americano Richard Lindzen, um dos mais prestigiados cientistas climáticos do mundo, professor de Meteorologia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês). Ele não descarta que a temperatura da Terra esteja subindo, nem que o homem tenha parte nisso, porém, considera que o Planeta vai se reequilibrar, e que não será preciso reduzir as emissões de gases do efeito estufa.
Lindzen e seus seguidores dizem que ‘não é preciso entrar em pânico por causa do aquecimento global’, e reclamam o direito básico à discordância do que pensa a maioria. Lindzen critica, veementemente, as previsões alarmantes sobre as consequências do aquecimento do Planeta e o uso político do discurso ambiental. Para ele, não há provas de que a elevação da temperatura da Terra aumentará o número de desastres climáticos.
“A Terra nunca está em equilíbrio. O Planeta é um sistema dinâmico que está sempre mudando. Se um dia ela parar de mudar, aí sim saberemos que estamos com problemas. Não há nada que comprove os modelos climáticos de que a Terra vai se aquecer muito e que isso terá consequências catastróficas”, diz Lindzen. Esse seu posicionamento acabou enfurecendo seus colegas cientistas que pensam o contrário e os ambientalistas de plantão em todos os cantos da Terra.
Se a maioria dos cientistas estiver com a razão, o homem não perde nada ao incentivar desde já um desenvolvimento produtivo mais limpo e, com certeza, vai se dar mal se ignorar os alertas da comunidade científica. Mas, caso o aquecimento global não passe de um engano, uma fraude ou ficção, mesmo assim o homem ganha com o combate à poluição e diminuindo as queimadas e incentivando a pesquisa de energias renováveis, enfim, a preservação do meio ambiente, e consequentemente, da própria pele. E uma vida saudável na Terra.
Com certeza, é preciso cuidar do Planeta, mas o aquecimento global não pode se transformar numa paranoia tendo à frente o fanatismo ecológico de algumas organizações. O desenvolvimento sustentável deve ser sim uma meta, mas não se pode sacrificar a modernidade do mundo por causa do alarmismo ambientalista, muitas vezes xiita. Todo extremo é ruim, a solução sempre será o bom senso. Não dá mais para a espécie humana sobreviver voltando aos tempos da caverna. Seria o seu fim.
Todo conhecimento científico e tecnológico deve ser utilizado em prol da humanidade e do meio ambiente, não sendo assim, fica muito fácil prever o que nos trará o futuro.
É intrigante a posição de Richard Lindzen, não? Mas, estará ele com a razão ou os cientistas que defendem o contrário? É prudente não arriscar. O melhor a fazer é cuidarmos de nossa casa, o Planeta Terra. Ora, pois!

Mundo sustentável e a Rio+40

João Júlio da Silva
Como estará o mundo em 2032? Teria o homem, tardiamente, tomado consciência da necessidade de preservar a vida a seu redor para não se tornar mais uma espécie em extinção? Será que daqui a 20 anos, as lideranças mundiais estarão ainda discutindo o meio ambiente e a qualidade de vida no Planeta sem nenhuma atitude plausível? Haveria a conferência Rio+40 para tratar mais uma vez de desenvolvimento sustentável ou algo parecido, sem ter ainda chegado a decisões práticas que pudessem, realmente, ser traduzidas em melhorias para todos? Quem sobreviver, verá!
Faço estas projeções devido a Rio+20, conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável que está sendo realizada na cidade do Rio de Janeiro, entre os dias 13 e 22 deste mês. O encontro marca o 20º aniversário da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Cúpula da Terra, também no Rio em 1992, a Eco-92 ou Rio-92.
O encontro deste ano marca também o 10º aniversário da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, promovida em Joanesburgo, na África do Sul, em 2002.
A Rio+20 é mais uma oportunidade para reflexão sobre o futuro que queremos para o mundo e deveria se chegar a uma agenda de desenvolvimento sustentável para as próximas décadas. Líderes mundiais, participantes do setor privado, ONGs e outros grupos discutem a proteção ao meio ambiente neste Planeta cada vez mais habitado.
A pauta da vez é um futuro sustentável, com mais emprego, com fontes de energia limpa, mais segurança e um padrão de vida digno para a humanidade, enfim, um futuro verde para a humanidade. O objetivo da conferência é o compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das lacunas existentes nas decisões adotadas até o momento. O foco é a economia verde no contexto de um desenvolvimento sustentável no mundo.
De 20 a 22 de junho, ocorrerá o encontro de chefes de Estado e de governo para as negociações finais que possam levar a um documento oficial sobre as decisões tomadas na conferência.
Também ocorre de forma paralela à conferência, a Cúpula dos Povos, que visa Justiça Social e Ambiental. A sociedade civil global, organizações e movimentos sociais propõem uma nova forma de se viver no Planeta, em solidariedade, contra a mercantilização da natureza e em defesa dos bens comuns. A Cúpula dos Povos quer tratar na Rio+20 dos graves problemas enfrentados pela humanidade e demonstrar a força política que os povos organizados têm para “reinventar o mundo”.
Mas, sairá algo de concreto da Rio+20 ou será apenas mais um encontro festivo que não passará de oba-oba? Seria uma decepção anunciada? Ela poderia representar um marco na luta pela preservação do meio ambiente, mas a ausência de grandes líderes mundiais esvazia e muito a sua representatividade, e pode se tornar numa grande decepção, com poucos acordos significativos assinados. Já foram confirmadas as ausências de Barack Obama, Angela Merkel e David Cameron, respectivamente os chefes de Estado dos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido. Vladimir Putin e Hu Jintao, presidentes da Rússia e da China, também não virão. Diante disso, podem ocorrer muitas outras desistências. Quem sabe até o dia 20, alguns dos desistentes não mudam de ideia?
Se confirmado o vazio, a conferência levará a nada ou a muito pouco em termos de perspectivas para um mundo melhor. Assim, o desenvolvimento sustentável, a sustentabilidade e o adjetivo sustentável aplicado a tudo e qualquer coisa hoje em dia, não passará de um grande fiasco, o que seria lamentável e preocupante, pois esse fracasso seria dos próprios povos que habitam o Planeta, que têm se revelado incapazes de chegar a um acordo amplo pela preservação do meio ambiente e da própria existência. Se não acordarem a tempo, será sim, o fim.
Que bom seria se o resultado da Rio+20 fosse um mundo melhor, mais respirável para todos nós! O Planeta ficaria muito grato por qualquer iniciativa que levasse à preservação da vida.

Maldade e degradação humana

João Júlio da Silva
A maldade do homem está cada vez maior e pior. A imaginação e os pensamentos dos seres humanos não têm limites para o que é ruim, desenfreados, correm para o mal. Nem é preciso olhar as manchetes, a maldade está ao nosso redor a todo instante. É muita podridão e degradação. O mundo está corrompido e cheio de violência. A raça humana se deixou arrastar para a depravação e o vício, o mundo é dominado pelo crime e pela perversão. Este quadro está aí à mostra, a olhos vistos. O mal tem se multiplicado e a barbárie está solta. É a morte!
Numa ocasião, com o mundo apresentando estas mesmas características, veio uma inundação sem precedentes, em outra, o dia acabara de amanhecer quando uma chuva de enxofre e fogo reduziu cidades inteiras a pó, numa grande fornalha. Como nos tempos passados, nos dias que correm as pessoas comem, bebem e se relacionam, tudo como de costume, correm para todos os lados preocupadas com seus negócios diários, comprando e vendendo, e infelizmente, se corrompendo e se perdendo, afundando cada vez mais em sua miséria existencial.
Mas, como em outras ocasiões, sempre há uma esperança para o bem, há salvação sim, mas é necessário mudança de rumo e de postura diante da vida e do mundo que aí está, degradado e a caminhos largos para a sua destruição. Se é grande o número de pessoas ruins, é verdade também que há muitas pessoas boas que mantêm a sobrevivência do mundo, embora ele se arraste moribundo por caminhos cinzentos. Em tempos assim, de perdição, são pessoas sóbrias e preocupadas com o futuro da humanidade que podem indicar qual a direção a tomar.
A redenção do homem depende da sua vontade de tomar o caminho do bem, que o leve a novos desafios e à sua salvação. Em tempos de trevas, com maldade, violência e perversão sem limites, quando os valores da sociedade estão invertidos, o mal é enaltecido e o bem ridicularizado, a família é atacada e bombardeada, principalmente na grande mídia, que acrescenta “valores” que julga salutares, mas que não passam de posições desprezíveis, se faz necessário e urgente, a busca de uma luz para que a humanidade não sucumba em sua própria miséria e imundície. São inconcebíveis o silêncio e a falta de ação, quando vemos a todo momento a degradação humana, com crimes hediondos sendo cometidos, a falta de escrúpulos de homens públicos, abusos sexuais e violência contra mulheres e crianças, e uma infinidade de mazelas que deixam o mundo quase sem condições de ser habitado. Como se calar e ficar sem atitude diante de um quadro assim? O mundo geme, a natureza chora e a humanidade se arrasta em meio à destruição que cometeu.
Onde pretende o homem chegar com posturas destrutivas contra sua própria espécie e contra o Planeta? O que pensa que restará no mundo se não der um basta, enquanto é tempo, em seu grande poder destrutivo e não tomar consciência de sua alta periculosidade contra sua própria sobrevivência e do meio ambiente?
Sim, há salvação para a humanidade, mas para aquelas pessoas que desejam que ela faça parte de suas vidas. Para os que desprezam a luz e sua paz, não há outra alternativa que não seja a escuridão e seus temores e tremores. A destruição aí está, e nela irão sucumbir aqueles que rejeitam a salvação. Quem é da luz não teme as trevas dos dias ruins, pois o amanhecer logo chegará para abrir o caminho que levará ao mundo de tão almejada paz. Um mundo onde não haverá espaço para trevas e o mal.
Mas, chegar lá é possível? Sim, desde que convidemos a luz a fazer morada em nossas vidas, e, a partir de então, já se torna possível vislumbrar o que nos aguarda num lugar de refrigério. Salvadores surgem por todos os cantos, principalmente, em tempos de desespero e sem perspectivas, mas a salvação tem nome próprio e sua luz é inconfundível.
Quem a encontra, ou melhor, se deixa encontrar por ela, jamais será a mesma pessoa nem permanecerá vivendo na mediocridade, pois já deu o primeiro passo rumo à alvorada que já vai nascer.
Quem tem ouvidos ouça o grito suave que a palavra traz ao mundo. Paz!

De calcinha e calçolão

João Júlio da Silva
Estamos caminhando paro o friozinho de inverno, mas a temperatura política está bem quente, principalmente, em ano de eleições, e em ocasiões assim, esqueletos e fantasmas são tirados dos armários. É um horror. Em Brasília, o clima anda bem tenso com a agitação da CPI do Cachoeira e as altas temperaturas do embate envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes.
Mas, apesar do tempo cinzento no Distrito Federal, na Câmara dos Deputados o destaque da última quinta-feira foi bem outro. Pelos corredores da Casa não se ouvia falar do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), Carlinhos Cachoeira, Gilmar ou Lula, apenas uma pergunta não queria calar: quem seria o dono da calcinha que apareceu no plenário da Câmara? O caso virou motivo para muitas brincadeiras. Foi uma festa, o picadeiro estava armado. O fato é que a tal peça íntima, que virou atração, teria caído do bolso do paletó de um deputado no plenário há 15 dias. Ninguém sabe quem é o dito cujo, apenas que seria integrante do chamado “baixo clero”, deputados sem grande destaque.
O parlamentar em questão teria chegado atrasado para uma votação, mexeu no bolso para pegar o celular e deixou cair no chão uma calcinha branca e vermelha, um modelo grande de algodão. Antes, chegaram a dizer que se tratava de uma peça azul e branca e até azul e vermelha. Enfim, concluíram que tinha as cores do Bangu. Estariam insinuando que o parlamentar é carioca? Se ao menos aquele político do Rio ainda fosse parlamentar! Não pode ser, além do mais a peça nem é fio dental e nem de crochê.
Nada de calcinha sensual de seda, com rendinha, ou fio dental, pois se trata de um “calçolão” e com babadinhos nas laterais. E de algodão. É até compreensível, pois com o frio que anda fazendo é preciso que sua dona esteja bem quentinha! O parlamentar não teria percebido que a peça ficou no chão, no centro do plenário. Seria utilizada para esconder alguma propina?Um segurança que acompanhou a cena se aproximou e escondeu a calcinha atrás de uma lixeira, num chutinho bem discreto. Um assessor do presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), foi alertado e recolheu a calcinha, colocou em um envelope e indicou que levaria para o departamento de achados e perdidos. Mas, no setor ela não chegou. Para onde foi levada a calcinha? Bem analisada, apalpada e cheirada, ficou constatado que a peça teria sido usada recentemente. Um segurança garante que ela foi incinerada depois.
Ao saber que se tratava de um “calçolão”, Maia brincou: “Calçolão, não. Isso é um fiasco”. Vendo o colega Arnon Bezerra (PTB-CE), Maia perguntou se ele era o dono da polêmica peça. “Deve ser algum fã do Wando que circulou por aqui”, disse o petebista, lembrando o falecido cantor que costumava receber calcinhas de suas fãs. “A curiosidade é grande. Mas é um tema ridículo. Temos que levar no tom da brincadeira. Eu tinha curiosidade para saber se era uma daquelas que a gente usa para limpar os dentes. Mas não é, né. Parece que é uma calcinha maior, mais expansiva”, disse. Mas, quem seria o tal parlamentar da calcinha? Seria a peça íntima de uso pessoal durante alguma aventura noturna? Teria o nobre deputado vindo de um encontro amoroso antes de adentrar o plenário e deixar cair a prova do “crime”? Seria a peça de lingerie uma recordação da pessoa amada?
Tiririca e alguns colegas desconfiam quem seja o parlamentar da “carçola”, mas não dizem o nome para não comprometer a pessoa. E a dona? Seria a peça de alguma parlamentar? Vai que o nobre representante do povo teve um encontro caliente com alguma colega em seu gabinete. Vai saber! Não, o Congresso não é a “Casa-da- mãe-Joana”.
E se a calcinha pertencer àquela bela comunista? Não, pelo modelo a peça deve ser daquela parlamentar que mandou “relaxar e gozar”. Com “calçolão”? Que horror!
O quê? Seria de quem? Faria parte de algum acordo? Não, dela não, ela não desceria assim à planície. Não, aí já seria muita sacanagem.
Ah, o Congresso! Um picadeiro e tanto!

Código, meio ambiente e fome

João Júlio da Silva
O meio ambiente é fonte de vida, por isso, precisamos preservar as reservas naturais, mas também necessitamos de alimento contra a fome. Para preservar um e produzir o outro é preciso bom senso. E foi para tentar colocar ordem no setor, que foi elaborado o Código Florestal.
Depois de tantas polêmicas no Congresso, na sexta-feira o governo anunciou que Dilma Rousseff vetou 12 pontos do novo Código Florestal, que foi aprovado na Câmara e no Senado e fez 32 modificações ao texto. A presidente decidiu recuperar parte do que foi aprovado no Senado e fez ajustes de conteúdo ao projeto por meio de Medida Provisória, que será publicada no Diário Oficial de amanhã. Durante o anúncio, as mudanças não foram muito bem explicadas, o governo detalhou dois vetos. O novo texto tratou dos pontos polêmicos: a recuperação da vegetação das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e a anistia aos desmatadores.
Segundo o governo, as alterações foram feitas para beneficiar os pequenos proprietários rurais. As chamadas APPs são os terrenos mais vulneráveis em propriedades particulares rurais ou urbanas. Como têm uma maior probabilidade de deslizamento, erosão ou enchente, devem ser protegidas, como são os casos das margens de rios e reservatórios, topos de morros, encostas em declive ou matas localizadas em leitos de rios e nascentes.
O texto que fora aprovado pelos deputados só exigia a recuperação da vegetação das APPs nas margens de rios de até 10 metros de largura e não previa nenhuma obrigatoriedade de recuperação dessas áreas nas margens de rios mais largos. Agora, segundo o anúncio, a recuperação será proporcional ao tamanho da propriedade rural e vale para todos os rios. Também voltou ao texto, a definição de que manguezais são áreas de preservação. O governo derrubou ainda a anistia a desmatadores prevista no texto aprovado na Câmara. Todos os agricultores – pequenos, médios e grandes – devem recuperar a área que desmataram. Só poderão suspender as multas aqueles que apresentarem um termo de compromisso, um plano de recuperação ambiental com prazo de execução. E, para converter a multa, a área deverá estar recuperada, o que será atestado por órgão ambiental competente. Caso a APP não seja recuperada num prazo de 5 anos, o proprietário da terra terá o crédito agrícola bloqueado.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que o governo buscou “recompor o texto do Senado, preservar acordos, respeitar o Congresso, não anistiar o desmatador, preservar os pequenos proprietários, responsabilizar todos pela recuperação ambiental, manter os estatutos de APP e de Reserva Legal”. “Esse não é código dos ambientalistas, não é o código dos ruralistas, este é o código do bom senso”, disse o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro.
O veto parcial ao Código Florestal desagradou ambientalistas, que reclamaram principalmente da falta de informações, e ruralistas, descontentes com o alto custo do reflorestamento para os grandes produtores.
A ativista do Greenpeace para a Amazônia, Tatiana de Carvalho, disse que o grupo avalia que os vetos não foram suficientes para deixar o novo Código Florestal satisfatório. “Esperávamos que a presidente vetasse tudo, porque os cortes que o governo fez não serão suficientes para garantir a proteção ao meio ambiente.” O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), da bancada ruralista do Congresso, disse que irá ao Supremo Tribunal Federal contra a medida provisória editada pelo governo para as alterações no Código Florestal.
Todas as opiniões devem ser respeitadas e discutidas, sem radicalismo. Para se ter uma solução prática é preciso ceder e ter bom senso. Acredito que ninguém seja louco de ser contra a preservação do meio ambiente, sem ela seria o fim do Planeta, mas também considero que sem a produção rural o futuro da humanidade estaria comprometido. Como alimentar tanta gente no mundo, quando muitos já estão passando fome? Ora, produzindo alimentos em larga escala. Sem o meio ambiente preservado e sem a produção de alimentos estaremos todos fadados à extinção. O bom senso é tudo.

Verdade, ainda que tardia

João Júlio da Silva
Depois de tantas discussões e polêmicas, finalmente foi instalada a Comissão da Verdade, que visa esclarecer violações dos direitos humanos ocorridas no Brasil entre 1946 e 1988, principalmente, durante a ditadura militar (1964-1985).
Ela vai investigar o que de fato ocorreu nos anos de chumbo, mas não vai julgar os responsáveis. O grande e único objetivo é o de trazer à luz a memória, a verdade e os esclarecimentos devidos para todos aqueles que tiveram os seus direitos humanos violados.
Com a presença de seus antecessores Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Fernando Collor (PTB) e José Sarney (PMDB), a presidente Dilma Rousseff deu posse aos sete integrantes da Comissão da Verdade na quarta-feira, no Palácio do Planalto, numa cerimônia considerada histórica.
“Ao instalar a Comissão Nacional da Verdade não nos move o revanchismo, o ódio ou o desejo de reescrever a história de forma diferente do que aconteceu, e sim a necessidade imperiosa de conhecê-la em sua plenitude, sem ocultamentos, sem vetos. É a celebração da transparência da verdade de uma nação que vem trilhando um caminho da democracia. O Brasil deve render homenagens a mulheres e homens que lutaram pela revelação da verdade histórica. O direito à verdade é tão sagrado quanto o direito de famílias de prantear pelos seus entes queridos”, disse Dilma em seu discurso.
A presidente se emocionou ao lembrar o sofrimento dos familiares dos mortos e desaparecidos durante a ditadura. “A ignorância sobre a história não pacifica. Pelo contrário, mantêm latentes mágoas e rancores. A desinformação não ajuda a apaziguar. O Brasil merece a verdade, as novas gerações merecem a verdade, merecem a verdade factual também aqueles que perderam amigos e parentes. O Brasil não pode se furtar a conhecer a totalidade de sua história. Se tem filhos sem pais, túmulos sem corpos, nunca pode existir uma história sem voz”, disse.
A Comissão da Verdade é formada por José Carlos Dias, Gilson Dipp, Rosa Maria Cardoso da Cunha, Cláudio Fonteles, Maria Rita Kehl, José Paulo Cavalcanti Filho e Paulo Sérgio Pinheiro.
A comissão apontará, sem poder de punir, responsáveis por mortes, torturas e desaparecimentos na ditadura e vai funcionar por dois anos. Ao final deste prazo, deverá elaborar um relatório em que detalhará as circunstâncias das violações investigadas.
Mas, muitos parentes das vítimas e sobreviventes da ditadura militar querem mesmo é que o trabalho da comissão leve ao julgamento e à condenação, os responsáveis pela barbárie cometida naqueles tempos cinzentos de nossa história. Que os torturadores e assassinos paguem pelo que cometeram, pois não podem ficar impunemente para sempre. Embora muitos deles já estejam mortos, seus nomes devem ser revelados para que tal atrocidade nunca mais se repita no país. Vítimas e parentes têm o direito de conhecer as circunstâncias envolvendo os crimes políticos cometidos pelo regime estabelecido.
Que a Comissão da Verdade vá fundo em suas investigações, revire toda a imundície dos porões da ditadura militar, remexa nos esqueletos e ponha luz sobre aquele tempo de escuridão e medo. Se não fizer assim, no futuro será conhecida apenas como uma comissãozinha de meia verdade, ou até, de mentirinha.
O trabalho da Comissão da Verdade deve ser pautado com um compromisso com o futuro ao investigar no presente a verdade histórica do passado.
Se hoje a democracia é uma realidade a ponto de se instalar uma Comissão da Verdade é devido àqueles que combateram a ditadura pela liberdade do país, muitos vindo a sucumbir nas mãos dos torturadores. Mas, uma nação jamais será totalmente livre se não conhecer a verdade de sua história. Por isso, vale o grito: Verdade dos porões, ainda que tardia!
Sem revanchismo e ódio, mas com seriedade, a comissão vai colaborar e muito na reconstrução da história, buscando, sem medir esforços, a verdade dos fatos passados, assim abrirá caminho para que no futuro, arbitrariedades contra os direitos humanos não se repitam. Tortura, nunca mais!

Lei, crime, droga e a liberdade

João Júlio da Silva
Já disse aqui e volto a repetir que nada mais me surpreende, principalmente, o que vem do STF (Supremo Tribunal Federal). Mas a turma de lá acha que ainda pode surpreender. Novamente, uma decisão da corte máxima do país está dando o que falar. Na última quinta-feira, o Supremo decidiu que traficante pode responder ao processo em liberdade. Os nobres ministros chegaram a tão brilhante conclusão após o julgamento de habeas-corpus apresentado pela defesa de um acusado, preso desde agosto de 2009, flagrado comercializando cocaína e outros entorpecentes. Eles declararam inconstitucional o trecho da Lei de Drogas, de 2006, que impedia pessoas acusadas de tráfico de entorpecentes de responder em liberdade. A partir de agora, os juízes vão decidir caso a caso se vão ou não conceder a liberdade provisória.
Ficou entendido que a obrigatoriedade da prisão preventiva para suspeito de tráfico é ilegal porque viola o princípio da presunção de inocência, que considera todo cidadão inocente até decisão definitiva da Justiça. Os ministros também entenderam que a vedação prévia da lei impede que o juiz verifique as peculiaridades de cada acusado.
O relator do caso, ministro Gilmar Mendes, afirmou que a lei entra em confronto com os princípios da presunção de inocência e da dignidade humana previstos na Constituição. Mas, desde quando traficante sabe o que venha a ser “dignidade humana”?
Essa é a segunda vez que o Supremo esvazia a Lei de Drogas. Em setembro de 2010, os ministros anularam trecho da lei que impedia a conversão da prisão em pena alternativa para condenados por tráfico de entorpecentes.
Aos poucos, vão detonando com a lei. Nesse ritmo, pode vir um tempo em que decidirão trocar a pena do traficante até por algum benefício. Quem sabe ele seja até considerado um cidadão de bem.
A lei prevê que os crimes relativos ao tráfico de drogas são insuscetíveis de liberdade provisória, indulto, anistia, entre outros benefícios. Mas, os supremos ministros entenderam que a lei não poderia realizar esta proibição, e que ela deve ser analisada pela Justiça caso a caso. A decisão é vista por muitas pessoas como um avanço. Para quem?Com a decisão das ilustres autoridades, o traficante de drogas está festejando, às gargalhadas, pois pode ficar livre, leve e solto, podendo até “desaparecer” caso seja necessário. Diante disso, o que fará o policial? De que adianta ir atrás de traficantes? Estão dificultando ao máximo o trabalho de combate ao crime, principalmente, ao tráfico de drogas. Uma pergunta não quer se calar: a quem tudo isso interessa? Pois, de uns tempos para cá, o crime parece compensar e muito neste país.
Este mesmo Supremo, que agora se mostrou favorável à liberdade dos traficantes, em junho do ano passado decidiu pela liberação da chamada “marcha da maconha” em qualquer cidade do país. Esse tipo de evento reúne pessoas favoráveis à legalização da droga. Os ministros decidiram que prevalece a liberdade de expressão e de reunião. O que era marcha da maconha agora pode ser marcha da liberdade de expressão. É assim, fácil…
A droga é, sem nenhuma dúvida, a maior desgraça da humanidade nos tempos atuais, mas pelo jeito, nem todos pensam assim. Enquanto isso, a cracolândia se alastra país afora.
Afinal, quem estaria por trás de tudo isso, a quem interessa a liberdade provisória do traficante, a legalização da marcha da maconha e até quem sabe, em breve, a descriminalização da droga?
Como já disse neste espaço, estão decidindo temas polêmicos sem discussões mais aprofundadas e antes de passarem por um referendo popular. Como pode ser enfiado goela abaixo das pessoas algo que mexe com toda a estrutura da sociedade? Por esse caminho, isso aqui vai acabar virando uma baderna, uma terra sem lei.
Uma verdade que encontrei diz algo mais ou menos assim: “a pessoa que entra no consumo da droga, ela perde o poder de decidir, quem decide é a droga.” Será que o poder da droga já anda decidindo o que é legal e o que não é? Não creio que já esteja tudo dominado, mas que está bem infiltrado, parece que sim.

Um surfista na Esplanada

João Júlio da Silva
Quando ainda era um jovem que desfrutava apenas dos prazeres da vida, Carlos Daudt Brizola, conhecido como Carlito pela turma de amigos, costumava pegar umas ondas no mar bravio.
Agora o surfista Brizola Neto (PDT-RJ), como é chamado no cenário político, é o novo ministro do Trabalho. O neto do ex-governador Leonel Brizola assumiu o cargo na quinta-feira, em cerimônia no Palácio do Planalto, elogiando a queda da taxa de desemprego no país. “Em nove anos, o Brasil conseguiu praticamente extirpar o desemprego, que mais do que um problema, passava a ser visto como uma fatalidade”, destacou.
Como que é, “conseguiu extirpar”?Pelo jeito, o surfista do Arpoador entende tanto do ministério que assumiu como deve dominar Física e Química.
Embora seja surfista, ele caiu como um paraquedista desnorteado no cargo. Será que ele quer apenas tirar uma onda na Esplanada dos Ministérios?
Ao ser anunciado no início da semana, ele disse que o seu partido “tende a marchar pela unidade”. “No processo de escolha tendem a surgir preferências. O PDT tende a marchar pela unidade”, afirmou.
A indicação de Brizola Neto não era unanimidade no partido e foi tratada como “indicação pessoal” da presidente Dilma Rousseff. Ela deu ao novo ministro a missão de unificar o PDT. “Minha tarefa principal agora é construir essa unidade”, disse, após ser anunciado.
Mas, a tarefa de um ministro não é se ater ao que compete a pasta para a qual foi indicado? Pelo jeito, o surfista foi chamado para apaziguar os ânimos do PDT, que não ficaram nada afinados com o governo desde a saída de Carlos Lupi do ministério, em dezembro de 2011, em meio a denúncias de irregularidades. Desde então, a pasta era comandada interinamente por Paulo Roberto Santos Pinto. Talvez o Ministério do Ócio, digo, do Trabalho, não seja tão importante! Quem sabe é considerado tão valoroso quanto o da Pesca e até, quem sabe, como todos os demais ministérios. Afinal para que tantos ministros? Ora, é preciso alojar toda a turma! Tal exagero também se estende para secretarias estaduais e municipais. Como não arrumar uma secretaria para um afilhado, filho, enteado e até um amigo, pois é preciso confiança em quem está ao nosso redor, pois não é? Quem sabe um deles até vire prefeito um dia, vai saber!
Mas, voltemos ao Brizola Neto. Ele afirmou que a pasta precisa se esforçar para acompanhar tanto o avanço tecnológico quanto o crescimento econômico nacional. “É preciso que seja ágil, transparente, inovador, precisa fazer parte da discussão e da implementação de políticas sociais que nos conduzam a caminhos que se abram para o nosso país”, disse. Poxa, que discursinho mais sem eira nem beira esse, não?
Na posse, o titular do Trabalho lembrou de seu avó. “O sobrenome que possuo integra uma linhagem de brasileiros ilustres, que se inicia com Getúlio Vargas, João Goulart e da figura saudosa de meu avó, Leonel Brizola. Esse sobrenome indissoluvelmente ligado a essa trajetória histórica que agora se redesenha em Luiz Inácio Lula da Silva e a com a presidente Dilma Rousseff”, disse.
O ministro surfista nasceu em Porto Alegre em 11 de outubro de 1978. Com 33 anos, ele é o mais jovem ministro do governo Dilma. Que experiência tem para assumir um ministério? Ora, ele sabe enfrentar uma onda, se preciso talvez até encare um tsunami!
Animador isso, pois com os efeitos da crise financeira global já batendo na economia brasileira, ele vai ter muito trabalho para lidar com o desemprego. E, com certeza, não se trata de nenhuma ‘marolinha”.
Como não tem experiência? Ele foi presidente do diretório municipal e ex-presidente nacional da Juventude Socialista do PDT. Foi ainda secretário de Trabalho e Renda do Rio, ex-vereador e deputado federal pelo PDT. Pena que o velho Brizola não viveu para ver o neto nomeado ministro do Trabalho.
Mas, antes de ingressar no mundo da política, Brizolinha gostava mesmo era de surfar. “Gostava (que saudade!) de pegar onda”, diz ele em seu blog. Ah, o ócio! Talvez ele tente surfar no Lago Paranoá de Brasília. Vai que dá onda!

Trabalho e a crise global

João Júlio da Silva
Para início de conversa quero saudar todos os trabalhadores pelo seu dia depois de amanhã, 1 de maio, uma data muito especial para aqueles que realmente carregam o país às costas. Se por um lado há sim o que comemorar, pois as conquistas históricas sempre são motivos para fortalecer a luta permanente, por outro, os tempos atuais revelam que a crise financeira internacional é um problema sério que causa muita preocupação, principalmente para os trabalhadores assalariados. E razões não faltam para isso. O fantasma do desemprego está sempre a rondar o trabalhador.
De acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego subiu para 6,2% em março depois de ficar em 5,7% em fevereiro. Apesar da alta, o resultado é um pouco menor do que o observado no mesmo período de 2011, quando a taxa ficou em 6,5%. De acordo com dados, a população desocupada totalizou 1,5 milhão de pessoas. Para o IBGE, o aumento da taxa de desemprego na passagem de fevereiro para março indica uma continuidade na dispensa de trabalhadores temporários, iniciada em janeiro.
Pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), também revela alta na taxa de desemprego em março no conjunto das sete regiões pesquisadas (Distrito Federal e regiões metropolitanas de Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre, Fortaleza, Salvador e Recife). A taxa passou de 10,1% em fevereiro para 10,8%. O total de desempregados foi estimado em 2,423 milhões. Na Região Metropolitana de São saiu de 10,4% em fevereiro para 11,1% em março.
Mesmo com esses índices ruins, eles estão bem melhores que nos tempos de apatia econômica no país. Os números daquela época mostram bem isso. E contra eles, não há argumento que se mantenha de pé.
Apesar da ameaça do desemprego, a situação brasileira no cenário mundial de crise econômica não é das piores. O que, convenhamos, já é alguma coisa. Enquanto os Estados Unidos e países da União Europeia se desdobram para sair do abalo financeiro por que passam, o Brasil vai, de uma forma ou de outra, tentando escapar de seus efeitos desastrosos. Mas, no mundo globalizado, qualquer sismo econômico no Azerbajão acaba tendo reflexo em todo lugar.
E se a crise internacional não provocou nenhum tsunami na economia brasileira, acabou sim, causando muito mais estrago do que causaria uma simples “marolinha”.
O governo federal vai se contorcendo até onde der, reduz uma alíquota de imposto daqui, eleva a oferta de crédito dali, e tenta sobreviver à crise internacional sem maiores danos. Mas, até quando? Enquanto tiver umas gordurinhas para serem queimadas, vai se indo, quem sabe para tempos mais prósperos para todos.
Por enquanto, o jeito é ir se aguentando, em alerta máximo e trabalhando para que a situação melhore mundo afora. Se piorar, aí as pequenas melhoras registradas nos últimos anos vão virar água e o país voltará a patinar nos entraves do subdesenvolvimento.
Em momentos assim, a nação tem que estar unida, como se percebe nos países de primeiro mundo, uma crise econômica de proporções globais não pode ser jamais utilizada numa disputa política, principalmente em ano eleitoral. Que os partidos e os políticos apresentem propostas, alternativas e soluções para os problemas, deixando de lado a pobreza do discurso que não traz em si nenhum compromisso com o futuro do país. Se blablablá e nhenhenhém resolvessem alguma coisa, o país não teria ficado tanto tempo marcando passos no cenário da economia mundial.
Pena que logo agora que o Brasil estava dando alguns passos rumo ao desenvolvimento, se tornando uma economia digna de respeito no exterior, essa crise global veio atando seus pés. Mas nem tudo ainda está perdido e que o trabalhador comemore no seu grande dia, o país melhor que temos hoje, apesar de todos os pesares e dessa crise global. É preciso acreditar em dias melhores sempre, mesmo que o tempo esteja sombrio. Cabe ao trabalhador continuar construindo o grande Brasil que tanto almejamos. Avante, companheiros!

Clube da Esquina no parque

João Júlio da Silva
Domingo no parque. Hoje tem música da melhor qualidade no Parque da Cidade, em São José dos Campos. Um dos ícones da música mineira e da MPB, Beto Guedes deve mostrar o seu brilhantismo de estrela da cultura popular, às 19h30, na Festa do Mineiro da comunidade “uai”.
Beto Guedes é um dos integrantes do famoso “Clube da Esquina”, um divisor de águas na música brasileira que completou 40 anos em março. Mesmo quatro décadas depois, o famoso disco ainda segue influenciando novos músicos.
O famoso “Clube da Esquina“ é o resultado da amizade e do sonho de jovens músicos mineiros que queriam mudar o mundo e produziram belas melodias e letras em músicas inesquecíveis. Um fruto que brotou do solo de Minas Gerais.
O “Clube da Esquina” vai além de um encontro de duas ruas, ele representa a união da música, da poesia, da literatura e, sobretudo, de almas de jovens mineiros em busca da liberdade e da amizade sincera. Milton Nascimento, considerado o porta-voz do grupo disse sobre o famoso encontro dos amigos: “Penso que o Clube não pertencia a uma esquina, a uma turma, a uma cidade, mas sim a quem, no pedaço mais distante do mundo, ouvisse nossas vozes e se juntasse a nós”. O “Clube da Esquina”, além de ter sido um dos movimentos musicais mais importantes da história da cultura brasileira, rendeu frutos musicais extraordinários.
Um dia, na esquina da Rua Divinópolis com a Rua Paraisópolis, no simpático bairro de Santa Teresa, Milton e os irmãos Borges (Marilton, Márcio e Lô) fundaram o “Clube da Esquina”, unidos pela música, política e, principalmente, amizade. O nome do clube foi ideia de Márcio Borges que, sempre ao ouvir a mãe perguntar por onde andavam os meninos, Borges dizia: “Claro que lá na esquina, cantando e tocando violão”. “A gente tinha certeza de que ia produzir uma obra que ia ficar e se esmerou nisso. Foram muitas cabeças reunidas, muitos talentos juntos de uma só vez. Todos voltados para um só produto. E o resultado só podia ser este”, disse o compositor Márcio Borges, que junto com Fernando Brant, Ronaldo Bastos, Beto Guedes, Toninho Horta e a dupla Milton e Lô Borges –que assina o disco– encabeça o projeto musical.
A síntese do álbum talvez esteja explicada no texto do encarte original de 1972, escrito por Fernando Brant: “O Clube da Esquina tinha que ser este disco que aí está. Imagem solidária de pessoas solidárias. Pois caminhamos juntos há muito tempo, desde antes da música, desde os primeiros fios de homem, talvez desde os antepassados…”.
O “Clube da Esquina” surgiu da grande amizade entre Milton Nascimento e os irmãos Borges, na Belo Horizonte dos anos 1960, depois que Milton chegou à capital para estudar e trabalhar. Milton acabara de chegar de Três Pontas, cidade onde morava a família e onde tocava na banda W’s Boys com o pianista Wagner Tiso.
[1]Aos fãs dos Beatles novos integrantes vieram juntar-se: Flávio Venturini, Vermelho, Tavinho Moura e muitos outros.
Todos os integrantes do grupo fizeram carreira solo de sucesso, além da formação do grupo 14 Bis, que fez muito sucesso desde o grupo O Terço.
Por causa da burocracia, projetos de comemoração dos 40 anos do disco “Clube da Esquina” acabaram não saindo do papel a tempo para este ano.
“Clube da Esquina” é, na sua essência Minas Gerais , mas é também, universal.
Como mineiro gosta muito de trem, principalmente, de um trem bão, recordo a letra de “O trem azul”, de Lô Borges e Ronaldo Bastos : “Coisas que a gente se esquece de dizer. Frases que o vento vem as vezes me lembrar. Coisas que ficaram muito tempo por dizer. Na canção do vento não se cansam de voar. Você pega o trem azul, o Sol na cabeça. O Sol pega o trem azul, você na cabeça. Um sol na cabeça. Coisas que a gente se esquece de dizer
Coisas que o vento vem as vezes me lembrar. Coisas que ficaram muito tempo por dizer
Na canção do vento não se cansam de voar. Você pega o trem azul, o Sol na cabeça. O Sol pega o trem azul, você na cabeça. Um sol na cabeça.” Que beleza!Então, vamos ver o Beto Guedes, hoje no parque! Um show imperdível.

Quinze anos de resistência

João Júlio da Silva
Com a publicação deste texto, estou completando 15 anos de “colunismo”, um período que vai de “Entrelinhas” a Papo de Domingo. Acredito que ficar 15 anos ininterruptos escrevendo uma coluna dominical não é para qualquer um, embora eu seja cheio de limitações. E apesar das forças contrárias, até aqui tenho resistido. Talvez tenho me mantido de pé por pura teimosia. Que nada, foi pelo apoio recebido de determinados leitores durante a caminhada que consegui chegar até aqui! Há quem diga que a coluna não tenha mais que meia-dúzia de leitores, contando os que me odeiam, mas são bem mais que isso. Talvez, sete!
Na internet, esta coluna é publicada no “Blog do Jota”, mas, na realidade, utilizo o espaço apenas como um arquivo para os textos que publico no jornal impresso. O meu blog não chega a ser um blog de verdade, é apenas um depósito de textos. Talvez por isso, o número de acessos não encabeça a “lista dos recordes”, mas o que importa é que cada acesso da coluna vale por mil, pois meus leitores são diferenciados. Embora, o que escrevo não seja grande coisa. Para alguns, não passa de um lixo.
Mas, a minha paixão mesmo é o texto impresso, publicado em dois jornais. E lá se vão quinze anos de resistência. Sei que não posso desprezar o “blog”, pois foi através dele que ganhei uma nova leitora, uma estudante universitária lá da região de Ribeirão Preto. Ela enviou um e-mail na semana passada me encorajando e dando forças para continuar.
Tenho consciência que nestes quinze anos alguns leitores estiveram comigo o tempo todo, acompanhando passo a passo. São leitores fiéis, de carteirinha mesmo. A cada ano, penso em parar com a coluna, mas pelos leitores continuo. Mesmo com a total falta de consideração de alguns e os ataques contundentes de muitos outros, digo aos leitores que fico, ou seja, continuo até quando for possível. Seja pelos cantos, ora por cima, ora por baixo, vamos adiante.
Também não poderia deixar de lembrar que nesses quinze anos de resistência tive como vizinhos de página ótimos colunistas, entre eles Joelmir Beting, Sonia Racy, Carlos Nascimento, Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Noblat e Luís Nassif. Todos passaram e aqui estou eu, insistindo em resistir. Que pena, não!
A data de hoje é sim muito especial para mim. Posso até estar meio abatido, pois motivos não faltam para isso, mas é tempo de comemorar as vitórias alcançadas.
A razão para esta felicidade pode não ter nenhum valor para muitos, mas para mim é de muita importância. É como se tudo tivesse começado ontem mesmo, mas foi no domingo de 13 de abril de 1997.
E repito que nesta empreitada, o que conta mesmo é o retorno dos leitores, elogiando ou criticando, mesmo que violentamente, o meu ponto de vista. É devido a eles, que a resistência já tem quinze anos, uma adolescente. Em certas ocasiões, estive por jogar a toalha, chutar o balde ou o pau da barraca, mas ao pensar no caro leitor mantive a luta de continuar meu silencioso grito.
Não sei se chegarei aos vinte anos de coluna. Talvez ela não sobreviva até lá. Ou eu, vai saber! Mas pelo fato de ter chegado até aqui já é motivo para muita comemoração. E não é simplesmente por ter chegado ao décimo quinto aniversário, mas pelo que ela traz consigo ao longo da caminhada. Repito que as palavras publicadas aqui são simplórias e ecoam o grito silencioso de alguém que tem a esperança de ver um país cada vez melhor e justo para que todos os brasileiros e um mundo mais humano.
Sei que para determinadas pessoas a coluna já teria acabado há muito tempo; como ainda não acabou, para elas é indiferente que continue. Às vezes, fico pensando sobre a total falta de apoio e fico cabisbaixo, mas, é preciso ir avante, enquanto se pode caminhar. E para não ser injusto nem ingrato, agradeço aos que permitem que esta coluna seja publicada.
Por enquanto, devo continuar com a coluna, para desespero e ódio de uns e gratidão de outros. E que esse tempo de resistência possa me servir de ânimo para continuar caminhando, apesar dos pesares. E que Deus nos proteja!
Valeu, gente! Estou grato a todos. Resistir é preciso.

Um tempo caçador, outro caça

João Júlio da Silva
Quem poderia imaginar que aquele crítico voraz na tribuna do Senado contra os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff seria pego um dia com a boca na botija? Pois então, a Polícia Federal pegou aquele que era considerado por grande parte da mídia como arauto da transparência e da ética política.
O Senador Demóstenes Torres (DEM-GO) caiu em desgraça, acusado de envolvimento com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Então dançou aquele figurinha, símbolo da honestidade, um ferrenho e audacioso crítico do governo de plantão!
Sua expulsão do partido era dada como certa, mas ele se antecipou e pediu, na terça-feira, sua desfiliação do DEM. Mesmo assim, ainda continua no Senado. Mas ele corre o risco de enfrentar um processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética.
Na carta em que pediu para deixar a sigla, Demóstenes fala em “prejulgamento”. “Embora discordando frontalmente da afirmação de que eu tenha me desviado reiteradamente do programa partidário, mas diante do prejulgamento público que o partido fez, comunico minha desfiliação do Democratas”,disse. É, pimenta nos olhos dos outros é refresco!
Denúncias de envolvimento com Cachoeira, preso em fevereiro durante operação da Polícia Federal, foram fatais. Gravações telefônicas feitas pela PF mostram que Demóstenes usou cargo de senador para beneficiar Cachoeira. O senador chama o bicheiro de ‘Professor’, que, por sua vez, trata Demóstenes como ‘Doutor’. Bem cordiais, eles.
Por que não faz agora sua defesa na tribuna assim como atacava seus adversários, com um discurso explosivo. A cada discurso que fazia, os holofotes estavam presentes, ele era badalado por um monte de puxa-sacos que torciam por ele.
Onde foi parar toda aquela eloquência e tanta“seriedade” política.
Ele se achava como o grande “líder” da oposição que combatia a corrupção do governo federal, mas não fez caso de sua ficha suja, esquecendo de olhar sua própria trajetória de malfeitos. Agora está na lona, correndo o risco de deixar o Sendo pelas portas do fungo, sufocado por corrupção e tráfico de influências. Está desmoronando aquela tão aclamada imagem de paladino da moralidade da vida do homem público. Era um dos grandes defensores da Lei da Ficha Limpa. Pelo visto, a corrupção não poupa ninguém, até um imaculado “demo” acabou caindo em tentação. E tem mais gente muito preocupada com as investigações policiais.
Embora tenha sido ex-procurador geral de Justiça de Goiás em duas ocasiões e ex-secretário de Segurança do Estado entre 1999 e 2002, o senador Demóstenes, pelo que a PF ouviu, transitava com desenvoltura entre pessoas ligadas, direta ou indiretamente, ao mundo dos jogos ilegais.
Além da grande amizade com o contraventor Cachoeira, Demóstenes também recebeu dinheiro em sua campanha de um advogado preso duas vezes pela Polícia Federal sob acusação de integrar uma quadrilha para permitir o funcionamento de bingos e a exploração de caça-níqueis.
O que será agora daquela figura conhecida por criticar escândalos de corrupção no governo e colegas envolvidos em irregularidades? Como era contundente o ex-líder do DEM em seus ataques! É oportuno lembrar algumas frases.
“Aliás, o governo do PT, de uma forma generalizada, descobriu que voar é a grande quimera do poder”, disse em abril de 2005, criticando viagens de Lula. “Realmente, os políticos estão perdendo a vergonha na cara”, declarou em 2007 sobre o colega Renan Calheiros (PMDB-AL).“Renan Calheiros tem que abandonar o cangaço e se portar como presidente do Senado”, disse em junho 2007 .“A imagem do Senado, hoje, é a de um pau de galinheiro”, declarou em setembro de 2007, também sobre o episódio Renan. Mas, também estava no poleiro imundo.
É roto falando de esfarrapado. “Nunca tive notícias de ratos no Senado. Desses que mordem o pé pelo menos não”, disse em 22 de janeiro de 2012, sobre um rato ter mordido uma funcionária da Casa. Ele sabia o que estava dizendo. De roedores ele deve entender. Ou não? Malditos ratos!

De papel, papelzinho e papelão

João Júlio da Silva
Houve um tempo em que um fio de bigode representava a garantia de um acordo, negócio ou compromisso. Não, não era obrigatório registrar o que foi apalavrado em cartório ou sequer, fazer o maldito “reconhecimento de firma”. Para o homem, bastava um fio de bigode para que o negócio assumido fosse considerado fechado. Um fio de bigode valia mais do que qualquer contrato escrito, palavra dada é palavra de honra, palavra de cavalheiro. Era questão de honradez. Mas, nos dias que correm, o que se fala de manhã já não vale ao meio-dia.
Neste mundo, cada um tem a sua missão, o seu trabalho, os seus afazeres, por fim, tem o seu papel a cumprir. A pessoa cumpre as suas atividades de acordo com as circunstâncias, a sua formação e o seu caráter. Muitos se complicam com um simples papelzinho, outros vivem cometendo um grande papelão, mas tem aqueles que cumprem bem o seu papel.
Pois então, o candidato derrotado à Presidência da República, José Serra, acabou vencendo as prévias tucanas no último domingo e vai disputar o cargo de prefeito da capital paulista. Ele bateu o secretário do Estado de Energia, José Aníbal, e o deputado federal Ricardo Tripoli. No total, 6.229 filiados tucanos votaram. Serra teve 52% (3.176) dos votos, contra 31,2% (1.902) de Aníbal e 16,7% (1.018) de Tripoli.
Na semana anterior às prévias, o então pré-candidato tucano deu uma entrevista para uma rádio no dia de seu aniversário de 70 anos, e disse que o termo assinado por ele em 2004 se comprometendo a cumprir os quatro anos de mandato caso fosse eleito prefeito era “apenas um papelzinho”. Ah, bom, então tá!
O tal “papelzinho” deu muito o que falar, como aquela bolinha de papel que o tucano diz ter sido agredido na cabeça na última campanha presidencial. Ele deve ter algum problema com papelzinho e papel.
Então o que foi dito à população paulistana naquela ocasião era tudo mentirinha, pois pelo visto, o compromisso assumido não era importante porque não passava de um papelzinho qualquer, sem valor. O próprio Serra comentou o que disse sobre o “papelzinho”. “Se eu falei papel ou papelzinho não muda nada, isso não tem importância nenhuma. O que eu disse, eu digo sempre. Assinar ou não assinar não faz diferença. Eu assinei um papelzinho. Não era nada…” Então é assim que funciona, o que diz “não tem importância nenhuma”.
Agora, fica a dúvida, caso seja eleito, irá cumprir o mandato, ou mais uma vez, vai fazer do cargo um trampolim para as eleições futuras?
Recordar é preciso. Serra era candidato a prefeito em 2004 e assinou um documento firmando o compromisso de permanecer no mandato até o final. Não foi o que aconteceu. Em 2006 ele se candidatou a governador e largou a prefeitura nas mãos de Kassab que, e a capital acabou ficou jogada às traças, pois o prefeito estava mais preocupado em fundar o próprio partido. No final de 2010, o tucano disse que não se candidataria a prefeito em 2012. Agora, acaba de vencer as prévias do partido e disse que vai cumprir o mandato até o fim, casa vença as eleições. Será? Depois de tudo, ainda dá para acreditar?
Todo documento, ou papelzinho que seja, com uma promessa contendo a assinatura de um político, deve sim ser considerado muito importante e levado a sério, afinal, se trata da palavra de honra de quem rubricou o nome no papel. É uma questão de credibilidade para qualquer pessoa, para os políticos então, trata-se de sobrevivência política. Ou, não? Pelo jeito, eles consideram isso uma bobagem.
Para finalizar, lembro o grande escritor, jornalista, desenhista, pensador combatente e frasista Millôr Fernandes, que morreu na última semana. O que disse tempos atrás ainda vale para hoje: “As pessoas que falam muito mentem sempre, porque acabam esgotando seu estoque de verdades”. Ou ainda: “A diferença entre a galinha e o político é que o político cacareja e não bota ovo”. Ou: “Eu sei sempre do que é que estou falando. Tirando isso não sei mais nada”. E: “Se você agir sempre com dignidade, pode não melhorar o mundo, mas uma coisa é certa: haverá na terra um canalha a menos”. Valeu, Millôr, pelo belo papel!

Tristeza em Chico City

João Júlio da Silva
Morreu o grande comediante Chico Anysio. É mentira, Terta? Verdaaade! Infelizmente, não é mentira. E morreu com ele não apenas o velho Pantaleão, mas uma multidão de personagens criados pelo grande artista.
Suas grandes criações jamais terão vida novamente na pele e voz de outro humorista. Impossível, Chico era ímpar e incomparável.
Um ator não precisa ser humorista, mas o humorista sim, precisa ser um grande ator. Nenhum outro esteve ou está na mesma dimensão que atingiu Chico Anysio, que, para mim, era, antes de ser um excepcional comediante, o maior ator deste país. Deixava no chinelo muitos atores globais que se acham os tais. Para interpretar, digo até, incorporar, aquela enormidade de personagens era preciso muito talento. E isso não é para qualquer atorzinho de novela não!
Nesses tempos sem graça e de humor duvidoso, de pânico e outras monstruosidades na televisão, em que pseudoartistas se acham engraçadinhos e faltam com o respeito com as pessoas, Chico fará muita falta. Pena que a “toda poderosa” tenha deixado Chico na geladeira, fora do ar, por tanto tempo. Em 2000, a “deusa platinada” tirou mesmo o humorista de sua grade de programação como punição às suas críticas em relação à emissora.
Esse foi o tratamento que teve depois de tantos anos dedicados, dando retorno e sucesso à empresa. Chico não gostou. “Sou um artista que, em 53 anos de profissão, sempre expressei livremente meu pensamento sem intenção de desrespeitar ninguém, muito menos a Rede Globo, onde trabalho há mais de três décadas, tendo excelente e respeitoso relacionamento, principalmente com a alta cúpula, a quem sempre rendi homenagens como o melhor empregador que já tive. Como artista, meu único patrimônio é meu direito de pensar e dizer, já que, por ser um criador, isto é uma qualidade inata. A este patrimônio não renuncio, mesmo em tempo de censura, como agora. (…) Estou tentando compreender os motivos que levaram a Rede Globo a agir desta forma que muito mais pune a ela do que a mim.” A emissora manteve o seu contrato, evitando sua ida para outros canais. Agora ela fica aí, cheia de homenagens. Mas, não há desrespeito que consiga aniquilar o talento, a obra de Chico permanecerá como exemplo do que é ser um verdadeiro artista.
Chico Anysio morreu aos 80 anos depois de passar 112 dias internado. Foi guerreiro até o final, como todo bom nordestino. Esteve internado por diversas vezes, quando teve alta, em abril do ano passado, voltou a gravar o programa semanal “Zorra Total”, da Rede Globo, interpretando Salomé. O único quadro que se salvava no programinha sem graça. Cearense nascido em Maranguape, em 12 de abril de 1931, Francisco Anysio de Oliveira Paula foi o maior nome do humor no Brasill. Sua carreira se estendeu por mais de seis décadas como radialista, escritor e ator de teatro, cinema e televisão. O programa “Chico City”, lançado em 1973, era imperdível.
Chico casou por seis vezes e teve oito filhos (um deles adotivo). Foi casado com a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello, do governo Collor. Até hoje me pergunto o que ele teria visto naquela mulher aguada. Mas, cada um tem a vida pessoal que deseja e não se discute essas particularidades.
Entre os diversos personagens que deixarão saudades, estão Tim Tones, Professor Raimundo, Bozó, Painho, Coalhada, Alberto Roberto, Justus Veríssimo, Salomé, Bento Carneiro, Pantaleão, Nazareno, Haroldo e Azambuja. Criou cerca de 209 personagens.
“O meu programa era absolutamente crítica social. Eu sempre defendi o pobre, o preto, o nordestino, o retirante, o mendigo, o preso, o esfarrapado. Então, rico, nos meus programas, sempre fez papéis ridículos, nunca fiz um rico que se desse bem no meu programa. Era uma maneira de dar um sonho, que fosse, para o povão que vê o programa.”, disse Chico no programa “Roda Viva”, da TV Cultura, em 1993 .
“Para mim, há dois tipos de humor: o engraçado e o sem graça. E eu fico com o primeiro”, dizia Chico. Hoje, na TV, muitos optaram pelo segundo. Chico Anysio deixou um genial legado artístico. Que aprendam com ele.

Chamem Batman e Piti Bitoca

João Júlio da Silva
Se vivo estivesse, o grande escritor Monteiro Lobato talvez tivesse de incluir no seu time de personagens exuberantes, outras figuras, no mínimo, bizarras, de sua terra natal. Mas, teria que escrever uma história de terror grotesca. Não, ele não faria isso!
Esses seres risíveis que surgem do nada viram manchetes nos meios de comunicação da noite para o dia. Quando um desses tipos está em evidência e parece ser o último da categoria, logo em seguida surgem outros mais estapafúrdios ainda. Só rindo mesmo para não chorar de vergonha .
Entre a peças mais recentes que ganharam notoriedade estão o vereador que diz levar uma vida de Príncipe e a falsa grávida de quadrigêmeos. Sem falar do alcaide superpoderoso. Cheguei a pensar que a “supermãe” fosse a última celebridade do fundo do poço, mas, eis que surge todo faceiro o “Batman” da terrinha de Lobato, o defensor e guardião dos indefesos e inseguros cidadãos.
Pois então, a versão tupiniquim do homem-morcego é um militar aposentado que tem a mania de se vestir com a fantasia do super-herói. Ele teria cerca de 250 fantasias, duas delas do Batman, que custaram mais de US$ 15 mil cada (cerca de R$ 27 mil). Corajoso ele, sair com uma roupa cara assim por aí, em meio a tanta insegurança.
E não é que ele acabou sendo convidado para agir contra a criminalidade do seu município! É, e o convite partiu da própria autoridade responsável pela segurança da população. Eu até tento entender o caso, me esforço ao máximo, mas não consigo. Devo ser um burro imprestável, não o da central. Será tudo isso uma grande brincadeira? Estariam tirando uma da cara dos cidadãos pagadores de impostos? Não, eu me recuso a acreditar que isso seja algo sério. Simplesmente, não dá. Meus neurônios não permitem isso.
Será que acreditam mesmo que essa peça bufa vai mesmo combater o alto índice de violência que assola a população? Será que a tragicomédia irá reduzir a criminalidade? Com certeza não será um falso super-herói dos quadrinhos que colocará a bandidagem para correr. Ah! Não é nada disso? Sim, o Batman vai participar de campanha pela paz, conversando com as crianças. Que belo! Isso, nada de sair correndo atrás de criminosos. É, já não se faz super-herói como outrora! Sim, é preciso plantar valores humanos, lançar a semente do bem. Mas, e os valores que os criminosos roubam, quem vai parar com isso?
Com o surgimento do “Batman beira-brejo”, muito se discutiu sobre quem faria o papel de seu inseparável companheiro, o Robin, já que o mesmo ainda não deu a cara. Muitos nomes foram lembrados, mas considero que se deve recorrer à própria terra de Lobato.
E sendo assim, eu sugiro o Piti Bitoca. Sim, ele mesmo, o borboletinha. Não é uma graça! Eles fariam, sem dúvida, uma dupla temerosa: Batman e Piti Bitoca! Uau! Foras da lei, fujam todos! Bandidagem, perdeu, acabou a moleza, é o fim!
Então fica assim, precisando, em caso de perigo, que os cidadãos chamem por Batman e Piti Bitoca.
E as autoridades estão mesmo mobilizadas contra a violência. Além do reforço do Batman (e não se esqueçam do Piti Bitoca), elas também estão abertas a novos heróis e personagens, inclusive os do Sítio do Picapau Amarelo.
Que Batman que nada, queremos personagens brasileiros! Chamem a Cuca, o Saci e toda a turma: Emília, Narizinho, Pedrinho, Marquês de Rabicó, Visconde de Sabugosa, Dona Benta, Tia Nastácia e Tio Barnabé. Se fossem chamados, também atenderiam de bom grado e dariam a maior força outros grandes valentes como Mula-sem-cabeça, Curupira, Pisadeira, Chupa-cabra, Boto, Boitatá, Caipora, Boiúna, Lobisomem, Corpo-seco, Negrinho do Pastoreio, Mãe-d’água, Mãe-de-ouro, Matintapereira, Bicho-papão e até duendes e fadinhas.
Segurança pública é algo tão sério que chega a ser inconcebível que se combata o crime com algo tão singelo e ingênuo. Os bandidos devem estar rolando de rir de tudo isso. Como obter um resultado positivo com medidas assim? Penso que a segurança pública não pode ser tratada como uma história em quadrinhos.

Arena de rinha humana

João Júlio da Silva
Acredito que toda pessoa, com um mínimo de bom senso, seja contra qualquer tipo de violência.
E sendo assim, sou contrário até a lutas corpóreas que são recheadas de golpes violentos. Para mim, qualquer tipo de luta passa bem longe do que seja esporte.
Penso que as lutas não deveriam fazer parte dos jogos olímpicos. Esse tipo de combate é a negação da grandiosidade do que significa o esporte.
Estou tratando do tema porque dias atrás, ao dar uma olhadela na televisão, dei de cara com uma luta que é a sensação do momento, a tal de MMA (Mixed Martial Arts ou ainda Artes Marciais Mistas). O “espetáculo” foi assustador, os lutadores estavam banhados em sangue, enquanto se digladiavam. A cena é o que há de mais primitivo, troglodita e animalesco. Vale tudo mesmo, pior que briga de rua. Dizem que a luta tem regras, mas nada justifica o banho de sangue. Nem os animais irracionais chegam a tanto.
Onde querem chegar com tamanha violência?Até a toda poderosa, a Vênus platinada, entrou nessa. Voltou o tempo da barbárie. Ao ver aquela imagem de “selvagens” praticando o que chamam de “esporte”, pensei em tratar do assunto aqui. Mas, fui adiando até que na última segunda-feira li no jornal “Folha de S. Paulo’ um artigo de autoria do advogado e deputado federal José Mentor (PT-SP), intitulado “Proibir o MMA na televisão”.
Acredito que muitos concordam com ele, outros não, e tem aqueles que discordam apenas porque ele é parlamentar petista, uma bobagem, pois o que vale é o debate.
Segundo o artigo, objetivo é “proibir o televisionamento de lutas agressivas e brutais que banalizam e propagandeiam a violência pela violência, sem qualquer outra mensagem, pela TV, que é uma concessão estatal”. Mentor disse que “basta assistir a um único embate para ver a brutalidade e a contundência dos golpes, desde pontapés e joelhadas na cabeça até cotoveladas no rosto, chaves de braço e ‘mata-leões’ (chaves no pescoço)”.
Ele lembra que “em dezembro, o brasileiro Rodrigo Minotauro quebrou o braço e teve de passar por cirurgia para colocar 16 pinos metálicos. Em outra apresentação recente, bastaram alguns segundos para o ‘vencedor’ derrotar o adversário com dois únicos golpes Há cenas de sangue jorrando longe após cotoveladas na boca e no nariz do oponente -que caiu, tremendo e com espasmos”.
Mentor lembrou de outras brutalidades. “No Brasil, rinhas de galo e de canário são proibidas legalmente. Há cidades, como São Paulo, por exemplo, que não permitem rodeios, porque ferem e machucam animais. Mas lutar MMA que maltrata, fere, machuca, lesiona, sangra o ser humano, pode! Rinha humana pode!”
Ainda de acordo com Mentor, “em Nova York, desde 1997 são proibidas competições e outras atividades do MMA. Na França, elas também já foram proibidas. No Canadá, em 2010, a associação médica concluiu que o MMA provoca traumas e lesões que podem estar presentes pelo resto da vida do lutador. A entidade sugeriu que o esporte seja banido do Canadá, que é o segundo maior mercado do UFC (Ultimate Fighting Championship) no mundo. No Brasil, médicos e pesquisadores têm se manifestado contra a prática, apontando riscos tanto de lesões, algumas permanentes, como de morte”.
Para Mentor, “a veiculação das imagens dessas lutas pode incitar ainda mais a violência. São cenas que despertam instintos raivosos, maldosos. O UFC está avaliado em mais de US$ 1 bilhão e se tornou um fenômeno de mídia. São poucos ganhando muito com o sangue, com a desumanidade e com o destempero alheios”.
Seria a volta dos gladiadores? “Na Roma antiga, os gladiadores, escravizados, lutavam entre si até a morte. Galvão Bueno, nas chamadas da TV Globo, alardeia ‘os gladiadores do século 21?’”, disse.
Tem um bam-bam-bam da selvageria que está lançando “A Bíblia do MMA – As técnicas do maior lutador da atualidade”. Pior, tem igreja que já adotou a barbárie das lutas como forma de evangelização. Belo cristianismo esse, que transforma o púlpito em ringue de lutas. É o final dos tempos!

A pesca, a minhoca e o ministro

João Júlio da Silva
Quando, num infortúnio, um paraquedista ao saltar, perde o controle do seu equipamento e acaba sendo levado por um forte vento, o seu pouso não será nada agradável em algum lugar que sequer conhece. Assim é o caso do novo ministro da Pesca, Marcelo Crivella (PRB-RJ), que, como seus antecessores no cargo, não entende patavina da pasta para a qual foi designado. Assim como os demais que passaram pelo pesqueiro, ele caiu como um paraquedista sem a mínima noção do que fazer ali, no ministério.
A diferença entre o ministro e o paraquedista sem rumo, é que não há infortúnio nenhum em assumir um ministério no governo, muito pelo contrário, é só alegria.
Crivella reconheceu o seu despreparo, admitindo que não tem conhecimentos sobre o setor pesqueiro do país. Na véspera de assumir como titular da Secretaria Especial da Pesca e Aquicultura, o senador Crivella revelou o seu completo desconhecimento da área. “Vou lhes dizer, com humildade. Eu nem sei colocar uma minhoca no anzol”, afirmou. “Na verdade, estou indo para aprender. Mas com espírito público”, completou. Disse que vai aprender com rapidez a lidar com a minhoca, pois fará um “intensivão”. Durante a posse pediu ajuda a Deus para que não haja deslizes na pasta. Que ele seja atendido para que não caia em tentação, e que Deus estenda a proteção para os demais ministérios.
O nobre senador precisa entender que não basta saber colocar minhoca no anzol para ser um conhecedor do setor de Pesca. Não é tão simples assim. Mas, o que faz um ministro da Pesca? Para muitos, absolutamente nada. Como nem pescar Crivella sabe, não precisará sequer manejar a minhoca para colocar no anzol.
A escolha de Crivella, um dos líderes da bancada evangélica, mantém uma tradição no ministério: oportunismo. Criado em 2003, ele teve como titulares um cientista político, José Fritsch, e depois um veterinário, Altemir Gregolin. Ideli Salvatti, que o sucedeu, é formada em física e Luiz Sérgio, que a sucedeu, é metalúrgico.
Realmente, é exagerado o número de ministérios no governo federal, assim como os governos estaduais e municipais têm uma infinidade de secretarias, cargos criados para alojar os parceiros de campanha eleitoral.
A vidraça de Brasília é maior, portanto o alvo é mais fácil de ser atingido, mas não há dificuldade nenhuma de encontrar numa prefeitura do interior, secretários de uma inutilidade sem igual, não servem para nada, apenas ocupam o cargo devido ao apadrinhamento político. Além de desfrutar do dinheiro público, um desses secretários é uma aposta, pois pode se tornar no futuro prefeito. Com ajuda da máquina administrativa, o reizinho pode vir a ser o manda-chuva do reino encantado.
Mas voltemos ao Crivella. Aos 54 anos e até então em seu segundo mandato no Senado, ele é “bispo” licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, onde o seu tio, Edir Macedo, é o grande mestre, para não dizer proprietário. Quem diria, hem, o Macedão conseguiu chegar ao primeiro escalão do governo! Crivella é também sobrinho do missionário Romildo Ribeiro Soares, o RR Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus. Aquele do passaporte diplomático, fornecido pelo senador Crivella.
Crivella disse que vai ser o interlocutor dos evangélicos junto à presidente Dilma Rousseff. Ele afirmou ainda que sua indicação não é uma forma de pressão ao PRB para retirar a candidatura de Celso Russomano (PRB) à prefeitura de São Paulo para apoiar Fernando Haddad (PT). Será?
Em São Paulo, os evangélicos ameaçam usar o “kit gay” contra o pré-candidato petista. O material, elaborado pela gestão de Haddad no Ministério da Educação, pretendia combater o preconceito por meio de material distribuído em escolas da rede pública.
Olha, nessa briga, não será um cargo de ministro da Pesca que vai mudar a postura desse segmento religioso. Não há dúvidas, o ministro e “bispo” Marcelo Crivella fará sim, uma boa pescaria. Para quem sabe manipular almas de valorosos fieis, colocar minhoca no anzol será uma moleza. Nem há necessidade de um intensivão. Que Deus nos acuda!

Perigo na praia e impunidade

João Júlio da Silva
Tinha apenas três anos e brincava na areia com a mãe na praia de Guaratuba, em Bertioga, quando foi atingida na cabeça por um jet ski em alta velocidade, no final da tarde do dia 18. É, o jet ski continua aterrorizando no litoral! Cadê a fiscalização?
Segundo a polícia, testemunhas relataram que um adolescente de 14 anos dirigia o jet ski quando ocorreu o atropelamento. Isso mesmo, 14 anos!
Grazielly Almeida Lames era filha única da auxiliar de panificação Cirleide Rodrigues de Lames, 24 anos, e do caminhoneiro Gilson Almeida da Silva, 33 anos, um jovem casal de trabalhadores que passava um final de semana de descanso na praia com a filhinha. Mas, o lazer terminou em tragédia devido à falta de responsabilidade de pessoas que acham que podem tudo.
O casal, da cidade de Artur Nogueira, interior de São Paulo, havia levado a filha para conhecer a praia.
“Acabei de enterrar minha menininha, quem sabe o que é isso? Espero que seja feita justiça e minha filha seja um anjo que impeça de acontecer isso com outras crianças”, disse a mãe, desolada, na última segunda-feira, após o sepultamento da pequena Grazielly.
Ela disse que não dormia nem comia direito desde o dia do acidente. “Não consigo fechar os olhos. Nada passa na garganta. É uma dor que não desejo para ninguém.”
A mãe e a filha estavam saindo do mar, quando o jet ski atingiu a criança. “Ela ficou ansiosa durante semanas, perguntava onde era a praia, como era. Saímos de Artur Nogueira na sexta, chegamos tarde na casa alugada em Bertioga. No dia seguinte bem cedinho ela acordou e me pediu para ir ver o mar. Fomos e, como ela era muito branquinha, voltei pra casa e, mais tarde, levei-a de novo até a praia”, conta Cirleide.
“Estávamos no mar e ela me pediu: mamãe, vamos fazer um castelinho de areia? Então estávamos saindo, indo pra areia. Estava feliz, realizada, alegre. Conhecer o mar era um sonho dela. O outro era ser bailarina, mas esse ela não vai poder realizar”, disse a mãe.
A mãe contou não ter escutado barulho, nem ter visto o jet ski se aproximar. “Não vi nada, de repente apareceu o jet ski na minha frente, só consegui sentir aquele vento e ver minha filha jogada longe. O menino pulou do jet ski, eu só pensei em socorrer minha menininha”, disse. Segundo relatos feitos à polícia, o adolescente foi para uma casa em um condomínio de luxo, de onde teria saído de carro com parentes.
“Se eu pudesse dizer algo à mãe desse garoto, eu diria para ela se colocar no meu lugar. Eu nunca mais vou poder estar com a minha filhinha. Não quero isso para ela. Só gostaria que ela tentasse imaginar o filho dela no lugar da minha menininha, acontecer o que aconteceu por causa de uma irresponsabilidade”, afirmou. “O que eu posso querer? Eu queria minha filha de volta, mas como isso é impossível, só posso pedir justiça. Como pais deixam um instrumento como um jet ski na mão de uma outra criança?” Ora, dona Cirleide, porque neste país tem certos seres desumanos que se acham donos do mundo e que estão acima do bem e do mal!
Como o fato ocorreu num feriadão de Carnaval, a imprensa deu pouco destaque para a dor dessa família. Talvez com o fim da folia, o caso passe a ter a devida importância. Será?
Quem vai se importar com o drama de Cirleide. “Ela era a única netinha, a única sobrinha dos meus irmãos. Minha família é muito simples, sabe, e a gente foi para a praia porque meu irmão deu isso de presente a ela. Ela era tão querida que ligava para o meu irmão para falar da viagem, uma semana antes. Vai deixar uma saudade enorme, é inexplicável o que eu estou sentindo”, disse.
O advogado do adolescente suspeito de dirigir o jet ski, lamentou o acidente e disse ter sido “uma fatalidade”. Fácil, simples assim! Segundo ele, o adolescente estava com um colega da mesma idade na praia, quando, “por curiosidade”, decidiu ligar o jet ski. “Ao acionar o jet ski ele caiu e o jet ski se projetou, indo embora para praia, pegando a menininha”, disse o advogado.
O pior de tudo, nem o adolescente nem sua família prestaram socorro à vítima e o socorro teria demorado 40 minutos. Justiça, já!

Ficha Limpa e os políticos sujos

João Júlio da Silva
Ufa! Finalmente a Lei da Ficha Limpa foi declarada constitucional pela maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), na última quinta-feira, após quase dois anos depois de entrar em vigor. A maioria do plenário determinou que o texto integral da norma deve valer já a partir das eleições municipais de outubro deste ano.
Com a decisão, ficam proibidos de se eleger por oito anos os políticos condenados pela Justiça em decisões colegiadas, cassados pela Justiça Eleitoral ou que renunciaram a cargo eletivo para evitar processo de cassação. Já era tempo de colocar para correr essa politicanalha sem nenhum caráter.
“A opção do legislador foi verificar que um cidadão condenado mais de uma vez por órgão judicial não tem aptidão para gerir a coisa pública e não tem merecimento para transitar na vida pública”, afirmou o ministro do STF, Luiz Fux.
O ministro Joaquim Barbosa afirmou que “é chegada a hora de a sociedade ter o direito de escolher e o orgulhar-se de poder votar em candidatos probos sobre os quais não recaia qualquer condenação criminal e não pairem dúvidas sobre malversação de recursos públicos”.
A Lei da Ficha Limpa, de 2010, é de iniciativa popular e foi apresentada ao Congresso Nacional após a assinatura de mais de 1,3 milhão de eleitores. Portanto, ela é uma conquista popular pelo fortalecimento da democracia.
“A iniciativa popular plenifica a democracia, o que confere à lei, se não a hierarquia maior, um tônus de legitimidade ainda maior, ainda mais denso. Essa lei é fruto do cansaço, da saturação do povo com os maus tratos infligidos à coisa pública”, disse o ministro Carlos Ayres Britto. “Uma pessoa que desfila pela passarela quase inteira do Código Penal, ou da Lei de Improbidade Administrativa, pode se apresentar como candidato?”, indagou Britto. Ele explicou que a palavra candidato significa depurado, limpo, disse ainda que a Constituição tinha de ser dura no combate à improbidade porque o Brasil não tem um retrospecto bom nessa área. “A nossa tradição é péssima em matéria de respeito ao erário”.
O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcante, disse que a validade da Lei da Ficha Limpa para as eleições 2012 é uma “vitória da cidadania, da ética e do povo brasileiro, que foi às ruas e disse para todo o Brasil que quer mudança na política”. Para Cavalcante, a Ficha Limpa não acabará de vez com todos os males da política brasileira, mas será um grande passo para evitar que “carreiristas” ingressem na política com a intenção de fazer do mandato uma extensão de interesses privados.
“Esses vão pensar duas vezes porque a punição moral e política será grande”, afirmou. “A lei é um importante passo para a limpeza ética na política brasileira e o STF, ao declará-la constitucional, o fez em prestígio aos princípios da probidade administrativa e da moralidade pública”, reiterou.
Antes da decisão, com o impasse que parecia não ter fim, os fichas sujas estavam deitando e rolando de tanto dar risadas, pois nada parecia deter seus passos, que seguiam firmes na paralela marginal da criminalidade, principalmente o crime de colarinho branco. Agora, não poderão mais se esconder por detrás de um mandato político.
Mas, como neste país tudo é possível, essa gente é bem capaz de descobrir brechas na lei para tentar manter a sua força e seu poder contra os incautos eleitores que se deixam levar por propostas politiqueiras, que só fazem crescer a conta bancária desses espertalhões.
O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Alexandre Camanho, afirmou em nota que o Supremo atendeu às demandas da sociedade. “Está na hora de o velho dar lugar ao novo, de os líderes corruptos deixarem o poder e de a sociedade consagrar aqueles que possam escrever uma história diferente, baseada em princípios éticos e assumindo, de fato, a responsabilidade inerente aos cargos públicos”.
Após a definição da Lei da Ficha Limpa, cabe agora ao eleitor fazer a sua parte, votando com a consciência limpa pela melhor candidatura, aquela que não tenha em seu currículo as marcas do crime.

Ameaça de movimento armado

João Júlio da Silva
A greve deveria ser a última ferramenta que o trabalhador dispõe para fazer as suas reivindicações quando todas as negociações possíveis já foram esgotadas e não se chegou a nenhum acordo.
E para que a população não seja a grande prejudicada durante as paralisações, certas categorias deveriam ser proibidas, além do papel, de fazer greve, como as ligadas à saúde e segurança pública. Em caso de desrespeito, punição severa para as lideranças envolvidas no caso.
A greve de policiais na Bahia e no Rio de Janeiro, que ameaça, num efeito-dominó, se espalhar para outros Estados está totalmente fora de qualquer tentativa de justificativa das categorias que decidiram cruzar os braços.
Todo mundo sabe que neste país os policiais ganham mal demais, assim como os professores, mas por se tratar de profissionais que combatem a criminalidade, não dá para negociar tendo a paralisação como ameaça concreta.
É inconcebível uma força armada em greve. Na Bahia, policiais amotinados na Assembleia Legislativa do Estado, mais pareciam com os bandidos que combatem, com os rostos cobertos, de bermudões e sandálias de dedo. Que bonde é esse que comete até crimes?
Não dá para a população ficar à mercê da ameaça desse movimento armado.
A Bahia ficou em choque com a greve de policiais, onde foram registrados assassinatos, saques e violência generalizada.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello afirmou que é ilegal a greve de policiais militares, como os da Bahia.
O movimento por reajustes salariais tem sido marcado por conflitos entre grevistas e o Exército e pelo aumento da criminalidade da capital do Estado, Salvador.
“A greve é um tema social. Mas, neste caso, ela é inconstitucional, é ilegal. Se viesse uma lei legitimando o direito de greve de militares, ela fatalmente cairia no STF, seria julgada inconstitucional”, disse Mello.
O artigo 142 da Constituição estabelece que ao militar são proibidas a sindicalização e a greve.
Na televisão foi mostrado um diálogo de policiais em greve fazenda ameaças que ferem a todos os cidadãos de bem.
Conversas gravadas entre líderes do movimento grevista da Polícia Militar na Bahia e policiais do Rio, mostraram acertos para a realização de ações de vandalismo em Salvador e a ameaça de cancelar o Carnaval. Chantagem sem limites. Um militar é orientado por uma mulher para que grevistas da Bahia não fechem acordo com o governo para que a greve no Rio não perca força. Que barbaridade, isso!
Planejavam até fechar uma rodovia federal e ameaçavam queimar duas carretas na rodovia Rio-Bahia.
Isso é conversa de bandido e não de policial, por isso tem que ser preso mesmo e não deve ser anistiado em hipótese nenhuma.
Em 2010, a greve dos bombeiros do Rio acabou terminando em anistia, mesmo depois da tomada do quartel central, viaturas depredadas e impedidas de deixar os quartéis, deixando ocorrências da população sem atendimento.
Pelo jeito, aquela figura de grande ser humano que o bombeiro despertava nas pessoas, parece ser algo do passado.
Bombeiros e policiais revoltosos merecem ser anistiados? O policial ganha mesmo mal, diante do risco e a responsabilidade que possui. Mas, para essa categoria, com certeza, a greve não é o melhor método de reivindicação. Como pode prejudicar a população que deve proteger?
“Não consideramos que seja correto instaurar o pânico, instaurar o medo, criar situações que não são aquelas compatíveis com uma democracia”, disse a presidente Dilma Rousseff. “Vai chegar um momento em que vão anistiar antes do processo grevista começar. Eu não concordo com isso. Por reivindicação, eu não acho que as pessoas têm de ser presas, nem condenadas. Agora, por atos ilícitos, por crimes contra o patrimônio, crimes contra as pessoas e crimes contra a ordem pública, não podem ser anistiados. Se você anistiar, aí vira um país sem regra”. Chega!

Recomeçar é preciso

João Júlio da Silva
É tempo de arregaçar a s mangar e retomar as atividades. O primeiro mês do ano, como vem ocorrendo nos últimos tempos, mais uma vez esteve recheado de notícias ruins. Mas, o grande destaque, sem dúvida nenhuma, foi o caso que teve repercussão internacional, a reintegração de posse de uma área ocupada por sem-teto.
Um episódio que se arrastou por anos e teve um desfecho que passou bem longe de qualquer medida humanitária. Foi tomada uma medida policial para um problema social de habitação.
Em qualquer lugar, até o mais distante, onde a desumanidade foi comentada, o nome do culpado foi apenas um, embora, queiram dividir a culpa pelo lamentável ocorrido.
Com as imagens do avanço da tropa de choque, da surra de cassetetes que levou um morador da área, de um guarda disparando sua arma, do nariz sangrando de uma mulher, de móveis sendo amontoados na rua, de famílias deitadas no chão e em bancos de uma igreja, e de crianças apavoradas com o clima de tensão, vi nitidamente a que ponto o ser humano chega, sendo capaz de levar ao extremo o desprezo pelos seus semelhantes. O que dizer?
Nesses momentos de angústia sempre convoco meus poetas prediletos para dar um refrigério em minha mente.
Folheando alguns livros encontro versos de Thiago de Mello:”O vendaval findou. Agora é só o vento soprando a sua ferocidade mais fria… O vendaval findou. Agora é só vento cotidiano, implacavelmente morno, hálito podre. É com ele que se tem de aprender a lição do revés, vida vivida. Dos tantos que saíram, poucos, muito poucos, se reencontrarão um dia, tomara, naquilo que foram ou que não puderam ser. Por enquanto, a cordilheira transposta, o que se alteia é o desvairio da boca, é cada vez mais o muro entre a boca e a mão. Aos que sonhavam mesmo, vendo o claro, e que puderam permanecer no coração ardente da sombra, cabe o labor maior da aprendizagem. É aprender com tudo o que foi feito e também com tudo que deixou de ser feito, como rasgar o caminho da esperança que lateja, que lateja… O vendaval findou. Telhados ocos não poderão servir de abrigo a pássaros.”
O desabafo de Fernando Pessoa:”Ah, e a gente ordinária e suja, que parece sempre a mesma…A gentalha que anda pelos andaimes e que vai para casa por vielas quase irreais de estreiteza e podridão. Maravilhosa gente humana que vive como os cães, que está abaixo de todos os sistemas morais, para quem nenhuma religião foi feita, nenhuma arte criada, nenhuma política destinada para eles! Porque sois assim, nem imorais de tão baixos que sois, nem bons nem maus, inatingíveis por todos os progressos, fauna maravilhosa do fundo do mar da vida! Ó pinheirais sombrios ao crepúsculo.”
Do grito de Pablo Neruda: “Assim foi devorada, negada, sujeitada, arranhada… Dos despenhadeiros da cólera onde o caudilho pisoteou cinzas e sorrisos recém-tombados, até as máscaras patriarcais dos bigodudos senhores que presidiram a mesa dando a bênção aos presentes, e ocultando os verdadeiros rostos de escura saciedade, de concuspiscência sombria e cavidades cobiçosas; fauna de frios mordedores da cidade, tigres terríveis, comedores de carne humana, peritos na caçada do povo fundido nas névoas, desamparado nos rincões e nos porões da terra.”
O embalo poético de Vladímir Maiakóvski: “Balalaica (como um balido abala a balada do baile de gala) (com um balido abala) abala (com balido) (e gala do baile) louca a bala laica.”
O veredicto de Carlos Drummond de Andrade dizendo: ” O sacrifício da asa corta o voo no verdor da floresta. Citadino serás e mutilado, caricatura de tucano para a curiosidade de crianças e indiferença de adultos… Morto quedarás no chão de formigas e de trapos. Eu te celebro em vão como à festa colorida mas truncada, projeto de natureza interrompido… Eu te registro, simplesmente, no caderno de frustrações deste mundo pois para isto vieste: para a inutilidade de nascer.”
Dias melhores ainda virão, é preciso recomeçar a caminhada e manter a esperança de que haverá um tempo em que os desvalidos serão tratados como gente.

Um ano bem brilhante a todos

João Júlio da Silva
Este ano, em que o mundo não acabou e que ora termina, foi bem difícil, complicado mesmo. Do ponto de vista pessoal, foi terrível. Que bom que 2012 esteja chegando ao seu fim. Comigo, quase tudo deu errado e na maioria das vezes sem a minha interferência no resultado ruim. Algo tenebroso, principalmente na luta diária do ganha-pão. Tanto esforço, suor, para depois ir parar no hospital devido ao estresse da labuta. Parece até que uma confraria do mal desejava o meu fim, mas estou conseguindo, mesmo cambaleante, cruzar a linha final desta corrida no deserto.
O melhor a fazer é aproveitar o que ficou de aprendizado e esquecer o resto. Afinal, o ano novo já está batendo à porta com novas esperanças e o renovo de energia para mais uma caminhada, que seja brilhante, rumo à vitória.
Tenho consciência que nos tempos atuais são poucas as flores no caminho, mas, com perseverança, saberei encontra-las. Sei também que na escassez de flores, evitar os espinhos já é um grande avanço. Sou ainda consciente de que para haver flores é preciso planta-las, pois antes de tudo, é preciso semear a vida. Que 2013 seja um canteiro de luz, mesmo que o mundo esteja sombrio e as pessoas ao nosso redor estejam em trevas.
Podem me derrubar, mas jamais me verão derrotado, sempre me levantarei, pois com determinação a vitória é certa.
Os arrogantes poderes deste mundo passarão, o que permanece é o poder que vem do alto. Assim sempre foi, é e será eternamente.

Balanço. Para não perder o costume, como venho fazendo todo final de ano, desde 1997, de “Entrelinhas” a “Papo de Domingo”, vou relembrar os títulos das colunas publicadas neste espaço ao longo de mais um período, uma espécie de balanço. Então transcrevo a seguir, em ordem cronológica, os títulos dos textos que foram escritos aqui: “Caminhada e novos desafios; Recomeçar é preciso; Ameaça de movimento armado; Ficha Limpa e os políticos sujos;Perigo na praia e impunidade; A pesca, a minhoca e o ministro;Arena de rinha humana;Chamem Batman e Piti Bitoca; Tristeza em Chico City; De papel, papelzinho e papelão; Um tempo caçador, outro caça; Quinze anos de resistência; Clube da Esquina no parque;Trabalho e a crise global; Um surfista na Esplanada;Lei, crime, droga e a liberdade; Verdade, ainda que tardia; Código, meio ambiente e fome; De calcinha e calçolão; Maldade e degradação humana;Mundo sustentável e a Rio+40; Aquecimento global e paranóia; Inverno aconchegante e quente; Sinais do final dos tempos; Arauto da ética cai do pedestal; Ressurge o cavaleiro das trevas; Julgamento e disputa eleitoral; Supremo julgamento e opinião;Novela da sacolinha plástica;Manifestação nua e vazia; Na rua e muito além das urnas;Ensino e universitários cotados;Interrrompendo o fôlego da vida; Os ‘prefeitinhos’ dos bairros; ‘Guerra santa’ em ano eleitoral; Um discurso eleitoral sincero; Hoje é o dia da força do cidadão; A um passo da queda; Ser forte nas adversidades; Julgamento político e partidário; Questão de vida eterna e morte; Até que o vento bata à porta; ‘Deus seja louvado’ no dinheiro; Mano e mina na confraria boleira;Gente poderosa e o abuso;Niemeyer: um sopro em curva;Mundo não vai acabar no dia 21; Êta mundão acabado! e Um ano bem brilhante a todos.”

Gratidão.Também ressalto hoje a minha gratidão ao estimado leitor e prezada leitora por mais um período de caminhada. Também estou muito grato pelas mensagens enviadas ao longo do ano.

Intervalo. No mês de janeiro esta coluna deixa de ser publicada, como vem ocorrendo por quase16 anos, para dar um certo refrigério ao querido leitor e à bondosa leitora e um merecido descanso ao extenuado colunista. Eu vou continuar trabalhando, mas a coluna folga.
E se o bendito Deus permitir e o espaço for mantido, voltarei em fevereiro para mais uma caminhada. Caso contrário, agradeço desde já pela companhia da querida leitora e do prezado leitor ao longo de todo o período percorrido.
Feliz 2013 com muita luz e muito brilhantismo!

Êta mundão acabado!

João Júlio da Silva
Uau! Viva! O mundo não acabou! Que peninha daquelas pessoas que acreditaram tanto que seria dessa vez que o mundo iria para o beleléu! É nisso que dá acreditar em profecias mundanas de fanáticos de plantão.
Se eu também tivesse levado a história a sério, estaria neste momento num abrigo subterrâneo me sentindo como um sobrevivente da grande catástrofe final, pois consegui atravessar a grande data.
Mas o 21 de dezembro de 2012 foi apenas mais um dia neste velho mundo.
Ainda não foi desta vez. Que chato para os que esperavam acompanhar, ao vivo e a cores, a sensacional queda de meteoros, o avanço de ondas gigantescas sobre as cidades e o rasgar avassalador da terra em mil pedaços. Quem sabe um dia, de tanto tentarem, acertam a data? Até parece, ledo ivo engano! Jamais.
Matematicamente pensando, as chances maiores para o fim do mundo seriam em 12/12/12. Mas, nadica de nada. Nem às 12h12, nada de surpreendente aconteceu.
O certo é que essa história do fim do mundo acabou se transformando num grande festival de piadas e brincadeiras. Um colega disse que um companheiro nosso teria acreditado na profecia e se soltado todo antes da grande data. Agora estaria todo amuado, cabisbaixo, por ter se revelado armário afora como uma libélula esvoaçante e solta para o que der e vier. Outros gostariam de ter feito o mesmo, mas preferiram se manter firmes até o fim. Agora, já que o mundo não acabou, estão se sentindo bem aliviados. Ufa, foi por pouco! Né não, você aí?
Datas assim são um perigo. O caro colega é um brincalhão, o camarada em questão parece ser bem resolvido, embora eu tenha minhas dúvidas. Mas, o mais aconselhável é que ele não fique indo atrás dessas profecias absurdas. Vai que num momento de vacilo, resolva jogar tudo pelos ares. Por garantia, é melhor que ele continue tocando sax em seu cantinho musical. Há quem diga que ele tem jeito para o negócio, embora o seu perfil esteja mais para corredor de rua.
Mas, voltemos à grande data. Tempos atrás, numa outra data apocalíptica, correu na internet uma lista de como seriam as manchetes sobre o fim do mundo em alguns meios de comunicação. Relembro algumas chamadas interessantes. “O mundo vai acabar (The New York Times), Mundo acaba outra vez (Observatório Romano), Rainha teme ver Diana depois do Fim do mundo (Times, Londres),Se há governo no outro mundo, somos contra (El Pais, Madri), Leia amanhã como o mundo acabou hoje (Diário de Lisboa), Governo anuncia o Fim do Mundo (O Globo), Saiba como será o Fim do Mundo (Folha de S. Paulo, com um imenso gráfico ao lado), CUT e PT envolvidos no Fim do Mundo (Estado de S. Paulo), Será que o mundo acaba mesmo (Estado de Minas), Congresso vota constitucional o Fim do Mundo (Correio Braziliense), Fim do Mundo, E daí? (Jornal da Tarde, acabou), Pague o dizímo antes de partir (Folha Universal, de Edir Macedo), O Mundo sifu, acabou-se tudo! (Notícias Populares, memória), Exclusivo. Entrevista com Deus (revista Veja), O melhor do Sexo no Fim do Mundo (revista Nova), Do Big Bang ao Fim do Mundo (revista Super Interessante), Como decorar sua casa para o Fim do Mundo (revista Casa Claudia), Supremo Tribunal Federal condena o Fim do Mundo (Diário Oficial da Justiça), Acabou a mamata (Diário do Congresso), Onde fica o fim do mundo (National Geographic ), Nem o fim do mundo segura o Peixe (Tribuna de Santos), Rio Grande vai acabar (Zero Hora), Escândalo: equipe de reportagem denuncia a máfia do fim do mundo (Fantástico, TV) e Boa noite… e adeus! (Jornal Nacional, TV)”.
Eu, acrescentaria: “Fim do Mundo teve início no Vale”, e destacaria que “há fortes indícios de que o final dos tempos teria sido planejado na região, com fortes evidências no Sítio do Picapau Amarelo; Emília garante que não faria tamanha traquinagem e Cuca se cala”.
Brincadeiras à parte, bem pior que o fim do mundo é o final de todo mês, com tantas contas que um pobre trabalhador assalariado tem para pagar. É dureza, não é fácil não! Êta mundão acabado sem porteira. Feliz Natal!

Caminhada e novos desafios

João Júlio da Silva
Feliz Ano Novo! Estamos iniciando hoje mais uma caminhada. Nesta época de passagem de um ano para outro surgem as mais diversas previsões para o que há de acontecer. Para 2012, muitos dos “entendidos” no assunto não vislumbram bons fluídos. Parte deles reafirma que o mundo realmente vai acabar nesta temporada, a data estabelecida é 21 de dezembro. Será?Que medo!
Muitos desses adivinhões de plantão disseram que o mundo acabaria às 11h11 do 11/11/11, mas como ainda estou aqui falando do assunto, a tal “profecia” não se realizou. Mas eles têm uma nova chance com outros sugestivos números, ainda poderão contar com o fatídico momento de 12h12 de 12/12/12. Se mesmo assim, nada ocorrer, resta a próxima data de 21 de dezembro. Será que acertarão algum dia sobre a data do tão falado fim do mundo? Jamais, nunca.
Quando esteve entre nós, o próprio Jesus disse: “Daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai” (Mateus 24:36).
E Jesus nos alertou sobre a maldade do mundo: “Portanto, vede diligentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, usando bem cada oportunidade, porquanto os dias são maus” (Efésios 5:15-16).
Mas, apesar dos tempos ruins, Jesus nos consolou: “No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33). Eu creio nesta palavra, é questão de fé, cada pessoa tem toda a liberdade para crer ou não.
Não há o que temer no futuro, pois basta a cada dia a sua luta. Sofrer por antecipação por algo não é salutar. E sofrer pelo que não passa de especulação chega a ser ridículo.
Para os que optaram em caminhar com Deus, certamente contam com a proteção divina em cada passo dado neste novo ano, pois os anjos do Senhor acampam ao redor dos que são seus.

Balanço. Da mesma forma como venho fazendo desde o ano de 1997, ao final de todo ano e início de outro sempre relembro neste espaço os títulos das colunas publicadas ao longo de mais um período, uma espécie de balanço.Transcrevo a seguir, em ordem cronológica, uma amostra do que foi escrito por aqui: “Radicalismo em terra de faraós; E o caldeirão ferveu no Rio; Lição do crime na sala de aula; Congresso e onariz de palhaço; Mulher, mulheres e mulheres…; Tsunami e as ondas cotidianas; Obama para norte-americanos; Lei da Ficha Limpa e os sujos; Sim, um homem de grande valor; Absurdo… repugnante…; Momento para reflexões; Sacrifício e salvação na Páscoa; No reino da Cornuália; Obama ressuscita Osama; Vida de cada um e de todos; ‘Os livro’ no ensino público; Já caiu e pode cair de novo; Uivos de um lobo burguês; Entre belas e feras, viva o amor; Bagulho ‘muito bem baseado’; A leveza de um certo topete; Nas garras da rede virtual; O legado de Itamar Franco;Animal em risco de extinção; Do meu, do seu e do nosso; Fome em pleno terceiro milênio;Senhor Jobim já vai tarde; Atentado covarde contra o bem; ‘Eclipse de Deus’ nos dias atuais; Pancadão do lixo que vem do Rio; Educação e o plano de carreira; Numa terça-feira de setembro; Um belo sorriso universal;Feriadões oficializados; A bandidagem infiltrada; Proposta põe preso no batente; Com ou sem habilitação; Vida boa dos ‘príncipes’; Drogas e vândalos estudantis; A doença de um líder; Onze, onze, onze e…; Falo de choque de gestão; Pensando uma história; Liberdade ao ‘queijin di Minas’; Abandono em tempo natalino;Palmadinha e espancamento; É chegada a grande data e Caminhada e novos desafios.”

Grato. Em tempo de agradecimentos, ressalto hoje a minha gratidão ao estimado leitor por mais um período de caminhada. Também estou muito grato pelas mensagens enviadas ao longo do ano que passou. E desejo um 2012 muito abençoado com a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo em todos os dias deste novo ano. Que ele seja repleto de aprendizado e novas oportunidades e que o homem possa vencer os novos desafios que surgirão.

Descanso. Extenuado, estou saindo de férias. Se o bendito Deus permitir e o espaço for mantido, voltarei em fevereiro para mais uma caminhada.

É chegada a grande data

João Júlio da Silva
Então é Natal! Finalmente chegou a grande data, a maior de todas para os cristãos. Embora o nascimento de Jesus Cristo não tenha ocorrido exatamente em 25 de dezembro, a data passou a ser a correspondente da vinda do filho de Deus ao mundo.
Confesso que sou saudosista sim, pode ser a idade, mas eu não tenho a menor dúvida de as comemorações natalinas de outrora eram bem diferentes.
Nos tempos que correm a data se tornou mais comercial do que qualquer uma outra. É comprar, comprar e comprar.
Ontem mesmo, pela manhã, estive num supermercado e fiquei observando o formigueiro de gente que tomava conta dos corredores. Os carrinhos estavam abarrotados. Notei que em quase todos era grande a quantidade de bebida alcoólica. Diante de tantas garrafas, fiquei imaginando o que poderia ocorrer após o consumo de tamanha quantidade de bebida. Quanta violência, agressividade e até crimes poderiam ser evitados se as pessoas pensassem mais no verdadeiro significado da data e deixassem tanta bebedeira de lado.
Como estava dizendo, eu percebo que a comemoração de Natal atualmente difere em muito da de tempos atrás.
Quando criança, eu sentia que havia um sentimento religioso muito grande no Natal, as pessoas participavam das celebrações da igreja e respeitavam a data pelo seu grande significado.
Os presentes eram meras lembranças, qualquer carrinho de plástico ou uma bolinha de borracha (da marca Pelé) fazia a alegria da molecada. Hoje em dia, as crianças não pedem, elas exigem produtos bem caros e de alta tecnologia. Os pais, ora, eles acabam atendendo os pedidos. É, os tempos mudaram!
Quantos, no dia de hoje vão até uma igreja para, ao menos, ouvir alguma pregação do líder religioso sobre o sentido da data e do grande advento da história da humanidade, o nascimento de Jesus Cristo de Nazaré, pois a história se divide em antes e depois desse grande acontecimento, a vinda do próprio Deus para este mundo tão obscuro e carente de uma grande luz para sua redenção.
Ainda bem o Natal chegou, pois já não suportava mais o tal de espírito natalino que toma conta das pessoas nesta época do ano. Muitas pessoas, que sequer compreendem o significado do Natal, de repente, como num estalar de dedos, num passe de mágica, se transformam em criaturas dóceis e encantadoras, mas passadas as festanças, tudo volta a ser como antes. Então, sai de perto, que lá vem chumbo.
Para mim, esse tal espírito natalino não passa de pura hipocrisia. Como pode alguém que trata mal as pessoas o ano todo e, de repente, fica tão boazinha? Que confraternização é essa nessas festas, só ao longo do ano só rolou desprezo, ataques, humilhação e tantos males mais?
E o pior é que, no início do próximo ano as feras estão todas soltas novamente, rosnando em derredor, em busca de suas vítimas certeiras.
Ora, como posso estar de acordo com esse tal espírito natalino que paira no ar, se tudo não passa de uma grande fantasia, uma mentira para satisfazer os próprios lobos agora vestidos de cordeirinhos.
Eu, como cristão que sou, creio que o Natal representa a vinda do Salvador da humanidade ao mundo. A vinda de Jesus faz parte de um plano de resgate divino para tirar cada pessoa das trevas em que se encontra para um mundo de luz, onde o amor é a grande razão de tudo.
Aceitar a Jesus como Salvador depende de cada um, é uma decisão pessoal. Optar pela salvação é decidir por uma vida melhor ainda neste mundo e pela vida eterna.
Como o próprio Jesus disse, não há outro caminho que conduz a Deus. Apenas o aniversariante de hoje é capaz de dar, é pura graça, o verdadeiro sentido da existência humana neste mundo e na vida eterna.
Hoje, quando muitas pessoas estão se embriagando, falando tantas bobagens e comemorando algo que nem sabem o que realmente seja, o Salvador da humanidade continua chamando cada um para caminhar na luz de seus ensinamentos e na paz de sua grande missão de redenção do ser humano. Todos são convidados, mas cabe a cada um decidir se aceita ou não. Feliz Natal!

Palmadinha e espancamento

João Júlio da Silva
Há muita diferença entre uma palmadinha no bumbum e o espancamento de uma criança. Entre disciplina e violência há muito o que discutir sobre o tema.
Na última quarta-feira, a Comissão Especial da Câmara aprovou, por unanimidade, projeto de lei que proíbe os pais de aplicarem castigos físicos nas crianças e adolescentes. A decisão deu o que falar.
Conhecida como Lei da Palmada, a proposta foi aprovada após negociação em ceder à pressão da bancada evangélica e alterou a expressão “castigo corporal” por “castigo físico”. Que alteração interessante, não?
O projeto, que deverá seguir para o Senado sem passar pelo plenário da Câmara, altera o Estatuto da Criança e do Adolescente e não estabelece nenhum tipo de criminalização para pais que baterem nos seus filhos. Mas para os médicos, professores e agentes públicos que não denunciarem castigos físicos, maus tratos e tratamento cruel, a proposta aprovada prevê multa de até três (R$ 1.635,00) a 20 salários mínimos (R$10.900,00). A relatora Teresa Surita (PMDB-RR) também retirou do texto a palavra “dor” e a substituiu por “sofrimento”, na definição do que é castigo físico. “Não há interferência na família. Não há punição dos pais. Mas não podemos esquecer que a violência mais grave começa com uma palmada”, resumiu a relatora.
“Se você pensar que no futebol você não vê uma palmada, que os animais não são mais adestrados com violência, por que não pensar em uma educação para poder proteger uma criança sem fazer violência física?”, argumentou a secretária Nacional de Direito da Criança e do Adolescente, Carmem Oliveira. Pelo projeto, os pais ou responsáveis pela criança ou adolescente na qual aplicarem castigo físico podem ser encaminhados a programas de acompanhamento psicológico, cursos de orientação e até receber advertências de juízes de varas de infância.
“O projeto é muito claro ao conceituar o castigo físico. Ele não interfere na forma de educar. O poder da família é insubstituível”, emendou a deputada Erika Kokay (PT-DF). Não estaria havendo uma certa intromissão nesse poder?
A proposta estabelece que “castigo físico é ação de natureza disciplinar ou punitiva com o uso da força física que resulte em sofrimento e/ou lesão à criança ou adolescente”. Já tratamento cruel ou degradante é definido como “conduta ou forma cruel de tratamento que humilhe, ameace gravemente ou ridicularize a criança ou adolescente”.
“Na educação de crianças e adolescentes, nem suaves palmadinhas, nem beliscões, nem xingamentos, nem qualquer forma de agressão, tenha ela a natureza e a intensidade que tiver, pode ser admitida”, disse a relatora. Não pode nada.
Enquanto especialistas consideram haver prós e contras na complementação do Estatuto da Criança e do Adolescente que proíbe castigos físicos como forma de punição, a maioria dos pais alega que a medida tira deles a liberdade para escolher a melhor forma de educar os filhos.
Várias declarações de pais mostraram esse posicionamento. Muitos alegam que apanharam dos seus pais e que hoje se sentem gratos pela atitude. Outros dizem que cada caso é um caso e que as crianças não são iguais, nem dentro de uma mesma família.
As Sagradas Escrituras tratam do papel do pai na disciplina dos filhos em Provérbios 13:24. Na versão da Nova Bíblia Viva está escrito que “o pai que não castiga o seu filho quando é preciso mostra que não tem amor por ele. Um pai que ama o seu filho, desde cedo o disciplina”. Segundo a Bíblia Nova Versão Internacional, “quem se nega a castigar seu filho não o ama; quem o ama não hesita em disciplina-lo”. A Bíblia de tradução de João Ferreira de Almeida afirma que “aquele que poupa a vara aborrece a seu filho, mas quem o ama, a seu tempo o castiga”. As três versões acima são evangélicas, mas a católica A Bíblia de Jerusalém também é bem nítida no versículo ao dizer que “quem poupa a vara odeia seu filho, aquele que o ama aplica a disciplina”.
Para quem crê, é a Palavra de Deus. Nessa polêmica, eu fico com o ensinamento bíblico, com disciplina e sem nenhum espancamento.

Abandono em tempo natalino

João Júlio da Silva
O trânsito naqueles dias estava muito intenso, pois já se aproximava o Natal e as pessoas buscavam, desesperadamente, comprar a felicidade exposta nas vitrines de um mundo tomado pelo consumismo desenfreado.
Um garoto, de mais ou menos onze anos de idade, estava com outros meninos em um semáforo de uma avenida, fazendo malabarismo por uns trocados de algum motorista sensibilizado por aquele apelo.
Estava apresentando o seu número quando viu em um carro um senhor já de certa idade com cabelo e barba de uma brancura bem artificial e com uma sufocante roupa vermelha em pleno verão. Sim, se tratava de Papai Noel.
Meio temeroso, se aproximou e iniciou uma breve conversa. “Olá Papai Noel! Muito trabalho?”. O velhote, aparentando um certo desconforto, disse que estava indo para mais um dia de trabalho em um shopping da cidade. “Lá vou eu fingir de alegre em mais um dia de batente”. O garoto tentou mostrar solidariedade. “Mas, pelo menos dá para faturar um bom dinheiro nessa época do ano. Fiquei sabendo que estão pagando uma nota preta para Papai Noel”. O homem deu um sorriso amarelo. “É, mas mal dá para pagar as contas acumuladas. E depois, o que fazer com apenas uma aposentadoria miserável?” Quando o garoto ia tentar alguma palavra de conforto, o semáforo ficou verde e o carro deu uma arrancada brusca e foi embora.
O Papai Noel, que não deu nem uma moedinha, deixou o garoto pensativo ao longo daquele dia. “Por que o mundo é tão duro para tantas pessoas?” Assim que o sinal se fechava, lá estava ele apresentando o seu número. Suas três bolinhas deslizavam de suas mãos para o alto, enquanto as pessoas fechavam o vidro dos carros cheios de presentes de Natal.
Numa de suas apresentações, perdeu a noção do tempo e não percebeu que o sinal já estava aberto. As buzinas dos veículos explodiam em seus ouvidos. Num ato de puro reflexo, saltou para a sarjeta para não ser atropelado. Na rapidez do movimento, uma bolinha caiu e rolou para debaixo dos carros. Quando o sinal ficou vermelho, percebeu que a bolinha havia sido estourada pelas rodas dos veículos. Ficou com ela nas mãos sem saber o que fazer. Para ele, não seria justo realizar o número com apenas duas bolinhas. Logo, um colega se aproximou e, num gesto solidário, ofereceu outra bola. “Eu te empresto uma, pois sempre carrego uma de reserva comigo”. O garoto sorriu e prometeu devolve-la depois.
Nos momentos em que os carros deslizavam pelo asfalto, ele ficava sentado na sarjeta, todo pensativo. E como menino cheio de esperança pensou que no ano novo precisava mudar de vida. Sentia que era preciso entrar em uma escola de qualquer jeito, mesmo sabendo que dependia do sorteio de vagas. Se não fosse sorteado novamente, como já havia acontecido em outros anos, deveria ir com sua mãe até os palácios das autoridades competentes para implorar por uma vaga na escola. Era preciso determinação, pois de nada iria adiantar ficar se lamentando e pedindo esmola para sempre na rua, tinha que fazer valer os seus direitos, pensava.
Ainda era uma criança, mas a crueldade do mundo lhe proporcionou um amadurecimento precoce. Não esperava por presentes de Papai Noel no Natal, pois tinha consciência de que tudo era fantasia. A realidade dura dos seus dias estampava bem em seu rosto o que era a sua vida.
Logo o dia de Natal chegaria e todas aquelas pessoas que passavam em seus carros velozes estariam trocando presentes entre abraços e beijos, tomadas pelo tão falado espírito natalino. Depois iriam deliciar a tão esperada e farta ceia natalina. A bebedeira traria uma falsa alegria para os que buscam um motivo qualquer para festejar. A grande maioria nem se lembraria da verdadeira razão do Natal. Cabisbaixo, sentado na sarjeta, uma amargura tomou o seu coração. Nesse momento, o garoto pensou em sua mãe doente e em seus quatro irmãozinhos lá no barraco da favela, sem quase nada para comer. Pai? Nunca soube o que era ter um. Tentou impedir, mas não conseguiu, duas lágrimas rolaram de seus olhinhos tristes. Estava assim, quando chegou um fiscal municipal e o colocou para correr.

Liberdade ao ‘queijin di Minas’

João Júlio da Silva
Acabo de comer um pedaço do saboroso queijo mineiro. Hum!!! Aquele cheirinho! É de dar água na boca, uma delícia! Como bom mineiro, gosto muito de queijo e vou atrás do autêntico, mas acredito que não seria capaz de sair correndo atrás de um, caso fosse atirado do alto de algum morro. Na procura do verdadeiro queijo mineiro, todo cuidado é pouco, pois vendem por aí produtos genéricos ou falsificados, geralmente feitos em fundo de quintal de algum bairro periférico de alguma cidade fora das montanhas gerais de Minas. É, nada substitui um ‘queijin di Minas’! E com ‘docin di leite’, então, é o que há de melhor!
Mas, há algo preocupante no ar. Estariam os queijos artesanais, aqueles feitos com leite cru, em risco de extinção?Produtores e entendidos do assunto não estão nada otimistas. Eles estiveram reunidos na última semana em Fortaleza no primeiro Simpósio de Queijos Artesanais do Brasil para debater e discutir o assunto e com o objetivo de preservar os processos seculares de produção de queijos artesanais, que são mais que um mero produto alimentício, são uma expressão de vida, pois têm em si valores familiares, culturais e históricos. São feitos em pequena escala com leite cru (não pasteurizado), em propriedades familiares, de receitas tradicionais que passam de geração para geração. Seja o queijo das serras de Minas Gerais, dos pampas do Rio Grande do Sul ou do agreste de Pernambuco, ele é um patrimônio de sua gente. Cada qual tem a suas particularidades relacionadas ao jeito de fazer, ao clima, à pastagem do gado e até ao tipo de bactérias de cada região. Por tudo isso, é muito valoroso.
Mas essa deliciosa tradição está sim correndo sério perigo devido a entraves de imposição da legislação federal, que impede que esses produtos feitos com leite cru circulem no país sem que haja o cumprimento de uma série de exigências. É inconcebível, impossível, a produção desse tipo de queijo artesanal com leite pasteurizado.
“A legislação parte do princípio de que o leite precisa ser pasteurizado e despreza essa cultura de queijos produzidos há centenas de anos por causa de um conceito estreito de saúde”, disse Helvécio Ratton, diretor do documentário “O Mineiro e o Queijo”.
Tombado como patrimônio nacional e produzido dentro de técnicas que se mantém praticamente inalteradas há mais de 200 anos, o Queijo Minas é mostrado no filme de Ratton tanto como produto de consumo, quanto como manifestação cultural. O documentário é bem oportuno. Esse Ratton gosta mesmo muito de queijo.
Participantes do simpósio argumentam que a legislação federal é de 1952, inspirada no “higienismo norte-americano”, e impõe “padrões inatingíveis em nome da saúde”.
Estão querendo impor ao pequeno produtor rural as mesmas normas da indústria de laticínios, desconsiderando toda uma tradição cultural.Os valores da produção industrial não são os mesmos do fazer artesanal. São mundos completamente diferentes. E por conta dessa imposição, surge o mercado informal desse tipo de queijo. Dessa forma, muitos espertalhões, ignorando qualquer tradição cultural, vêm produzindo o queijo em qualquer barraco nas periferias das cidades.
Agora, uma pergunta que não quer calar: Por que as grandes redes de supermercados, muitas delas, multinacionais, vendem com toda a liberdade os queijos feitos com leite cru vindos da França, Itália e de Portugal, e não oferecem ao consumidor o queijo artesanal brasileiro? O governo federal tem que tomar uma posição em favor do produto nacional e não apenas atender interesses estrangeiros.
Seria o verdadeiro queijo artesanal uma droga? Por que não são tão rigorosos com o narcotráfico? Se o queijo de leite cru faz tanto mal à saúde, como se explica a idade avançada que atingem muitos consumidores do produto, alguns ultrapassando a barreira dos 100 anos?
Com as exigências, os produtores se articulam para pressionar o governo por uma legislação que preserve os queijos artesanais do país.
Liberdade para o queijo artesanal mineiro, essa é a luta da vez. “Libertas quae sera tamem também para o queijo mineiro!”, escreveu Fernando Brant em um artigo.
Como que estrangeiro pode e o queijo mineiro não? Ora, ora!

Pensando uma história

João Júlio da Silva
O homem vinha caminhando pensativo naquele início de dia tomado por uma neblina espessa. Nenhuma imagem era nítida, ele avistava apenas vultos por onde passava. Estava assim, quando foi tomado por uma solidão jamais sentida, parecia a própria solidão em pessoa, carente de um aperto de mão de um amigo, de um abraço e um beijo da mulher amada e de um gesto mínimo de carinho ao seu redor. O vazio crescia conforme caminhava.
De repente, se sentiu invadido por um sentimento que misturava angústia, tristeza e dor.
Nuvens sombrias pairavam sobre ele quando percebeu que estava andando encurvado como se carregasse às costas todo o peso do mundo. Seus passos pareciam derramar cinzas por um caminho que se fazia melancólico por tantos tropeços.
Ficou preocupado. O que estaria acontecendo? Estava se sentindo uma outra pessoa, um desconhecido para ele mesmo, seu verdadeiro eu parecia ter morrido. Ou teria descoberto a sua verdadeira essência?
A nebulosidade fez com que não percebesse que já estava na rua de sua casa. Ao se aproximar do local onde estaria a sua residência, não a encontrou. Estavam ali as casas da esquerda e da direita, mas a sua havia desaparecido. Nem o terreno vazio havia, era como se as casas vizinhas tivessem espremido tanto a sua que ela teria saltado fora dali. Não parecia que estivesse louco, firmou a vista em meio à neblina e pôde constatar que a sua casa, realmente, havia sumido da rua. Fechou e abriu os olhos várias vezes e nada, a imagem era a mesma, mostrando algo inusitado e incompreensível.
Foi nesse momento, quando o inexplicável confundia sua mente, que uma luz de uma cor sobrenatural clareou ao seu redor e dela surgiu um ser magnífico e cativante. A sua presença transmitia paz num silêncio que transbordava sabedoria. Pensou que se tratasse de um anjo, mas não identificou asa nenhuma como aquelas das imagens que conhecia. Na rapidez de um pensamento, a criatura o pegou pela mão e quando percebeu, já estava nas alturas, voando em sua companhia. Quis olhar para baixo na tentativa de localizar sua rua, mas ficou temeroso. Virou o rosto para a criatura a seu lado e, pelo brilho dos olhos, entendeu que ela consentia em seu desejo.
Então voltou os olhos para baixo, e sem compreender como, pôde avistar, das alturas, a sua rua. E lá estava a sua casa em seu devido lugar, como se nunca tivesse saído de lá. Mistério ou demência? Não importava qual o sentido de tudo aquilo, o que tinha certeza era que a casa que havia sumido instantes antes, agora estava lá. Mas, estaria mesmo voando nas alturas lado a lado com uma criatura luminosa ou era apenas uma imagem de sua mente já doentia? Estaria sonhando ou tendo um pesadelo? A dúvida foi respondida por um sentimento suave de estar flutuando em um espaço que parecia de uma outra dimensão de um universo paralelo ao nosso.
Não se importou para onde estava sendo levado, pois confiava no silêncio da criatura que o conduzia. Mergulhado numa paz nunca experimentada, olhou mais uma vez para baixo e avistou a sua casa, dessa vez com mais nitidez, pois a neblina já havia se dissipado.
Sem entender como conseguiu, viu a sua casa, como se estivesse bem próxima. Da cozinha ecoou uma voz amorosa.
– Acorda, amor! Já está na hora de ir para o trabalho!
Uma outra voz, infantil, chegou até seus ouvidos.
– Mamãe, o papai não está em nenhum cômodo da casa!
– Não sabia, pensei que estivesse debaixo das cobertas, então deve ter ido trabalhar mais cedo e não quis nos acordar.
– Não, ele não vai trabalhar sem antes ir até meu quarto e me dar um beijo.
Do alto de seu voo, viu o rostinho preocupado de sua filhinha. – Mamãe, o que teria acontecido?
Quando ela ia dizer algo, a porta começou a se abrir e as duas ficaram apreensivas.
Como se nada tivesse ocorrido, ele entrou assoviando na maior tranquilidade do mundo. E sem que elas entendessem, abriu a janela, olhou para o alto e deu uma piscadela. Então se trocou, beijou as duas e foi trabalhar com uma história na cabeça.

Falo de choque de gestão

João Júlio da Silva

Hoje em dia quase tudo vai parar na internet. Até algo que, aparentemente, parece muito privado, em lista de compras de órgãos de algum governo distraído acaba se tornando bem público. E os detalhes, meio que despercebidos, acabam condenando quem faz pedidos de interesse mais pessoal que público. E caiu na internet, já era, o negócio se espalha mesmo.
Pois então, numa cidade em que os governantes de plantão se acham donos de tudo, um caso, no mínimo intrigante, virou motivo de piada e muitos comentários.
Nada como a transparência! Foi postado no site do governo em questão certas despesas estranhas. Nelas consta que uma empresa de contraceptivos, a pedido da secretaria da educação do prazeroso lugar, forneceu, entre outros produtos, 50 unidades de preservativo feminino de 16 centímetros, preservativo masculino aromatizado com formato liso, tendo na sua extremidade um reservatório, e um pênis de borracha com as seguintes especificações: grande, moreno, com bolsa escrotal e peso de 300 gramas.Tudo ficou em torno da bagatela de R$1.638,00. Caras essas pecinhas, não? Mas com dinheiro público nada é tão caro assim, não é mesmo?
Embora essa gente se gabe de transparente, não há tanta transparência assim, é bem provável que esses mínimos detalhes foram parar na internet por algum descuido. O autor do serviço prestado à população deve ter sofrido abrasivas repreensões. Coitado!
Mas, como tudo tem uma explicação nesse lugar aprazível, um reino encantado onde uma dinastia partidária dorme em trono esplêndido, onde até o imponderável, além de ser razoável tem de parecer muito razoável, alegaram que os produtos foram adquiridos para que fossem utilizados em aulas de educação sexual. Ah, é mesmo, sei!
As dúvidas e os comentários abundam sobre o exótico kit sexo. Pelo tamanho da rede de ensino, um pênis não seria insuficiente? Uma única peça atenderia os anseios do processo pedagógico da aprendizagem?E por que as especificações muito bem detalhadas, parecendo gosto bem pessoal? Por que moreno, grande e pesando quase meio quilo? Só faltou indicar a bitola do material.No mínimo, muito estranho! Exigente, não!
E o preservativo? Por que teria que ser aromatizado?Seria, por acaso, para dar um ar mais agradável durante as aulas. Pelo que consta, as pecinhas (grande, moreno?) ainda não foram utilizadas para o devido fim educacional. Estariam bem estocadas? Estaria o “grande, moreno” guardado em algum cofrinho particular?
Para o bem geral da municipalidade do reino encantado, seria de bom grado que se desvendasse o paradeiro do “grande, moreno”. Onde poderia estar? Alguém teria escondido o danado?
Nas ruas, há quem insinue que as pecinhaspodem ser para alguma festinha privada, comemoração de final de ano, com amigo secreto e tudo, ou até para a satisfação solitária de alguém bem carente e necessitado que anda subindo pelas paredes. Que absurdo, não chegariam a tanto! Isso não. Mas, nos tempos atuais, tudo pode ser possível.
Talvez as pecinhas sejam apenas ingredientes de mais algum projeto político firmado na rigidez e potência do poder que emana dos gabinetes do reino encantado.Ou quem sabe, as pecinhas façam parte de algum tresloucado marketing publicitário do jeito de governar dos arautos da sabedoria cósmica.
Talvez o “grande,moreno” , em particular, esteja inserido no eletrizante choque de gestão. Falo de choque de gestão.Isso, falo mesmo. Por que, não?
Porque no fundo, no fundo, o “grande, moreno” não é nada mais que um falo político do reino encantado, um símbolo, uma bandeira insaciável de poder, um fruto rijo que atrai os que necessitam de algo representativo e potente, uma flauta doce para aqueles que têm uma boa embocadora para acordes mais que musicais. Um instrumento mágico capaz de deixar qualquer bom de bico ansioso por tocar notas nunca compostas e sequer sentidas.
Que diante da urna eleitoral, a municipalidade do reino encantado, em sã consciência, saiba bem o que fazer com o seu precioso voto e com o “moreno, grande”. Falo de choque de gestão.

Onze, onze, onze e …

João Júlio da Silva

Ufa, escapamos! Pelo jeito, erraram de novo, o mundo não acabou na última sexta-feira. Para aqueles que esperavam que tudo chegaria ao fim na data de 11/11/11, o dia seguinte deve ter sido muito angustiante. Que chato, tanta espera em vão!
A chegada do dia 11 de novembro de 2011vinha mexendo com a imaginação das pessoas e levantando inúmeras discussões sobre um possível significado para a data.
Muitos esperavam que algo extraordinário ocorresse às 11h11 do 11/11/11, mas tiveram que deixar para uma próxima data de números bem sugestivos. Alguns acreditam que o agrupamento numérico 11/11/11 sugere a abertura de um portal energético na Terra,para uma outra dimensão, que traria renovação para a humanidade, uma revolução da consciência para uma nova harmonia no mundo. Há ainda quem relacione o dia a grandes acontecimentos globais. Outros sustentam que o número representa a dualidade do bem e do mal no universo. Ainda outros acreditam que demônios invadiriam a Terra. Até um filme relacionado com a data fez sua estreia no cinema. Muitas pessoas que assistiram dizem que é mais um lixo comercial.
Para entendidos do babado numérico, todo número formado pela repetição de algarismos é bem significativo. Essas pessoas esperavam com ansiedade o momento exato em que o relógio cravasse 11h11 no 11/11/11, pois ocorrências incomuns seriam notadas. Muitos se reuniram em lugares específicos para o grande momento, realizando as mais diversas cerimônias.
Por tudo isso, a última sexta-feira era aguardada com muitas expectativas. Entre piadas e pessoas que levam o caso a sério, o 11/11/11 vinha sendo proclamado como a data do fim do mundo. Na internet, foi uma festa.
Para a maioria das pessoas, foi apenas uma coincidência de relógio e calendário que acontece uma vez a cada 100 anos, mas qualquer expert no assunto procura sinais do que isso possa significar.
Comigo não aconteceu nada de diferente. Espera aí, aconteceu sim! Comi canjiquinha mineira depois de mais de “mil anos” sem saborear o prato. E nem foi em minha casa ou restaurante, portanto não foi nada planejado. Isto vale? Será que tem alguma coisa a ver? De uma coisa eu sei, a canjiquinha estava uma delícia. Então, já tenho motivo para jamais esquecer deste 11/11/11.
Pelo livre-arbítrio, qualquer pessoa pode acreditar no que bem entender ou não crer em absolutamente nada. Eu, com meus ignóbeis pensamentos, considero tudo isso uma grande besteira. Mas, são muitas as pessoas que gostam disso, estão ávidas por tudo que envolva mistério.
O que teria acontecido de tão espetacular às 11h11 na data de 11/11/1111 além de conflitos entre reinos? Puxa, nem o mundo acabou na ocasião!
Bem, como nada de extraordinário ocorreu na sexta-feira, quem sabe algo possa acontecer em 12/12/12? Mais alvoroço teremos no próximo ano.Bem mais adiante, quando quase ninguém dos tempos atuais ainda estiver vivo, virá uma data mais chamativa ainda. Sempre haverá uma grande data cheia de significados. Ah, cansativo isso, não?
Sobre o fim do mundo, as Sagradas Escrituras alertam que “daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai”. Portanto, qualquer tentativa nessa direção é chegar a lugar nenhum, tudo não passa de profecias banais.
Quanto à invasão do mundo por demônios, é importante salientar que eles já estão vagando pelas extremidades da Terra desde que o mundo é mundo, procurando a quem destruir. E o mundo, ora, ele jaz no maligno! Portanto, não há nem haverá uma invasão de demônios, pois eles já estão à solta por aí roubando, matando e destruindo. E utilizam as pessoas como “cavalos” para as suas maldades. Estão por aí, relinchando, babando e com muito ódio. Sai, coisa-ruim!
Então, termino com a sábia advertência da Bíblia, em 1Pedro 5:8: “Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar”. Eu escolhi e prefiro ficar com a Palavra de Deus, que é luz para os pés neste mundo tão tenebroso.

A doença de um líder

João Júlio da Silva
Depois que se tornou público que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está com câncer na laringe, foram muitas as manifestações de solidariedade, no entanto, muitas pessoas acabaram misturando o caso da doença com política partidária e lixo de expressão. Resultado: o nível de agressividade contra o ex-metalúrgico atingiu um nível estratosférico nas redes sociais da internet.
Para início de conversa, quero deixar bem claro que vou manifestar minha opinião aqui, como sempre fiz, baseado na liberdade democrática, e não será o terror do patrulhamento virtual dos dias que correm que vai mudar a minha postura.
Os que aterrorizam na internet quando são contrários a ideias e posições que não toleram, fazem uso do anonimato covarde para dar vazão ao ser agressivo revelado em suas palavras. Eles se escondem e se amparam na liberdade de expressão, que almejam apenas para eles, para mostrarem suas garras. A internet é um espaço democrático , mas também se tornou num antro de figuras animalescas que em nada se assemelham ao ser humano.
No episódio sobre o câncer de Lula, essa gente parece que perdeu o senso de humanidade e partiu para a selvageria. É muito ódio, ressentimento e rancor! Há internautas que até tentam culpar Lula pela doença.
Neste momento difícil em que passa o ex-presidente chega a ser deselegante essas manifestações tão impróprias para a ocasião. São ataques pessoais que revelam raiva, desumanidade e total desrespeito com um doente. Ao destilar tanto veneno, essas pessoas manifestam um certo prazer com a desgraça alheia.
Nos ataques, uma das mensagens mais repetidas reproduz parte de um discurso que o ex-presidente fez ao inaugurar uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), em 2010. “Vou ser muito breve, porque estou com a garganta não muito boa e não quero ser o primeiro paciente desta UPA. (…) Ela está tão bem organizada, ela está tão bem estruturada, que dá até vontade de a gente ficar doente para ser atendido aqui”, diz ele. O detalhe é que a primeira parte do discurso foi deletada para induzir o leitor da mensagem a acreditar que Lula queria ser internado na unidade.
Então surgiu um movimento na internet, sugerindo, quase exigindo, que o ex-presidente fosse tratar a doença num hospital público e não no Sírio-Libanês, onde passou pela primeira sessão de quimioterapia.
Uma atriz global, feiosa por sinal, mas tida como musa por uns puxa-sacos da vênus platinada, fez uso de sua boca suja para que o fato se consumasse mesmo. Aliás, para essa atriz, também considerada inteligente pelo mesmo grupo citado anteriormente, o padre Antônio Vieira ainda vive em São Paulo. Pelo menos, foi o que disse no twitter. Ela não deixa o pobre homem descansar em paz nem depois de 314 anos de morto. Ela é realmente muito inteligente!
Também um radialista de uma grande emissora da capital paulista, num programa da madrugada, disse que há certo clima de euforia por causa da doença de Lula e que o ex-presidente gosta disso. Quanta bobagem no ar!
Eu gostei mesmo foi da postura do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em relação à doença do seu principal adversário político. Ele afirmou que considera as iniciativas contra Lula um equívoco e que não as endossa. E como qualquer ser humano de bom senso, em momentos difíceis, FHC manifestou solidariedade e desejo de pronto restabelecimento ao seu sucessor no Planalto. É isso, o que deve ser considerado agora é o ser humano e não o político Lula.
Que a doença de um líder não seja motivo para radicalismo político, pois agindo assim, os raivosos só fazem demonstrar o quanto são insanos, agressivos e tolos, distante de qualquer indício de civilidade. Quem não é capaz de um pequeno gesto de solidariedade, que fique pelo menos em silêncio.

Drogas e vândalos estudantis

João Júlio da Silva
Os estudantes universitários de tempos atrás se posicionavam contra a ditadura militar e lutavam pela democracia no país.
Eram jovens que acreditavam numa ideologia, se engajavam num movimento e sonhavam com um futuro melhor para a nação. Mas hoje, o que fazem, o que pensam, em que acreditam? Será que não há mais razão alguma para sonhar e lutar? Um grupo de estudantes da USP deu a resposta na semana que passou.
Cerca de trezentos “estudantes” ocuparam o prédio da Administração da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), dentro do campus da USP, no Butantã, na capital. A invasão ocorreu após um confronto entre “estudantes” e policiais militares. O quebra-pau ocorreu após a PM deter três “estudantes” que estariam fumando maconha dentro de um carro, na Cidade Universitária. A turma da fumaça ficou irritada.
O grupo de invasores roncou grosso e informou que só desocuparia o imóvel após a revogação do convênio da universidade com a Polícia Militar. Eles alegam que tiveram a liberdade ferida e que não querem os policiais por perto, fazendo segurança no local. Na realidade, querem continuar bem à vontade fumando seus baseados. O consumo de drogas em faculdade não é nenhuma novidade, mas o episódio da USP é bem peculiar. Esse foi o primeiro problema envolvendo policiais e universitários desde que a PM passou a fazer a segurança do campus, há 50 dias. O convênio entre a corporação e a USP foi feito para tentar reduzir a criminalidade no local. Em maio, o estudante Felipe Ramos de Paiva, 24 anos, morreu baleado numa tentativa de roubo. Há relatos de inúmeros casos de violência no campus, desde pequenos furtos até assassinatos e estupros de estudantes.
Diante desse quadro, nada mais racional do que fazer o policiamento na área dos crimes cometidos. Como o local é grande, não é por acaso que é denominado cidade universitária, deve ter a segurança necessária, como a de qualquer município. Mas, o tal grupo de “estudantes” se acha acima da lei e quer o local como uma área independente, um território livre, um reino à parte. Os “estudantes” exigem que a PM seja impedida de atuar no campus “em qualquer circunstância”, pedem garantia de autonomia nos espaços estudantis e que a reitoria retire os processos criminais e administrativos movidos contra “estudantes”, professores e funcionários. Para mim, isso é ameaça do crime organizado. “Não existe nenhuma justificativa para estudantes reivindicarem o direito de consumir drogas dentro da universidade”, disse Leandro Piquet Carneiro, pesquisador do Núcleo de Políticas Públicas da USP.
A polícia não só deve continuar lá, como seria conveniente instalar um batalhão no campus, principalmente depois do que ocorreu. Os estudantes peitaram os policiais, subiram em cima das viaturas e partiram para a agressão, querem expulsa-los de qualquer maneira. Os “estudantes” cobriam os rostos com camisetas, a exemplo dos criminosos em rebelião num presídio qualquer, e faziam ameaças bem ao estilo da bandidagem.
Os vândalos não são maioria na universidade, muitos estudantes levam os cursos a sério, sabem como foi difícil entrar na faculdade e estão lá para estudar. Afinal, quem banca aquilo lá somos nós, os pagadores de impostos. Um grupo de alunos de outras unidades da cidade universitária criticou o vandalismo.
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que o governo vai apurar possíveis excessos. “Ninguém tolera nenhum excesso. Agora, não tem nenhum estudante ferido e nós tivemos policiais feridos e várias viaturas danificadas. A lei é para todos, ninguém está acima da lei”, afirmou.
Alckmin disse que a missão dos policiais é pacífica e tem o objetivo de proteger. Um estudo confirma a queda dos casos de violência após a presença do policiamento. Que o governo do Estado faça valer a lei e que a podridão no meio estudantil seja extirpada, antes que a maioria dos estudantes seja contaminada pelo grande mal, o consumo e o tráfico de drogas. O pessoal da marcha da maconha deve estar orgulhoso dos “estudantes”.

Vida boa dos ‘príncipes’

João Júlio da Silva
Certos episódios me fazem lembrar da expressão: À mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta.
A frase original surgiu após um escândalo em Roma, envolvendo o homem mais poderoso do mundo, Júlio César, sua mulher Pompéia e um admirador, o garboso Clódio. Com o marido nos campos de guerra, a esposa vivia muito sozinha no palácio, então surgiu o destemido Clódio, e as fofocas se espalharam. O jovem foi levado ao tribunal e absolvido, pois o imperador declarou ignorar o que se dizia sobre sua mulher e a julgou inocente, mas Pompéia não se livrou do repúdio do marido em casa. Acusado de estar sendo contraditório, ao defender a mulher no tribunal e condená-la em casa, ele teria dito: “Não basta que a mulher de César seja honrada, é preciso que sequer seja suspeita”. O aventureiro Clódio deveria saber muito bem disso.
Nos dias que correm, a afirmação é muito utilizada em palestras. Na política, é bem citada para dizer que os governantes, além de serem honestos, precisam agir como tal. Mas, muitos dos políticos tupiniquins, além de serem desonestos, agem como tal.
Tem vigarista por aí que além de deitar e rolar com o dinheiro público, ainda faz questão de mostrar a sua farra. Com o advento das redes sociais na internet, o vagabundo torna público o seu verdadeiro caráter ou a falta dele e considera tudo muito normal.
Na última semana, virou assunto nacional a declaração de um vereador da região na internet. Todos já sabem de quem se trata e de que cidade ele é, e sendo assim, não vou perder tempo e espaço com isso e me poupar de repugnante lembrança.
Pois então, o nobre representante do povo postou numa rede social na internet, durante uma viagem a Sergipe, que tem “vida de príncipe”. “Nesse momento, estamos hospedados em um hotel cinco estrelas, com uma ‘big’ de uma piscina e de frente para o mar. Tudo pago com dinheiro público. O povo me dá vida de príncipe”, dizia a mensagem postada pelo político.
Após a polêmica causada, o vereador deu entrevistas e ainda agradeceu ao seu eleitorado. “Vivo a vida de príncipe há 15 anos. Dois motoristas, assessores, celular, assessoria jurídica, gabinete com ar condicionado… Inclusive até postei assim: engenheiros que são formados por Harvard, Yale, Michigan não desfrutam disso que eu desfruto. É muita honra que o povo me dá. Eu sou eternamente agradecido”.
Em Aracaju para participar do 18º Encontro da Associação Brasileira das Escolas do Legislativo e de Contas (Abel), ele disse que não fez a afirmação em tom de escárnio e sim uma “analogia” com a vida que levava antes de ser eleito. “Eu sou um homem oriundo do povo, tenho origem humilde. Eu tomava banho de bacia, fui motorista de caminhão, tinha uma vida simples”, disse ele. E daí? Muitos brasileiros levam uma vida simples e nem por isso se locupletam com o dinheiro público. E quer saber, muita gente já tomou e muitos ainda tomam banho de bacia por este país afora. E, com certeza, são bem limpos.
O tal vereador disse que existem órgãos públicos para fiscalizar a vida dos vereadores o tempo todo, o que não encorajaria práticas abusivas. Que peninha!
Ele responde a processos na Justiça Eleitoral e está inelegível para a próxima eleição, mas pretende colocar os filhos dele na vida pública. O príncipe quer deixar herdeiros no trono. Cabe ao povo decidir quem serão os seus representantes, afinal vivemos numa democracia, mas é só através do voto consciente que serão banidos do cenário político do país, os espertalhões de plantão e de tocaia.
Por falar em vida de príncipe, não faz muito tempo outro vereador da região colocou na internet fotos de seu passeio pela praia em pleno dia útil da semana, embora inútil na Câmara. O sujeito, que era bom de bico agora se diz verde, bem desbotado, mas verde.
A pergunta dos internautas na rede social era a mesma: por que o vereador, que é pre´-candidato a prefeito, caminhava na praia em horário e dia em que a maioria das pessoas está trabalhando? No endereço virtual, o vereador anunciou dias antes o seu afastamento temporário da Câmara por motivos pessoais. À reação dos internautas, o nobre parlamentar disse que se afastou para cuidar da saúde, mas não explicou os motivos de ter ido para a praia. Ora, como neoverde ele está muito preocupado com o meio ambiente e por isso estava na praia, além do mais, o mar faz muito bem para a saúde, como mostrou sua foto na internet, todo alegre e faceiro, como um verdadeiro príncipe.
Que o eleitor diga, nas eleições do próximo ano, um basta a políticos desse naipe, príncipes e marajás sem nenhum pudor e desprovidos de escrúpulos. Consciência política já!

Com ou sem habilitação

João Júlio da Silva
O governo da presidente Dilma Rousseff ainda nem completou um ano e já tem gente articulando a sucessão para as eleições de 2014. Há vários ditados populares que não são nada positivos a respeito da pressa. A sede pelo poder faz coisas!

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), figura apagada no Congresso Nacional, deu uma longa entrevista para um jornalão, porta-voz dos bons de bico, onde deixa bem clara a sua ânsia pela pré-candidatura a presidente. “Se essa for a vontade do partido, estarei pronto para disputar com qualquer candidato do campo do PT, seja Lula ou Dilma. Eu disse com muita clareza aos deputados que não temos de nos preocupar se é Lula ou se é Dilma. Com cada um será um tipo de campanha”, disse o ex-governador mineiro. “Seja quem for o candidato, entraremos na disputa de forma extremamente competitiva. Serão eleições com perfis diferentes. Não temo nenhuma das duas.”

Aécio está valente e pronto para o que der e vier. Mas, será que a cúpula paulista do partido vai viabilizar o seu nome ao Planalto? O senador afirma que a opção José Serra “terá de ser avaliada por seu capital eleitoral e experiência política” e ainda cita os nomes dos governadores Geraldo Alckmin (SP), Marconi Perillo (GO) e Beto Richa (PR) como presidenciáveis pelo partido. Ele também defende eleições prévias para a escolha dos candidatos tucanos a partir da eleição de 2012. “Acho muito bom que o PSDB tenha outros nomes, que serão discutidos na hora certa. É muito bom que o partido tenha quadros que possam despontar amanhã como candidatos”, disse.

Eu disse em outras oportunidades que se Aécio Neves tivesse sido o nome do PSDB nas eleições presidenciais anteriores, a chance de vitória do partido seria maior. A insistência com nome sem carisma resultou em três derrotas consecutivas. Em 2014 as condições serão outras e uma derrota da candidatura do governo vai depender das circunstâncias de momento. Poderá não ser tão fácil como Aécio supõe hoje, mas também poderá ser uma moleza.

Aécio deixou a entender que prefere disputar contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Se a disputa for com o ex-presidente Lula, acho que as diferenças ficarão ainda mais claras. Será a disputa da gestão pública eficiente contra o aparelhamento da máquina pública; a disputa da política externa pragmática em favor do Brasil versus a política atrasada em favor dos amigos. Será o futuro versus o passado. Mas deixo que o PT escolha seu candidato, da mesma forma como o PSDB escolherá o seu no momento certo.”

Como assim? Seriam as palavras acima de um anjo imaculado de uma legião santa? “Gestão pública eficiente contra o aparelhamento da máquina pública”? Será que nas administrações dos bons de bico é tudo muito lindo e maravilhoso? Ah, “amigos”! O que dizer da denúncia de venda de emendas parlamentares na Assembleia Legislativa de São Paulo? Por que não se investiga nada no governo estadual?

“Do ponto de vista da gestão, não há novidades além da ampliação absurda de cargos públicos, com quase 40 ministérios funcionando sem nenhuma eficiência”, ataca Aécio. Realmente é um absurdo, mas isso ocorre só na esfera federal? Num certo município, onde o partido de Aécio se acha dono de tudo e está no poder há quase 16 anos, o prefeito criou uma nova secretaria para abrigar um jovem enteado do ex-prefeito. O que seria isso? Na linguagem deles, certamente seria algo como estratégico “choque de gestão”.

Aécio, que seria o menos bicudo dos tucanos, parece desconhecer o que ocorre nas administrações de seu partido. “Em termos de gestão pública, esses nove anos de PT foram um atraso. Nós andamos para trás. Diferentemente do que ocorre em vários Estados, o governo federal não estabeleceu um mecanismo de metas ou de avaliação que avançasse no sentido de uma gestão pública de maior qualidade.” Ajeitar uma secretaria para um enteado de um ex-prefeito deve ser para eles “uma gestão pública de maior qualidade”.

Infelizmente, Aécio mostra mais do mesmo, já bem conhecido do eleitorado brasileiro, palavras que não passam de blábláblá e nhenhenhém.

Tancredo Neves foi impedido pela morte de subir a rampa do Planalto, mas seu neto Aécio poderá conseguir o feito nas eleições de 2014, mas, com certeza, não será desfazendo do adversário que atingirá o êxito. A exemplo dos derrotados anteriores, Aécio já começou mal a sua pré-campanha numa largada antecipada da corrida presidencial.

Ah, já ia me esquecendo! Será que Aécio tem habilitação para dirigir? Cala-te, boca!

Proposta põe preso no batente

João Júlio da Silva
Certas propostas parlamentes são polêmicas de origem e não têm a menor chance de sucesso, não chegam a nenhum objetivo concreto, mas abrem caminho para discussões acaloradas de temas espinhosos.
Na quinta-feira, da tribuna do Senado, o senador Reditario Cassol (PP-RO) defendeu o fim do auxílio-reclusão para os condenados que estiverem cumprindo pena e a adoção da pena de chicotadas contra os presos que se recusarem a trabalhar nos presídios.
Chicotadas? A bancada dos direitos humanos vai chiar barbaridade.
O nobre representante do povo alega que “pilantra, vagabundo e sem-vergonha” recebem um tratamento melhor do que os trabalhadores brasileiros. Olha, isso dá o que pensar!
Reditario afirmou que, muitas vezes, os legisladores criam vantagens para os presos, como a redução de penas. Para o senador, a lei precisa beneficiar as famílias de bem e não criar facilidades “para os pilantras”. “Temos que botar a mão na consciência e mudar o Código Penal”, afirmou. “Nós temos de fazer o nosso trabalho, modificar um pouco a lei aqui no nosso Brasil, que venha favorecer, sim, as famílias honestas, as famílias que trabalham, que lutam, que pagam impostos para manter o Brasil de pé”, defendeu. Certo ele, alguém seria contra isso? Por que a turma dos direitos humanos não visita e dá cobertura às vítimas dos bandidos?
“E não criar facilidade para pilantra, vagabundo, sem-vergonha, que devia estar atrás da grade de noite e de dia trabalhar, e quando não trabalhasse de acordo, o chicote voltar, que nem antigamente”, defendeu. Quanto às facilidades, ele tem razão, mas sobre o chicote, é como ele mesmo disse, é algo de “antigamente”.
Suplente de seu filho, o ex-governador de Rondônia, Ivo Cassol, que está licenciado, Reditario questionou o “desamparo” dos parentes das vítimas, enquanto o governo, segundo ele, gasta por ano “mais de R$ 200 milhões do Orçamento para sustentar a família dos presos que cometeram crime hediondo, crime bárbaro”.
De acordo com o senador, não se pode premiar as famílias dos criminosos e deixar as famílias de vítimas sem proteção financeira.
Reditario informou que o auxílio-reclusão é, hoje, de R$ 863, e o gasto da União com o benefício ultrapassa R$ 200 milhões. “O vagabundo, sem-vergonha, que está preso recebe uma bolsa para seu sustento. Mesmo que seja auxílio temporário, a prisão não é colônia de férias”, protestou.
Não dá para imaginar que uma prisão seja “colônia de férias”, como disse o parlamentar, mas que tem presídios com certas mordomias, isso tem. O noticiário já mostrou isso na televisão. Rola um churrasquinho ali, enrola um fuminho lá, toma um chopinho acolá, recebe uma visita intima mais adiante, afinal ninguém é de ferro, e assim vai, sem falar da facilidade de se tramar mais crimes através do celular que é levado ao presídio na maior facilidade.
Vai um trabalhador tentar entrar com um celular numa agência bancária, é barrado na entrada e ainda corre o risco de levar um tiro do segurança, como ocorreu recentemente em São Bernardo do Campo. Bela maneira de um banco tratar os seus clientes, hem!
No entender de Reditario, a pessoa condenada por crime grave deve sustentar os dependentes com o trabalho nas cadeias. Será que os presos estariam a fim de trabalhar?
Reditario defendeu a aprovação de projeto de sua autoria que restringe benefícios concedidos a condenados a penas privativas de liberdade. Entre outras medidas, o senador propõe aumento dos prazos para progressão de regime, fim das saídas temporárias para condenados por crimes hediondos e também a extinção do auxílio-reclusão.
De minha parte, considero que, em caso de rebelião, os presos devem também arcar com os prejuízos. Queimou o colchão?Compra outro ou dorme no chão. Quebrou o telhado? Vai pagar e colocar telha por telha. Mas, que nada!
Pela ordem, cometeu crime tem que pagar e lugar de bandido é na cadeia. Mas, infelizmente, a impunidade no país é corriqueira. E crime de colarinho branco tem voz ativa. Ah, maldita corrupção!

A bandidagem infiltrada

João Júlio da Silva
O tempo esquentou entre os magistrados. Na última terça-feira, véspera do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que visa reduzir os poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), uma crise se instaurou no Poder Judiciário.
Tudo por causa das declarações que a corregedora Eliana Calmon deu em entrevista ao grande repórter Cláudio César de Souza, enviado especial a Brasília, através da Associação Paulista de Jornais (APJ), afirmando haver “bandidos de toga” no Judiciário.
Questionada sobre seu posicionamento a respeito da pressão para que o STF reduza as competências do CNJ, proibindo-o de investigar e punir juízes acusados de corrupção e ineficiência antes que as corregedorias dos tribunais de Justiça façam este trabalho de apuração e julgamento, Eliana Calmon foi bem explícita: “É o primeiro caminho para a impunidade da magistratura, que hoje está com gravíssimos problemas de infiltração de bandidos que estão escondidos atrás da toga”.
Sobre sua atuação no Estado, Eliana Calmon questionou: “Sabe que dia eu vou inspecionar São Paulo? No dia em que o sargento Garcia prender o Zorro. É um Tribunal de Justiça fechado, refratário a qualquer ação do CNJ e o presidente do STF é paulista”.
Diante da polêmica, o presidente do STF, Cezar Peluso, que acumula a presidência do CNJ, reagiu com dureza em nota oficial do conselho contra as afirmações da corregedora. O texto, lido por Peluso, não citou diretamente o nome da corregedora, mas foi bem claro. “O (CNJ)[O CNJ] [/O CNJ][O CNJ]repudia veementemente acusações levianas e que, sem identificar pessoas nem propiciar qualquer defesa, lançam sem prova dúvidas sobre a honra de milhares de juízes que diariamente se dedicam ao ofício de julgar com imparcialidade e honestidade.” A divulgação da nota foi decidida em reunião a portas fechadas.
Na sexta-feira, o presidente da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), Henrique Calandra, disse que a corregedora do CNJ está prevaricando. “Noventa e nove vírgula oito por cento da magistratura brasileira é absolutamente correta. O que é incorreto é um juiz chegar à imprensa e dizer que há bandidos entre nós. Antes, teria que apresentar denúncia no Ministério Público, essa pessoa ser afastada, julgada e, se condenada, presa. Se não faço isso, estou cometendo prevaricação. Se tenho conhecimento do crime, tenho que denunciar”, disse
Com a temperatura a mil, o STF acabou adiando a decisão sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) proposta pela AMB, para tirar do CNJ o poder de punir juízes por má conduta, sem que o caso tenha sido aprovado antes pela corregedoria do respectivo tribunal. Nessa briga de gente graúda, o melhor é que os envolvidos resolvam o impasse.
Vou me ater ao detalhe no que disse Eliana Calmon: “infiltração de bandidos que estão escondidos atrás da toga”.
Onde mais os bandidos estariam infiltrados? Atrás do que estariam escondidos? Por acaso não haveria também pessoas desqualificadas atrás de jalecos, fardas, colarinhos brancos e tantas outras vestimentas e fortalezas?
Será que no meio político, todos são pessoas de bem? Os nobres representantes do povo são todos confiáveis? Há quem tenta passar imagem de ético, mas que por debaixo das mesas, a propina corre solta. O que uma continha num paraíso fiscal não camufla, não é mesmo? Uns deixam rastros, outros são bem profissionais.
Na imprensa, todos rezam a cartilha da ética? No setor empresarial, só anjos imaculados povoam os gabinetes?
E nas igrejas, o que anda rolando? Abuso sexual, dólar escondido em Bíblia rumo a Miami, dinheiro do dízimo dos fiéis desviado para mil e uma utilidades, desde compra de haras até imóveis de alto padrão, e tantas outras ‘comprinhas’ bem suspeitas.
Ao dizer que há “bandidos escondidos atrás da toga”, a corregedora me fez pensar em muitas outras possibilidades, afinal, num país corrupto como este, a bandidagem marca presença sim.
Ou será que estamos vivendo num paraíso celestial, onde não há nem criminosos nem suspeitos? Ora, ora!

Feriadões oficializados

João Júlio da Silva
Que ingratidão dizer que os nossos nobres parlamentares não fazem nada! No Congresso Nacional se trabalha sim, nem que seja para tratar de feriados. A Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado colocou na pauta de discussão uma proposta que altera a data dos feriados no Brasil. O projeto da Câmara (PLC 108/09) transfere automaticamente para as sextas-feiras os feriados nacionais que caírem em outros dias úteis. Na comissão, o relator é o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA). Querem oficializar o “feriadão”.
Pela proposta, alguns feriados como 1º de janeiro (Confraternização Universal), 7 de setembro (Independência) e 25 de dezembro (Natal) continuam a ser comemorados nas datas tradicionais. Aqueles que caíram no sábado ou no domingo também não seriam transferidos para a sexta-feira. O relator acrescenta entre as exceções os feriados de 12 de outubro (Dia de ‘Nossa’ Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil) e de Corpus Christi (cuja data é variável, mas sempre uma quinta-feira).
A proposta foi apresentada à Câmara em 2003 pelo deputado Marcelo Castro (PMDB-PI). Como justificativa, o nobre parlamentar argumentou que a ocorrência de feriados no meio da semana constitui em prejuízo econômico para o país. Isso é verdade.
O deputado acrescentou que “muitas pessoas tratam de ‘enforcar’ os dias restantes, fazendo com que ocorra o chamado ‘feriadão’”, o que leva a um prejuízo econômico “de grande monta”. Não há consenso, muitos criticam a proposta e outros apoiam a ideia. Eu penso que o melhor seria acabar com a maioria dos feriados do país. São muitas datas comemorativas para nenhuma comemoração, um absurdo!
Feriados religiosos seriam os primeiros a desaparecer, do meu ponto de vista. Por que uma determinada religião pode impor seus feriados para toda a nação? Por que os seguidores de outras crenças e os que não têm religião nenhuma devem seguir essa determinação? Que cada um siga os seus ritos ou o seu livre caminho sem interferir na vida dos demais cidadãos.
A proposta em discussão deixou muita gente irritada, mas muitos ficaram contentes. “Isso é coisa de quem não gosta de trabalhar”, diz um trabalhador indignado.
“Esse senador não tem nada para fazer mesmo, já que está preocupado com os feriados. Seria bom para o país, que os parlamentares trabalhassem obrigatoriamente, de segunda a sexta-feira”, diz um eleitor revoltado.
“Isso não pode. Desfigura o feriado, pois as pessoas mal sabem o que se comemora no feriado, caindo fora da data, o feriado será apenas uma licença. Acho que descaracteriza o feriado”, diz outro cidadão, que festeja todos os feriados.
Outros defendem que todos os feriados teriam que ser na segunda-feira, mesmo quando cair no final de semana. Ora, ora! Uns argumentam que quem dá prejuízo ao país é mesmo o tipo daquele pessoal lá de Brasília e deste país afora, com tantos recessos e inutilidade. Agora, um parlamentar dizer que “muitas pessoas tratam de ‘enforcar’ os dias restantes, fazendo com que ocorra o chamado ‘feriadão’” é mesmo cômico, embora seja trágico. É um abusado, não?
Os que trabalham no sábado defendem que nesse dia também seja feriado.
Tem maluco pra tudo. Há quem defenda que se deve parar tudo num feriado, para que todos folguem. “Deve ser proibido o funcionamento de qualquer ramo de atividade. Tem que fechar e parar tudo”, diz um sem-noção. Só morrendo.
Como educação neste país não é levada a sério, sobre a discussão fica a questão: se todos os feriados ocorrerem na sexta-feira, como serão compensadas as aulas desse dia? Se o aluno tem duas aulas de determinada matéria só na sexta, como que fica?
Só há uma solução para essa discórdia de “tamanha relevância”. Quem quiser, realmente, comemorar alguma data histórica ou religiosa, que isso seja feito aos domingos. A pessoa terá o dia todo para acompanhar a parada militar na avenida ou no parque e celebrar a cerimônia religiosa, juntamente com os demais fieis do seu credo. Todos ao trabalho, é o que realmente interessa!

Um belo sorriso universal

João Júlio da Silva
Ah, um belo sorriso!
“Tira-me o pão, se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o teu riso. Não me tires a rosa, a lança que desfolhas, a água que de súbito brota da tua alegria, a repentina onda de prata que em ti nasce. A minha luta é dura e regresso com os olhos cansados às vezes por ver que a terra não muda, mas ao entrar teu riso sobe ao céu a procurar-me e abre-me todas as portas da vida… nega-me o pão, o ar,a luz, a primavera, mas nunca o teu riso”.
As palavras acima são versos do poeta chileno Pablo Neruda. Deles me lembrei ao ver o sorriso da angolana Leila Lopes, vencedora do concurso Miss Universo 2011.
Poderia tratar de algo mais interessante, mas hoje decidi falar de miss. Não é segredo que todo concurso de miss é recheado de suspeitas e que as mães das candidatas perdedoras sempre acham que suas filhas foram injustiçadas. Acredito que essas mães não devem suportar aquele “tchauzinho” da vencedora. Muitos dizem que não se deve levar um concurso de miss a sério. E há fortes razões para que se pense assim, pois são muitas as falcatruas que envolvem esse tipo de evento.
Mas, o que interessa é a angolana de 25 anos que desbancou 88 concorrentes e venceu na última segunda-feira o concurso Miss Universo 2011, realizado pela primeira vez no Brasil. Leila Lopes é a primeira representante da Angola a conquistar o título de mulher mais bonita do mundo. A brasileira Priscila Machado, 25, ficou em terceiro lugar e a representante da Ucrânia, Olesya Stefanko, 21, conquistou a segunda colocação.
Para a angolana , o seu sorriso ajudou a conquistar a vitória. “Meu sorriso contagia as pessoas e mostra minha personalidade. Sou alegre e consegui mostrar que sou divertida”, disse a sorridente miss.
Para mim, o seu destaque é mesmo o sorriso. Ela não é a primeira negra a ser miss universo. A primeira a levar a coroa de miss universo foi Janelle Commissiong, de Trinidad e Tobago, em 1977. Em 1995, foi a afro-americana Chelsi Smith quem levou o título de mais linda do universo. Outra representante negra de Trinidad e Tobago, Wendy Fitzwilliam, levou o título em 1998. No ano seguinte, Mpule Kwelagobe, de Botsuana, se tornou a primeira africana negra a usar a coroa de miss universo. Já no concurso Miss Brasil, até hoje apenas uma negra foi vencedora, a gaúcha Deise Nunes, em 1986, que ficou em 6º lugar no miss universo daquele ano.
Sobre o racismo, Leila Lopes é enfática: “O racismo não me atinge. Os racistas deveriam procurar ajuda e se tratar. Não é possível que em pleno século 21 ainda existam pessoas que pensem desta forma”.
Ainda hoje há muitas dificuldades para os negros, mas a escravidão já passou. Daquele tempo descreve bem o poeta Jorge de Lima. “Ora, se deu que chegou (isso já faz muito tempo) no bangüê dum meu avô uma negra bonitinha, chamada negra Fulô. Essa negra Fulô!Essa negra Fulô!… O Sinhô foi ver a negra levar couro do feitor. A negra tirou a roupa, O Sinhô disse: Fulô! O Sinhô foi açoitar sozinho a negra Fulô. A negra tirou a saia… pulou nuinha a negra Fulô. Essa negra Fulô!” Hoje em dia, canta Dona Ivone Lara: “Um sorriso negro. Um abraço negro traz felicidade … negro é a raiz da liberdade, negro é uma cor de respeito, negro é inspiração… negro que já foi escravo, negro é a voz da verdade, negro também é amor, negro também é saudade”. E canta também Adriana Calcanhoto: “Os negros são só negros, os brancos são troianos, os negros não são gregos, os negros não são brancos…”
E Dorival Caymmi cantou: “Vida de negro é difícil, é difícil como quê…” É preciso chamar Luiz Melodia para a roda: “Meu nome é ébano, venho te felicitar sua atitude…me chamam ébano… eu grito ébano…”
E para finalizar, Carlos Drummond de Andrade: “A negra para tudo, a negra para todos… A negra para tudo, nada que não seja tudo tudo tudo, até o minuto de(único trabalho para seu proveito exclusivo) morrer.”
Que o sorriso da angolana Leila Lopes continue contagiando a todos por onde passar por este mundo afora, pois seu brilho tem uma mensagem que extrapola a beleza, seu encanto é muito mais que um mero aceno de miss.

Numa terça-feira de setembro

João Júlio da Silva
As marcas do terror ainda não se cicatrizaram nos Estados Unidos e o mundo vive a expectativa do próximo atentado de fanáticos endoidecidos tomados pelo ódio.
Neste 11 de setembro o maior atentado terrorista de todos os tempos completa dez anos e o mundo ainda sofre as suas consequências.
Uma data que significa um divisor na história da humanidade. Naquela terça-feira de setembro, o mundo parou diante de imagens aterrorizantes e inconcebíveis até então e a história mudou em questão de horas.
No dia 11 de setembro de 2001, o assombroso atentado suicida matou 2.996 pessoas. O ataque atingiu Nova York, capital financeira dos Estados Unidos, e Washington, centro do poder político e militar daquele país. O líder da rede terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden, foi considerado o autor daquele absurdo. Dois aviões derrubaram as torres gêmeas do World Trade Center, outro destruiu parte do Pentágono e um quarto avião caiu antes de atingir o Capitólio.
Aquilo tudo parecia cenas de cinema, mas era o terrorismo, fundamentado num radicalismo religioso sem precedentes, revelando ao mundo a sua face mais destruidora e desumana. Golpeado por todos os lados, o então presidente George W. Bush partiu para o contra-ataque, declarando “guerra ao terror”, torrando o que tinha e o que não tinha na máquina da guerra.
Desde então, a vida dos norte-americanos nunca mais foi a mesma e a segurança do mundo todo ficou muito vulnerável. Passados dez anos, o revide custou muito caro, pois consumiu cerca de US$ 5 trilhões e provocou um estrago enorme na maior economia do mundo, que hoje passa por uma crise financeira que atinge todo o mercado internacional, algo que remete à recessão de 1930.
Pior que o rombo econômico é o prejuízo moral que afetou a nação norte-americana.
Em 2001 a economia dos EUA estava muito bem, já em 2011 o quadro é bem sinistro.
A tragédia do terror, além de ceifar cerca de 3 mil vidas, abalou não apenas a economia daquele país como a mundial e deixou a auto-estima dos norte-americanos em frangalhos.
O balanço mortífero desta primeira década dos atentados não se limita às vítimas daquele 11 de setembro, pois, posteriormente, milhares de pessoas perderam a vida na reação norte-americana ao atacar o Afeganistão e o Iraque na sangrenta caçada aos líderes da Al-Qaeda.
Os EUA perderam 6.222 soldados e outros 32.159 ficaram feridos. Quanto ao número de civis mortos nos dois países não há nada preciso, mas sabe-se que a devastação foi enorme. Só no Afeganistão fala-se em 11,7 mil civis mortos, pessoas que nem entraram no conflito. E o número de vítimas aumenta a cada dia.
Prometendo “mudanças”, principalmente na política internacional, o sucessor de Bush, o democrata Barack Obama, ainda não acabou com os conflitos no Iraque e Afeganistão, mas se orgulha de ter anunciado ao mundo em 10 de maio deste ano, quase dez anos após os atentados de 11 de setembro, a execução de Bin Laden numa operação sigilosa da Marinha dos EUA no Paquistão. Operação tão sigilosa que até o corpo do terrorista sumiu e ninguém viu.
Naquele 11 de setembro de 2001, o então presidente Bush fez um discurso sobre os atentados: “Nós fomos atacados, pois somos o mais brilhante reduto de liberdade e oportunidade no mundo. Ninguém impedirá nossa luz de brilhar. Nossa nação viu o mal”.
Eles viram o mal e o mundo todo sentiu o seu efeito e paga, ainda hoje, o alto preço dos ataques do terror e contra o terror.
Que daqui a dez anos, o mundo esteja bem melhor, com a economia restabelecida e que pessoas inocentes possam estar vivendo sem ter que pagar com a própria vida pela bestialidade de fundamentalistas religiosos e políticos.
Que possamos viver ainda como nos setembros de outrora, quando era possível sonhar com a paz e com um futuro melhor para a humanidade.
“Havia jardins, havia manhãs naquele tempo!”, escreveu um dia o grande poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade em “Lembrança do Mundo Antigo”.

Educação e o plano de carreira

João Júlio da Silva
Ah, educação! Este tema é de tirar qualquer um do sério.
Na última quarta-feira, a União Nacional dos Estudantes (UNE) realizou um belo protesto em Brasília para pedir mais investimentos para a educação.
A presidente Dilma Rousseff recebeu os seus representantes no Palácio do Planalto. Eles reivindicam a aplicação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país para a educação, o investimento de 50% do fundo do pré-sal e redução de juros. “O Brasil vive um momento importante, vem se destacando como uma forte economia. Neste momento, investimentos em educação são prioritários para o desenvolvimento do país”, disse o presidente da UNE, Daniel Iliescu.
Os estudantes reivindicam ainda melhor remuneração para os professores e ampliação das vagas nas universidades públicas. Ah, professores!
A estudante Camila Vallejo, presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FECh), ativista nos protestos estudantis chilenos que reuniram milhares de estudantes nos últimos dias, também esteve em Brasília. Camila veio ao Brasil com objetivo de elaborar uma agenda política com a UNE, mas acabou sendo considerada como “musa” pela grande mídia. Muitos tratam assim a educação.
Mas na quinta-feira, Dilma foi alvo de protestos no Rio, quando abriu a 15ª Bienal do Livro. Entoando palavras de ordem contra a política educacional do governo, um grupo de servidores federais da área de educação, que estão em greve, e estudantes protestou não apenas por melhores salários, mas, também, pela contratação, via concurso público, de mais servidores para a área.
Categoria sofrida essa a dos professores, não?
Pois então, uma pesquisa revelou que em 57% das cidades brasileiras, o professor não tem plano de carreira. Dados do Plano de Ações Articuladas (PAR), ferramenta do Ministério da Educação (MEC), revelam que dos 5.565 municípios brasileiros, 5.532 (99,4%) responderam ao questionário do governo federal e que apenas 43% afirmaram que têm plano de carreira.
O Plano Nacional de Educação, que está em trâmite no Congresso, prevê dois anos de prazo para que todos os Estados e municípios brasileiros desenvolvam planos de carreira para todos os profissionais do magistério. “A discussão é importante porque pesquisas nos mostram que, para ter um impacto na melhoria da qualidade, a figura do professor é central. E, por isso, é imprescindível falar de plano de carreira”, afirma a especialista em Gestão Educacional da Fundação Itaú Social, Maria Carolina Nogueira Dias.
Para os especialistas, todo plano de carreira deve contemplar a formação do professor, as condições de trabalho e a estrutura de incentivos. Uma discussão complicada, que começa no pagamento do piso salarial. Em junho, foi aprovada a lei que institui o piso nacional de R$ 1.187. Mas, apesar disso, muitos Estados e municípios não estão cumprindo, o que gerou greves e protestos.
“A carreira é pouco atrativa, não atrai um público jovem. Vem quem não consegue entrar no mercado. Por isso, o plano de carreira tem de discutir como atrair e reter esse profissional”, afirma Maria Carolina. Quem se arrisca?
Em junho, a Assembleia Legislativa paulista aprovou a nova política salarial do Estado. O projeto inclui o reajuste de 42,2%, escalonado em quatro anos. Com isso, o piso salarial de início de carreira (40 horas semanais) chegará a R$ 2.368,51 em 2014.
Tem município aí que o plano de carreira dos servidores, inclusos os professores, tem gerado muita polêmica.
O plano implanta a “meritocracia” como sistema para promoção e abonos salariais dos servidores. Adeus tempo de serviço! Um direito adquirido.
Essa tal “meritocracia”, um linguajar bem típico do famigerado “choque de gestão”, pode não ser tão boa como parece. Quem mereceria uma promoção? Os amigos das chefias do governo de plantão ou quem realmente é digno do benefício? Tudo é possível, em se tratando de dinheiro público. Quem for contrário ao “jeito de governar” pode ficar sem “meritocracia” nenhuma.
Professores, até quando tanto sofrimento?

Pancadão do lixo que vem do Rio

João Júlio da Silva
Detesto funk carioca. Aquilo não é música nem dança, não é mais que poluição sonora e podridão humana. E tamanho lixo ainda virou patrimônio cultural do Rio de Janeiro! Como, se não há nada de cultural nessa fedentina degradante? O tal estilo –como se tivesse algum — é desprovido de qualquer qualidade, nele, vale um destilar de palavrório de baixíssimo nível e uma pseudocoreografia sexual sem limites. É o fundo do poço, onde não se ouve nenhum som de instrumento musical, apenas um ruído repetitivo irracional. E pior, a mulher é tratada como “cachorra”, “cadela” e outros adjetivos bem piores, o crime é exaltado e a polícia ridicularizada. Mas, há quem goste disso. O carioca desbancou o velho e bom samba para dar espaço para algo tão ruim. Essa praga tem se espalhado pelo país, estão circulando por aí veículos com som em alto volume do nojo que é isso.
Dia desses, passando próximo ao portão de entrada de um colégio público, num bairro bem central, me entregaram um panfleto. Por muitas outras vezes já havia visto um pessoal entregando o papelzinho no local. Já desconfiava o que seria aquilo e acabei apenas confirmando o que imaginava. Trata-se de propaganda de um tal “pancadão funk” que se realiza num determinado local, onde se apresentam vários Djs –outra aberração “musical”– e umas tais de “descaradas” e “preparadas”. O chefão seria um “MC” com cara de drogado. Significaria MC, Marginal Criminoso?
Pois é, fazem esse tipo de panfletagem na entrada de uma escola. Por que uma diretora permite isso? Por que a secretaria da educação permite tal desvio do que realmente é o ensino? Os alunos entram na escola com um panfleto desse na mão. E estão fazendo isso há muito tempo, visando o público adolescente. Até crianças estão nisso. Tem professora que gosta da coisa, como mostrou um vídeo na internet.
Quem entende mesmo de música é o qualificado (e pesado também) jornalista e colunista Adriano Pereira. Ele descreve bem o que é funk e do que se trata o patrimônio cultural do Rio de Janeiro.
“Adoro funk. O balanço, as linhas de contrabaixo, aquela coisa meio ‘malandro americano’, o teatro criado no palco e principalmente o casamento perfeito entre cordas e metais. Que foi? Não entendeu? Deve ser porque você acha que funk é esse lixo carioca. Não, funk é outra coisa, essa porcaria que diariamente invade nossos ouvidos sem que nós possamos ao menos abaixar o som não é funk, nunca foi e nem chega perto do que é o funk. James Brown e George Clinton são pais do gênero verdadeiro. No Brasil, para ficar mais fácil, Tim Maia fazia muito funk, Gerson King Combo também.
“Falta ao ‘lixo carioca’ absolutamente tudo. Musicalmente faltam instrumentos, afinal, é feito em cima de uma batida repetitiva criada em computador. Não existe harmonia, já que os outros sons na música são apenas intervenções barulhentas de sirene, cornetas em loop (repetição) e ruídos sem tom. E convenhamos, não existe nada mais desafinado do que ‘funkeiro’ carioca.
“E as letras? Bem mais que a metade dessa improdutiva produção fala de sexo e/ou violência sem a menor criatividade. De maneira crua e sem contexto. Não que eu seja contra esses temas, sou contra a maneira com que eles são abordados. Quando um ‘funkeiro’ resolve falar de sexo é como se um filme pornográfico fosse narrado. No caso da violência, o tráfico de drogas e a guerra contra outros morros cariocas servem de ‘inspiração’. Os erros de português e abreviações são típicos dessas letras estúpidas. E a pequena parcela que não fala disso? Bom, essa fatia bem insignificante é abraçada por ‘filósofos’ como Xuxa e Regina Casé. Na defesa de ‘Eguinha Pocotó’ e ‘Bonde do Tigrão’ os argumentos são aqueles clássicos sobre o cotidiano das periferias e a realidade enfrentada pelas comunidades carentes. Desculpem-me, mas não cola.
“Talento. Essa é a palavra. O ‘funk carioca’ é a representação mais pura da falta de talento, da exploração da ignorância e da falta de cultura e educação da massa brasileira. Essa sim é a única realidade que se pode dizer desse lixo.”
Falou e disse, Adriano! Basta de tamanha tranqueira.

“Eclipse de Deus” nos dias atuais

João Júlio da Silva
Em discurso feito na Espanha na sexta-feira, o papa Bento 16 lamentou o que classificou como “eclipse de Deus” na sociedade do tempo atual. “Constata-se uma espécie de eclipse de Deus, uma certa amnésia, mais ainda, um verdadeiro rechaço ao cristianismo. Uma negação do tesouro da fé recebida, com o risco de perder aquilo que mais profundamente nos caracteriza”, disse o líder dos católicos. Isso significa que Deus está sendo deixado de lado. E pior, esse abandono se dá por aqueles que acreditam na existência divina.
Em tempo de policiamento virtual, se faz necessário deixar bem claro que estou me referindo àquelas pessoas que creem em Deus, embora estejam se distanciando dele. Creio que, mesmo havendo esse “eclipse de Deus”, a maioria dessas pessoas ainda não perdeu a fé completamente. Há sim aqueles que deixam a fé e buscam os seus próprios caminhos, o que é uma opção resguardada no livre arbítrio. Afinal, cada um é responsável pelo caminho que decide trilhar.
Não é a primeira vez que Bento 16 faz uso da expressão “eclipse de Deus”, em março deste ano ele já havia recorrido à expressão. Ao questionar o porquê da cruz, ele mesmo deu a resposta. “Porque existe o mal, e mais ainda, o pecado, que, de acordo com as Escrituras, é a raiz de todo mal”, disse. “Quando se elimina Deus do horizonte do mundo, não se pode falar de pecado. Da mesma maneira que, quando o sol se esconde, desaparecem as sombras, a sombra só aparece quando há sol, assim, o eclipse de Deus comporta necessariamente o eclipse do pecado.”
“Para salvar a humanidade, Deus intervém: nós o vemos na história do povo judeu, a partir da libertação do Egito. Deus está determinado a libertar seus filhos da escravidão para conduzi-los à liberdade”, afirmou o pontífice. “E a escravidão mais severa e profunda é precisamente a do pecado. Por este motivo, Deus enviou seu Filho ao mundo: para libertar os homens do domínio de Satanás, ‘origem e causa de todo pecado’. Enviou-o à nossa carne mortal para se tornar vítima de expiação, morrendo por nós na cruz”, disse.
E na última quarta-feira, o arcebispo de Piura (norte do Peru), dom José Antonio Eguren Anselmi, incentivou os jovens a viverem a fé de maneira integral e com coragem, diante do “eclipse Deus” na sociedade. Ele rechaçou a tentativa de construir a vida de costas para Deus.
O arcebispo afirmou que hoje em dia “o cristão vive sua fé em Deus e em Jesus em um contexto particular de um ‘esquecimento de Deus’, em meio de um laicismo difundido que elimina Deus da vida pública”. “Posto que Deus é a fonte da vida, o ser humano sem uma referência consciente a seu criador, perde sua identidade”, explicou. “O drama que vive o homem contemporâneo não é outro senão o eclipse do sentido de Deus e portanto o eclipse do sentido do homem, já que perdendo o sentido de Deus, perde-se o sentido do homem, de sua dignidade e do valor de sua vida”, disse dom Egurem. Ele indicou que “para manter uma fé firme, que não se veja sacudida pelas ideologias, modas de pensamento ou estilos de vida de hoje; para não ter uma fé vaga, para não terminar à deriva ou na confusão, é fundamental ser sustentados pela fé da Igreja”.
Para mim, a fé deve ser sempre em Deus, na pessoa de Jesus Cristo de Nazaré, o único caminho que leva à salvação, pois não há outro nome capaz de resgatar o homem.
Eu creio assim, pois a igreja é falha e muitas vezes decepciona, seja ela de que denominação for. Há até igreja que busca mais o poder político dos homens e as benesses politiqueiras do que o poder e a graça de Deus. Lamentável esse desvio de foco.
Como é bom recorrer às Sagradas Escrituras. “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor dos céus e da terra, e não habita em santuários feitos por mãos humanas. Ele não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo, porque ele mesmo dá a todos a vida, o fôlego e as demais coisas” (Atos.17.24-25).
Com Deus, não há eclipse nenhum, sua luz se expande vibrante pelo caminho daqueles que decidiram crer nas suas promessas, e sua graça basta para uma vida abençoada.
Assim é.

Atentado covarde contra o bem

João Júlio da Silva
O bárbaro assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli no bairro de Tibau, em Piratininga, na região oceânica de Niterói, quando chegava em sua residência no final da noite da última quinta-feira, é um atentado contra todas as pessoas de bem deste país.
Todos os crimes deveriam ser apurados e os responsáveis punidos, mas a execução dessa juíza é daqueles crimes que precisam ser esclarecidos com rapidez e os criminosos punidos ao rigor da lei.
Não dá para aceitar passivamente mais esse ato de violência e os autores da barbárie ficarem impunes. Se nada for feito com urgência, a bandidagem vai acabar acreditando que aqui é uma terra sem lei.
Está faltando pulso firme contra o crime organizado, como tinha a juíza assassinada.
A magistrada, que era titular da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, foi atingida por 21 tiros disparados por homens de motos que usavam capacetes.
A execução é nítida, uma covardia desses monstros que estão à solta por aí, em qualquer esquina deste Brasil varonil. O mal não deve vencer o bem, jamais. Que haja reação.
Apesar de ser alvo de ameaças, ela andava sem proteção policial ou veículo blindado. Que segundo familiares, ela havia solicitado.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, foi direto ao ponto ao afirmar que o assassinato da magistrada foi um atentado à independência do Judiciário, ao Estado de Direito e à democracia. Que o Supremo seja firme contra tantos outros atentados que ocorrem por este país afora.
Ele quer a Polícia Federal na investigação do crime.
O STF divulgou uma nota na qual o presidente do tribunal e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pede apuração rápida do crime e punição rigorosa dos responsáveis.
“Em nome do Supremo Tribunal Federal, do Conselho Nacional de Justiça e do Poder Judiciário, repudio o brutal assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli. Crimes covardes contra a pessoa de magistrados constituem atentados à independência do Judiciário, ao Estado de direito e à democracia brasileira. A preservação do império da lei em nosso país exige a rápida apuração dos fatos e a punição rigorosa dos responsáveis por este ato de barbárie. A juíza Patrícia Lourival Acioli deixa uma lição de profissionalismo, rigor técnico e dedicação à causa do direito. Que esse exemplo sirva de consolo a seus familiares, a quem encaminho minha solidariedade e sinceras condolências”, diz Peluso na nota.
A juíza era considerada como linha-dura em suas atuações feitas com rigor e muita coragem. Ela ganhou notoriedade ao condenar policiais militares acusados de liderar grupos de extermínio e de forjar autos de resistência (mortes em alegados confrontos) no município de São Gonçalo.
Em setembro do ano passado, ela foi responsável pela prisão de quatro PMs acusados de integrar um grupo de extermínio investigado por 11 assassinatos. Em janeiro, decretou a prisão de seis policiais, denunciados por homicídio, em casos antes registrados como autos de resistência. Pouco antes de ser assassinada, havia determinado a prisão preventiva de mais um grupo de PMs por homicídio duplamente qualificado em decorrência de autos de resistência.
Uma defensora pública, que não quis se identificar, falou da firmeza de Patrícia. “Ela achava que combater essas milícias e grupos de extermínio era uma missão, que ela era uma justiceira”, afirmou. “Ela costumava dizer que detestava matador e que PM matador era um milhão de vezes pior. Ela era extremamente competente e era linha dura mesmo. Em alguns casos, era muito difícil trabalhar, porque ela dava penas altíssimas.”
Mesmo após receber ameaças, a juíza manteve o pulso firme. “Ela tinha um problema muito sério: não tinha medo. Eu dizia para ela trocar a vara criminal por uma de família, mas ela acreditava que aquela era a vida dela”, disse a colega.
Quantas Patrícias este país tem e quantas mais são necessárias para combater com pulso firme a bandidagem que busca instalar um “estado paralelo” em determinadas regiões, onde o Estado ausente, deixa toda a comunidade sem ter a quem recorrer? Basta.

Senhor Jobim já vai tarde

João Júlio da Silva
Se um funcionário de uma empresa decidir agir contra a fonte de onde tira o seu sustento e o leite das crianças, certamente irá para o olho da rua.
Ou se um jogador de futebol resolver jogar contra a sua equipe, visando prejudicar aqueles que pagam o seu rico rendimento, com certeza será sacado do time. Estarei errado nesta introdução?
Pois então, a demissão do ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB), não deveria causar nenhuma surpresa, pois ele andou falando “cobras e lagartos” de seus colegas de governo. Portanto, sua queda era inevitável. E quer saber, já vai tarde, muito tarde!
Se considera o governo tão ruim, por que então aceitou o cargo que lhe foi confiado pela presidente Dilma Rousseff?
Onde já se viu sair detonando a torto e direito quem demonstrou total confiança em sua capacidade?
A situação de Jobim acabou ficando insustentável no governo após declarações dadas à revista “Piauí” em que teria considerado a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, “muito fraquinha” e dito que a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, “sequer conhece Brasília”. Jobim negou ter feito as críticas e disse que as informações seriam “parte de um jogo de intrigas”. Será?
Dilma já havia decidido demitir o ministro caso ele não deixasse o cargo.
Dias antes, o falador já havia gerando um mal-estar no governo ao declarar para um meio de comunicação o seu voto no tucano José Serra nas eleições presidenciais do ano passado. E ainda teve a audácia de aceitar o ministério dos adversários políticos.
Ele sempre fez pronunciamentos polêmicos. No início de julho, em uma cerimônia no Senado, em homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso –de quem ele foi ministro da Justiça entre 1995 e 1997–, ele citou o dramaturgo Nelson Rodrigues, dizendo que “os idiotas perderam a modéstia”.
O que disse foi interpretado como uma indireta aos colegas de Planalto e insatisfação com sua situação no governo. Mais tarde, contudo, ele disse que se referia a certos jornalistas. Mas, como pode alguém tão “inteligente e esperto” aceitar fazer parte de um grupo de “idiotas”?
Para seu lugar, Dilma convidou o ex-ministro das Relações Exteriores do governo Lula, Celso Amorim. A indicação provocou um alvoroço na caserna. Os militares temem que ele queira derrubar a Lei de Anistia e vasculhar o passado não muito distante do período da ditadura militar. A presidente nega qualquer mudança nessa direção.
Sob a gestão de Jobim, o governo fez acordo com os comandantes militares e com parte da oposição em torno do polêmico projeto que cria a Comissão da Verdade. Mexer com os esqueletos dos anos de chumbo, nem pensar!
Nelson Jobim foi o terceiro ministro que caiu em apenas oito meses de governo Dilma. O primeiro da fila foi o ex-ministro-chefe da Casa Civil Antonio Palocci, que não resistiu a denúncias de tráfico de influência e enriquecimento ilícito e pediu demissão do cargo em 7 de junho. Menos de um mês depois, em 6 de julho, foi a vez do ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, que também pediu demissão depois de denúncias de superfaturamento de obras e pagamento de propina no âmbito do órgão. Pelo andar da carruagem, a lista não deve parar por aí. O ministro da Agricultura já dever estar com a barba de molho.
Na última sexta-feira, o presidente do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra (PE), disse, que o ex-ministro Jobim nem precisa de convite para se filiar ao PSDB e que, se ele quiser, “o partido é dele”. Guerra disse que Jobim tem muitos amigos no PSDB, e citou como exemplo o ex-governador de São Paulo José Serra e o ex-presidente FHC. “Não precisamos convidar Jobim. Se ele quiser vir, o partido é dele, mas não sei se ele quer ou qual é o projeto dele”, disse Guerra. Para o tucano, Jobim “não podia estar neste governo”. “Tinha mesmo que sair.” Concordo plenamente, pois o governo tucano acabou em 2002.
Pelo voto democrático o tucanato pode até voltar ao Planalto nas eleições de 2014. Mas, a decisão deve ser sempre do povo.

Fome em pleno terceiro milênio

João Júlio da Silva
Estive vendo imagens sobre a fome que assola países africanos e confesso que senti repugnância por fazer parte da raça humana. Quanta desumanidade! É de cortar o coração a situação daquelas pessoas. As crianças, totalmente esqueléticas e cobertas por moscas, formam um verdadeiro quadro de horror. É o fundo do poço.
Enquanto tantos países pelo mundo afora estão apenas preocupados com eventos festivos, nações africanas sofrem, gemem e se arrastam por causa da fome em pleno terceiro milênio.
A subsecretária geral para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU(Organização das Nações Unidas), Valerie Amos, previu que a crise de fome na África vai ser longa.
“Esta não vai ser uma crise curta. A ONU e seus membros esperam combater esta situação pelo menos durante os próximos seis meses”, afirmou.
Sabe-se que no Chifre da África há 11,5 milhões de pessoas “que necessitam de assistência urgente”: 3,7 milhões na Somália, 4,5 milhões na Etiópia, 2,4 milhões no Quênia, 150 mil em Djibuti “e potencialmente muitas mais na Eritreia”. Mas, o número de famintos deve ser bem maior.
A ONU está pedindo ajuda financeira de US$ 1,9 bilhão para combater a situação na Etiópia, Quênia e Somália –onde estão os principais os focos da crise. Menos da metade do valor foi conseguido.”Pedimos US$ 1,9 bilhão para ajudar a Etiópia, Quênia e Somália, e dessa quantidade foi financiado menos da metade. Temos um rombo de US$ 1 bilhão”, lamentou Amos.
Mas, para socorrer países europeus que passam por crise financeira, por não terem feito a lição de casa, há dinheiro de sobra.
Na Somália, os soldados têm de usar a força para conter a briga das famílias pela comida distribuída. É muita gente para pouco alimento.
Dezenas de milhares de pessoas já foram buscar ajuda em campus de refugiados no Quênia e na Etiópia. A crise de fome que castiga centenas de milhares de pessoas na Somália, Etiópia, Djibuti e Eritreia, é devido à seca e dos conflitos armados naqueles países.
A razão pela qual a ONU não pode precisar os números de afetados pela crise é porque não tem acesso a amplas áreas do centro e leste da Somália, especialmente as que estão sob o domínio da milícia islâmica de Al Sahab.
Militantes islâmicos ligados à Al-Qaeda proibiram a distribuição alimentar em 2010, alegando que isso causaria dependência em relação à comunidade internacional, mas revogaram a medida agora, devido ao agravamento da situação.
O Programa Mundial de Alimentação da ONU criticou a falta de vontade política para combater a fome na África. “Esta é a pior crise alimentar no mundo e os números só pioram”, disse Amos, que lamentou a falta de compromisso de muitos países.
Amos explicou que desde junho foi possível fazer chegar alimentos a 324 mil pessoas, levados pela ONU e várias outras ONGs, mas considerou imprescindível que estas organizações possam atuar com garantias de segurança no interior da Somália para atenuar a catástrofe e frear de maneira eficaz o fluxo de refugiados.
É bastante esclarecedor o depoimento do diretor do Programa Mundial de Alimentação (WFP, na sigla em inglês), James Morris. Ele disse que a gravidade do problema ainda não foi compreendida pela comunidade internacional. “Decisões políticas de alguns governos africanos e de governos dos países em desenvolvimento reduziram a capacidade do continente de se alimentar”, afirmou Morris.
“Não há dinheiro suficiente para alimentar os que passam fome hoje, e as políticas econômicas e comerciais, nacionais e internacionais, fazem com que seja ainda mais improvável que todos possam comer no futuro”, criticou.
“Para curto prazo, precisamos de uma forte injeção de verbas de ajuda humanitária, e uma melhor cooperação dos governos que as recebem”, disse Morris. “As pessoas passam fome porque os seus governos tomam decisões políticas erradas. No fim das contas, fome é uma criação política, e temos que usar meios políticos para acabar com ela”, concluiu.
E o fome-zero no Brasil? Morreu. Final dos tempos!

Do meu, do seu e do nosso

João Júlio da Silva
Não, em hipótese alguma se colocará dinheiro público em obras de estádios para a Copa do Mundo de 2014! Imagine um absurdo desse! Nunca!
Pura ilusão. Após passar dois anos dizendo que não colocaria dinheiro público em estádio, o governo de São Paulo voltou atrás e anunciou que bancará a ampliação do estádio do Corinthians para receber a abertura do Mundial.
Na ponta do lápis mesmo, quem vai bancar a farra é o contribuinte. Vão usufruir do meu, do seu e do nosso.
Pois aí está, o governo do Estado de São Paulo se comprometeu a investir –algo em torno de R$ 70 milhões– em uma arquibancada provisória de 20 mil lugares para que o futuro estádio do Corinthians, o Itaquerão, possa receber a abertura da Copa. Pera aí, R$ 70 milhões gastos para apenas um evento?
O governo paulista alega que não se pode dizer que o Estado esteja investindo dinheiro público no estádio do Corinthians, e sim garantindo que a abertura da Copa de 2014 seja em São Paulo. É mesmo, estão querendo enganar quem? Segundo a turma do Palácio dos Bandeirantes, “o governo do Estado não está colocando um centavo para a construção do estádio do Corinthians, é como se alugasse o estádio para a abertura da Copa do Mundo”. Ah, bom, apenas um aluguel!
Segundo o governo, há um anseio para que a cidade receba a abertura da Copa, e isso justificaria o investimento. Claro. O governo avalia que “será importante para o desenvolvimento da cidade de São Paulo, do nosso Estado”. Isso é muito interessante.
Será que a construção de uma arena esportiva “decente” para uma cidade importante do interior realizar, ao menos, os Jogos Regionais não seria muito mais “importante para o seu desenvolvimento”? No entanto, nada é feito.
Após afirmar, anteriormente, que o dinheiro público de São Paulo seria utilizado somente nas obras do entorno e de acessibilidade ao futuro estádio do Corinthians, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou na quinta-feira, que haverá investimento estatal no “evento” de abertura da Copa do Mundo e as arquibancadas provisórias serão construídas com dinheiro do Estado. Segundo Alckmin, ao Corinthians não restará nem mesmo um parafuso comprado com o dinheiro público, pois as tais arquibancadas serão desmontadas tão logo acabe o mundial. Nem um parafuso, sequer, será? Seria isso o tão propalado“choque de gestão”? Para o governo, não é correto dizer que há investimento em um estádio particular. Se trata apenas de um “apoio logístico”.Nossa, será que não passo de um idiota?
O clube paulista e a empreiteira se comprometeram a construir uma arena para apenas 48 mil pessoas, ao custo de R$ 820 milhões. Mas para estrear o evento da Fifa um estádio deve ter ao menos 65 mil lugares. É esta diferença que sairá dos cofres estaduais. Com isso, o preço da arena de Itaquera já bate na casa dos R$ 890 milhões.
O anúncio de dinheiro público estadual no Itaquerão aconteceu no mesmo dia em que o prefeito paulistano, Gilberto Kassab, sancionou lei que dá R$ 420 milhões para as obras do estádio. O projeto concede até R$ 420 milhões em isenção ao Corinthians – valor que pode atingir R$ 536 milhões com correção, para serem investidos na futura arena do clube.
O próprio presidente do clube, Andres Sanches, chegou a a dizer que “tem que acabar com isso de que estádio (privado) não pode ter dinheiro do governo”. Bacana ele, né?
Sanchez não resistiu e chorou durante a cerimônia em que Kassab sancionou a lei. Lágrimas de gambá.
A isenção fiscal é um passo para o tal time enfim realizar o sonho de ter seu estádio próprio. Mas, assim?
É como já disse aqui, nos bastidores do futebol pode acontecer de tudo. Por que será que Sanches foi nomeado chefe da delegação brasileira na última Copa e o desastroso técnico da seleção pertencia ao mesmo clube? Seria lobby?
Será que no fundo, pretendem mesmo é presentear o tal clube beneficiado pelo seu centenário, celebrado em 2010, com um estádio construído com dinheiro público?

Animal em risco de extinção

João Júlio da Silva
Quase ninguém sabe, principalmente os homens, mas o 15 de julho é considerado no Brasil como o Dia do Homem. Sim, a data existe. Por que não haveria de existir se inventam datas comemorativas para tudo? Mas, a última sexta-feira passou quase que totalmente despercebida, não foi registrada comemoração nem celebração nenhuma, e acredito que nenhum homem tenha recebido algum presente por isso.

Se tem o dia da mulher, dia do cachorro, dia do engolidor de espada e até dia do contador de piada, por que não teria o Dia do Homem? Ora, pois!Embora a data no Brasil seja em 15 de Julho, é em 19 de novembro o Dia Internacional do Homem. Isso mesmo. A data comemorativa foi criada em 1999 por Dr. Jerome Teelucksingh, em Trinidad e Tobago, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU).

Alguém pode estar questionando se pode levar a sério algo decidido em Trinidade e Tobago. Por que não, se tantas coisas abestalhadas são levadas a sério no Brasil?

Os objetivos gerais que foram ratificados como base para o Dia Internacional do Homem são: promover modelos masculinos positivos, não apenas de estrelas do cinema ou esportes, mas de homens do dia-a-dia cujas vidas são decentes e honestas; comemorar as contribuições masculinas positivas para a sociedade, comunidade, família, casamento, guarda de crianças e meio-ambiente; discutir sobre a saúde do homem e seu bem estar: social, emocional, físico e espiritual; destacar a discriminação profissional contra os homens nas áreas de serviços sociais, nas atitudes e expectativas sociais e no direito; melhorar as relações de gênero e promover a igualdade de gênero; criar um mundo melhor, onde as pessoas possam se sentir seguras e crescer para alcançar seu pleno potencial. Uau! Poxa, o danado não é fraco não!

Mas, o Dia do Homem não é nada mais que uma data entre tantas outras. Apenas isso. Aliás, datas comemorativas são uma grande bobagem.

Nos dias atuais, em que o homem anda tão desprestigiado, cabisbaixo mesmo, há quem até fale em criar uma marcha do homem, o macho, não o machão, para que ele possa se reerguer. Quem defende a ideia argumenta que se já existem a Marcha da Maconha, Marcha dos Bombeiros por Aumento Salarial, Marcha das Vagabundas e Parada Gay, por que não a Marcha do Homem, o Hetero, afinal ele também é um ser normal, ou não? E a manifestação teria que ocorrer na Avenida Paulista. Ora!

Há quem defenda a “Marcha de todos os santos Homens”, que seria no Dia de Todos os Santos. Que abusados!

Um colega considera que seja melhor abandonar a ideia da Marcha do Homem, o Hetero, pois não haverá tantos participantes assim. Ele mesmo não garante se iria, pois anda com muitas dúvidas ultimamente.

Se comparecer apenas meia-dúzia de gatos pingados não será surpresa, pois são muitas as mulheres que reclamam da falta de homem no “mercado”. E elas estão cheias de razão, pois homem, homem mesmo, macho (não machão, o que é bem diferente), já pode ser considerado como um animal em risco de extinção. Como pode uma mulher bonita, bem sucedida e livre, ficar sozinha por aí, sem uns braços acolhedores? Ainda mais neste inverno, judiação, isso não se faz! Eu, de minha parte, nada posso fazer. Não vá pensar bobagem, é que já não estou no “mercado”. Para grande parte dessas mulheres, a maioria dos homens está queimando, o filme.

Nesses tempos em que quase tudo tem por base o politicamente correto, é bom extraviar desse caminho por alguns momentos. Apenas para descontrair, vou repetir parte de algo que vi na internet. “Vocês acham que é fácil ser homem? Afinal, quem é que tem de gastar consideráveis somas em dinheiro comprando presentes para o dia das mães, da esposa, da mulher, da secretária e tantas outras festas inventadas pelo homem para satisfazer a mulher? O dadivoso homem! Quem é o encarregado de matar as baratas da casa? O valente homem!Quem é obrigado a erguer os pés quando ela está a limpar a casa? O prestativo homem!”. O texto vai mais além, mas é melhor parar por aqui.
Mulherada, é só uma brincadeirinha, hem!

O legado de Itamar Franco

João Júlio da Silva
Itamar Franco talvez tenha sido o mais mineiro dos baianos, pois nasceu em um barco que ia da capital Salvador para o Rio de Janeiro, em 28 de junho de 1930. Mas, o brasileiro que se tornaria presidente do Brasil, Itamar Augusto Cautiero Franco, foi criado na mineira Juiz de Fora.
Devido a seu temperamento e, principalmente, a seu topete muito bem penteado, ele inspirou cartunistas e cronistas por essa sua principal característica física. Muitos até apelavam, faltando com o devido respeito, que merecia. Mas, Itamar bem que dava margem para as gozações, pois era uma pessoa, no mínimo, interessante.
Ele morreu às 10h15 do último dia 2, aos 81 anos, após ter um AVC. O ex-presidente havia contraído uma pneumonia grave durante o tratamento de quimioterapia ao qual era submetido desde o dia 21 de maio, contra uma leucemia. Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, desde o último dia 27 de junho. O ex-presidente, que era divorciado, deixou duas filhas.
Após sua morte, muitos comentaristas e colunistas da mídia ressaltaram a sua importância na história recente do país e sua grande contribuição para a estabilização da economia brasileira. Tardiamente, foi reconhecido como o verdadeiro “pai do real”. Título que foi atribuído a outro sujeito muito bom de bico.
Itamar assumiu a Presidência após o Impeachment de Fernando Collor de Mello de forma interina entre outubro e dezembro de 1992, e em caráter definitivo em 29 de dezembro de 1992. O país passava por momentos difíceis, com recessão, inflação aguda e crônica e o desemprego nas alturas. Os brasileiros estavam descrentes sobre o futuro.
O bom mineiro, do seu jeito, buscou arrumar a situação em que o país se encontrava.
No seu governo foi elaborado o mais bem-sucedido plano de controle inflacionário da Nova República: o Plano Real. Muito criticado à época, o plano acabou se firmando. Naqueles anos, as condições econômicas não ajudavam e o governo posterior também andou tomando medidas errôneas, o que dificultou a fortalecer a economia. O plano foi muito criticado devido a medidas equivocadas do governo que sucedeu ao de Itamar.
Mas, com o tempo, o plano se mostrou eficiente, já que proporcionou o aumento do poder de compra dos brasileiros e o controle da inflação.
E o Fusquinha? Itamar decidiu incentivar a venda de carros populares no Brasil e, por sua sugestão, a Volkswagen retomou a fabricação do Fusca.
A comercialização do carro não correspondeu às expectativas e o projeto não vingou. Contudo, o “Fusca do Itamar” até hoje é lembrado.
Enquanto lutava para arrumar o país, Itamar também se envolvia em episódios bizarros, como aquele caso do sambódromo do Rio.
No carnaval de 1994, segundo e último ano de seu mandato, o então presidente Itamar foi fotografado no camarote da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, na Sapucaí, ao lado da modelo Lilian Ramos. A surpresa era que a jovem cearense, então com 27 anos, estava sem calcinha.
As fotos da morena só de camiseta ao lado do presidente brasileiro foram publicadas em dezenas de jornais e revistas no país e do mundo. Apesar do discurso de escândalo adotado pela oposição, o episódio acabou rendendo uma série inesgotável de comentários bem humorados sobre o caso. Como foi comentado!
O então presidente bem que tentou explicar o seu mal sucedido encontro com a modelo seminua: “Como vou fazer para saber se as pessoas estão de calcinha preta, verde, vermelha ou sem calcinha? Ninguém avisou. E se avisasse, o que eu ia fazer? Emprestar uma calcinha? Eu não tinha”. Esse era o Itamar. Como não rir.
Se já era alvo de gozações, principalmente, por causa do seu imponente topete e do Fusquinha, a partir do episódio da sem-calcinha, Itamar passou a ser um prato cheio para os humoristas.
Com a sua morte, muitos reconheceram, tardiamente, o verdadeiro valor de Itamar Franco para o país. Sem o governo do ’pai do real’, embora diminuto, não passariam pelo Planalto nem FHC, Lula e muito menos Dilma Rousseff.

Nas garras da rede virtual

João Júlio da Silva
Caiu na rede é peixe, dizem. Então é preciso muito cuidado para não morrer pela própria boca, mesmo que inocente. Antes de prosseguir, vou relembrar um trecho do que disse aqui em maio.
“O mundo está muito estranho e, junto, o Brasil também anda muito esquisito. Diante desse quadro é preciso muito cuidado com as palavras. Qualquer monossílabo mal colocado gera uma polêmica danada. Um mísero vocábulo pode provocar mil acusações disso, daquilo e mais aquilo. Certas coisas já não podem ser ditas claramente, mas com uma certa divagação. Um mínimo deslize e o mundo vem abaixo. Há uma cobrança no ar de que se faz necessário ser politicamente correto o tempo todo. Um policiamento diuturno está à espreita. Com a expansão da internet, os ataques chegam a ser grosseiros e até violentos. A realidade virtual banaliza a escrita. A época atual está muito chata. Mas, é preciso seguir adiante. Vivemos numa democracia e o direito da livre expressão deve ser sempre respeitado.”
Mas o direito de livre expressão parece valer apenas para quem ataca alguém que escreveu algo que não vai de encontro ao reivindicador.
No próximo ano vou completar quinze anos de coluna, de “Entrelinhas a Papo de Domingo”, e nesse período já recebi diversas críticas e elogios. Mais críticas, lógico. Mas, depois da expansão da internet houve uma mudança na forma das críticas.
No mundo virtual vale tudo, inclusive apelar para ameaças. A rede social parece esconder a verdadeira identidade de quem ataca com tanta violência. Essa gente abusa da condição de permanecer no seu canto mirando os seus alvos.
Não faz muito tempo recebi uma avalanche de mensagens me atacando a torto e direito, quase todas bem parecidas, enviadas até do exterior. Essa gente é bem unida, como se fosse uma irmandade virtual. Fui xingado de várias maneiras. Tentaram me intimidar por algo que nem defendi nem defendo em hipótese alguma, pois respeito a liberdade de expressão de todos.
Mas liberdade de expressão não pode ser um aval para ataques pessoais contra quem quer que seja.
As vezes quem faz uma crítica áspera pode ser uma mesma pessoa que faz elogios ao nosso redor. Quanto insulto!
Dia desses ouvi um radialista da capital paulista dizer que não escreveria mais na internet devido aos inúmeros comentários desaforados que andou recebendo. Ele estava inconformado com tamanha falta de respeito e de educação.
Pois nesta semana foi a vez do compositor Chico Buarque sentir na pele o que anda rolando na rede social.
Chico estreou na internet para divulgar seu novo disco e ficou assustado com o que viu, mas, como ele é o Chico, tirou de letra e ainda deu boas gargalhadas.
Ele descobriu que não é mais uma unanimidade nacional. No vídeo que seu site colocou no ar, Chico revela seu espanto diante dos comentários deixados por lá: “O artista acha que é muito amado. As pessoas dão ‘bom dia ’ na rua, aplaudem seu show… Aí, ele vai para a internet e descobre que é odiado. Eu nunca tinha entrado nisso. Na primeira vez que fui, fiquei espantado. Li coisas como ‘Esse velho… O que o álcool não faz com uma pessoa?’, o que é uma injustiça, eu nem bebo mais. Eles têm uma raiva… Se morrer, é pior. Vão escrever ‘já vai tarde’.”
É Chico, você ainda vai ver muita coisa! Chega a ser absurdo o nível de raiva dos comentários em blogs e sites.
Mas, vale a música. Em 20 de julho Chico Buarque vai lançar seu próximo álbum, intitulado “Chico”. Para dar uma palhinha ao público com o novo trabalho, ele colocou na internet uma série de vídeos chamada Bastidores.
Na sexta-feira, em um dos vídeos, chamado “Comentários na internet”, Chico contou com bom humor sobre como foi ler pela primeira vez os comentários sobre ele que existem na web. “Hoje em dia com essa coisa de internet as pessoas falam o que vem na cabeça. Eu fiquei espantado. Porque o artista geralmente acha que é muito amado. Na internet ele é odiado, das piores coisas”, disse ele aos risos.
Muitas vezes, o riso é mesmo o melhor remédio.

A leveza de um certo topete

João Júlio da Silva
Dizem que quem passou por este mundo e não cometeu uma certa loucura, não experimentou o que de mais extraordinário a vida nos reserva, o prazer destinado àqueles que ousam, a leveza de uma liberdade que paira sobre as agruras dos dias.
Maluquice? Não, apenas a sensação de poder levar a vida de uma maneira mais descontraída e, por isso mesmo, mais feliz. Muitas vezes, estão nos pequeno gestos a grandiosidade de ser livre. Como é bom fazer o que vem na telha, sem ter que dar satisfação a ninguém. Não, nada de ultrapassar os limites da sanidade mental, mas tudo numa boa, com a perfeita consciência de se sentir livre para voar além dos passos arrastados de uma rotina que escraviza, com o peso do mundo às costas.
Calma! Não estou me referindo à liberdade de se sair por aí leve e solto como uma requebrante libélula tricolorida, embora eu tenha colegas que sejam assim, respeito essa liberdade, afinal, cada um sabe qual é a sua parada (e hoje tem na Paulista –é como digo, toda pessoa tem o livre-arbítrio para ver o arco-íris que lhe convém e ser responsável pelo que vislumbra), mas, falo de uma outra liberdade, aquela que realmente nos liberta da escravidão de uma vida medíocre. E que liberdade é essa? É algo bem intenso e até parece fazer parte da composição do nosso ser, mas que está escondido, quase imperceptível, aguardando o momento de se libertar.
Mas, onde quero chegar com este papo tão solto, talvez sem eira nem beira? Ora, sei lá, é a liberdade!
Por falar em liberdade, como é lindo ver o futebol leve e solto do time do Santos, agora tricampeão da Libertadores da América. A leveza de Neymar e Ganso não é para todos, é preciso talento para voar com tanta liberdade em campo.
Pois é, e foi por causa do Santos que acabei passando por uma situação um tanto quanto inusitada após a conquista do tricampeonato continental. Lá pelo meio do campeonato, brinquei com os companheiros de trabalho que se o Santos conquistasse a Libertadores, eu cortaria o meu cabelo como o de Neymar, ou seja, um corte tipo moicano. Ah, pra quê! O que parecia uma simples brincadeira virou coisa séria. Ai de mim se não cumprisse, fui “ameaçado” até de ter que vestir a camisa de um time adversário. Jamais cometeria uma insanidade dessa! De nada adiantou o meu argumento de que tudo não passou de uma brincadeirinha. Enfim, chegou a grande final e o Santos faturou o campeonato. Comemorei o grande feito. Mas, e o cabelo?
Como não cumprir a promessa, logo eu que critico tanto os políticos por não cumprirem suas promessas. Eu não poderia ser como eles, mesmo sendo uma brincadeira.
E nem poderia ser como aquele vascaíno que prometeu tatuar o símbolo do seu time nas nádegas e acabou recuando após ganhar um torneio. Promessa estranha. Eu, hem!
Então fui ao salão e pedi o corte tipo moicano. Contei o meu drama e a cabeleireira e sua filha cairam na risada. Como meu cabelo não estava muito cumprido, o topete ficou meia-boca, mas lembrou o corte de Neymar. Ridículooooo! Antes de sair do salão, combinei com ela que no dia seguinte voltaria para raspar o topete e assim foi feito.
Ma, quando cheguei ao trabalho com aquele cabelo estranho, apesar do topete não ter ficado grande coisa, e olha que passei gel e tudo, quase todos riram, mas elogiaram o cumprimento da promessa. Um ato tanto quanto fora do normal, afinal não sou mais nenhum molecote como o Neymar. Valeu pela descontração.
Agora o Santos vai disputar o Mundial de Clubes no final do ano e deve jogar contra o temível time do Barcelona. Nossa! Será que ajudaria se eu fizesse mais alguma promessa? Melhor ficar com a boca fechada. Dessa vez a disputa vai ser mais difícil ainda e exige um sacrifício maior. Não pode ser qualquer promessinha, não! Esquece, é recomendável desconsiderar qualquer tentativa. Mas, e se eu ficasse…
Bem, então se o Santos ganhar o Mundial eu prometo que vou subir na mesa e ficar só de…
Brincadeirinha, gente!Melhor deixar pra lá! E viva o Santos, que me deu um grande presente de aniversário este ano!

Bagulho ‘muito bem baseado’

João Júlio da Silva

O mundo e o Brasil vão de um jeito que nada mais me surpreende, principalmente, o que vem do STF (Supremo Tribunal Federal).
A polêmica da vez é a liberação da chamada “marcha da maconha” em qualquer cidade do país. A decisão me trouxe à mente os versos do cancioneiro popular: “Você pode fumar baseado, baseado em que você pode fazer quase tudo…”
Vivemos um tempo em que os valores estão invertidos e que certas categorias de pessoas estão podendo quase tudo, enquanto a sociedade fica calada e não se manifesta.
É bom deixar claro que, como outras drogas, a maconha também tem as sua utilidades, principalmente com fins medicinais. Industrialmente a cannabis sativa é conhecida como cânhamo e é bem útil.
Pois então, o Supremo liberou na quarta-feira a realização da marcha da maconha, evento que reúne, em diversas cidades brasileiras, pessoas favoráveis à legalização da droga. A turma da fumaça está curtindo adoidado. Haja marijuana para as comemorações! Afinal de contas, é preciso fazer a cabeça com a “bomba” alucinante.
Por unanimidade, os ministros decidiram que prevalece a liberdade de expressão e de reunião.
Assim, o que era marcha da maconha agora virou marcha da liberdade de expressão. Fácil resolver um caso polêmico dessa maneira.
Mas, quem estaria por trás de tudo isso, a quem interessa a legalização da marcha da maconha e até quem sabe, em breve, a descriminalização da droga? Ora, ora!
Daqui a pouco, alegando direito à liberdade de expressão e de reunião vão surgir malucos exigindo a legalização de marchas em defesa de sequestro, pedofilia, nazismo, estupro e tantas outras drogas mais.
Em um longo voto, o relator do caso, ministro Celso de Mello, afirmou que a livre expressão e o exercício de reunião “são duas das mais importantes liberdades públicas”. “A polícia não tem o direito de intervir em manifestações pacíficas. Apenas vigia-las para até mesmo garantir sua realização. Longe dos abusos que têm sido impetrados, e os fatos são notórios, a Polícia deve adotar medidas de proteção”, disse.
Em seu parecer, o ministro Marco Aurélio chegou a citar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que defende a descriminalização da maconha. Ao final, o ministro fez uma brincadeira, dizendo que o voto de Celso de Mello foi “muito bem baseado”, provocando risos no plenário do Supremo. Baseado, né?
Como pode uma autoridade fazer piada com um assunto tão sério? E como podem dar risadas de algo que é a maior desgraça da humanidade nos tempos atuais?
Com a decisão do Supremo, os
juízes que proibiam a marcha em defesa da maconha, como ocorreu em algumas capitais nas últimas semanas, porque o ato era considerado apologia às drogas, o que é crime, agora nada podem fazer.
Como já disse neste espaço, estão decidindo temas polêmicos sem discussões mais aprofundadas e antes de passarem por um referendo popular. Como pode ser enfiado goela abaixo das pessoas algo que mexe com toda a estrutura da sociedade? Por esse caminho, isso aqui vai acabar virando uma baderna.
A ministra Carmem Lúcia explicou o seu voto favorável assim: “Tenho profundo gosto pela praça porque a praça nos foi negada durante muito tempo”.
Gosto pela praça?
A unanimidade foi lá no Supremo, aqui fora a história é outra.
“Sou contra a marcha, para mim ela é uma forma de incentivar o vício, e o vício leva a pessoa ao crime, à desagregação da família”, disse o jurista Ives Gandra Martins.
Na sexta-feira, o presidente da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), Raymundo Damasceno, defendeu que a parte da sociedade que é contra o uso de drogas se mobilize e promova “marchas contra a maconha”.
“A sociedade tem de acordar contra o que se passa na vida pública”, disse.
Se ninguém se mover, onde tudo isso vai parar? Uma verdade que encontrei diz mais ou menos assim: “a pessoa que entra no consumo da droga, ela perde o poder de decidir, quem decide é a droga.”

Entre belas e feras, viva o amor

João Júlio da Silva
Nesta data exageradamente comercial em que se celebra o amor, eu poderia divagar apenas por emoções amorosas, mas fatos importantes ocorreram na última semana e não há como ignorá-los.
Pois então, como já era previsto, depois de 23 dias de crise e forte pressão para que deixasse o cargo, o ministro Antonio Palocci (Casa Civil) entregou na terça-feira carta à presidente Dilma Rousseff solicitando o seu afastamento do governo, depois de denúncias de que multiplicou o seu patrimônio por 20 entre os anos de 2006 e 2010. Sua saída do ministério não deve significar o fim das investigações.
Elevando a cota de mulheres em seu governo, a presidente Dilma escalou a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), 45 anos, para ser a substituta de Palocci na Casa Civil. Ela é mulher do ministro Paulo Bernardo (Comunicações).
Outro fato de destaque ocorreu na quarta-feira, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o ex-ativista de esquerda italiano Cesare Battisti não será extraditado ao seu país de origem e foi colocado em liberdade. Ele foi condenado por um tribunal italiano que o considerou culpado pelos assassinatos de quatro pessoas na década de 70 e sua extradição era exigida pela Itália. O julgamento no STF seguiu determinação do ex-presidente Lula que, em seu último dia no cargo, decidiu manter Battisti no Brasil.
O caso é polêmico. Para uns, Battisti é um ex-ativista de esquerda, para outros, ele não passa de um terrorista. Mas, tudo depende da ótica que se vê. Num conflito político ou bélico, os vencedores sempre se acham donos da verdade, e nem sempre é bem assim. Por que não se julgaos crimes de todas as partes envolvidas num determinado embate? Teria a extrema direita italiana da década de 70 as mãos limpas, sem nenhum vestígio de sangue?
Há quem goste de atrair problemas alheios para si. Como o Brasil já tem problemas demais, o ex-presidente Lula bem que poderia ter descartado esse abacaxi. Agora, está instalada uma crise diplomática que era fácil de ser evitada. Fica para Dilma a tarefa de descascar o abacaxi.
Voltemos à Casa Civil. A indicação de Gleisi Hoffmann para o ministério provocou certo frisson por causa de sua beleza. A bela do Planalto! Mas em Brasília há outras beldades, como a deputada federal Manuela D’àvila (PCdoB-RS) e a mulher do vice-presidente Michel Temer, a bela Marcela Tedeschi Temer, 27 anos, ex-miss Campinas e vice-miss São Paulo (2002). Até a ministra da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário (PT-RS), é bem bonitinha. Algum tempo atrás até a senadora Marta Suplicy (PT-SP) estaria na lista. Com aval do senador Eduardo Suplicy, lógico!
Mas, como o que vale mesmo é a competência, agora é aguardar o que a nova ministra Gleisi fará. Que ela não tenha o mesmo poder de multiplicar por 20, em tempo meteórico, o seu patrimônio.
Sendo hoje o Dia dos Namorados, mesmo com todo o comércio envolvido na data, não poderia deixar a poesia de lado, por isso, completo o espaço com versos do poema “Amar”, de Carlos Drummond de Andrade.
“Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar? amar o que o mar traz à praia, o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração expectante, e amar o inóspito, o áspero, um vaso sem flor, um chão de ferro, e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.”
Então é isso, entre belas e feras, viva o amor!

Uivos de um lobo burguês

João Júlio da Silva

Não foi nada construtiva a participação do cantor Lobão num “festival” de literatura, onde manifestou a sua saudade pela ditadura militar. Ele demonstrou ali que não sabe absolutamente nada sobre o que ocorreu neste país nos anos de chumbo. O sujeito fez uma comparação entre os torturadores e militantes de esquerda e criticou o excesso de vitimização na esquerda brasileira. Ele debochou da história e mostrou ser de extrema direita. Um perigo isso!
Lobão afirmou que há “um excesso de vitimização na cultura brasileira… Essa tendência esquerdista vem da época da ditadura. Hoje, dão indenização para quem sequestrou embaixadores e crucificam os torturadores que arrancaram umas unhazinhas”.
Saberia ele sobre os horrores que ocorriam nos porões da ditadura? O que sentiria se suas “unhazinhas” fossem arrancadas? “A gente tinha que repensar a ditadura militar”, disse em sua avalanche de bravatas. “As pessoas queriam botar uma Cuba no Brasil, ia ser uma merda pra gente. Enquanto os militares foram lá e defenderam nossa soberania “, disse o destemido literato.
Essa não é a primeira vez que ele faz elogios à ditadura. Em julho de 2007 declarou: “Que saudade da ditadura!”
O cantor foi ao evento “literário” fazer marketing do livro “50 Anos a Mil”, uma autobiografia de sua bela vida.
Não bastasse ter dito tantas baboseiras a respeito da ditadura militar e da esquerda brasileira, o cantor também atacou músicos e compositores brasileiros. Para ele, João Gilberto “virou um ser sagrado e nós temos que destronar tudo o que é sagrado”. Atacou também Chico Buarque e ainda afirmou que “a MPB é de uma mediocridade galopante”. Medíocre é ele com sua musiquinha insignificante.
Lobão não apenas mostrou desconhecer a história como faltou com o respeito com compositores qualificados, o que ele não é, e falou um pouco do que foi escrito em sua grande obra. Ele disse no evento que quebrou um violão na cabeça do seu pai e que sentiu prazer nisso e que não se arrepende do que fez. Segundo ele, seus pais se suicidaram. Disse ainda que é bem distante de seu filho. Ele, que foi preso por porte de drogas nos anos 80, lembrou também do seu relacionamento com traficante e citou ainda uma facção criminosa do Rio.
O cara mostrou não ter nenhum apreço pelas pessoas, pela família, pela democracia, nem com coisa nenhuma. Um ser digno de desprezo.
Pior de tudo, foi aplaudido por uma plateia de baba-ovos que se identificou com a sua ferocidade ‘animal’.
Para mim, Lobão não passa de um cantorzinho sem linha, um burguês cinquentão com chiliques de adolescente desnorteado.
É digno de pena, talvez as drogas tenham danificado os seus neurônios. Estaria ele magoado por não ser “artista subvencionado” pelo poder público? Talvez se fosse, estaria com outro discurso.
Agora o que não dá para entender é porque organizadores de um evento “literário” incluem uma pessoa tão insignificante para uma palestra. Duvido até, que ele tenha escrito uma linha sequer de sua referida “obra”. Seria proposital a sua presença ao evento “literário”? Por que não incluem nesses eventos escritores qualificados como Carlos Heitor Cony e Lygia Fagundes Telles, enquanto há tempo.
Tomara que num próximo evento “literário”, se houver, os organizadores convidem escritores de verdade e interessantes. Lobão não tem nada a ver com um evento “literário”.
Um comentário na internet diz assim: “ Lobão canta mal, fala pior ainda, não está mais correndo atrás do Chapeuzinho Vermelho e nem come mais a vovozinha”.
Um outro diz: “Coitado desse rapaz ! Ele ainda não se deu conta que o tempo dele passou e que não faz mais sucesso nenhum ! Quer arrancar aplausos com um discurso desses! E ainda tem alguns que apoiam. Não conhece a história ou não teve alguém torturado por lutar por um país sem algemas e venda nos olhos”.
Se não fosse a luta daqueles que deram a vida no tempo da ditadura militar, Lobão não teria hoje toda a liberdade para dizer tantas bobagens. Lobão perdeu o bonde da história e sequer sabe o que faz neste mundo.

Já caiu e pode cair de novo

João Júlio da Silva
No meio político os adversários, em muitos casos, até inimigos, são explícitos. Sabedor disso, todo político deveria tomar todo cuidado em seus procedimentos. Mas não é o que geralmente ocorre. Ato tomar determinadas atitudes, o político acaba municiando os seus adversários. Dependendo do deslize, a falta de cautela pode ser fatal para o seu futuro.
O político deveria, como regra básica, ser muito criterioso no lidar com o dinheiro público, alheio e até o particular. Com raríssimas exceções, a maioria adota na vida pública o que faz na privada. Sem pestanejar, eles locupretam sem nenhum pudor.
No findar de 2010, no dia 05 de dezembro, escrevi neste espaço o texto intitulado “Caiu, mas vai retomar o poder”, tendo como foco o então deputado federal Antonio Palocci Filho (PT-SP). Vou recordar parte daquela coluna.
“Enquanto o Rio de Janeiro sofria com a onda de ataques de traficantes de drogas, que barbarizavam até que veio a reação policial e até blindados das Forças Armadas subindo os morros, nos bastidores da transição do governo federal para a presidente eleita Dilma Rousseff as negociações para a formação do novo ministério seguiam adiante.
Mas, devido ao atrativo do Rio, pouca gente deu a devida importância para o convite feito por Dilma, no último dia 24 (de novembro), para o deputado Antonio Palocci Filho (PT-SP) ser o novo ministro da Casa Civil…
Ele foi ministro da Fazenda no primeiro mandato do governo Lula e foi obrigado a renunciar na ocasião após escândalo, mas vai voltar ao poder…
Como se sabe, tem gente que gosta de viver perigosamente. Parece ser o caso da presidente eleita.
Pois a confirmação de Palocci no governo vai dar munição para os que perderam as últimas eleições nas urnas e seus porta-vozes. Vão atiçar os fantasmas nos armários. Será que ele se manterá no cargo? Difícil de prever.
Palocci foi um dos principais coordenadores da campanha que levou Dilma a vencer as eleições e sua volta ao poder é como se fosse a sua redenção, ele que foi um dos homens mais poderosos no primeiro mandato de Lula.
Na Casa Civil ele terá muita influência, pois na pasta vai exercer um papel de coordenação geral de todo o gabinete presidencial e controle de todos os grandes planos do próximo governo.
Palocci foi ministro da Fazenda entre 1º de janeiro de 2003 e 27 de março de 2006, quando renunciou após se envolver em um escândalo de corrupção, pelo qual foi julgado e, posteriormente, declarado inocente…
Competente ele já mostrou que é, mas cometeu deslize quando estava no governo.
Enquanto esteve na Fazenda, ele soube manter a inflação sob controle e estabilizar a economia. Ele ainda estava no cargo, quando o país saldou todas suas dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e com o Clube de Paris.
Mas, a sua postura de administrador responsável que recebeu muitos elogios, inclusive no exterior, acabou manchada com as acusações de que teria recebido comissões de empresas de coleta de lixo quando era prefeito de Ribeirão Preto.
E sua situação piorou quando o caseiro Francenildo dos Santos Costa, que trabalhava em uma mansão, disse que Palocci frequentava festas com prostitutas e empresários que tinham negócios suspeitos com o governo.
O caldo azedou mesmo quando foi vazada a informação de que a Caixa Econômica Federal entregou a uma revista extratos bancários do caseiro que revelavam depósitos de cerca de R$ 40 mil em sua conta. Na ocasião, o governo sustentou que o caseiro havia sido “comprado” pela oposição para acusar Palocci. O então ministro foi acusado pela quebra do sigilo bancário de Francenildo, o que obrigou o ministro a renunciar…”
Então, como já caiu uma vez, pode cair de novo. Não saberia Dilma ao coloca-lo no ministério que isso seria possível? Mas, Palocci pode se salvar caso explique muito bem o aumento de seu patrimônio em 20 vezes em quatro anos. Mesmo que consiga, não terá mais sossego. Seria melhor para todos se deixasse o cargo.

‘Os livro’ no ensino público

João Júlio da Silva

Não é segredo para ninguém que o ensino público brasileiro é de péssima qualidade. E pode piorar ainda mais, pois agora será permitido ensinar a falar errado.
Um livro didático para jovens e adultos distribuído pelo Ministério da Educação a 484.195 alunos de 4.236 escolas do país criou a polêmica sobre como registrar as diferenças entre o discurso oral e o escrito, entrando em cena até uma forma de preconceito.
Um capítulo do livro “Por uma Vida Melhor”, da coleção “Viver, aprender”, da ONG Ação Educativa, diz que, na variedade linguística popular, pode-se dizer “Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado”.
Em sua página 15, o texto diz: “Você pode estar se perguntando: ‘Mas eu posso falar os livro?’. Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico”. Preconceito linguístico? Agora, tudo é preconceito neste país!.
Segundo o MEC, o livro está em acordo com os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) –normas a serem seguidas por todas as escolas e livros didáticos.
“A escola precisa livrar-se de alguns mitos: o de que existe uma única forma ‘certa’ de falar, a que parece com a escrita; e o de que a escrita é o espelho da fala”, afirma o texto dos PCNs.
“Essas duas crenças produziram uma prática de mutilação cultural que, além de desvalorizar a forma de falar do aluno, denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde inteiramente a nenhum de seus dialetos”, continua.
Para os autores do livro, o modo errado de falar é válido, tipo “nós pega o peixe” ou “os menino pega o peixe”. Se faltava mais algum sinal para o final dos tempos, agora não existe mais. Isso é uma aberração sem limites.
Sei muito bem que a língua é viva e sofre modificações com o tempo, mas admitir erros grotescos já é ir longe demais. As mudanças devem ser sempre para melhor e não o contrário.
O linguista Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, critica os PCNs.
“Há uma confusão entre o que se espera da pesquisa de um cientista e a tarefa de um professor. Se o professor diz que o aluno pode continuar falando ‘nós vai’ porque isso não está errado, então esse é o pior tipo de pedagogia, a da mesmice cultural”, diz.
“Se um indivíduo vai para a escola, é porque busca ascensão social. E isso demanda da escola que lhe ensine novas formas de pensar, agir e falar”, continua Bechara.
Pelo jeito, liberou geral, mas vindo do MEC tudo é possível. Pois em página que dá acesso à coleção de livros Explorando o Ensino, voltada para professores da educação básica, o portal do MEC na internet grafou no mês passado o nome da disciplina “lingua portuguêsa” sem acento agudo em “língua” e com um acento inexistente em “portuguesa”. Depois o MEC acabou corrigindo a barbaridade. Onde vamos parar?
A palavra “portuguesa” perdeu o acento circunflexo no acordo ortográfico que entrou em vigor em 18 de dezembro de 1971. A reforma não deve ter chegado ainda ao MEC.
Não foi a primeira vez que documentos do ministério apresentaram erros assim. Até “extrangeiros” já apareceu.
Não bastassem ensinar mal, agora querem ensinar errado. Do jeito que a coisa vai, podem até adotar o mesmo critério para a disciplina de matemática, onde um “pobrema” qualquer pode afirmar, com toda a lógica, que dois mais dois são cinco e não se discute. Se alguém discordar, estará cometendo “preconceito matemático”. Ora, pois! Por este caminho, o MEC só faz aumentar ainda mais a distância que separa alunos da rede pública de ensino dos que estudam em escolas particulares.
O pior é que há muitos que defendem tal barbaridade, alegando que o importante é se comunicar. Essa gente esquece que é preciso sim aprender corretamente a língua do país. E o MEC deveria ser o primeiro a defender o nosso idioma.
E nunca é demais lembrar o poeta português Fernando Pessoa, que disse com todo brilhantismo:“A minha pátria é a língua portuguesa…a palavra é completa vista e ouvida”.

Vida de cada um e de todos

João Júlio da Silva
O mundo está muito estranho e, junto, o Brasil também anda muito esquisito. Diante desse quadro é preciso muito cuidado com as palavras. Qualquer monossílabo mal colocado gera uma polêmica danada. Um mísero vocábulo pode provocar mil acusações disso, daquilo e mais aquilo. Certas coisas já não podem ser ditas claramente, mas com uma certa divagação. Um mínimo deslize e o mundo vem abaixo. Há uma cobrança no ar de que se faz necessário ser politicamente correto o tempo todo. Um policiamento diuturno está à espreita.
Com a expansão da internet, os ataques chegam a ser grosseiros e até violentos. A realidade virtual banaliza a escrita. A época atual está muito chata. Mas, é preciso seguir adiante.
Vivemos numa democracia e o direito da livre expressão deve ser sempre respeitado. Sim, eu disse democracia, apesar de estarmos rodeados de pequenas e médias ditaduras.
Na sociedade em que vivemos, certas categorias de pessoas querem ser mais iguais perante a lei do que os demais cidadãos. Do jeito que está a parada, logo cada grupo vai querer fazer valer a sua própria lei para garantir os seus comportamentos peculiares.
Por esse caminho, vai ficar complicado viver em sociedade, pois uma lei para todos já não serve, criam leis particulares de todo tipo e gosto. Se uma lei para todos não vale, cada categoria vai fazer valer a sua lei, ou seja, quem for contra está desrespeitando a lei do outro. E é nesse clima que têm germinado e criado vida certas ditaduras que nos cercam. Ninguém pode ser contra nada, tem que dizer “sim” sempre, concordar e aprovar as posturas. Ora, ora!
As pessoas são diferentes, mas a lei deve valer para todas elas. Todos os cidadãos merecem respeito, mas as suas diferenças não devem ser motivo para se impor leis particulares.
Cada pessoa tem o livre-arbítrio para fazer da vida particular o que bem entender, isso é uma questão pessoal e cada um é responsável pelo que faz dela, mas perante a lei máxima do país é preciso obediência.
O que cada pessoa faz da vida diz respeito a ela, outra não tem nada com isso, é preciso respeitar a decisão dela, o que não implica em concordar com o que ela faz.
Se determinada pessoa quer rasgar dinheiro, queimar o cofrinho, trepar no coqueiro e chupar coco com casca e tudo, isso é opção dela e deve ser respeitada, o que não significa que todos devem concordar com o que ela faz. Se algum colega rasga dinheiro, queima o cofrinho ou trepa no coqueiro e chupa coco é problema dele, se sente prazer no que faz, se sua posição lhe agrada, quem sou eu para dizer o contrário! Cada um na sua. Mas ele não deve impor às demais pessoas a aprovação de sua posição. Como ser humano, deve ser respeitado sempre. Se cada grupo de pessoas que tem os mesmos gostos exigir uma legislação própria, isso aqui vira uma terra sem lei, onde cada categoria de pessoas vai se achar no direito de fazer o que bem entender. Seria sadia uma sociedade assim?
Estão decidindo temas polêmicos sem discussões mais aprofundadas e antes de passarem por um referendo popular. Como pode ser enfiado goela abaixo das pessoas algo que mexe com toda a estrutura da sociedade? Vai acabar virando uma baderna.
E certos grupos estão exigindo e podendo tudo. Grande parte do apoio que recebem é por medo. Querem até enquadrar como criminoso quem for contra a posição deles.
Vale o que eles querem e não a lei máxima do país. E a Justiça colabora para isso, achando brechas na própria lei para atender a interesses de grupos. Pressionadas, as autoridades, temerosas, aprovam por unanimidade qualquer exigência de certas categorias. Qual teria peito de ir contra algo que daria grande repercussão? Estão acuadas e dizem sim a tudo para evitar qualquer tipo de desgaste.
E o Poder Judiciário pode assumir atribuições do Poder Legislativo e do Poder Executivo? Pelo jeito… Será que o direito de liberdade de expressão já não permite dizer “não”, apenas “sim” para tudo e todos? Seria destoante o “não” numa democracia? Como cidadão livre, eu tenho o direito de dizer “sim” e também “não”.

Obama ressuscita Osama

João Júlio da Silva
Quando já não se falava mais no líder da rede terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou ao mundo que o inimigo número um dos norte-americanos foi morto numa operação militar no Paquistão.
Obama ressaltou que finalmente havia sido feito justiça e que o mundo estava mais seguro pela morte do terrorista. Mas, o que realmente houve foi vingança e o mundo, ao contrário do que disse, está muito mais perigoso agora.
O ataque ao local onde estava o mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001 levantou muitos questionamentos, principalmente, a respeito do fim dado ao corpo do terrorista, que foi atirado ao mar. O fato acabou se transformando numa avalanche de teorias da conspiração. Teria sido queima de arquivo?
Durante a semana se falou de tudo a respeito, desde algo convincente até absurdos risíveis. Na internet pode se encontrar uma infinidade de material sobre o episódio.
O que ficou bem nítido em tudo isso foi a capacidade que Obama teve de ressuscitar um camarada que já não era mais nem lembrado e nem tinha tanto poder assim nos últimos anos. A operação que culminou com a morte de Bin Laden acabou por ressuscitar um fantasma do terrorismo mundial.
Agora, as consequências bestiais ao mundo! Aquelas comemorações festivas pelas ruas dos EUA pela morte do terrorista pode custar a vida de muitas pessoas inocentes.
A popularidade de Obama, que estava lá embaixo por causa da crise econômica do seu país, disparou com a morte de Bin Laden e no próximo ano o presidente poderá conquistar mais um mandato.
Eles são capazes de tudo pelo poder, o cidadão comum que se lasque!
Obama está colocando as manguinhas de fora e se mostrando um líder mundial como o seu antecessor, George W. Bush, o caubói texano que fez da guerra contra o terrorismo um derramar de sangue por países árabes como Afeganistão e Iraque, onde a situação de conflito está bem longe de ser resolvida.
A morte de Bin Laden acabou dando vida ao fantasma do 11 de Setembro. Nesta sexta-feira, a Al-Qaeda confirmou a morte de seu líder e ameaçou retaliações por isso.
A rede terrorista prometeu realizar ataques de vingança contra os Estados Unidos pela morte de seu guru.
Já Obama, respondeu no mesmo dia afirmando que “a cabeça da Al-Qaeda foi cortada” e que confia no fim da rede.
Não é bem isso o que afirmam os extremistas islâmicos. A Al-Qaeda ameaça agora transformar “a alegria (dos norte-americanos) em tristeza”, com novos ataques para retaliar os EUA. “Nós ressaltamos que o sangue do guerreiro sagrado, xeque Osama bin Laden, Deus o abençoe, é precioso para nós e para todos os muçulmanos e não será derramado em vão”, afirma o comunicado da rede. “Nós continuaremos, se Deus quiser, com uma maldição contra os americanos e seus agentes, perseguindo-os fora e dentro de seus países.” Deus?
Anteontem no Paquistão, onde Bin Laden foi morto, manifestantes prestaram homenagem ao terrorista e protestaram contra os EUA por sua morte. “Os serviços de Osama pelos muçulmanos serão lembrados para sempre”, afirmou Abdul Qadir Looni, membro do grupo Jamiat-Ulema-e-Islam (JUI), no protesto. “Ele desafiou o grande Satã e usurpador como a América e despertou muçulmanos pelo globo. Essa manifestação o homenageia”, afirmou.
Hafiz Fazal Bareach, um ex-senador e líder partidário, disse que a morte de Bin Laden criará milhares de outros como ele. “Um foi martirizado e agora milhares de Osamas nascerão, porque ele criou um movimento contra forças antimuçulmanas que não depende de personalidades”, afirmou.
Pelo que foi exposto, o fantasma está mais vivo do que nunca, mesmo depois de ter sido executado.
Agora é aguardar para se saber onde explodirá o próximo homem-bomba.
Volto a repetir o que disse na ocasião dos atentados de 11 de Setembro: na base da vingança do olho por olho e dente por dente, ficaremos todos cegos e banguelas.

No reino da Cornuália

João Júlio da Silva
Com certeza não foi Camilla Parker-Bowles, duquesa da Cornuália, o destaque do casamento real do príncipe William e Kate Middleton, agora duque e duquesa de Cambridge. A mulher do príncipe Charles, que tomou o lugar da princesa Diana, ficou na sombra durante a cerimônia real.
Quem teria sido o grande destaque? Segundo os entendidos, foi a plebeia Kate com a sua simplicidade, que demonstrou inclusive, em seu vestido de noiva, considerado bem simplesinho.
Como não entendo nada de cerimonial nenhum, considero estar por fora do babado. Nem queria assistir ao considerado “casamento do século”, mas por força da profissão acabei acompanhado o evento. Até achei a noiva simpática, mas o que me chamou a atenção mesmo foi o cantor Elton John e seu companheiro David Furnish cantando no coral da Abadia de Westminster, em Londres, fazendo biquinho e tudo. Sim, ele era amigo da mãe de William e cantou também em seu funeral. Sua posição na abadia agradou a muitos.
Ouvi muita gente criticando o destaque dado ao tal casamento. Onde já se viu dar tanta ênfase para um negócio da Idade Média, ultrapassado e que não passa de um conto de fadas? Eu concordo com tudo isso, mas, quer saber, depois que assisti ao cerimonial eu senti uma certa leveza, apesar de estar consciente de que a realidade é bem diferente daquela magia mostrada para todos os cantos do mundo.
A própria Inglaterra passa por uma crise econômica e os britânicos vivem dias de aperto financeiro. Mas, mesmo assim eles saíram às ruas para saudar o novo casal real.
A explicação para isso é que o noticiário cotidiano está tão repleto de fatos negativos que quando ocorre algo que foge da realidade, acaba anestesiando as pessoas, que adoram uma ficção.
Nos programas de televisão o casamento foi explorado à exaustão, como sempre ocorre nesses momentos de grandes acontecimentos. Em ocasiões assim surgem especialistas de tudo, parecem sair de algum universo paralelo e passam a povoar a telinha. Poxa, como existem especialistas por aí! Numa mesa redonda para discutir o casório, tinha especialistas de design de unhas, brincos e tudo mais.
Mas quem deve ter gostado um bocado do casamento real foram aquelas pessoas que escaparam das manchetes dos jornais na última semana.
Onde foi parar a crise interna do PSDB em São Paulo? Ficou bem escondidinha. E o destaque para a anistia do PT ao ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares, acusado no caso do mensalão?
E a grosseria do senador Roberto Requião (PMDB-PR) com um jornalista em Brasília, que arrancou o seu gravador após ter ficado irritado com uma pergunta sobre a aposentadoria que recebe como ex-governador do Paraná?
Com diversas críticas à imprensa, Requião disse que ficou com o aparelho para evitar que sua entrevista fosse editada de forma a “desmoralizar um parlamentar sério”.
Segundo o senador, o repórter tentou lhe aplicar uma “armadilha” com “perguntas encomendadas”, numa atitude de “bullying” que marca parte da imprensa brasileira.
“Temos que acabar com o abuso, o bullying que sofremos nas mãos de uma imprensa às vezes provocadora e muitas vezes irresponsável”, disse.
O bullying é algo muito sério e deve ser bem discutido, mas, alto lá. Que coisa, agora tudo é bullying! Dias desses, um assassino confesso disse que matou duas pessoas porque sofreu bullying. Um outro marginal alegou o mesmo ao tentar explicar porque tomou o caminho da criminalidade.
E para o cúmulo disso tudo, agora vem o senhor Requião com essa desculpa .
Também nessa semana o Senado elegeu com três meses de atraso, os novos integrantes do Conselho de Ética.
E quem tomou assento? Entre os novos membros do conselho, está o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que respondeu a cinco processos por quebra de decoro parlamentar no colegiado em 2007.
Mas, como era semana de casamento real, nem todos ficaram sabendo desses pequenos detalhes tão importantes do noticiário.
Ora, ora!

Sacrifício e salvação na Páscoa

João Júlio da Silva
Mais do que nunca, o mundo está muito preso à religiosidade e distante de Deus. Ter uma religião e se dizer espiritualista não significa que a pessoa realmente esteja caminhando com Deus. E nestes dias em que o clima de religiosidade está no ar , onde tem havido uma inversão de valores sem precedentes, numa data como a de hoje há uma oportunidade abençoada para a celebração da vida.
O que direi adiante é uma questão de fé cristã em Deus. Relembro, porém, que e as pessoas têm o livre arbítrio para crer em quem e no que quer que seja ou não crer em nada.
Como já disse em outras ocasiões, o domingo de Páscoa é muito mais significativo do que possa pretender qualquer filosofia ou religião humana. Páscoa é festa de Deus e não tem nada a ver com coelhinho e ovos de chocolate, por mais meiga e doce que seja a comemoração mundana.
A Páscoa é uma festa estabelecida por Deus e está muito bem explicada na Bíblia, no livro de Êxodo, capítulo 12. Trata-se da comemoração da libertação do povo hebreu da escravidão do Egito. A celebração tem origem judaica, mas é também cristã.
Jesus Cristo, que segundo a sua palavra é a pedra angular da fé cristã, cumpriu o que o Pai havia estabelecido e comemorou também a Páscoa.
A Páscoa relembra a libertação judaica do jugo egípcio, é a passagem de um tempo tenebroso de escravidão para a vida livre rumo à terra da promessa de Deus.
Com a vinda do Messias, a sua Ressurreição trouxe a libertação dos homens do jugo do pecado, é a passagem de um tempo obscuro para uma vida radiante, proporcionada pela graça de Deus através da fé no único e suficiente Salvador de cada um de nós, o seu filho amado Jesus Cristo, que foi açoitado e morto na cruz para a nossa redenção, para que todo aquele que nele crê se arrependa dos seus pecados e tenha a vida eterna, pois o Senhor já venceu a morte por nós. Como já disse, isso é questão de fé, que a pessoa pode ter ou não. Todo mundo é livre para escolher o caminho que queira trilhar neste mundo.
O sacrifício que nos faz filhos de Deus está na cruz de Cristo, que ressuscitou e vivo está. Jesus é sacrifício e salvação na Páscoa. Esta maravilhosa graça de Deus não depende de obras, sacrifícios, promessas ou penitências de qualquer bem intencionado pecador, pois Cristo já pagou um alto preço dando a sua própria vida por nós, e por isso mesmo Ele é a verdade, o caminho e a vida, e quem nele crê está liberto e já passou da morte para a vida. E fé é graça de Deus, para que ninguém se vanglorie de tão grande salvação.
O drama da paixão e morte na cruz se transforma em luz para a humanidade através da ressurreição daquele que haveria de vir, conforme as profecias, para ser o Redentor e Salvador da humanidade.
Quem sou para falar de algo tão santo? Sou um pecador e tenho trilhões de defeitos, sou como uma obra cheia de entulhos e poeira por todo lado, assim estou porque Deus ainda não terminou a obra em mim, ma tenho fé. Mesmo imperfeito, busco manifestar a minha crença em Jesus Cristo como único Salvador, não há outro nome capaz de nos levar à vida eterna com Deus.
Assim como sou, sei que Jesus está ao meu lado, em meu barco, e com certeza chegarei até a outra margem do rio. Através da fé, mesmo quando os temporais desabam sobre mim, continuo remando, pois sei muito bem que quem peleja por mim é o único Deus que é digno de receber toda honra e todo louvor. “Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33).
E nesta Páscoa é bom destacar que a Palavra de Deus é fonte de vida e permanece para sempre. E o que diz o Deus da Palavra? “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão” (Luc.21:33).
E que jamais seja esquecida esta grande verdade: “Deus não é homem para que minta” (Núm.23:19).
A Páscoa de Deus é a revelação da verdadeira vida. Eu creio assim. “Que o Deus da esperança os encha de toda alegria e paz, por sua confiança nele, para que vocês transbordem de esperança, pelo poder do Espírito Santo” (Romanos 15:13). Então, feliz Páscoa!

Momento para reflexões

João Júlio da Silva
Neste tempo singular, cinzento e triste por tanta violência e agressividade descomunais, considero oportuno, para mim, uma pausa para que possa sentir os próprios passos. Os dias estão obscuros e o momento é propício para reflexões.
Acredito que o grande problema existencial da humanidade esteja interligado aos conflitos nos relacionamentos. É no tipo de relacionamento que uma pessoa tem com outras pessoas que indica quem ela realmente é e em quem poderá um dia se tornar.
Os conflitos são inevitáveis pois as pessoas são diferentes umas das outras, pois no relacionamento entram em cena fatores intelectuais e emocionais que sofrem influências e revelam a complexidade de cada um. Embora inevitáveis, os conflitos devem ser solucionados de maneira racional, sem intransigência de qualquer parte envolvida. O grande erro é desistir facilmente da busca por uma solução e evitar qualquer tentativa com este propósito. O fundamento para um caminho pacífico está baseado no autoconhecimento e na paciência com o outro. E isso se tornará uma realidade através do amor e do perdão, ingredientes poderosos em qualquer relacionamento.
Eu dou minha mão à palmatória, pois sei que preciso melhorar, e muito, alguns de meus relacionamentos.
O mundo jamais será melhor sem que haja relacionamentos melhores. Para isso, é fundamental que se valorize o relacionamento com os outros. Do contrário, a vida tende a sucumbir no gigantismo da arrogância e do orgulho.
A falta de afeto entre as pessoas é criadouro inesgotável de relacionamentos conturbados e doentios. As dificuldades e desafios da vida provocam desequilíbrio emocional, insanidade mental e insegurança naqueles que sequer sabem o que venha a ser um agrado, um elogio. Pessoas sem um significado na vida se sentem mutilados em seus próprios passos. O vazio existencial é fonte abundante de violência.
Apesar de gerarem loucuras, os conflitos são oportunidades para o aprendizado e para crescermos com eles. Diante dos obstáculos, se faz necessária uma atitude de coragem, um posicionamento para uma nova rota, uma mentalidade aberta que traga mudanças para o bem de todos.
No mundo conturbado em que vivemos é necessário que cada pessoa seja ponte para as demais. Com uma postura assim se torna possível a construção de um mundo melhor.
A degradação do homem está no egoísmo, na sua exclusiva satisfação pessoal em meio a tantos necessitados. Sem um posicionamento de responsabilidade de cada pessoa, fica difícil a luta contra as mazelas ao nosso redor. Os oprimidos não dispõem de recursos para uma mudança de direção. Por isso, a solução para os conflitos, sejam pessoais ou sociais, depende da iniciativa daqueles que podem compartilhar um mínimo que seja de si mesmos e de suas posses.
Mais do que nunca, precisamos de paz. Para isso, se faz necessária a sua semeadura neste mundo hostil. A vida se torna melhor com paz emocional, relacional e comunitária. A verdadeira paz só tem aquele que realmente conhece o seu poder e a deseja de coração.

Em tempo. A coluna do domingo passado acabou gerando polêmica, mas no texto não quis me referir a nenhuma categoria específica de pessoas, nem sequer nomeei alguma e muito menos tive o propósito de atingir quem quer que seja. Para os que se sentiram ofendidos, peço mil desculpas. Mas, reitero que não tive intenção de ofender ninguém.

Resistência.Nesta edição, estou completando 14 anos de resistência, um período de “Entrelinhas” a “Papo de Domingo”. O leitor que vem caminhando comigo sabe bem que por inúmeras vezes defendi as causas dos menos favorecidos e a luta por justiça social neste país. Caso eu chegue aos 15 anos será pelo propósito único de manifestar aqui, de forma bem simplória, a liberdade democrática de expressão. Meus agradecimentos ao leitor que conhece bem o contexto deste caminhar. Seja como for, em qualquer meio, jamais deixarei de lado o direito de me expressar, afinal, a democracia é uma realidade hoje no país.

Absurdo… repugnante…

João Júlio da Silva
Ana Carolina, Bianca, Géssica, Igor, Karine, Larissa, Laryssa, Luiza, Mariana, Milena, Rafael, Samira…
São esses os nomes dos estudantes, entre 12 e 15 anos de idade, que tiveram suas vidas ceifadas brutalmente, de maneira absurda, por um ser repugnante numa escola da cidade do Rio na quinta-feira.
A tragédia mudou a rotina da escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, quando o ex-aluno Wellington Menezes Oliveira, de 23 anos, entrou facilmente na escola e atirou contra crianças que assistiam às primeiras aulas do dia deixando 12 mortos e 12 feridos, antes de cometer suicídio, após ser atingido nas pernas por disparo efetuado por um policial. Se não alvejado, a tragédia seria bem maior, pois o desequilibrado tinha grande quantidade de munição, ele chegou a disparou 66 tiros e recarregar a arma por nove vezes. Segundo as autoridades, dois dos meninos feridos conseguiram sair da escola e pediram ajuda a três policiais que faziam uma blitz na região. Os policiais entraram imediatamente na escola e um deles atirou nas pernas do assassino, quando este subia as escadas em direção ao terceiro andar do prédio.
O massacre causou comoção no Brasil e repercutiu pelo mundo afora. Apesar dos altos índices de assassinatos e violência nunca o país tinha sido palco de uma tragédia desse tipo e nessa proporção. Algo assombroso de causar “repúdio” em qualquer pessoa de um mínimo de bom senso.
Aquela quinta-feira seria trágica. A normalidade da escola foi quebrada pelos disparos do assassino que causaram pânico entre os mais de 400 alunos e também entre os moradores que se aglomeraram em frente ao local em busca de notícias. Muitos pais entraram em estado de choque ao verificarem que seus filhos estavam entre os mortos e feridos, enquanto os bombeiros corriam para levar as vítimas em ambulâncias e helicópteros aos hospitais.
As vítimas são dez meninas e dois meninos, a maioria atingida por tiros na cabeça e no tórax, segundo a Secretaria de Saúde do Rio. O episódio mexeu com todos, pois tamanha brutalidade, comum em solo norte-americano, por aqui nunca havia ocorrido.
Wellington, considerado por conhecidos como uma pessoa introvertida e esquisita, deixou uma carta com instruções sobre seu enterro na qual pede que seu corpo não seja tocado por “impuros” sem usar luvas e mostra fanatismo religioso. Como pode alguém que tira a vida de 12 crianças se achar tão “puro” assim? Sem dúvidas que se trata de um ser anormal. Seria ele o único? Quantos tipos assim não estariam ao nosso redor no dia-a-dia? Olha, está cheio de doidos soltos por aí!
Mais que uma tragédia provocada por um doido, o que ocorreu no Rio é uma somatória de vários fatores, como a inversão de valores da sociedade atual, consumismo exacerbado, o lixo da televisão, o funk carioca (é, isso mesmo), exposição abusiva do corpo, drogas, juventude desnorteada e, principalmente, a falta de Deus na vida das pessoas.
“Não era característica do país ocorrer esse tipo de crime, por isso eu considero que todos aqui, todos nós, homens e mulheres, aqui presentes, estamos unidos no repúdio ao ato de violência, no repúdio a esse tipo de violência sobretudo com crianças indefesas”, disse a presidente Dilma .
O caso que mais se aproxima do massacre do Rio é o do maluco do cinema, Mateus da Costa Meira, ex-estudante de medicina, que abriu fogo com uma submetralhadora no cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo, na noite de 3 de novembro de 1999, matando três pessoas e ferindo outras quatro.
Não há nada mais trágico do que a tragédia em si, mas o sensacionalismo na cobertura televisiva de episódios assim é algo abominável. É melhor nem ligar a TV quando ocorrem casos violentos de grande repercussão, o assunto é explorado à exaustão. Suga-se ao máximo. A tragédia rende muito, a TV busca unicamente garantir a audiência, explorando a miséria humana como se cavasse uma grande mina de ouro. É o “shownalismo” tomando o lugar de um jornalismo sério que deve informar com responsabilidade.

Sim, um homem de grande valor

João Júlio da Silva
Em 16 de agosto de 2009 escrevi sobre um grande guerreiro. Destaquei na ocasião, a garra de um grande homem que lutava contra o câncer há mais de uma década e que já havia passado por diversas cirurgias. ‘Isso não é para qualquer um não, é preciso ter muita energia. Que exemplo de luta e perseverança tem demonstrado o vice-presidente do Brasil, José Alencar’, disse, à época, num texto intitulado ‘Um homem de grande valor’.
Naqueles dias, ele havia recorrido a uma metáfora futebolística para explicar a evolução de sua saúde na luta que travava contra um câncer no abdome. “Nesse momento, o jogo está empatado, mas esse empate já é grande coisa porque a gente vinha apanhando muito no primeiro tempo”, comparou, com bom humor. Com boa disposição, Alencar disse que se sentia muito bem. A sua força era tanta que no dia seguinte mesmo, já voltaria a Brasília para retomar o trabalho. ‘Enquanto tanta gente está por aí desanimada e entregando os pontos, mesmo com saúde, esse homem continua brigando com a doença com uma fé exemplar’. Ele foi um homem ímpar. “Eu sou amansador de burro brabo, vou à luta”, dizia. Alencar disse, na ocasião, que ele estava se preparando para comemorar seu aniversário, no dia 14 de outubro. “Eu nunca fiz uma festa de aniversário na vida. Se fizer agora, é porque esse tratamento está me fazendo renascer, posso vir a ser outra pessoa”, disse Alencar. ‘Que Deus continue abençoando esse homem adoentado, porém vigoroso em sua disposição de continuar vivendo. E que ele possa comemorar o seu aniversário em outubro com bastante alegria, rodeado por seus familiares e amigos’. E Deus concedeu essa graça a ele, pois não apenas comemorou seu aniversários naquele ano como no seguinte também.
Pois então, na terça-feria, José Alencar morreu aos 79 anos em razão de câncer e falência múltipla de órgãos. Ele lutava contra um câncer desde 1997 e passou por 17 cirurgias.
O que mais se ouve nestes dias é sobre a sua luta incansável contra o câncer, que realmente foi um exemplo, mas quase ninguém fala de sua importância política na história recente do país. Empresário bem sucedido, foi Alencar quem avalizou a candidatura do ex-líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. A parceria entre os dois contribuiu e muito para mudar os rumos recentes da política brasileira. Foi ele o responsável pela aproximação do petista com o meio empresarial. Unidos numa mesma chapa, foram eleitos para dois mandatos. Foi uma aliança que fez diferença para a vitória nas eleições de 2002 e depois em 2006. Com outro vice, talvez Lula nem tivesse sido eleito.
Alencar sempre bateu na tecla das mudanças na economia durante os oito anos em que foi o vice Lula, suas críticas contra a alta taxa de juros eram constantes. Mas, nem por isso, deixou de ser fiel ao presidente. O relacionamento entre os dois era mais do que uma aliança política. “Éramos como dois irmãos, pai e filho. A gente funcionava como se fôssemos uma orquestra. A gente brincava. A gente falava sério. O Brasil perde um homem excepcional”, disse Lula.
Alencar poderia ter muito bem alimentado a ambição de derrubar o Lula e assumir a Presidência, mas isso nunca passou por sua cabeça. Se assim pretendesse, com certeza, teria apoio de muita gente por aí, principalmente, de parte da grande mídia. Por tudo isso, que sua perda é sentida. “Ele é uma daquelas pessoas que vai deixar uma marca indelével na vida de cada um de nós”, disse a presidente Dilma Rousseff.
Em meio à tamanha repercussão do falecimento, foi de Lula a melhor definição sobre a morte de José Alencar: “É fácil falar das pessoas depois que morrem, porque todo mundo fica bom depois que morre. Mas o Zé Alencar era bom em vida”, disse.
José Alencar deve ser lembrado não apenas pela luta que travou contra a morte, mas por sua batalha pela vida e pelo que representou na história política recente do país.
“Eu não tenho medo da morte, de forma alguma. O homem tem de ter medo é de perder a honorabilidade, especialmente na vida pública. O homem que não perde a honorabilidade não morre”, disse Alencar.

Lei da Ficha Limpa e os sujos

João Júlio da Silva
Na noite da última quarta-feira, por 6 votos a 5, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que a Lei da Ficha Limpa não vale para as eleições de 2010. A decisão saiu após o ministro Luiz Fux, empossado há cerca de um mês, desempatar a questão.
Mesmo depois de tanta polêmica, a Lei da Ficha Limpa corre riscos de ser ainda mais esvaziada. “A constitucionalidade da lei referente aos seus vários artigos poderá vir a ser questionada futuramente antes das eleições de 2012”, afirmou o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e defensor da lei, Ricardo Lewandowski. Para ele, “a lei vai ser fatiada como um salame”.
“O Supremo não se posicionou sobre a constitucionalidade da lei. Essa constitucionalidade referente aos seus vários artigos poderá vir a ser questionada futuramente antes das eleições de 2012”, disse.
Após anular o efeito da lei sobre as eleições do ano passado, o STF pode se embrenhar em mais um caminho de debate e julgamento. Os próximos julgamentos do STF indicam que dificilmente a lei deve valer integralmente para as eleições municipais do próximo ano. Dizem que todo esse imbróglio pode adiar a entrada da lei em vigor por cerca de uma década.
Diante do impasse sem fim, os fichas sujas estão deitando e rolando de tanto dar risadas, pois nada parece deter seus passos, que seguem firmes na paralela marginal da criminalidade, principalmente o crime de colarinho branco.
A decisão é uma derrota para o TSE, que desde o início defendeu a aplicação imediata da lei e adia a entrada em vigor de uma norma que teve origem numa iniciativa popular, com o apoio de 1,6 milhão de assinaturas. Depois que o STF vetou a validade da lei para as eleições do ano passado, muitos candidatos eleitos se sentiram aliviados, pois poderão assumir os mandatos para os quais estavam barrados pela lei.
Pela decisão, todos eles que tiveram votos suficientes para se elegerem devem tomar posse, entre os quais estão Jader Barbalho (PMDB-PA), João Capiberibe (PSB-AP) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).
Há menos de dois meses no cargo, os senadores Gilvan Borges, (PMDB-AP), Marinor Brito (PSOL-RO) e Wilson Santiago (PMDB-PB) devem perder seus mandatos com a decisão do STF. Eles assumiram as vagas no Senado no lugar de João Capiberibe e Cássio Cunha Lima, condenados antes da aprovação da lei, e de Jader Barbalho (PMDB-RO), que renunciou para escapar de um processo pela quebra do decoro parlamentar.
“Vamos lutar contra todos os corruptos, contra os Jades Barbalhos, os Rorizes, os Paulo Maluf porque eles nada de bom acrescentam ao país”, afirmou Marinor. A senadora se disse “decepcionada” com a decisão.
Luiz Fux chegou a dizer, durante sabatina no Senado, que “a Justiça não pode ficar de costas para a intencionalidade da lei”. Mas, acabou liberando os fichas sujas.
Para a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a decisão do Supremo “frustra a sociedade” que, por meio de lei de iniciativa popular, “apontou um novo caminho para a seleção de candidatos a cargos eletivos fundado no critério da moralidade e da ética, exigindo como requisito de elegibilidade a não condenação judicial por órgão colegiado”. Cássio Cunha Lima, ex-governador da Paraíba, deve assumir mandato de senador. “Louvado seja Deus! Sem palavras para agradecer. Saberei honrar este mandato”, disse. Deus! “Eu nunca imaginei outro desfecho que não fosse este”, declarou Barbalho. Que deve saber bem o que isso quer dizer.
O casal Janete e João Capiberibe, do PSB do Amapá, deve assumir mandatos na Câmara e no Senado, respectivamente. “Lutamos contra tudo e contra todos. Recebemos com muito alegria esse decisão do STF”, afirmou Janete. Ora, ora!
Mas, nem tudo está perdido. “Nós perdemos uma batalha, mas não perdemos a guerra. Eu lamento muito essa decisão”, disse o senador Paulo Paim (PT-RS). “Vamos para uma batalha jurídica. Isso é um retrocesso, uma agressão a um milhão e meio de brasileiros que assinaram a Lei da Ficha Limpa nas eleições passadas”, disse o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). É isso.

Obama para norte-americanos

João Júlio da Silva
A visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao Brasil tem uma intenção bem comercial.Como ele próprio disse ainda em seu país, sua viagem até o Brasil tem um único objetivo: aumentar as exportações norte-americanas e garantir mais empregos para os seus compatriotas. A presidente Dilma Rousseff, diz que o Brasil pretende vender mais para eles.
Obama assinou um artigo no jornal “USA Today” em que deixa bem clara a missão da viagem ao Brasil e outros países latinos: aumentar as exportações e arrumar mais empregos na indústria dos EUA para os norte-americanos.
“Nós precisamos continuar brigando por cada novo emprego, cada nova indústria, cada novo mercado no século 21. Essa é uma das razões para a minha viagem à América Latina nesta semana – reforçar nossa relação econômica com vizinhos que terão um papel crescente no nosso futuro econômico”, escreveu Obama.
Ela deixa bem claro que a sua preocupação é com os problemas dos EUA. Os países do mesmo continente que se danem com as suas mazelas.
Obama diz no artigo que a economia da região cresceu quase 6% no ano passado. “Com o crescimento desses mercados, crescem também as demandas por produtos e serviços – produtos e serviços que eu, como presidente, quero que sejam fabricados nos EUA”, acrescentou. Eu, de minha parte, já estou boicotando produtos norte-americanos, inclusive as Madonnas da vida.
Dilma considera que os EUA precisam olhar o Brasil de forma diferente. A questão é que norte-americano só olha para o próprio umbigo. O continente americano poderia ser uma grande potência mundial se os EUA olhassem os seus países com menos ambição e prepotência e com mais cooperação e humildade. Se agissem assim, não haveria tantas pessoas miseráveis no continente. Mas, o Tio Sam é o que é.
Obama defende apenas os interesses do seu país, mas não é um Bush qualquer.
Ele desembarcou na América Latina num momento em que a imagem dos EUA experimenta uma inédita virada. A proporção de cidadãos para os quais o governo americano trata o seu país “com respeito” subiu, desde sua posse, em 2008, de 38% para 63% . E a ideia de que vão bem as relações dos EUA com os países visitados é partilhada por 83% no Brasil, 91% no Chile e 85% em El Salvador. Foi o que mostrous uma pesquisa divulgada na sexta-feira pelo Instituto Latinobarómetro, de Santiago do Chile, que ouviu 20 mil pessoas em 18 países. O título revela: “Uma Era Obama? Imagem dos EUA na América Latina, 1996-2010”. Por exemplo, os 63% que hoje acham os EUA “respeitosos” incluem 67% no Brasil, 81% no Chile e 43% na Argentina, entre outros.
Mas, dá para levar essa pesquisa a sério. Sei não!
O Latinobarómetro pesquisou também se os latino-americanos têm “uma boa opinião” sobre os Estados Unidos. Deu mais uma vitória de Obama: a boa opinião aumentou de 1996 até agora de 38% para 73%.
No Brasil, segundo a pesquisa, o impacto dessa virada é pequeno – o que se explica porque o prestígio americano já era alto, graças às boas relações entre os presidentes Lula e George Bush. Assim, a melhoria da imagem americana pós-Bush foi de apenas 9 pontos, de 58% em 2008 para 67% agora. Mas a “boa opinião” de brasileiros sobre os EUA subiu bastante, de 58% dos consultados em 2008 para 73%.
No Chile, que Obama também visitará, seu “ganho” chegou a 30 pontos: os cidadãos que acham que os EUA tratam seu país com respeito passaram de 51% para 81%.
O recorde, nessa tabela, ficou com a Colômbia: 36 pontos a mais em dois anos, de 38% para 74%. Seria isso o efeito Obama? Vai saber!
Mas, no discurso que Dilma fez ontem ao receber Obama no Planalto teve um ponto bem interessante. “Os povos de nossos países ergueram as duas maiores democracias das Américas. Ousaram também levar aos seus mais altos postos um afrodescendente e uma mulher, demonstrando que o alicerce da democracia permite o rompimento das maiores barreiras para a construção de sociedades mais generosas e harmônicas”.
Então, viva a ousadia!

Tsunami e as ondas cotidianas

João Júlio da Silva
Toda vez que ocorre algum desastre natural, como aquele na região serrana do Rio de Janeiro no início do ano, quando deslizamentos de terra mataram cerca de 800 pessoas durante as fortes chuvas, ou quando terremotos e tsunamis varrem cidades inteiras em vários países, como agora no Japão, muitas pessoas argumentam que o fim do mundo está próximo.
Nessas horas, os apocalípticos de plantão endossam a suspeita com textos de profecias. Mas é preciso considerar que os abalos sísmicos sempre ocorreram. A questão é que com o avanço da tecnologia nos meios de comunicação o que ocorre numa região remota do Planeta, no mesmo instante o mundo inteiro já fica informado. Sabemos muito bem que outrora não era assim.
Agora, sobre o final dos tempos, não resta dúvida que ele está se aproximando mesmo, mas são vários os fatores que apontam para esse rumo e os desastres naturais em grande número são apenas uma parte deles.
Pois então, na sexta-feira o Japão foi atingido pelo maior terremoto em 140 anos de medições. O abalo de 8,9 de magnitude provocou uma onda de dez metros de altura que varreu tudo em seu caminho, incluindo casas, navios, carros e estruturas agrícolas. Uma usina nuclear foi atingida e registrou vazamento de radiação.
O número de vítimas poderá passar de 1.700, segundo a mídia japonesa.
As imagens do Japão nos fazem relembrar do terremoto de 9 graus de magnitude que causou o maior tsunami que o mundo havia visto em 40 anos. No dia 26 de dezembro de 2004 a terra tremeu no leito marinho próximo a Aceh, no norte da Indonésia. A onda destruidora matou cerca de 230 mil pessoas em 13 países. Cidades foram praticamente varridas do mapa, ilhas desapareceram. Setenta mil corpos nunca foram localizados. E 1,5 milhões de pessoas perderam suas casas. O número exato de mortos nunca será conhecido.
E só quem passa por algo de dimensões tão grandes é capaz de relatar o drama.
“Eu fiquei apavorado e ainda estou com medo”, disse Hidekatsu Hata, 36 anos, gerente de um restaurante no bairro de Akasaka, em Tóquio. “Eu nunca vivi um terremoto dessa magnitude antes.”
“Isso foi provavelmente o pior que eu já vivi desde que vim morar no Japão há mais de 20 anos”, disse a correspondente da Reuters Linda Sieg.
A professora brasileira Indianara Akiyama, de 43 anos, conta que nunca sentiu tanto pavor na vida. “Achei que o chão ia se abrir e nos engolir”, disse. “Foi monstruoso, fora do comum e o pavor não passava nunca”, descreve.
O químico japonês Osamu Tsujimoto, 56 anos, estava na cidade de Kobe quando o edifício da multinacional em que trabalha começou a tremer. “O prédio balançava muito, parecia um navio em alto-mar”..
“O prédio parecia uma geleia”, relatou a designer brasileira Patrícia Sakai Ciffone, de 35 anos. “ A sensação que dá é de que é tudo muito frágil, as pernas ficam fracas.”
A brasileira Joyce Davini Nishiyama, 31 anos, estava no 12º andar de um prédio na região central de Tóquio quando aconteceu o abalo. “ Fiquei paralisada, olhando tudo cair a minha volta. Fiquei com muito medo mesmo do prédio todo cair”, disse.
Como brasileiro gosta de fazer graça até em momentos de tragédia, um sujeito chegou a dizer que tsunami mesmo é a mulher que tem em sua casa. Para ele, ela é a própria tragédia em pessoa. Segundo ele, com ela é bem útil o texto sábio que recomenda dormir no telhado da casa do que aturar esse tipo de mulher. Diante da narrativa, logo uma colega sua retrucou, dizendo que ele falava aquilo porque não conhecia o marido dela. De olhos arregalados, disse que seu marido era a prova definitiva de que o fim do mundo já era uma realidade para ela.
Na verdade, essas pessoas apenas têm olhos para o abalo de seus próprios umbigos, pois suas pequenas ondas pessoais são nada diante da tragédia do verdadeiro tsunami que ceifa a vida de tantas pessoas pelo mundo afora. Nas agruras diárias é preciso ser um bom surfista e segurar a onda, pois só assim é possível deslizar sobre ela com suavidade.

Mulher, mulheres e mulheres…

João Júlio da Silva
Na terça-feira, feriado de Carnaval, é também comemorado algo muito mais importante que a folia de Momo, o Dia Internacional da Mulher. Como se sabe, o 8 de março tem origem nas manifestações femininas por melhores condições de trabalho e direito ao voto, no início do século 20, na Europa e nos Estados Unidos. Já no ano de 1975, a data foi adotada pelas Nações Unidas, para lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres e também as discriminações e as violências a que muitas mulheres ainda estão sujeitas em todo o mundo.
Nessa data tão importante, em que são lembradas as lutas e conquistas da mulher ao longo da história, gostaria de destacar um fato inédito no Brasil, a eleição de uma mulher para a Presidência da República. Muitos desprezam o ocorrido, fazendo pouco caso do grande feito, mas é sim, sem sombra de dúvidas, uma grande vitória da mulher brasileira.
Tenho observado mulheres detonando a “presidenta” Dilma Rousseff por nada, como se ela fosse uma pessoa qualquer. Não é não. Atiram nela, mazelas antigas da corroída estrutura social. Dilma é uma vencedora, foi uma grande guerreira contra a ditadura militar e pela democratização do país, foi presa, torturada, passou o diabo nas mãos dos machões de plantão. E mais, subiu a rampa do Planalto pelos votos democráticos dos eleitores. Ela tem uma história a ser respeitada sim.
Não dá para ficar calado diante de vozes vindas de refrigeradas entidades que se dizem representantes dos trabalhadores, tentando desqualificar uma grande guerreira.
Se o governo de Dilma será bom ou mau, saberemos ao longo de seu mandato, mas o balanço final não apagará os seus passos anteriores. Para o bem do país, que ela possa fazer uma boa administração. E se tal ocorrer, será também ótimo para as mulheres brasileiras. Mas, pelo visto, parte delas está torcendo contra. Os homens “superpoderosos” agradecem tal postura.
Independente da coloração partidária, a vitória de Dilma para o cargo mais importante da República é sim uma grande conquista das mulheres. Quem poderia afirmar alguns anos atrás que isso seria possível em 2010?
Depois de tantas lutas por igualdade social e no mercado de trabalho, a conquista do Planalto é sim um grande marco em sua trajetória histórica.
Com certeza o Dia Internacional da Mulher é muito mais que o desfile de abundantes implantes de silicone na passarela do samba, onde abunda vulgaridade e alienação. O Carnaval tem a mágica fantasiosa da ilusão do belo e da inversão de valores. Mais de mil palhaços no salão, nos sambódromos, nas avenidas e atrás do trio elétrico. Com máscaras do Tiririca ou não, a grande maioria ultrapassa as barreiras da Quarta-feira de Cinzas. Então é como se diz por aí: é só o pó. E na próxima eleição e no próximo Carnaval reelegem o palhaço.
Numa data tão importante, eu não poderia me esquecer da poetisa Cora Coralina, que se dizia “uma mulher que fez a escalada da Montanha da Vida removendo pedras e plantando flores”. Considerado como “contribuição para o Ano Internacional da Mulher, 1975”, Cora Coralina escreveu: “Vilipendiada, esmagada. Possuída e enxovalhada, ela é a muralha que há milênios detém as urgências brutais do homem para que na sociedade possam coexistir a inocência, a castidade e a virtude. Na fragilidade de sua carne maculada esbarra a exigência impiedosa do macho. Sem cobertura de leis e sem proteção legal, ela atravessa a vida ultrajada e imprescindível, pisoteada, explorada, nem a sociedade a dispensa nem lhe reconhece direitos nem lhe dá proteção. E quem já alcançou o ideal dessa mulher, que um homem a tome pela mão, a levante, e diga: minha companheira”.
E viva as mulheres batalhadoras! Especialmente as minhas, Ilma, Alexandra e Laís.

Tiririca. Agradeço por todas as manifestações enviadas a respeito da coluna do domingo passado: “Congresso e o nariz de palhaço”. São mensagens assim que me encorajam ainda mais para continuar escrevendo neste espaço. Obrigado a todos, de coração.

Congresso e o nariz de palhaço

João Júlio da Silva
Não, não e não! Como pode ser possível algo tão absurdo? É. Do Congresso Nacional pode sair de tudo, até o inimaginável. A questão até já deixou de ser o que os ilustres representantes do povo votam ou deixam de votar e nem o aumento dos próprios salários na calada da noite.
Nas eleições do ano passado, se esperava que o Congresso fosse renovado por caras novas, pois a imagem da Casa estava completamente deteriorada por escândalos, e de certa forma foi, mas os eleitores acabaram mandado para lá figuras sem nenhum compromisso com o que de fato é de interesse público. Cada sujeitinho esquisito!
Pois então, veja o caso do palhaço Tiririca. Depois de ter que se submeter a um teste para provar à Justiça Eleitoral que não era analfabeto, o agora deputado Francisco Everardo Oliveira Silva, o tal Tiririca (PR-SP) vai ser titular da Comissão de Educação e Cultura da Câmara. O próprio palhaço, digo, deputado, foi quem pediu para integrar a comissão. É assim que são tratadas a educação e a cultura neste país. Uma verdadeira palhaçada.
Segundo a assessoria de imprensa do palhaço, digo, deputado,, ele pretende atuar na área artística e, por isso, deseja integrar a comissão que trata de cultura. A assessoria destacou que, inclusive, Tiririca é um artista filiado ao sindicato da categoria. Importante isso.
Tiririca, que recebeu 1,3 milhão de votos nas eleições passadas, teve de fazer um teste perante um juiz eleitor depois de surgirem dúvidas sobre sua alfabetização. E mais, o Ministério Público o acusou ainda de fraudar uma declaração anterior enviada à justiça eleitoral na qual ele afirmava saber ler e escrever. O palhaço, digo, deputado, acabou absolvido.
Agora, vai integrar a tal Comissão de Educação e Cultura da Câmara. Pode? Pode tudo.
Em 2010, Tiririca lançou sua candidatura para deputado federal pelo Estado de São Paulo por meio do Partido da República. Utilizava bordões como “O que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto”, ou “Pior do que tá não fica, vote Tiririca”. Fica sim, e muito. Tais bordões levaram um candidato a deputado a representá-lo junto ao Ministério Público, alegando que ele estaria afrontando o Congresso e o poder público em geral. A representação acabou arquivada.
Será que o palhaço vai mesmo nos contar o que faz um deputado federal? Mas nem precisa
Só o Tiririca é pouco para torrar a paciência de qualquer um. Na bancada das celebridades que querem mais notoriedade está também o ex-jogador de futebol Romário (PSB-RJ). Ele vai ser vice-presidente da Comissão de Turismo e Desporto. De acordo com o seu partido, o deputado tinha pedido apenas para integrar a comissão, mas como a vaga coube ao PSB a bancada decidiu indicá-lo para a função.
Romário, aquele dos supostos mil gols, contando os de futebol de botão, dias atrás mesmo deixou Brasília e foi jogar futvôlei numa praia do Rio de Janeiro. Afinal, vida de deputado não é nada fácil.
Romário já tinha afirmado na Casa seu desejo de atuar na área dos esportes. O deputado pretende se envolver no acompanhamento dos preparativos para a Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Com o Baixinho, agora vai.
Na comissão de Turismo e Desporto, Romário deverá contar com a companhia de outros dois ex-atletas. O ex-boxeador Popó (PRB-BA) já foi confirmado, enquanto o ex-goleiro Danrlei de Deus (PTB-RS) aguarda a indicação. Nossa, com deputados assim, estamos bem arranjados! É como levar socos de todos os lados.
Mas ainda cabe mais. Até o ex-participante do programa Big Brother Brasil, Jean Wyllys (PSOL-RJ) está buscando algum espaço onde os holofotes estão presentes. O PSOL já confirmou que ele participará da comissão de Finanças e Tributação e tenta ainda uma vaga na comissão de Direitos Humanos. Não consta em seu currículo qualquer qualificação na área econômica. Bem, essa turma parece ser a cara nova que a Congresso ganhou nas eleições do ano passado. Eu, que não votei em nenhuma dessas celebridades para o Congresso, acabo, ao final, também colocando o nariz de palhaço

Lição do crime na sala de aula

João Júlio da Siilva
Quando soube da história, não quis acreditar. Mas, por se tratar de algo envolvendo o ensino público, não dava para duvidar. O fato ocorreu mesmo, e no Estado mais rico do país, onde a educação é caso de calamidade pública. E ainda falam num tal choque de gestão!
Pois não é que um “professor” de matemática de uma escola estadual de Santos está sendo acusado de “apologia ao crime” por passar aos alunos do primeiro ano do Ensino Médio seis problemas que citam temas como tráfico de drogas, assassinato, roubo de veículos, uso de armas de fogo e prostituição. Pelo exposto, o sujeito não é nem de longe um verdadeiro professor de matemática, pois está mais para ser um criminoso que deveria ser mandado para trás das grades.
O episódio foi denunciado à polícia pelos pais de uma aluna de 14 anos. O tal professor confirmou que havia aplicado as tais questões, escrevendo-as na lousa.
“É um delito de menor potencial ofensivo e, se o juiz o condenar, pode aplicar pena de prestação de serviços”, disse o delegado que acompanhou a ocorrência. Como pode se tratar de “um delito de menor potencial” se adolescentes ficaram expostos ao elemento.
Acredite se quiser, segundo uma mãe de aluno, ele já foi vice-diretor da escola em 2009.
E pelo jeito, o “mestre” já fez discípulos. Uma estudante, que teve aulas com o professor no ano passado, saiu em sua defesa. “Ele já dava questões assim antes, se o problema fosse ‘Joãozinho comprou um doce’ ninguém ia prestar atenção”, disse. Pode um negócio desse? “Ele nunca chegou com uma arma na classe ou mandou alguém cheirar cocaína, o que ele faz não é incentivar o uso de drogas. Ele é sério quando tem que ser e engraçado para explicar”, disse outro ex-aluno. É, só faltava ele dar aula armado e distribuir drogas para os alunos. Isso é o caos.
“Enquanto não houver a conclusão desse procedimento, a Administração não dará mais informações sobre o caso, pois terá de atuar como instância de decisão, não podendo, portanto, correr o risco de caracterizar prejulgamento”, informa a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, através de nota.
O risco quem está correndo é toda a comunidade escolar com os tais “probleminhas” do professor da rede estadual de ensino.
As questões apresentadas pelo tal professor de matemática são as seguintes:
“1) Zaróio tem um fuzil AK-47 com carregador de 80 balas. Em cada rajada ele gasta 13 balas. Quantas rajadas poderá disparar? 2) Biroka comprou 10 gramas de coca pura que misturou com bicarbonato na proporção de 4 partes de pó e 6 de bicarbonato. A seguir vendeu 6 gramas dessa mistura ao Cascudo por R$ 150,00 e 16 gramas ao Chinfra por R$ 40,00 a grama: Então: a) Quem comprou mais barato? Cascudo ou Chinfra? b) Quantas gramas Biroka preparou? c) Qual a % de cocaína na mistura? 3) Jamanta comprou 200 gramas de heroína e pretende revender com um lucro de 20% graças ao batismo com pó de giz. Qual a quantidade de giz que deverá colocar?4) Rojão é cafetão na Praça Mauá e tem 3 prostitutas que trabalham para ele. Cada uma cobra R$ 35,00 do cliente dos quais R$ 20,00 são entregues a Rojão. Quantos clientes terá que atender cada prostituta para comprar a dose diária de crack no valor de R$ 150,00? 5) Chaveta recebe R$ 500,00 por BMW roubado, R$ 125,00 por carro japonês e R$ 250,00 por 4×4. Como já puxou 2 BMW e 3 4×4, quantos carros japonês terá que roubar para receber R$ 2 000,00. 6) Pipôco está na prisão por assassinato pelo qual recebeu R$ 5.000,00. A mulher dele gasta desse dinheiro R$ 75,00 por mês. Quanto dinheiro vai restar quando Pipôco sair da prisão daqui a 4 anos?”
Será que a Secretaria da Educação não vê nenhum risco nos probleminhas do tal professor? A que ponto chegou a educação no Estado, hein! O episódio, além de uma aberração do ensino, deve ser tratado como um caso de polícia e que o tal professorzinho seja enquadrado e punido exemplarmente. É bom salientar que o país precisa urgentemente de leis mais rígidas contra o crime e que as mesmas sejam aplicadas com rigor em casos como esse. Um absurdo total!

E o caldeirão ferveu no Rio

João Júlio da Silva
Neste país quando o assunto é verba para o carnaval, sempre é dado um jeitinho para que ela saia rapidinho, pois a festa de Momo tem que ser bem quente.
Pois então, não é que a prefeitura do Rio, numa rapidez invejável, anunciou que as empresas patrocinadoras do carnaval irão doar a quantia de R$ 3 milhões para as escolas atingidas pelo incêndio na Cidade do Samba na última segunda-feira. E se não conseguisse, abriria os cofres públicos.
A Grande Rio, escola mais atingida no incêndio, receberá R$ 1,5 milhão. Já a Portela e União da Ilha, que tiveram menos prejuízo, vão receber R$ 750 mil cada.
O prefeito Eduardo Paes (PMDB), portelense que já saiu na bateria de sua escola, foi ver os estragos no local e garantiu apoio financeiro às três escolas.
A assessoria de imprensa da prefeitura ressaltou que é uma ação em caráter emergencial, já que falta menos de um mês para os desfiles.
Tanta agilidade não ocorre quando o caso é socorrer vítimas de alguma tragédia ambiental, como no episódio das chuvas na região serrana do Rio de Janeiro.
Por falar nisso, subiu para 892 o número de mortos em consequência das chuvas do começo deste ano naquele local. O cidade mais atingida pela tragédia é Nova Friburgo, que registrou 423 vítimas fatais. Teresópolis contabiliza 372 mortos, Itaipava 71, Sumidouro 21, São José do Rio Preto quatro e em Bom Jardim um morador faleceu.
No último balanço divulgado pela Secretaria de Saúde do Rio, o número de desabrigados em razão das chuvas chegava a 8.777, enquanto os desalojados somavam 20.790.
Se não fosse a solidariedade do povo brasileiro essa gente estava lascada. Que emergência que nada!
O incêndio na Cidade do Samba provocou prejuízos de cerca de R$ 8 milhões e mudou o carnaval carioca. A Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) anunciou que nenhuma das 12 escolas do Grupo Especial será rebaixada em 2011. Dessa forma, 13 escolas se apresentarão no Grupo Especial em 2012 – as 12 deste ano mais a campeã do grupo de acesso. Na apuração de 2012, duas escolas serão rebaixadas. Importante tudo isso, não?
É, o bicho está solto. Vice-campeã três vezes nos últimos cinco anos, a Grande Rio, cujo enredo fala de Florianópolis – ironicamente, a letra do seu samba diz assim: “Rezei forte… nesse chão. Sai pra lá assombração. Já peguei meu patuá. Caldeirão vai ferver… É a receita que a bruxinha ensinou”.
O enredo é “A Encantadora Ilha das Bruxas” . E o caldeirão da bruxa ferveu para valer no Rio na segunda-feira, mas o carnaval está garantido.
E as vítimas das chuvas, digo, de construções irregulares em área de risco? Que continuem contando apenas com a bondade do povo.
E muitas vezes, o socorro popular nem chega às vítimas. As doações ficam amontoadas em algum galpão qualquer, não são enviadas para as verdadeiras vítimas e ao final, as autoridades que deveriam providenciar o transporte, acabam distribuindo as arrecadações para qualquer pessoa.
Foi o que acabou ocorrendo em “Sucupira”, onde espertinhos encheram malas e mais malas de roupas doadas para as vítimas das chuvas, e com o aval de seu governo. Num verdadeiro bazar de sacoleiros.
Por isso, quem fez alguma doação, por exemplo, roupas, corre o risco de ver em um brechó de esquina a calça ou a camisa que doou para quem realmente está necessitado.
Nessas terras tupiniquins, até para ser solidário é preciso muito cuidado. Os espertalhões estão de prontidão até nas tragédias. Ao ajudar, o doador deve sempre procurar uma entidade respeitada e com credibilidade. Não deve, jamais, confiar em órgãos públicos. Se a doação for algum produto que tenha validade por vencer, ela corre o risco de se perder num canto de algum barracão.
E que os foliões carnavalescos despertem para o que realmente é importante neste mundo, como a vida de nossos semelhantes, por exemplo.
Depois de tantas mortes no Rio, o Carnaval deste ano deveria ser cancelado em sinal de respeito às vítimas do descaso estabelecido.

Radicalismo em terra de faraós

João Júlio da Silva

Retomo hoje a caminhada neste espaço. Em meio a tantas desgraças no noticiário em início de ano, vou me concentrar no que vem ocorrendo em terra de faraós.
O Egito tem sido palco nos últimos dias de sucessivas manifestações visando derrubar o presidente Hosni Mubarak, no poder desde 1981.
A onda de protestos contra governos ditadores começou na Tunísia, onde caiu o regime do presidente Zine El Abidine Ben Ali, se espalhou pela Argélia, Jordânia, Iêmen, Egito e pode chegar à Síria.
Mubarak tem resistido às pressões tanto internas como externas. Ele alega que se deixar o poder o país se transformará num caos.
Os manifestantes querem democracia no país, mas seria isso possível? Afinal, qual grupo é o maior interessado na queda do ditador? Eles negam, mas os defensores do radicalismo religioso que governa o Irã e outras nações semelhantes estão apenas esperando o momento certo para dar o bote certeiro.
Então, aquela região que já é um barril de pólvora, pode se tornar em mais um cenário de guerra.
Os entendidos, especialistas no assunto, não acreditam que o poder do Egito possa ser tomado por radicais religiosos, aqueles mesmos que fazem uso do terror para atingir seus objetivos, baseados na ideologia do ódio.
Quem não quer a democracia? Apenas os tiranos e seus seguidores. Mas, no Egito a questão é muito mais melindrosa, envolve uma série de interesses.
Mubarak também é adepto da mesma religião dos que podem tomar o poder, mas ele é mais moderado e permite outras manifestações de fé no país, como os cristãos, que são alvos mortais dos extremistas religiosos. E muitos cristãos têm sido vítimas do regime do terror, que visa dominar o mundo com sua ideologia de sangue. No Egito, já está ocorrendo o mesmo com os cristãos.
Ontem, uma bomba explodiu na Igreja da Sagrada Família na cidade de Rafah, na fronteira com a Faixa de Gaza. Segundo a polícia local, a igreja estava vazia no momento da explosão e não houve vítimas.
Os autores do ataque também removeram uma cruz que ficava do lado de fora da igreja. Ninguém assumiu responsabilidade pelo ataque.
Em 1º de janeiro, um ataque com bomba contra uma igreja na cidade portuária egípcia de Alexandria deixou 21 mortos Uma semana depois, um policial egípcio matou um cristão a tiros dentro de um trem.
E Israel, como fica nesse furacão todo? Pouco ou quase nada tem sido dito sobre o país judeu em relação ao episódio.
Israel tem um tratado de paz com o Egito em vigor há mais de 30 anos. Seria esse tratado respeitado após a queda de Mubarak? Depende de qual grupo político ou religioso que venha a assumir o governo no Egito.
Caso os extremistas assumam o poder, aquela região vai explodir.
Altos oficiais do governo do Irã, especialmente o presidente Mahmoud Ahmadinejad, insistiram em várias ocasiões na “necessidade de apagar Israel do mapa do mundo”.
Não é sem objetivo que o governo de Ahmadinejad está enriquecendo urânio.
Depois de dias de protestos, ontem uma explosão atingiu uma estação compressora de gás e se espalhou para um dos principais gasodutos da cidade de Arish, na península egípcia do Sinai.
A TV estatal do Egito afirmou que a explosão se trata de um atentado. O gasoduto fornece gás natural para Israel e Jordânia. Então, Israel já virou alvo na crise egípcia.
O presidente dos EUA, Barack Obama, também quer a saída de Mubarak e defende um governo de transição para encerrar a crise no Egito. Seria mesmo o fim da crise?
O presidente americano disse que a transição deve começar logo.
Para o bem do mundo, que o futuro político do Egito passe por eleições democráticas e por homens mais sensatos, sem a presença de ditadores e sem extremismo religioso.
Hoje, com a avalanche de informações, é fácil tomar posição no episódio, mas é preciso muita cautela, pois aquela região é peculiar e Israel deve sempre ser levado em consideração, pois o futuro da humanidade passa pela Terra Santa.

Justiça da bola em final de ano

João Júlio da Silva

Finalmente se fez justiça neste país. Pelo menos em se tratando de futebol. A CBF anunciou oficialmente em seu site que aceitou o dossiê dos clubes brasileiros que pediam a unificação dos títulos nacionais no período de 1959 a 1970. Com a justiça feita, Palmeiras e Santos somaram quatro e seis conquistas ao seu currículo, respectivamente, e se tornaram os maiores campeões brasileiros da história, com oito conquistas, superando São Paulo, com seis, e Flamengo, com cinco. Fluminense, Cruzeiro, Bahia e Botafogo também foram beneficiados, somando um título cada. O time tricolor carioca passou a ter três conquistas, enquanto o tricolor baiano, o grandioso mineiro e o alvinegro do Rio de Janeiro ficaram com duas. Aliás, o Cruzeiro poderia ter sido o campeão de 2010, se não tivesse sido tungado.
Os seis clubes nacionais justiçados elaboraram um dossiê e entregaram para a CBF pedindo que tanto a Taça Brasil quanto o Roberto Gomes Pedrosa – Taça de Prata (torneios que aconteceram entre 1959 e 1970) tivessem equivalência ao Campeonato Brasileiro (que começou em 1971).
O grande justiçado foi o maior jogador de futebol de todos os tempos no mundo, o Rei Pelé, que foi oficialmente reconhecido hexacampeão nacional pelo Santos. O clube é octacampeão, pois ganhou oito títulos nacionais. Para mim é o maior vencedor, pois o Palmeiras que também estaria com oito títulos foi considerado campeão duas vezes em 1967. Isso caberia uma revisão, pois deveria ser considerado apenas o campeonato mais importante da época; é como se fosse hoje o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, e campeão do ano é quem fatura o Brasileiro. Assim, o Palmeiras ficaria com sete títulos, que seria o justo, e o Peixe com oito, em primeiro lugar.
Negar as conquistas, agora unificadas, é como dizer que Pelé nunca existiu e que os títulos conquistados por ele pela Seleção Brasileira em Copa do Mundo não passaram de ficção. Ora, pois! Então fica assim, apenas o Santos é octacampeão brasileiro (1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 1968, 2002 e 2006, ufa!). O Rei do Futebol está bem vivo para confirmar isso. E contra a história e os fatos não existem argumentos.

Balanço. Assim como venho fazendo desde o ano de 1997, ao chegar o final de todo ano relembro neste espaço os títulos dos textos publicados ao longo de mais um período.
“Guinada à esquerda; Barbárie e Justiça; Às mulheres; Meninos atrevidos; Ás no volante; Enfim, condenados; Cresce perseguição a cristãos; Rio mergulha num mar de caos; Bandidagem e ligação perigosa; Pateta no lugar do saber; Trabalhador de olho nos direitos; Paulista e ano do sem ter nada; A incoerência de Dunga; Pasta da insegurança pública; Aécio diz não. E agora, José?; ‘Pesquisite’ e chuva de dossiês; Vuvuzelas, Jabulani… Arre!; A cegueira, a obra e a morte; O homem de meio século; Mediocridade perde em campo; Cacique recusa, vai Indio mesmo; Candidatos com a língua afiada; Seleção tem técnico de segunda; Candidatos bizarros fazem rir; Falastrão quer impor mordaça; Descaso absurdo com o ensino; Na garupa da popularidade; Artimanha de garoto; Dinheiro público em campo; Piromaníaco no 11 de Setembro; Guerras e guerra eleitoral; Voto no Dia D, de Democracia; Vitória do voto na democracia; Religião leva ao segundo turno; Queria surrar, acabou surrado; Halloween e o muro verde; Dia maior da democracia; Sim, as mulheres podem; Aécio poderia ter ganho eleição; Vergonha, vergonha, vergonha…; Terror deixa o Rio em ebulição; Caiu, mas vai retomar o poder; Despedida mórbida no Senado; Parlamentares sem limites e Justiça da bola em final de ano”.
Aproveito para manifestar minha gratidão ao querido leitor por mais esta caminhada. Agradeço também pelas mensagens enviadas ao longo do ano, sejam elogios ou críticas. Sendo assim, desejo um 2011 grandioso com a graça do Salvador Jesus Cristo. Que o novo ano seja bom para todos nós.

Férias. Estou entrando em férias e volto em fevereiro, se o misericordioso Deus permitir que este espaço seja mantido.

Parlamentares sem limites

João Júlio da Silva
O que vier do Congresso Nacional já não surpreende mais. Dali pode sair qualquer coisa. A podridão está no ar. No fechar das cortinas do ano que se encerra, os parlamentares da Câmara e do Senado aprovaram em votação relâmpago um aumento de 61,83% nos seus próprios salários, de 133,96% no valor do vencimento do presidente da República e de 148,63% no salário do vice-presidente e dos ministros de Estado.
Eles foram rápidos no gatilho, salarial, lógico, pois a partir de 1º de fevereiro do próximo ano, quando os parlamentares eleitos em outubro tomarem posse, todos passarão a receber R$ 26.723,13, o mesmo salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), equivalente ao teto do funcionalismo público.
O presidente ganha, atualmente, R$ 11.420,21, o menor salário entre os chefes dos três Poderes. Como pode isso, a maior autoridade do país ganhar menos?
Os deputados e os senadores recebem R$ 16.512 mil – ao todo são 15 salários por ano -, e o vice-presidente e os ministros de Estado têm o salário de R$ 10 748. É só dinheiro público voando, pois o aumento salarial provocará um efeito cascata nas assembleias Legislativas dos Estados e nas Câmaras Municipais.
O que dizer do reajuste aprovado num piscar de olhos? Sem dúvida que se trata de mais uma picaretagem parlamentar. Como em outras ocasiões, em que usaram da mesma artimanha, só posso, como qualquer brasileiro, estar muito indignado e me sentindo como um trouxa diante de tamanha safadeza dessa gente no trato com o dinheiro público.
A vontade de pegar esses safados a tapa é grande, mas não é assim que os problemas são resolvidos. Essa corja faz o que bem entende com o meu, o seu, o nosso dinheiro. É preciso uma pressão popular por tamanho descalabro dos “nobres” representantes do povo, um bando de descarados que locupleta entre as imundícies no Congresso.
Alguns parlamentares se mostraram contrários ao reajuste. Por que só se manifestam após o anúncio da imoralidade e a repercussão negativa? Muitos desses parlamentares que se dizem indignados, no fundo, penso que estão até bem satisfeitos com o aumento do saldo em suas contas bancárias. Outros querem mesmo é mamar mais e mais. Uns se calam, não se manifestam nem contra nem a favor, muito pelo contrário.
Que fique bem claro, acredito que deva haver raríssimas exceções em meio a tanta podridão parlamentar, mas os fatos revelam claramente que nesse meio está instalado sim um bando de velhacos desprezíveis, que não tem respeito nenhum pelos eleitores e pelo dinheiro público.
Uma safadeza dessa no trato com o dinheiro público é de deixar o cidadão honrado indignado e se sentindo como trouxa. A cara de pau desses politicanalhas não tem limites. Mesmo com o desgaste público da imagem do Congresso, esses desavergonhados não se intimidam e querem mais, muito mais. É preciso muita pressão da sociedade para acabar com as mordomias dessa praga que só faz aumentar as despesas públicas e nada oferecem em troca para o bem de todos os cidadãos. É urgente uma reforma política para colocar ordem na “zona eleitoral” deste país. Mas, voltemos aos espertalhões. Tirando as raríssimas exceções, a maioria dos homens públicos é picareta mesmo. Disso, qualquer pessoa honrada sabe muito bem.
E o abuso não fica apenas no salário não. Cada um dos 513 parlamentares também tem direito a verba de gabinete, verba indenizatória, cota postal, auxílio-moradia e outras mordomias.
Conquistado o aumento planejado, de imediato já começam as negociações para o próximo reajuste. É nisso que se ocupa a maioria dos nobres congressistas.
Enquanto isso, Paulo Maluf é diplomado para mais um mandato na Câmara e o palhaço Tiririca, que teria forjado documento, só ri com o diploma de deputado federal em mãos, sob aplausos. “Cheguei com sorte. Graças a Deus foi aprovado, acho justo”, disse sobre o reajuste parlamentar. Como “pior do que tá não fica”? Papel de palhaço quem acaba fazendo é o eleitor.

Despedida mórbida no Senado

João Júlio da Silva
Foi de comover o discurso de despedida do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE)na tribuna do Senado, na última quarta-feira.
O tucano e outros caciques do cenário político nacional não conseguiram se reeleger nas últimas eleições. Para eles, isso, devido à interferência direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha.
Três vezes governador e uma vez senador pelo Estado do Ceará, Jereissati manteve até o fim, como de praxe, os ataques a Lula, não somente quanto à atuação do presidente contra a sua reeleição, mas ao governo do presidente desde o seu primeiro mandato.
Com duras críticas ao governo petista e ao presidente Lula, a quem comparou ao personagem Macunaíma, de Mário de Andrade.
“Não me refiro a um vício de personalidade, mas a alguém que apenas transita pelo mundo ao sabor do acaso, sem outro fim ou projeto que não seja o da própria sobrevivência, capaz de tudo para consegui-la. Lula se vangloria de ter construído o Brasil, assim como Macunaíma se julgava capaz de controlar o universo manipulando monstros e deuses”.
Ele estava mesmo muito bravo e não poupou na verborragia. “Lula foi uma decepção em vários sentidos. Lula nos decepcionou como político, como liderança comprometida com a ética e com a honestidade, como símbolo da mudança nas relações do governo com a sociedade, do Executivo com os demais poderes e, principalmente, como esperança de algo realmente novo na vida nacional”, afirmou.
“Uma decepção em vários sentidos” Lula pode não ter feito tudo o que prometeu em palanque, mas fez muito pelo Brasil sim, só não reconhece isso quem não está a fim.
Então como explicar tamanha popularidade de Lula e aprovação da população? E por que foi chamado de “o cara” pelo homem mais poderoso do mundo, o presidente dos EUA? Inveja é um caso sério demais.
“Perdi uma eleição, mas não perdi minha história”, disse sobre a sua derrota nas urnas.
Sobrou também para a presidente eleita, Dilma Roussef, ao afirmar que não cabe neste momento no Brasil a recriação da CPMF. Concordo com ele, mas em qual governo a maldita CPMF foi criada? No de Fernando Henrique Cardoso, lógico. “O problema da saúde não é de recursos, mas de gestão. Qualquer tentativa de recriação da CPMF hoje, nada mais seria do que um evidente estelionato eleitoral, vindo de uma candidata eleita que se comprometeu com o Brasil em diminuir a carga tributária”.
Estelionato eleitoral foi a mudança da Constituição para a reeleição do presidente FHC. E com suspeitas de compra de votos no Congresso Nacional.
Em um tom que causou réplica do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), único petista presente à sua despedida, Jereissati relembrou os escândalos que na sua opinião marcaram o governo Lula. “Chama a atenção o fato de que nada menos que dois ministros da Casa Civil, José Dirceu e Erenice Guerra, caíram por envolvimento em escândalos. Fica claro que ali, no coração do governo, era onde a serpente punha seus ovos. Bingos, Celso Daniel, Vampiros, Toninho do PT, Correios, Sanguessugas, Dólares na Cueca, Francenildo, Aloprados, ONGs, Bancoop, Getech, Gautama para citar apenas alguns, são verbetes da enciclopédia de escândalos que envolveram o governo, o Partido dos Trabalhadores e seus aliados”.
Seria bom se ele também forçasse a memória e fizesse também uma lista dos escândalos ocorridos no governo FHC.
Para Suplicy, falta a Jereissati reconhecer o papel de grande estadista do presidente Lula.
Ele também acusou o governo de lotear cargos em troca de apoio no Congresso e barrar as investigações das CPIs. Sim, tudo isso é condenável mesmo. Mas, teria sido o governo bom de bico um exemplo de lisura e santidade?
Tasso tentou a reeleição ao Senado, mas foi derrotado pelos deputados federais Eunício Oliveira (PMDB) e José Pimentel (PT), que conquistaram 2,6 milhões e 2,3 milhões de votos, respectivamente. O tucano, que governou o Ceará por três mandatos, obteve 1,7 milhão de votos.
Baby, bye bye!

Caiu, mas vai retomar o poder

João Júlio da Silva
Enquanto o Rio de Janeiro sofria com a onda de ataques de traficantes de drogas, que barbarizavam até que veio a reação policial e até blindados das Forças Armadas subindo os morros, nos bastidores da transição do governo federal para a presidente eleita Dilma Rousseff as negociações para a formação do novo ministério seguiam adiante.
Mas, devido ao atrativo do Rio, pouca gente deu a devida importância para o convite feito por Dilma, no último dia 24, para o deputado Antonio Palocci Filho (PT-SP) ser o novo ministro da Casa Civil.
Ex-ministro da Fazenda do governo Lula, Palocci cogitava um ministério de menor visibilidade, mas foi convencido por Dilma e por Lula a aceitar a nova missão.
Pois então, na tarde da última sexta-feira, Dilma confirmou Palocci na Casa Civil.
Ele foi ministro da Fazenda no primeiro mandato do governo Lula e foi obrigado a renunciar na ocasião após escândalo, mas vai voltar ao poder no próximo ano.
Como se sabe, tem gente que gosta de viver perigosamente. Parece ser o caso da presidente eleita.
Pois a confirmação de Palocci no governo vai dar munição para os que perderam as últimas eleições nas urnas e seus porta-vozes. Vão atiçar os fantasmas nos armários. Será que ele se manterá no cargo? Difícil de prever.
Palocci foi um dos principais coordenadores da campanha que levou Dilma a vencer as eleições e sua volta ao poder é como se fosse a sua redenção, ele que foi um dos homens mais poderosos no primeiro mandato de Lula.
Na Casa Civil ele terá muita influência, pois na pasta vai exercer um papel de coordenação geral de todo o gabinete presidencial e controle de todos os grandes planos do próximo governo.
Palocci, de 50 anos de idade, é formado em medicina e foi ministro da Fazenda entre 1º de janeiro de 2003 e 27 de março de 2006, quando renunciou após se envolver em um escândalo de corrupção, pelo qual foi julgado e, posteriormente, declarado inocente.
Inocente, mas ficou marcado, e isso, para muitos que estão de plantão, é o suficiente para não deixa-lo em paz .
Competente ele já mostrou que é, mas cometeu deslize quando estava no governo.
Enquanto esteve na Fazenda, ele soube manter a inflação sob controle e estabilizar a economia. Ele ainda estava no cargo, quando o país saldou todas suas dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e com o Clube de Paris.
Mas, a sua postura de administrador responsável que recebeu muitos elogios, inclusive no exterior, acabou manchada com as acusações de que teria recebido comissões de empresas de coleta de lixo quando era prefeito de Ribeirão Preto.
E sua situação piorou quando o caseiro Francenildo dos Santos Costa, que trabalhava em uma mansão, disse que Palocci frequentava festas com prostitutas e empresários que tinham negócios suspeitos com o governo.
O caldo azedou mesmo quando foi vazada a informação de que a Caixa Econômica Federal entregou a uma revista extratos bancários do caseiro que revelavam depósitos de cerca de R$ 40 mil em sua conta. Na ocasião, o governo sustentou que o caseiro havia sido “comprado” pela oposição para acusar Palocci. O então ministro foi acusado pela quebra do sigilo bancário de Francenildo, o que obrigou o ministro a renunciar.
Depois de passar por julgamento e ser inocentado, Palocci recuperou sua imagem e foi escolhido por Lula para ser um dos coordenadores da campanha de Dilma. Agora, foi anunciado como o futuro ministro do poderoso ministério da Casa Civil. Onde vai estar na coordenação política do governo. A importância de Palocci na campanha petista indicou as sua reabilitação política.
Mas, o caso da quebra de sigilo do caseiro será sempre lembrado em momentos de ataques contra o futuro ministro.
Aliás, não fosse o episódio envolvendo Francenildo, Palocci poderia muito bem no próximo dia 1° de janeiro estar no lugar de Dilma Rousseff, assumindo a Presidência da República, pois ele era um nome forte para a sucessão de Lula, se não tivesse sido derrubado por seu próprio deslize.

Terror deixa o Rio em ebulição

João Júlio da Silva
O Rio de Janeiro está fervendo com a violência crescente desses últimos dias. A onda de ataques dos traficantes foi respondida com energia pela força-tarefa , que invadiu morros, enfrentou o potencial bélico da bandidagem e fez um grande estrago no esquema do crime organizado e do tráfico de drogas.
Mas, em meio a esse fogo cruzado, muitos moradores da área de conflito acabam sofrendo na pele e, em alguns casos, com a própria vida. Trágico.
O clima começou a esquentar desde que o governo do Rio decidiu instalar a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) nos morros da capital carioca.
Os bandidos não gostaram nem um pouco da presença do Estado na comunidade e partiram para o terror, queimando veículos e barbarizando na cidade. Lógico que tamanha audácia não poderia ficar sem a devida resposta.
Todos sabem que a questão da drogas é o grande mal da atualidade e que no caso específico do Rio, a situação não é nada fácil. Mas, o que não pode é entregar os pontos para a criminalidade. Se faz necessário sim, o pulso firme do policiamento para manter a segurança pública. Mas, é preciso mais que isso. E sensacionalismo numa situação tão grave dessa não colabora em nada.
Em novembro de 2007 escrevi um texto sobre drogas, nas entrelinhas, intitulado ‘Droga de elite’. Ele foi baseado num episódio em que a polícia do Rio havia prendido uma quadrilha da alta sociedade por tráfico de drogas. A maioria dos presos moravam em endereços caros da zona sul do Rio.
“A bandidagem dos morros e favelas está dividindo as manchetes policiais com os seus parceiros bem nascidos, pois garotões, filhos de bacanas, estão cada vez mais metidos no mundo do crime. O envolvimento de ‘mauricinhos e patricinhas’ de classes média e alta com o tráfico de drogas é maior a cada dia. Mas, afinal, morariam nas favelas, os poderosos chefões do tráfico? É mais que sabido que na linha de tiro, estão apenas os pés-de-chinelo. Criminoso não tem classe social, bandido é bandido e pronto. Prender um zé-mané é muito fácil, mas deter um filho de bacana pode custar o emprego, o cargo ou até a vida. ‘Você sabe com quem está falando? Sabe quem é o meu pai? Pois eu sou filho de famoso político e empresário. Então é melhor deixar a gente em paz.’ Mas, de vez em quando, há espaço para algumas exceções nos camburões.
“O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, se diz assustado com a ‘juventude que a sociedade está produzindo’. As drogas eram compradas em favelas para serem vendidas em academias, universidades, colégios, boates, praias, raves (festinha de bacanas jovens, regada a muita bebida e drogas) e até por telefone e pela internet. ‘Não é quadrilha de usuários, mas de traficantes. A sociedade precisa refletir sobre os valores familiares. Não se trata de problema de segurança, mas social. São jovens totalmente irresponsáveis e descompromissados’, disse .
“Pior que o fato em si, foi ver e ouvir na televisão um apresentador desses programas sensacionalistas chamar o grupo de traficantes de ‘molecada’. Se fosse favelado, ele diria aos gritos que se tratava de ‘bandidos’, mas como eram garotões da elite, maneirou no linguajar e disse suavemente: ‘molecada’. De que tem medo o rotundo e valente apresentador? Onde foi parar a valentia com que trata outros criminosos?
“De alguma forma a droga sai do morro ou favela e chega até a elite. No antro chique de etiquetas há sim aquele que distribui as drogas, o traficante de bochechas rosadas. Portanto, existe essa parceria de bandidagem entre as classes.
“Se a polícia quiser, ela pode prender muito mais ‘molecada’ envolvida com drogas. Muito mais mesmo! Quem banca o tráfico de drogas e consome pesado mesmo são os consumidores da elite. Essa ‘molecada’ pega pesado mesmo! Eu disse ‘pega pesado’ e não ‘pega no pesado’, aí já é para gente de bem. Eu disse ‘de bem’ e não ‘de bens’. Ora, pois!”
Por tudo isso, é preciso ir além da invasão dos morros no combate ao tráfico, pois a desgraça das drogas exige muito mais que tanques de guerra.
E sensacionalismo barato, jamais.

Vergonha, vergonha, vergonha…

João Júlio da Silva
Se a atual classificação do Campeonato Brasileiro for mantida até o final, vai dar muito o que falar, principalmente, depois de uma partida realizada na semana passada. Onde “erros” grotescos da arbitragem favoreceram e muito o time vencedor do jogo, que passou a ser o líder da competição. O clima esquentou após mais uma lambança de árbitro no futebol brasileiro.
Pois é, com uma polêmica declaração após a vitória do Corinthians por 1 a 0 sobre o Cruzeiro no sábado, o meia Roger do time de Minas Gerais, deixou no ar a sugestão de que a equipe paulista estaria sendo favorecida na briga pelo título do Campeonato Brasileiro. Depois, o jogador explicou as palavras ditas no vestiário do Pacaembu e afirmou que os árbitros sentem medo do time paulista em partidas decisivas.
“Estive aqui em 2005 e sei como funciona o esquema”, afirmou o atleta, relembrando o contestado título nacional daquele ano. Desta vez, a equipe teria sido favorecida com a marcação de um pênalti, já no final do jogo, em Ronaldo (o famoso “encostou, caiu”, pois não tem mais condição física para base de apoio), possibilitando a derrota da equipe mineira. “Lembrei do que aconteceu no lance do jogo contra o Internacional, só isso”, disse o atleta, que não jogou naquela oportunidade por lesão.
O Corinthians venceu seu concorrente direto pelo título em 2005 em jogo que teve pênalti de Fábio Costa em Tinga, do Inter. O árbitro não marcou a infração e ainda expulsou o jogador colorado.
À época, escrevi que o ano de 2005 deveria ser lembrado como o ano em que o Campeonato Brasileiro não teve campeão, principalmente depois do escândalo da “máfia do apito”, cujas repetições de partidas beneficiaram o clube em questão.
“Joguei três anos no Corinthians e sei que, quando é jogo de decisão, tem 40 mil pessoas dentro do Pacaembu, o juiz entra tremendo. O jogador fala diferente, chega botando pressão. E eles têm medo, não adianta”, disse Roger.
Para ele, esse foi o efeito sobre o árbitro Sandro Meira Ricci quando decidiu marcar pênalti de Gil em Ronaldo. “Ele estava esperando qualquer lance para decidir a partida”, disse Roger, revoltado. Para ele, tudo conspira a favor do Corinthians em partidas decisivas, já que o clube tem força política, econômica, esportiva e de mídia extremamente grande no Brasil inteiro.
A “toda poderosa platinada” que o diga, pois o tal clube é o queridinho de suas transmissões. Sempre mais do mesmo.
“Cruzeiro e Atlético-MG somos fortes aqui dentro (de Minas Gerais), mas nacionalmente não temos essa força do Corinthians. O árbitro entra já com medo do jogo, tremendo, sabendo que qualquer lance ele vai tomar partido do time da casa”, complementou o ex-jogador do Corinthians.
Muitos torcedores já estão chamando o Brasilerio deste ano de Zveitão 2, como se fosse uma repetição do que se viu em 2005, quando uma série de “coincidências”, dentro e fora do campo, determinaram o campeão daquele ano.
Roger também apelou aos rivais do Corinthians para evitar que o time paulista conquiste o título. “O Corinthians fica pedindo a ajuda de Palmeiras e São Paulo para que vençam seus jogos contra Cruzeiro e Fluminense. Mas eles já estão sendo ajudados pela arbitragem. Então, de repente, os rivais do Corinthians podem acabar ajudando a gente”, disse.
“O Cruzeiro jogou melhor e teve vários lances que poderiam ter decidido o jogo ao nosso favor. Lances de impedimento e um pênalti no Thiago Ribeiro, mas que o juiz não deu. Não dá para cravar, mas acho que pode ter algo sim”, disse. Ele deve saber o que está falando, afinal, era da casa.
O presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella, chamou o árbitro de ‘picareta’, ‘safado’ e insinuou que foi comprado para ajudar o alvinegro. Ele também chamou o presidente da Comissão Nacional de Arbitragem da CBF de ‘bandido’. Sérgio Corrêa negou qualquer tipo de ‘esquema’ pró-Corinthians e avaliou o árbitro como ‘muito bem’ no jogo. Para quem? Se esse ritmo dos apitos for mantido até a última rodada, o ano do centenário não será o do “sem ter nada”. É como gritam as torcidas nos estádios: Vergonha, vergonha, vergonha…

Aécio poderia ter ganho eleição

João Júlio da Silva
Ocandidato derrotado à Presidência da República, José Serra (PSDB-SP), logo após a confirmação da vitória de sua adversária petista no segundo turno, Dilma Rousseff, fez um breve pronunciamento ao lado da cúpula do partido e disse não fazer uma despedida após a campanha dos últimos meses, mas um “até logo”. Em seus agradecimentos não citou o companheiro de partido e senador eleito por Minas Gerais, Aécio Neves, que também pretendia disputar a Presidência .
“Para os que nos imaginam derrotados, eu quero dizer que nós apenas estamos começando uma luta de verdade. Nós estamos no começo do começo. Nós vamos dar nossa contribuição ao país em defesa da pátria, da liberdade, da democracia, do direto que todos temos de falar e serem ouvidos, da justiça social. Vamos dar a nossa contribuição como partidos, da nossa frente de partidos, como indivíduos, como parlamentares, como governadores. Essa será a nossa luta dos próximos anos. Por isso, a minha mensagem não é de despedida nesse momento. Não é um adeus, é um até logo”, disse o candidato derrotado. Esse seu “até logo” deixou a sugestão de que ainda pode disputar de novo a Presidência. Mais uma vez deixou de combinar com Aécio, a maior força viva que restou ao PSDB e o primeiro da fila, como se diz por aí.
O tucano Serra ainda agradeceu aos 43,6 milhões de votos recebidos no segundo turno. “Quis o povo que não fosse agora, mas digo aqui de coração que sou muito grato aos 43 milhões e 600 mil votos dos brasileiros e brasileiras que votaram em mim. Sou muito grato a todos e a todas que colocaram um adesivo, uma camisa, e que carregaram um bandeira com Serra 45. Meu imenso muito obrigado a todos vocês de todo nosso país”.
A expressão “que não fosse agora” também dá margem para especulações.
O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, minimizou o fato de Aécio ter sido deixado de lado por Serra. “Aécio é um grande líder. Um líder que temos para hoje e para o futuro. Tudo o que devemos fazer é prestigiá-lo, dar força a ele, que é muito importante para Minas Gerais, para o Brasil e para nós também”.
Em 27 de maio, Aécio descartou a possibilidade de compor como vice na chapa de Serra. Ele reafirmou que ajudaria mais Serra “estando em Minas Gerais como candidato ao Senado.” Agiu corretamente. A tão esperada chapa puro-sangue que o PSDB esperava formar com os nomes de Serra para presidente e Aécio para vice acabou virando água.
Aécio criticou os partidários que cobraram “patriotismo” de sua parte para aceitar ser vice.“Chega a ser uma piada. Ninguém fez mais gestos de generosidade dentro do PSDB em torno do nosso projeto do que eu.” É, o tucano mineiro abriu mão de ser ele o candidato a presidente para que Serra fosse o beneficiado.
Serra, por sua vez, disse que já sabia há vários meses que Aécio não iria concorrer a vice. Questionado à época, se havia perdido um bom candidato a vice, Serra respondeu: “Você só perde o que tem. Ele não era candidato a vice.”
No final do ano passado, o ainda governador de Minas, Aécio Neves, anunciou a desistência de sua pré-candidatura à Presidência, deixando o caminho livre para a consolidação de Serra.
“Já disse e volto a repetir, para mim, o candidato tucano deveria ser Aécio. Ele é milhões de vezes melhor. Ainda há tempo para essa mudança radical, principalmente, se continuar a queda de Serra nas pesquisas. Seria uma reviravolta total no jogo eleitoral”, escrevi em 30 de maio.
Penso que Aécio derrotaria a desconhecida Dilma, mesmo com toda a popularidade de Lula. Ele poderia sim ter ganho a eleição, não fosse insistência da cúpula tucana paulista pela candidatura Serra.
Agora, em 2014, tudo vai depender de como será o governo de Dilma. Se nada de grave ocorrer, ela poderá tentar a reeleição, do contrário, Lula volta a se candidatar.
De uma forma ou de outra, ficou mais difícil para Aécio, apesar do seu carisma. Suas chances só aumentam se o novo governo for um desastre total. Ma, será que Serra deixará o caminho livre para Aécio.
Ah, essa sede de poder!

Sim, as mulheres podem

João Júlio da Silva
O povo escolheu no último domingo a primeira mulher para ocupar a Presidência da República. Com isso, a democracia avança a passos mais rápidos.
Quem poderia afirmar alguns anos atrás que isso seria possível em 2010? Independente da coloração partidária, a vitória de Dilma Rousseff para o cargo mais importante da República é sim uma grande conquista das mulheres.
Depois de tantas lutas por igualdade social e no mercado de trabalho, as mulheres vêm colhendo os frutos de sua persistência em todos os meios e a conquista do Planalto é sim um grande marco em sua trajetória histórica.
Já em seu primeiro discurso, realizado num hotel na região central de Brasília, Dilma assumiu publicamente o compromisso de transformar esse fato inédito em algo natural. “Sim, a mulher pode”, disse, projetando o destaque que tivera nas urnas para outras áreas de atuação das mulheres.
Concorrente de Dilma no primeiro turno das eleições, a senadora Marina Silva (PV), parabenizou a petista pelo feito e lembrou: “Aquela que era a candidata de uma parte dos brasileiros, a partir de agora, é a presidente eleita de todos nós nos próximos quatro anos”.
Dilma pregou a união nacional ainda em momento comemorativo. “Estendo minha mão aos partidos de oposição”. Ela chamou as eleições de “festa da democracia”.
Dilma agradeceu o empenho do presidente Lula durante toda a campanha, afirmando ter no companheiro de partido o exemplo de um “governante justo e apaixonado por sua gente” e declarou que todos os compromissos firmados “serão perseguidos de forma dedicada e carinhosa”.
A mulher mais importante do país foi também promovida ao ranking das figuras mais poderosas do mundo. Dilma ficou em 16.º lugar na lista da Forbes, divulgada no site da revista americana.
Dilma superou nomes como o do fundador da Apple, Steve Jobs (17 º), do presidente francês Nicolas Sarkozy (19.º), da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton (20.º), do megaempresário e mega-bilionário, Eike Batista (58.º), e da diva Oprah Winfrey (64.º).
No alto da lista de 68 nomes, está o presidente chinês, Hu Jintao, seguido pelo colega americano, Barack Obama e pelo rei da Arábia Saudita, Abdullah bin Abdul Aziz al Saud. O predomínio masculino só é rompido na sexta posição, com a chanceler alemã, Angela Merkel. Em nono, Sonia Gandhi, presidente do Partido do Congresso, na Índia.
A revista Forbes diz que Dilma dirigirá “a maior economia da América Latina e o celeiro do mundo”. Diz ainda que talvez seu nome não seja muito conhecido ainda, mas será já que o Brasil receberá a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.
A Forbes afirmou que os 68 nomes foram escolhidos porque “de várias formas, estas pessoas moldam o mundo à sua vontade”. “São chefes de Estado, importantes figuras religiosas, empreendedores e foras-da-lei”, numa referência a Osama bin Laden, líder da rede terrorista Al-Qaeda.
Sim, ela pode, ou melhor, as mulheres podem, naturalmente e sempre.
E que haja respeito pela decisão do eleitorado nas urnas.
Lógico que Dilma não terá um caminho de flores pela frente. Penso até que talvez nem termine o mandato para o qual foi eleita democraticamente.
É que a mesma turma que tentou tirar Lula do Planalto, vai partir com tudo para cima da presidente eleita assim que assumir. Lula resistiu por dois mandatos, pois, com uma popularidade recorde, tinha o aval da grande maioria dos brasileiros.
Quem não se lembra daquele movimento “Cansei”, organizada por representantes da “zelite” visando um golpe baixo. Eles que acabaram sentando, pois em pé cansa mesmo.
Dilma não tem o mesmo carisma e a força de Lula, por isso terá que mostrar muita capacidade no cargo que assume em janeiro. Ela não terá sossego como chefe da nação e deverá mostrar muita determinação para suportar a setas que virão com mira certeira.
Ela, que tanto fez e lutou contra a ditadura militar, sofrendo barbaridades quando foi torturada, saberá dar a volta por cima mais uma vez.
Que Deus esteja com ela.

Dia maior da democracia

João Júlio da Silva
Hoje o eleitorado brasileiro volta às urnas em segundo turno para escolher quem vai suceder o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, em alguns Estados, também haverá decisão para governador.
Depois de uma campanha de acusações sem fim, de batalha mesmo, que teve até bolinha de papel e balões d`água, as duas candidaturas que pleiteiam a Presidência da República estão agora nas mãos dos eleitores, ou melhor, no voto que será digitado nas urnas.
Das vésperas do primeiro turno até agora, uma onda de terror esquentou o clima eleitoral. Houve de panfletos difamatórios a ataques verbais. Ma, o que elevou mesmo a temperatura na campanha foi o posicionamento de certos líderes religiosos em defesa de uma das candidaturas, pois passaram a ‘demonizar’ a outra, numa atitude bem rasteira e nada cristã. Alguns líderes não só atacaram a candidatura que decidiram ser a grande inimiga, como entraram no programa de propaganda eleitoral da candidatura preferida deles. Alguns até fizeram viagens pelo Nordeste em campanha partidária. Deixaram de pregar o Evangelho por uma política bem ordinária.
Já na reta final das eleições, até o líder máximo de uma certa igreja entrou na campanha eleitoral. E não foi por acaso nem mera coincidência. Hipocrisia deveria ter limites. O homem deve ter sido procurado para falar aquilo que os partidários de uma das candidaturas queriam que ele pronunciasse. Desespero total.
Mas por que tanta apelação? Que medo é esse do que venha a sair das urnas pela decisão democrática dos eleitores?
Todos tem o direito de se expressar numa democracia, mas o absurdo está na tentativa de tentar mudar, à força, a consciência dos eleitores sobre a sua decisão política.
Os temas que foram levantados por líderes religiosos na reta final da campanha devem sim ser debatidos com profundidade, mas jamais deveriam ser usados como armas para tentar atingir uma das candidaturas. Isso é demasiado rasteiro. Todos são livres para manifestar os seus pensamentos e para defender aquilo que acreditam, mas tudo tem a hora certa. E, com certeza, às vésperas de uma eleição não é mesmo o momento adequado.
Muitos quiseram transformar a eleição presidencial num plebiscito de temas ligados a crenças religiosas.
Que esses temas sejam debatidos pela sociedade e pelo Congresso Nacional.
Tem gente achando que eu estou contra a liberdade de manifestação de líderes religiosos. Não é nada disso. O que questiono é sobre a exploração política de temas importantes para a sociedade num momento totalmente inoportuno.
Hoje os eleitores voltam às urnas para escolher quem vai governar o país nos próximos quatro anos, e não uma liderança religiosa casta e santa.
Ainda bem que muitos líderes religiosos saíram em defesa da consciência independente do eleitor e da liberdade democrática no país.
O fiel de uma determinada crença não pode ser tratado como vaquinha de presépio, massa de manobra. Como cidadão, a sua liberdade de escolha deve ser respeitada.
Aqueles líderes religiosos que nas eleições deste ano prestaram um desserviço à democracia, deveriam fazer um retiro espiritual para repensar suas posições cristãs num mundo já tão conturbado. Por que entrar numa campanha política em favor de uma determinada candidatura, quando deveriam pregar aquilo que creem, propagando o Evangelho? Se assim fizessem, os fieis estariam melhor servidos com o fortalecimento da fé.
O importante agora, é que tudo o que ocorreu na campanha eleitoral deste ano sirva de aprendizado para as eleições futuras, a democracia ficaria grata.
E que o resultado que sairá das urnas hoje seja respeitado pela candidatura derrotada. Que não haja terceiro turno e que a candidatura vitoriosa tenha todas as condições para terminar o seu mandato com transparência e competência.
Se cada um cumprisse com o seu papel na sociedade, o país estaria bem melhor para todos.
Neste dia maior da democracia, que o veredicto do eleitor nas urnas seja respeitado.

Halloween e o muro verde

João Júlio da Silva
No próximo domingo os eleitores brasileiros voltam às urnas no segundo turno das eleições para a escolha do sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em alguns Estados, o eleitorado também decidirá quem será o próximo governador.

Nesta semana que resta, o que mais poderá vir da campanha eleitoral e da propaganda em rádio e televisão?

Era esperado que o clima esquentaria nesta reta final, mas não nos patamares a que chegou. Do jeito que ficou, será que as duas candidaturas vão acabar decidindo a parada na base do duelo?

Num episódio, uma bolinha de papel ou rolo de adesivos ou um objeto qualquer atinge o alvo e vira a grande manchete. Em outro, balões cheios de água são arremessados de prédio, mas a mira falha. Se acerta, o estrago seria bem maior, pois o peso de um balão cheio de água jogado do 12º andar é grande.

Qualquer tipo de violência deve ser repudiado com veemência, pois não é por aí que a democracia vai se fortalecer no país. E que o eleitorado tenha a sabedoria de discernir sobre o que é e o que não é de fato verdadeiro.

Pode ser até que não admitam, mas todo esse clima de guerra esquentou depois que certos líderes religiosos resolveram se intrometer no processo eleitoral do país, tratando com desdém a consciência do eleitor e a liberdade democrática. Decidiram atacar de maneira agressiva, até grosseira, uma das candidaturas.

Alguns, nos últimos dias, tiveram a sabedoria de recuar e ficar nos seus devidos lugares. Outros, insistem com o bombardeio, tentando mudar o voto dos eleitores.

Teve um líder religioso que lembrou que o segundo turno das eleições será no Dia das Bruxas, o Halloween, e que é preciso impedir a eleição do mal, numa clara referência à candidatura a ser derrotada, segundo ele e seus iguais.

A que ponto chegamos! Estão querendo retomar o “Caça às Bruxas” que a igreja adotou no passado contra pessoas que ela decidiu que deveriam ser eliminadas, pois representavam o mal.

Tem líder religioso por aí que parece estar confundindo a eleição presidencial com a escolha de um papa.

Voltemos às candidaturas. Terminado o primeiro turno, os votos direcionados à candidatura que ficou em terceiro lugar passaram a ser o alvo dos dois últimos postulantes ao cargo de presidente. Ambos foram atrás em busca do tão desejado apoio. Mas, nenhum deles obteve o esperado “sim”.

A candidatura decidiu subir no muro verde.

O partido derrotado no primeiro turno optou pela neutralidade no segundo turno e os eleitores de sua candidatura se dividiram para um e outro lado. Nada oficialmente, lógico.

A candidatura que ficou na terceira colocação na eleição presidencial, declarou, durante convenção, que se manteria neutra no segundo turno da disputa eleitoral. Ela preferiu chamar a posição de “independência”. Ela criticou a polarização política entre os dois partidos finalistas e cobrou um avanço maior dos dois no compromisso com o programa apresentado.

Ela considerou que a “independência” foi a melhor forma de contribuir com o povo brasileiro. Ela deixou claro que esperava uma prova de amor mais concreta dos finalistas. Ela disse que os dois partidos restantes “se deixaram capturar pela lógica do embate” na disputa política nacional.

A posição adotada pode até ser estratégica para as próximas eleições presidenciais, com o objetivo de colher os frutos do pleito deste ano, mas, além de ficar em cima do muro, a promessa para a sucessão futura adotou um comportamento de ingratidão para com a sua origem política e partidária. Antes, não era tão conhecida nacionalmente, foi ao assumir um ministério de destaque que obteve notoriedade até mundial.

Então ao decidir pela neutralidade, o que é de seu direito, ela jogou um pano escuro sobre o seu passado político. A ingratidão é considerada como um dos piores defeitos.

Mas o que importa é que em 31 de outubro, o eleitor não leve a sério nem Halloween nem Caça às Bruxas e que não fique em cima de muro nenhum e vote pela democracia.

Queria surrar, acabou surrado

João Júlio da Silva
As eleições de 3 de outubro indicaram a formação do novo quadro do Congresso Nacional. O que marcou o resultado final foi a decisão do eleitorado de deixar de fora vários medalhões da política nacional.
Pesos pesados foram derrotados nas urnas. Não retornam para o Senado nomes tradicionais como Marco Maciel (DEM/PE), Tasso Jereissati (PSDB/CE), Heráclito Fortes (DEM/PI), Mão Santa (PSC/PI) e Arthur Virgílio (PSDB/AM).
O resultado da votação foi um desalento para esses políticos. Em vários casos, os eleitores preferiram votar em novos candidatos a manterem os velhos caciques no poder. É, não deu para eles! Agora é pensar no que fazer da vida.
Será que o Índio terá o mesmo destino dos caciques? As urnas vão dizer.
Jereissati chutou o balde. Tal como um garoto que desiste de alguma brincadeira quando é derrotado, o cearense disse que não disputa mais nenhuma eleição. Não brinco mais! “Eu não pretendo mais ter vida política. Para mim, está encerrado esse capítulo de eleição”.
O líder do PSDB do Senado, Arthur Virgílio, após oito anos como senador pelo Amazonas e ferrenho opositor ao governo no Congresso Nacional, amargou uma derrota na disputa eleitoral. Mas, ele já tem projeto para o futuro.
“Farei palestras pelo país, já estou entrando em contato com pessoas que agenciam essas palestras, vou escrever para jornais e vou criar um blog. Além disso, pretendo realizar um sonho, que é dar aulas. Vou buscar quem me aceite como professor para poder lecionar uma ou duas vezes por mês.” Boa sorte para ele!
O tucano foi vencido nas urnas por seus dois maiores rivais no Amazonas, o ex-governador Eduardo Braga (PMDB) e a deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB).
Já Marco Maciel não quer ouvir falar na palavra eleição. Ele não conseguiu renovar seu mandato no Congresso.
Para se recuperar do trauma e “recarregar as baterias”, Maciel foi para Portugal com a esposa. Quer esfriar a cabeça. Em agosto ela estava confiante.“ O povo vota com consciência. Ele é o único juiz, e o povo do meu Estado é politizado, vai me eleger mais uma vez em três de outubro próximo”, disse. Não deu!
Já Heráclito Fortes diz “não ter a menor ideia” do que pretende fazer depois que foi derrotado nas urnas. “Estou na ressaca eleitoral. Só fiz política na vida, a verdade é essa”.
Fazendo um balanço sobre a nova composição do Congresso, foi definido que de um total de 54 senadores que disputaram a reeleição, 27 foram derrotados,.
O PMDB continuará sendo a maior bancada do Senado Federal, com 19 integrantes; seguido do PT, com 13; PSDB (11), DEM (7), PTB (6), PP (5), PSB (4), PR (4), PDT (4), PCdoB (2), PSOL (2), e PRB, PPS, PSC, PMN, PV, com 1 senador. Dos 513 integrantes da Câmara dos Deputados, 224 não voltarão no próximo ano, o que representa taxa de renovação de 43,7%. O PT conseguiu superar o PMDB, tornando-se o partido com maior número de cadeiras na Câmara – 88 ante as 83 de 2006.
Mas, voltemos ao Arthur Virgílio. Há algo a ser relembrado. Em 2005, ele queria partir para a luta corporal contra o presidente da República. Disse na tribuna do Senado, que daria uma “surra” nele.
“Eu seria capaz de bater na cara do presidente Lula ou de qualquer outra pessoa”, disse todo exaltado. “Mexer comigo é tão grave e dá uma confusão tão feia quanto passar a mão no bumbum da namorada do Mike Tyson num bar”,disse. É, acabou surrado nas urnas.
Naquela ocasião, ele teve o reforço do deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA). Ele anunciou que, a exemplo de Virgílio, também estava disposto a dar “uma surra” no presidente. “Senador Arthur Virgílio, V. Exa. não dará uma surra sozinho não. Terá um aliado, porque não tenho medo. Não me acovardo. Não me intimido por ninguém”, disse o pequeno valentão. Ele foi reeleito pelos seguidores do velho “painho”, mas Virgílio não.
Bem, ele tanto se empolgou ameaçando surrar o presidente, que acabou sendo surrado da única maneira tolerável num regime democrático num país civilizado: através do voto popular.

Religião leva ao segundo turno

João Júlio da Silva

Toda vez que religião e política se misturam o resultado é trágico e atinge muitas vidas inocentes. A história da humanidade prova bem isso. É um terror.
Pois é exatamente isso o que está ocorrendo nas eleições deste ano. E mesmo que não admitam, eu não tenho dúvidas de que foi a religião que provocou o segundo turno na eleição presidencial. Muitos fazem vistas grossas e dizem que foi a tal de “onda verde” que levou o pleito para o segundo turno.
Matematicamente essa indicação está correta, pois se não fosse o percentual de votos atingido pela candidatura que ficou em terceiro lugar isso não teria ocorrido.
Mas, o que levou parte do eleitorado a mudar o voto, praticamente às vésperas da eleição, em favor da terceira via, foi a intromissão de líderes religiosos na disputa eleitoral.
E foi isso que mudou tudo. Com certeza, não foi nenhuma consciência ambiental que alterou a cor do voto. Se a opção tivesse ocorrido de forma natural por parte do eleitorado seria apenas mais uma manifestação democrática, mas não foi o que ocorreu.
As lideranças religiosas pediram para os fieis não votarem em determinada candidatura por algo que ela mesmo já havia desmentido. Pregaram o diabo em suas cerimônias religiosas e prestaram um desserviço à democracia, demonstrando um atraso político absurdo nesse jogo rasteiro.
Para o bem da democracia, qualquer candidatura, de qualquer partido, poderia sair vencedora das urnas, mas apenas com o aval dos eleitores, sem elementos estranhos no resultado. O que ocorreu foi simplesmente lamentável.
Não satisfeitos de provocarem o segundo turno, os mesmos líderes religiosos agora pregam o voto em sua candidatura preferida e satanizam a candidatura que desprezam, como se fossem juízes celestiais. O terror está no ar . Isso não é democracia.
O fiel de uma denominação religiosa não pode ser feito de vaquinha de presépio, massa de manobra, pois, como eleitor, ele deve fazer uso do seu direito de votar de maneira livre e consciente. Seu voto não pode ser manipulado.
Como cristão e cidadão livre em um país laico, eu repudio qualquer intromissão religiosa na decisão do eleitor no momento de decidir o futuro da nação através do seu voto democrático.
Triste e pobre país, que ainda está à mercê de mentes arcaicas e sem consciência política e democrática.
Disse aqui no domingo passado, que “a cada eleição presidencial a democracia brasileira se fortalece e leva o país a dar mais um passo importante rumo à maioridade política. Neste ano não é diferente, mais uma vez sairá fortalecida após o veredicto das urnas”.
Sim, eu esperava a vitória do voto na democracia, mas pelo odor que paira no ar, não será bem isso o que ocorrerá. É como disse, qualquer candidatura poderia sair vencedora, mas não da maneira como o pleito está sendo conduzido.
E repito o que já disse neste espaço: “É imensurável o valor da oportunidade que os brasileiros têm de escolher o seu presidente. Embora haja um certo desdém de parte do eleitorado por um direito conseguido a tanto custo, o voto é sim uma arma poderosa, capaz de refletir a vontade popular para o destino do país. O tempo dirá se uma escolha é acertada ou não. O bom na democracia, em caso de descontentamento, é que na próxima eleição o rumo pode ser refeito para o bem de todos. Assim deve ser, a decisão final cabe sempre ao povo.
“Volto a reforçar que em um tempo não muito distante, o povo não tinha o direito de escolher o presidente do país. Sob a repressão de uma ditadura implacável, muitos foram torturados, desaparecidos e mortos naqueles anos de chumbo. Essas vítimas sonhavam com um Brasil livre, trilhando o caminho da democracia. E se hoje podemos ir até às urnas votar e escolher o presidente do país é graças a esses mártires. Portanto, é preciso valorizar e muito o nosso direito de poder votar”.
Que no segundo turno, o eleitor faça valer a sua liberdade política e dê crédito à democracia através do voto consciente. E que nada o induza a desprezar esse seu direito.

Vitória do voto na democracia

João Júlio da Silva
A cada eleição presidencial a democracia brasileira se fortalece e leva o país a dar mais um passo importante rumo à maioridade política. Neste ano não é diferente, mais uma vez sairá fortalecida após o veredicto das urnas.
É imensurável o valor da oportunidade que os brasileiros têm de escolher o seu presidente. Embora haja um certo desdém de parte do eleitorado por um direito conseguido a tanto custo, o voto é sim uma arma poderosa, capaz de refletir a vontade popular para o destino do país. O tempo dirá se uma escolha é acertada ou não. O bom na democracia, em caso de descontentamento, é que na próxima eleição o rumo pode ser refeito para o bem de todos. Assim deve ser, a decisão final cabe sempre ao povo.
Conforme já disse em outras oportunidades, independente de quem seja o vencedor, o que vale mesmo é o caminhar firme da democracia. Cada eleitor, seja ele a favor desse ou daquele candidato, deve levar em conta que o seu voto tem um grande valor no processo democrático.
Portanto, hoje é um dia de festa da democracia. Ao ir votar, o eleitor deve ir de cabeça erguida e consciente de que é parte importante no processo.
Tem gente por aí que não dá a mínima importância para uma eleição. Esse tipo de postura é de quem não tem olhos naquilo que é o mais importante nu’ma votação, a valorização da democracia.
Volto a reforçar que em um tempo não muito distante, o povo não tinha o direito de escolher o presidente do país. Sob a repressão de uma ditadura implacável, muitos foram torturados, desaparecidos e mortos naqueles anos de chumbo. Essas vítimas sonhavam com um Brasil livre, trilhando o caminho da democracia. E se hoje podemos ir até às urnas votar e escolher o presidente do país é graças a esses mártires. Portanto, é preciso valorizar e muito o nosso direito de poder votar.
E nunca é demais lembrar que muitos que hoje estão por aí como arautos da democracia e da ética política batiam continência aos ditadores e lambiam os seus coturnos.
É de extrema importância fazer valer a vontade popular através da decisão das urnas após a contagem dos votos. Passar por cima desse veredicto é golpe, e golpe bem rasteiro contra a democracia.
A força democrática está com o povo e não com o poder do capital e de seus representantes. O governo deve ser do povo, para o povo e pelo povo. Ora, pois!
Apurados os votos, que a meta seja o trabalho pelo bem do país. E que nenhum revanchismo político ameace a estabilidade institucional. É importante destacar que o país tem urgência em prosseguir em frente, rumo a melhores dias para todos os brasileiros. Mesmo sendo repetitivo, reafirmo que, independente do resultado das eleições, o que realmente fica e deve ser exaltado é o grande passo dado pelo país pelo fortalecimento da democracia. Entre ganhadores e perdedores há algo muito maior.
O que mais me deixa indignado com os comentários de supostos “especialistas” no assunto, autodenominados cientistas políticos, é que muitos não dão a mínima importância para fato tão relevante, que é a essência para a liberdade política de uma nação.
É grandioso o valor do direito de se poder votar. O rumo dado ao país através do voto, pela manifestação popular, tem a democracia como avalista. E isso, sim, é tudo o que vale e faz toda a diferença num processo eleitoral.
Mas, infelizmente, muitos, talvez saudosistas da ditadura, não enxergam isso ou fazem vistas grossas para algo tão vital para um país que segue caminhando pelas vias da liberdade democrática. É preciso respeito pela decisão que sai das urnas, afinal, numa democracia o veredicto de uma eleição cabe sempre aos eleitores.
Após o resultado das eleições, cabe a vontade política para um diálogo em defesa do país, independente das cores partidárias. Isso é o mínimo que se espera de pessoas públicas conscientes e comprometidas com o caminhar democrático da nação.
E que a eleição hoje transcorra na mais perfeita harmonia e paz. E mais do que isso, com certeza, a decisão do eleitor há de ser respeitada.
Bom voto!

Voto no Dia D, de Democracia

João Júlio da Silva
Como era de se esperar, o clima esquentou na reta final da campanha eleitoral para a sucessão presidencial. Mas isso já não surpreende, pois nas eleições anteriores também foi assim. E nesta semana que antecede as eleições, a tensão deve se elevar ainda mais. O terror está no ar.
No próximo domingo, o Dia D, de Democracia, o eleitor deve ir às urnas fazendo valer seu direito e dever de cidadão e escolher o melhor candidato, segundo a sua consciência. Que ele não se deixe levar por pesquisas “encomendadas” de última hora, desespero de candidaturas em programa eleitoral, apelo de líderes religiosos para voto contra determinada candidatura e partido e tudo mais que possa tentar desviar o rumo de sua decisão.
Embora estejamos numa democracia, ainda há quem queira fazer do eleitorado, uma indefesa massa de manobra. Mas, os tempos são outros.
Aliás, certos líderes religiosos deveriam estar mais preocupados com o seu rebanho de fieis do que com o voto livre e democrático do cidadão. E olha que eles têm muito com o que se preocupar, casos de pedofilia dentro da igreja, diminuição de frequentadores em suas cerimônias e queda de confiabilidade no seu império. Melhor fariam, se ficassem rezando. Outros, deveriam estar mais atentos com o uso inadequado do dízimo dos fieis.
Mais que nas eleições anteriores, este ano a internet virou um cabo eleitoral fortíssimo. Atacam com ferocidade a pessoa da candidatura adversária. Respeito é algo que não existe mais. É realmente o vale-tudo eleitoral. Uma lástima para a consolidação de uma democracia que ainda caminha meio capenga, inibida pela força do capital.
Essas pessoas que estão espalhando o terror ainda não aprenderam a conviver com a democracia e, sequer, aceitaram o resultado da última eleição. Isso sim, é muito grave.
Vou repetir o que já disse nas eleições de 2006 e 2002, pois a situação é bem parecida. Diante da “carnificina” que virou a campanha na reta final das eleições deste ano (e em caso de segundo turno a tendência é piorar ainda mais), que o resultado das urnas seja respeitado dentro dos parâmetros de uma verdadeira democracia, apesar das ameaças que ela tem sofrido.
A atitude de alimentar um clima de terror eleitoral não combina com a liberdade democrática, inclusive quando ela é tomada em nome da liberdade de expressão, que deveria ser utilizada com responsabilidade.
Muitos se posicionam hoje como professores de democracia e arautos e santos imaculados da ética política, mas num passado não muito distante batiam continência e lambiam os coturnos da ditadura.
Que a voz do povo seja respeitada, pois é com o voto que ele escolhe os seus governantes. E que qualquer tipo de falcatrua de última hora seja, definitivamente, apenas uma tenebrosa anomalia política dos anos de chumbo.
Como quatro anos atrás, no próximo domingo o eleitorado brasileiro vai às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores, deputados federal e estadual.
Reafirmo e desejo que a democracia saia fortalecida com a lisura do processo eleitoral e com a consciência do eleitor respeitada.
Mesmo diante de tantas mazelas, ainda é preciso acreditar na política e principalmente, na democracia.
E que os eleitores mostrem em 3 de outubro o seu valor através do único e grande poder que têm para colocar as coisas em seus devidos lugares, o voto.
Que o eleitorado não se deixe intimidar de última hora por tudo que ainda virá nesta última semana e seja consciente diante da urna eletrônica.
E que os saudosistas da ditadura sejam barrados no voto popular, pois é com liberdade democrática que se constroi um país grandioso.
Voto é caso sério. Como arma poderosa, transforma uma realidade.
Quando um povo escolhe mal os seus representantes, as consequências de sua ignorância política são as piores possíveis. E as camadas menos favorecidas da população são as que mais sentem na pele o que é um governo que nada faz pelos mais pobres e marginalizados.

Guerras e guerra eleitoral

João Júlio da Silva

Numa democracia em que as raízes já estejam bem firmes e fundamentadas, uma eleição passa a ser algo comum e a disputa entre as candidaturas é tranqüila, sem grandes tensões e um desgastante clima de hostilidades. Realidade que ainda não ocorre neste país.
Quem imaginou que a eleição presidencial deste ano ocorreria numa atmosfera de paz, errou feio, pois é exatamente o contrário o que vem ocorrendo na campanha eleitoral, recheada com ingredientes nada amistosos.
A temperatura começou a esquentar logo no começo do ano, quando o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, desqualificou a então pré-candidata petista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff.
Na ocasião, Guerra deixou bem claro que a partir dali os meses vindouros seriam de guerra. O tucano acusou a então ministra da Casa Civil de “mentir, omitir, esconder-se, dissimular e transferir responsabilidades” e definiu Lula como “o último presidente a fazer política com as mãos sujas”. Disse isso e muito mais para uma revista, aquela bem tendenciosa e com a credibilidade bastante duvidosa e que tenta derrubar o “sapo barbudo” desde que ele foi eleito.
Lula não deixou o insulto barato e chamou Guerra de “babaca”, “desconectado da realidade” e que só fala “bobagem” e não conhece o Brasil e muito menos o Estado dele, Pernambuco. “Quero fazer a campanha do quem sou eu e quem és tu”, disse Lula em janeiro, numa referência ao confronto de projetos entre os governos do PT e do PSDB do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Não quero que meu sucessor encontre a situação que encontrei quando assumi a Presidência, em 2003: não tinha Orçamento para investir nem projeto pronto”, afirmou ele, defendendo o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), alvo de críticas dos tucanos. Para mostrar discurso afinado, o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) entrou na briga fazendo trocadilho com a palavra guerra, numa referência ao líder tucano. “A gente não entra em guerra, o nosso bloco é da paz. A Dilma é da paz. A Guerra está lá no PSDB”, disse então. Padilha disse ainda que “o presidente Lula orientou os ministros a não entrar em jogo rasteiro na campanha”. “Temos condições de fazer um debate de alto nível”.
Em março, Dilma deixou o cargo de ministra da Casa Civil para disputar a eleição e a sua colaboradora, Erenice Guerra assumiu. Se Dilma soubesse da “guerra” que viria pela frente, não teria credenciado seu braço direito para o posto.
Pois então, na última semana, Erenice Guerra apresentou sua carta de demissão ao presidente Lula, que aceitou de imediato. No documento, Guerra afirma que precisa de “paz e tempo” para se defender das acusações de lobby no ministério. Ela disse que foi “surpreendida” pelas reportagens contendo acusações que envolvem seus familiares. “As paixões eleitorais não podem justificar esse vale-tudo. Preciso agora de paz e tempo para defender a mim e minha família fazendo com que a verdade prevaleça, o que se torna incompatível com a carga de trabalho que tenho a honra de desempenhar na Casa Civil”.
E que tudo seja bem explicado e que, havendo comprovações das denúncias, que os acusados paguem ao rigor da lei, é o mínimo que se espera.
Pois bem, com o escândalo da queda da ministra, Sérgio Guerra, apostou que o episódio abalaria a campanha petista. “Como a candidatura da Dilma será afetada pelo escândalo, a demissão é uma tentativa de reduzir o tamanho do estrago”, disse.
Não foi o que ocorreu, segundo as últimas pesquisas eleitorais. Para o Ibope, Dilma manteve os 51% das intenções de voto e o seu principal adversário, José Serra (PSDB), recuou de 27% para 25%, o mais baixo nível desde o início da campanha. E mais, a aprovação do governo Lula chegou a 80%. Já a pesquisa Vox Populi aponta subida de Dilma de 45% para 51% e queda de Serra de 29% para 24%. Ambas as pesquisas indicam vitória petista no primeiro turno. Será? Bem, até 3 de outubro, dessa cartola eleitoral pode sair muito mais que coelhos e pombas. Haja cobras e lagartos. Oia!

Piromaníaco no 11 de Setembro

João Júlio da Silva

Ontem foi mais um 11 de Setembro. Data tenebrosa, principalmente para os norte-americanos, que se tornaram alvo mortal do terror em 2001. Aquelas cenas de horror, transmitidas ao vivo pela televisão, ainda estão bem nítidas na mente de qualquer ser humano com um mínimo de bom senso.
Os atentados terroristas foram uma série de ataques suicidas coordenados pela Al-Qaeda contra os EUA.
Passados nove anos do absurdo ocorrido naquele 11 de Setembro, algo tenebroso na história da humanidade, na última semana um plano insensato causou preocupação de várias lideranças mundiais.
O reverendo Terry Jones, 58 anos, de uma pequena igreja da Flórida, planejou queimar cerca de 200 exemplares do Alcorão, livro sagrado do Islã, em protesto contra os atentados de 11 de Setembro.
Acabou desistindo, atendendo a um pedido do presidente Barack Obama, mas conseguiu elevar a temperatura entre os radicais religiosos. Seria ele, um homem que se diz cristão, um piromaníaco?
Qualquer protesto no mesmo nível do terror é algo inconcebível atualmente.
Como inconcebível é a proposta para construção de um templo islâmico perto do marco zero de Nova York, onde ficavam as torres gêmeas do World Trade Center até os atentados de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos, com aval do senhor Barack Hussein Obama.
Como pode isso depois de todo aquele terror? É uma total falta de consideração pelos familiares das vítimas do 11 de Setembro e para todos os cidadãos norte-americanos, mesmo que os EUA sejam um país imperialista e sanguinário.
“Nós sentimos que haveria um sinal de que Deus quereria que fizéssemos isso. O povo norte-americano não quer a mesquita ali, assim como, é claro, os muçulmanos não querem que nós queimemos o Alcorão, disse Jones, após desistir de seu plano.
A igreja de Jones estava propensa a queimar o livro sagrado islâmico no aniversário dos atentados. “Nós queremos que eles saibam que, se estão na América, eles precisam obedecer à lei e à Constituição e não sobrepor sua agenda gradualmente sobre nós”, disse Jones, antes de desistir da ideia.
A Organização das Nações Unidas (ONU), os governos dos Estados Unidos, Alemanha e Líbano, além da União Europeia e do Vaticano, criticaram o plano.
Como escrevi esta coluna antes da data de ontem, não sei se ele voltou atrás e decidiu ir às vias de fato ontem. Há louco para tudo neste mundo.
A chefe das Relações Exteriores da União Europeia, Catherine Ashton, condenou o plano, enquanto o chefe da Liga Árabe, Amr Mussa, disse que Jones era um “fanático”.
A chanceler alemã, Angela Merkel, qualificou a iniciativa de Jones como “ignominiosa” e “simplesmente errada”.
O Vaticano denunciou como “indigno e grave” o plano de Jones. O Vaticano afirmou que todas as religiões merecem respeito e têm o direito de proteger seus livros sagrados, símbolos e locais de oração.
O Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso condenou os atentados terroristas, mas acrescentou que “não se pode responder a eles com um gesto indigno e grave contra um livro considerado sagrado por uma comunidade religiosa”. É, não dá mais para sair por aí queimando livro. Embora, não seja apenas o Jones que tenha essa vontade maluca.
Para a secretária de Estado Hillary Clinton, o plano do reverendo é “infame”. Obama pediu a Jones que escutasse “os anjos bons” e desistisse de seu plano de queimar o Alcorão. Como seriam esses “anjos bons” do senhor Hussein?
Para Obama, a queima do Alcorão seria uma boa notícia para a Al-Qaeda na busca por novos recrutas para o terror.
A piromania é um comportamento que uma pessoa passa a ter de atirar fogo propositalmente com alguma intenção. Tal comportamento levanta questionamentos de ser ou não um transtorno mental.
Seria Terry Jones um louco? Seu plano, sim, com certeza. E bem incendiário!
Se os problemas do mundo fossem resolvidos na base do olho por olho e dente por dente, ficaríamos todos cegos e banguelas.

Dinheiro público em campo

João Júlio da Silva
Nos bastidores do futebol pode acontecer de tudo. Um campo todo enlameado é nada diante do que pode ocorrer nas penumbras.
Nem tudo que aparenta ter transparência é tão claro assim. Dúvidas pairam diante de estranhas coincidências, embora, estas podem não passar de algo muito bem arquitetado previamente.
Em junho, antes do início da Copa da África do Sul, a Fifa vetou o Estádio do Morumbi, para ser palco da Copa de 214, porque o seu clube proprietário propôs uma reforma em valores inferiores ao que pretendia a toda poderosa do futebol mundial. Algo em torno de R$ 630 milhões contra R$ 265 milhões.
Seria um jogo de cartas marcadas? Será que fizeram isso com o objetivo de construir um estádio em caráter emergencial destinado a atender “estranhas coincidências? Será que pretendiam presentear um clube pelo seu centenário com um estádio construído com dinheiro público?
E na última terça-feira, à véspera de seu aniversário, o clube divulgou nota oficializando a construção do novo estádio em Itaquera, na capital.
Segundo o comunicado assinado pelo presidente do clube centenário, o projeto do estádio -que é chamado de “casa própria”- tem um valor de referência de R$ 335 milhões e deve ter suas obras iniciadas ainda este ano.
A previsão é a de que a inauguração ocorra antes do segundo semestre de 2013.
O presidente do clube vivia batendo no peito para falar que o estádio não seria construído com dinheiro público, no entanto, o próprio clube confirma que a Odebrecht, empreiteira responsável pela obra, fará um empréstimo junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), uma empresa pública federal, para financiar o empreendimento. Fácil, né!
Se a instituição financeira tem por objetivo o social, não poderia jamais financiar estádio de futebol, principalmente, num país tão carente de boas escolas e hospitais que funcionem adequadamente.
Ao fazer a parceria com a Odebrecht, o clube cedeu para a empresa o direito de nome do novo estádio.
Concebido para 70 mil espectadores, mas com capacidade inicial para 48.234 lugares, o estádio terá de crescer para receber a abertura da Copa do Mundo de 2014. A ampliação terá um custo adicional, mas a arena já foi projetada para isso. Com certeza não faltará dinheiro. Assim, o local ganhará 20 mil novos assentos, atrás dos gols, para se adequar às exigências da Fifa e poder receber a grande festa de abertura do Mundial de 2014.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, torcedor do clube, foi de grande valia nas negociações que resultaram no acordo para a construção do estádio. Ele teria feito a aproximação entre o clube, a construtora Odebrecht, responsável pela obra, e a direção do BNDES.
Como o BNDES abriu linha de crédito de R$ 4,8 bilhões para financiar a construção dos estádios da Copa de 2014, o clube beneficiado e a construtora, que banca campanhas eleitorais, viram aí a oportunidade de fazer duas coisas que Lula queria: garantir jogos da Copa de 2014 em São Paulo e levantar a arena do seu clube querido. Oportunidade!
Estádios e arenas esportivas para a Copa e as Olimpíadas devem sim, ser construídas, mas com a participação da iniciativa privada e que os locais sejam para uso de todas as agremiações e não um presente para determinado clube.
Lula atuou em duas frentes,numa fazia pressão sobre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para que o jogo de abertura da Copa ocorresse em São Paulo. Noutra, para ajudar o seu clube, do qual é conselheiro vitalício, a ter a sua própria arena. Muito fácil!
Por que será que o presidente do clube foi nomeado chefe da delegação brasileira na última Copa e o atual técnico da seleção pertencia ao mesmo clube? Seria lobby?
Será que o campeonato brasileiro deste ano já estaria encomendado? Afinal, como festejar num ano sem ter nada?
Por essas e outras tantas, que muitos já pensam em votar verde nas próximas eleições. Eu sou alvinegro, o praiano, lógico, o clube de glórias mil e do futebol-arte.

Artimanha de garoto

João Júlio da Silva

O abacateiro era enorme e dava muitos frutos. Ficava no terreno de um senhor que não se importava que pegassem os abacates, de modo que, muitos usufruíam da frutífera árvore.

Em certa ocasião um garoto de uns dez anos estava tentando subir no abacateiro, quando chegou o dono do local, que morava na casa ao lado.

– Minha mãe mandou perguntar se o senhor não vende uns abacates para ela, disse meio apreensivo.

– Ora, pode levar. Você mesmo pega ou quer que eu apanhe?

– Pode deixar senhor, sou craque em subir em árvore.

– Sendo assim, então pode subir. Mas, cuidado para não cair, pois a árvore é bem alta.

E de galho em galho, como um ágil símio, foi parar lá na copa do abacateiro, entre as folhas. Pula daqui, pula de lá, depois de um bom tempo ele desceu sem fruto nenhum.

– Não vai levar nada?

– Ainda não estão bons para comer, estão duros.

– Mas, pode apanhar assim mesmo que depois ficam bons.

– É que era para hoje.

Sem mais nem porquês, o menino saiu correndo.

Depois de alguns dias, lá estava o garoto de novo. Parecia mais descontraído.

– O senhor vende uns abacates?

– Já disse que pode levar.

O garoto subiu e num instante já estava lá nas alturas, pendurava nos galhos como um exímio trapezista de circo com sua arte de se jogar pelos ares. Passado um tempo, desceu de mãos vazias.

– Não achou nem um bom?

– Até que achei alguns, mas esqueci de trazer uma sacola.

– Eu posso arrumar um saco de plástico.

– Não precisa não senhor.

E rapidamente passou por baixo da cerca e foi embora.

Passados mais alguns dias, o menino voltou. Dessa vez, com um saquinho de plástico nas mãos e um sorriso no rosto.

– O senhor me dá alguns abacates?

– Claro, pode pegar. Hoje deve ter muitos que já estão no ponto.

Com sua agilidade bem conhecida, foi de galho em galho pelas alturas da árvore.

Dessa vez, parecia bem mais à vontade, pois até arriscava assoviar uma melodia qualquer. Mais uma vez, desceu sem nada.

– E agora, por que não vai levar fruto nenhum?

– É que me esqueci, tenho que ir primeiro comprar açúcar para minha mãe.

Saiu numa correria, como se estivesse muito atrasado e morasse muito longe, num bairro distante da cidade.

No dia seguinte, lá estava ele mais uma vez.

– Hoje você vai levar os abacates?

– Vou, trouxe até uma sacola bem grande.

E foi árvore acima, como quem já estava familiarizado com os seus galhos.

Demorou bem mais que das outras vezes.

Com o passar dos dias, passava mais tempo naquela artimanha.

Então resolveu descer, outra vez sem nada nas mãos.

– Está difícil de apanhar? Quer que eu mesmo pegue alguns para você levar? Sua mãe deve estar pensando que eu não quero dar os abacates.

– Precisa não. Minha mãe pensa isso não senhor.

Como nos outros dias, foi embora sem levar nada, mas com uma satisfação infantil em seu olhar.

No outro dia, o senhor parecia já esperar pelo menino. Estava ficando encabulado com a sua mania de ir buscar abacates e depois ir embora sem nada levar.

O garoto chegou todo alegre, parecia esperar por aquele momento, e numa pressa de menino aventureiro foi logo dizendo:

– Posso subir na árvore?

Na garupa da popularidade

João Júlio da Silva
Como pode isso? Eu vi na TV, não estou maluco.
O candidato do PSDB à sucessão presidencial, José Serra, abriu seu programa no horário gratuito veiculado na noite da última quinta-feira com imagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o principal cabo eleitoral da sua adversária na disputa, Dilma Rousseff (PT). Nos 5 primeiros segundos da inserção de 7min18, Serra e Lula foram chamados de “homens de história” e “líderes experientes”, em contraponto à critica a Dilma que veio logo a seguir, na voz do locutor: “Serra, o mais preparado para comandar o País. A vivência que Dilma não tem.”
Isso não tem outro nome, é picaretagem mesmo, total falta de escrúpulo. Ora, Lula não é cabo eleitoral de Dilma? Serra tem atacado com veemência o governo federal e, de repente , é amigo do presidente!
Por que não mostram o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso? E onde está o vice Indio da Costa?
A atitude do tucano deixou até seus aliados indignados. Só pode ser desespero ante as últimas pesquisas de intenções de voto, que mostram a vantagem de Dilma mais elástica. Diante disso, ele tentar salvar a própria pele.
O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, criticou a estratégia de Serra, de utilizar a imagem de Lula na campanha eleitoral. “O governador José Serra ficou oito anos querendo derrubar a moto do presidente Lula e agora quer sentar na garupa”, disse.
Puxa, logo o Serra que vive criticando que Dilma está na garupa de Lula!
Dilma disse acreditar que, mesmo com a postura de Serra, os eleitores terão capacidade de identificar os candidatos que fizeram oposição ao governo.
“Eu acho que é um pouco arriscada essa tentativa, que parece supor que o nosso povo seja muito ingênuo. (É) uma visão elitista sobre o povo, de que ele não tem condições de ter senso critico”, afirmou. “O que me assusta é o fato de críticas pesadas ao nosso governo ocorrerem em debates durante a tarde e, de noite, o presidente Lula ser usado dentro de programas políticos”, completou.
Mesmo sendo um ato de total incoerência política, Serra ainda defendeu a exibição da imagem de Lula no horário eleitoral gratuito. “Não sei por que estão se incomodando”, reagiu. É mesmo, ele não fez nada além do que é capaz.
“Só dissemos que eu e Lula somos políticos experientes, é uma verdade. Que nossos nomes têm história, outra verdade”, afirmou Serra. Por sinal, histórias bem opostas.
Afinal de contas, o presidente é muito bem avaliado pela população. Então, vamos que vamos de garupa!
O PT entrou com duas representações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o uso das imagens de Lula.
A lei diz que poderá participar no horário eleitoral gratuito de determinado partido “qualquer cidadão não filiado a outra agremiação partidária ou a partido integrante de outra coligação”. De acordo com essa lógica, o presidente Lula, filiado ao PT, não poderia aparecer no programa do PSDB, seu adversário.
A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, criticou veladamente ocandidato tucano sobre o caso. Ela insinuou ter havido “uso oportunista”.
“Eu não sou favorável a reescrever a história. A minha história, durante trinta anos, esteve junto à história do presidente Lula e durante cinco anos como sua ministra. Se a história revela este ponto de contato naquilo que, sem ferir o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), for necessário se colocar, não vejo por que deva ser aviltado ou escondido. Faz parte da história. Agora, obviamente, terei todo o cuidado de não fazer uso oportunista da imagem de quem quer que seja”, disse. “A história é a história. Não acho que é bom reescrever a história. Agora, não vou fazer uso indevido de quem quer que seja. Este é o meu posicionamento. Não faz parte do meu posicionamento o uso oportunista”, completou.
Então é isso. Repito mais uma vez aqui, que não sou filiado a partido nenhum e nem tenho contato com nenhum deles, por isso estou bem tranquilo em fazer valer neste espaço a liberdade de expressão, graças a democracia conquistada por aqueles que deram suas vidas por ela. Sendo assim, vamos adiante, afinal é para frente que a caravana segue.

Descaso absurdo com o ensino

João Júlio da Silva
O número de absurdos que nos rodeiam cresce a cada dia.Quando se pensa que eles já extrapolaram todos os limites, surgem revelações de algo muito pior. Como já disse aqui em outras ocasiões, é notório que o ensino neste país é precário. Mas, há Estados que conseguem tornar o quadro ainda mais negro. Então, o caos se instala.
E mais uma vez a Secretaria Estadual da Educação de São Paulo está no centro de mais uma polêmica. Apenas para relembrar, pois muitos por aí andam com a memória muito fraca, fraquíssima mesmo, no ano passado a dita secretaria distribuiu um livro com termos impróprios, conotação sexual e alusão a uma facção criminosa, para ser aplicado como material de apoio a estudantes da rede pública na faixa de nove anos de idade, da terceira série do ensino fundamental.
Agora, a notória secretaria distribuiu um livro com contos eróticos , de alta conotação sexual, em escolas do Estado como material didático. Pais de alunos acusam o governo estadual de incitar o “comportamento depravado” entre adolescentes e qualificam os textos como “pornográficos”. Mas a secretaria se defende e alega que os textos ajudarão a “ampliar a visão de mundo” de alunos do ensino médio.
O livro da vez é “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”, organizado por Italo Moriconi, e reúne textos de autores consagrados e outros nem tanto. Aliás, tem escritor ali que eu nem sabia que existia. Como pode uma coletânea de melhores contos sem o talento de Guimarães Rosa? A ausência foi justificada por ter havido problemas com direitos autorais. Ora, pois!
O texto mais criticado pelos pais é o conto “Obscenidades para uma dona-de-casa”, de Ignácio de Loyola Brandão, que narra as fantasias sexuais de uma mulher. Outro conto que provocou contestação foi “Crítica da Razão Pura”, de Wander Piroli. Quem? Mas, o livro contém outros textos fortes, como, por exemplo, o conto “A Confraria dos Espadas”, do grande Rubem Fonseca. É preciso ressaltar que não são todos os contos do livro que possuem um vocabulário chulo.
A questão no caso não é se os contos são assim ou “assado”, mas o público-alvo para o qual o livro é destinado. O texto é literatura, bom ou ruim, mas literatura. O problema, absolutamente, não é esse. Acredito que o tal livro não é o mais adequado para ser distribuído em escolas. Existe uma infinidade de livros que seriam mais úteis para se trabalhar com os alunos. É preciso mais competência para se adotar uma linha pedagógica adequada, o que os responsáveis pela distribuição do livro demonstram não possuir. Mas, segundo a secretaria, o livro foi aprovado por uma comissão de pedagogos antes de ser distribuído nas salas de aula. “Uma obra considerada adequada para uma determinada faixa etária”. Será que leram o livro, estão a par das fantasias da dona-de-casa? Quem é mesmo o atual secretário da Educação do Estado? Por que nunca se manifesta? Depois, o desqualificado sou eu.
Loyola defendeu o uso de sua obra no ambiente escolar. É um direito dele, mas o conto não é adequado para estudantes ainda em formação. “São pessoas recalcadas, reprimidas, que veem pornografia em tudo”, disse sobre os pais que reclamaram do seu conto. Bem, eu, com toda a certeza, não sou nada disso que ele disse, e não considero seu texto como o mais indicado para ser adotado por uma secretaria de Estado. Antes que atirem pedras, quero deixar bem claro, que não estou questionando o trabalho literário do autor.
Eu transcreveria aqui alguns trechos dos contos polêmicos, mas como já fui amplamente desqualificado por menos, então, por precaução, é melhor não. Mas, posso sugerir a expressão: “deixo champanhe gelada escorrer nos ladrilhos da tua cozinha”. Pois então, é só trocar as palavras “ladrilhos” e “cozinha” por algo mais picante e pronto. E por aí vai. Acho que dá para se ter uma ideia do que pode ser encontrado nos tais contos. Se fosse filme, seria para adultos.
Finalizo, repetindo o que já escrevi sobre o episódio do ano passado. Uma coisa é certa, qualquer livro passa valores para quem o lê, por isso mesmo, deve ser adequado à faixa etária. Os pais também devem procurar saber sobre a obra antes do filho ler. Ainda mais com uma secretaria da Educação tão desatenta assim. É preciso fazer valer os limites. Onde está o processo pedagógico do ensino? O que acrescenta para os alunos, um livro assim?

Falastrão quer impor mordaça

João Júlio da Silva
É repugnante a capacidade que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem de falar bobagens, que na verdade, são divagações intestinais. É nhenhenhém num dia e blablablá no outro. Um doutor em abobrinhas.
É sem dúvida um falastrão incorrigível. E há quem diga que se trata de um intelectual. Por falar alguns idiomas, o ex-tudo se acha o rei da cocada preta. Mas, hoje falar línguas qualquer rapazinho de 20 anos é capaz. Conheço um professor de inglês em Minas que fala 30 idiomas, inclusive o chinês, e o fedelho tem apenas duas dezenas de anos.
Pois bem, desde que não conseguiu fazer o seu sucessor nas urnas, o enganador bom de bico não faz outra coisa além de despejar todo o seu rancor contra o seu maior adversário político. Isso passou a ser o seu esporte predileto.
Foi o que fez mais uma vez ao participar da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) na última quinta-feira. Aliás, diga-se de passagem, a Flip foi transformada num palanque tucano em pleno ano eleitoral. Moradores da cidade se manifestaram contra a presença do bicudo.
FHC participava de um debate com o escritor britânico de origem indiana Salman Rushdie (autor de “Versos Satânicos) sobre a obra “O Príncipe”, do filósofo Nicolau Maquiavel (1469-1527), quando fez uma menção direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e divertiu a plateia na Flip, que mais parecia um poleiro de bons de bicos.
“O objetivo do príncipe é a manutenção do poder. Isso não se aplica mais. Hoje temos eleições – embora ainda existam pessoas interessadas em permanecer”, disse FHC, arrancando gargalhadas de uma pequena mas seleta plateia, formada por baba-ovos (em delírio), empresários, banqueiros e meia dúzia de moscas-varejeiras. A nata da nata.
Esse sujeito tem memória curta mesmo! Quem foi que alterou as regras do jogo eleitoral, mudando a Constituição para que ficasse mais um mandato de quatro anos no poder? Quem introduziu a reeleição no cenário político? E a denúncia dos votos comprados, na ocasião, para que tal objetivo fosse alcançado?
Rushdie lembrou da tradição republicana, nos Estados Unidos, segundo a qual os ex-presidentes não se manifestam sobre o governo de seus sucessores. Em seguida, FHC se apressou em dizer, rindo: “Eu sou um ex-presidente que não fala”. E disse que espera que o presidente Lula se torne um ex-mandatário que se mantenha em silêncio. “Lula disse que vai se calar. Vamos esperar para ver.”
Como assim? FHC “um ex-presidente que não fala”! Então, além de falastrão o bom de bico é mentiroso! E ainda quer calar os outros.
No cúmulo do egocentrismo sem limites, FHC disse que não poderia se comparar a Maquiavel. “Eu fui um príncipe; ele, não”. O ex-tudo é considerado por amigos do mesmo saco de “príncipe da sociologia brasileira”.Um príncipe? Suas bazófias revelam que está mais para bobo da corte.
O bom de bico voltou a cutucar Lula em outro momento, criticando governantes que exploram a imagem de “pai dos pobres”. “Não é democrático.” Acredito, que todo aquele que é eleito pelo povo, através do voto, é sim um democrático. Agora, não é democrático aquele que muda a legislação para se ter um outro mandato. Quem foi que aprovou a reeleição para si mesmo? Ora, pois!
Mas, é melhor ser o “pai dos pobres” do que ter sua imagem de mercador refletida como o pai dos especuladores financeiros, se tornando o “pai dos ricos”.
Mas, enquanto ele fica por aí falando à vontade, o que bem vier à cabeça, como se fosse o dono da verdade, quer que Lula se cale ao deixar o governo.
Essa turma não se toca, mesmo! Quanto mais o ex-tudo fala, pior fica para os bons de bico. Quanto mais ele bate, mais a massa cresce.
O grande problema do “senhor rancor” é que ele ficou sozinho para defender o seu desgoverno, pois seus correligionários nem querem ouvir falar de governo FHC.
Quanto mais o bom de bico fala, fica mais nítida a superficialidade de seus pensamentos maquiavélicos e exposta a sua musculatura intelectual. FHC, por que não te calas?

Candidatos bizarros fazem rir

João Júlio da Silva

Sem muitas chances de vitória nas urnas, alguns candidatos para as Assembleias Legislativas e o Congresso Nacional são e não passam de uma piada eleitoral.
Mais uma vez, os candidatos de nomes bizarros marcarão presença no pleito deste ano. Apenas em Minas Gerais, segundo colégio eleitoral do país, 45 candidatos registraram nomes folclóricos e exóticos na esperança de marcar seu nome junto ao eleitorado durante o curto espaço de tempo que terão na televisão e na campanha para conquistar o voto. Quase todos são de partidos nanicos.
Alguns dos candidatos que tentarão uma das 53 vagas de deputado federal por Minas são Antônio Hulk, João Rasgado, Geraldo da Carroceria, Reginaldo Tristezam, Alberdan da Contabilidade, Candido da Lotação, Topo, Maria Quilombola, Gordo Feliz e Ratinho.
Para a  disputa por uma das 77 vagas de estadual  aparecem, entre outros, João Faxineiro, Osvaldo Bilisquete, Mestre Wlverine,Jame-lão, Ralado, Ni do Ferro Velho, Cotonete, Balbino da Ambulância, Cantor Gospel Nelson Lima, Canjiquinha – federal, Broinha.
Já no Estado de São Paulo, a variedade também é grande.No  maior colégio eleitoral do país  há nomes de frutas, peixes, carnes, presidente e até terrorista.  Entre eles está a candidata pela primeira vez, Suellem Aline Silva, ela integra o chamado grupo das “mulheres-frutas” e, na esperança de obter uma cadeira na Câmara dos Deputados, decidiu adotar a designação de “Mulher Pera”.
“É pera porque tenho cintura fina e quadril largo Eu tenho muitos fãs que votarão em mim. Vou dar a cara à tapa e ver o que acontece”, diz. Coitada, terá que apanhar muito e mesmo assim não conseguirá o que planeja.
Ainda há nomes como Lambari, Berinjela,  Frangão e Agenor Bisteca, cujo nome oficial é Agenor Hermógenes Júlio. Bisteca é melhor  mesmo, ainda mais  por estar visando o Congresso.
Tem ainda o  “Psiu”, de Manoel Hanario. Ele pleiteia uma cadeira na Assembleia e registrou-se  como: “Psiu Sou Hanario”. Fala aí, Hanario!
Já Ailton Alves da Silva, decidiu pelo registro de “Ailton Meleca”, rumo à Assembleia. “É um nome raro e vai trazer muitos votos”, avalia, anunciando a plataforma: “Vamos tirar as melecas das ruas”.  Boa ideia, devemos tirar as melecas não só das ruas como do cenário político nacional.
E não poderiam  ficar de fora os candidatos Bin Laden, Maradona do Brasil, Maluco Beleza, Tetraneto do Zumbi dos Palmares  e Josué Topa Tudo . Puxa! Estão mesmo a fim de aterrorizar. Maradona, não, jamais! Até o Zumbi? Agora, o Maluco Beleza vai conseguir muitos votos dos seguidores de Raul Seixas, talvez pensem se tratar de alguma metamorfose ambulante do ídolo. Topa Tudo bem que poderia ter o apoio de Silvio Santos.
Antes que me esqueça, destaco ainda o Chinelo, Laranja, e Mestre Xaman.
Se ainda falta opção, o eleitor ainda pode contar com o cover do presidente dos EUA, Barack Obama, Ananias Rodrigues da Silva (PTB), o “Obama Brasil”. Que diz ter semelhança com o americano. “A nossa biografia é idêntica. Somos advogados, religiosos, temos duas filhas e temos a mesma altura”, lista. “Temos um contato espiritual”, diz. Que perigo, isso! Só Mestre Xaman para resolver isso.
Eles tentam, mas, segundo balanço de pleitos passados, está comprovado que não basta apenas um nome chamativo   para convencer o mais incauto eleitor, pois a maioria desses candidatos jamais se elegeu.
O resultado das eleições para a Assembleia  e Câmara dos Deputados de 2006, em São Paulo, prova que o desempenho desses exóticos candidatos nas urnas costuma se um  fracasso. Dos 94 deputados estaduais eleitos, nenhum adotou apelido esquisito.
Segundo o cientista político Humberto Dantas, da Universidade de São Paulo (USP), conselheiro do Movimento ‘Voto Consciente’, o universo de concorrentes exóticos não é exclusividade apenas  do Brasil.
O que importa é que na hora do voto a decisão final cabe mesmo ao eleitor. Com um mínimo de consciência política possível ele definirá o futuro desses simpáticos e divertidos candidatos.

Seleção tem técnico de segunda

Seleção tem técnico de segunda

João Júlio da Silva

No mesmo dia em que o Fluminense frustrou o sonho do técnico Muricy Ramalho de comandar a seleção brasileira de futebol, barrando o seu desligamento do clube, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), que e]stá mais para Confraria de Boleiros Fanfarrões, fez o convite para o técnico Mano Menezes. Isso, para alegria da Toda Poderosa, canal de televisão que só transmite jogos de seu timinho queridinho. Ao contrário do time carioca, o mandatário do clube de Mano, Andrés Sanchez, liberou de imediato o treinador para acertar com a CBF. O que fez ontem mesmo. Muricy busca cumprir seu contrato com o clube, ao passo que o outro… Pelo jeito, contrato não é levado muito sério no clube paulista Tudo muito fácil, afinal Sanchez foi chefe da delegação brasileira no fiasco da Copa do Mundo da África neste ano. Uma pergunta que não quer calar: por que Sanchez chefiou a delegação brasileira? Sei não! Ele está amiguinho do poderoso chefão Ricardo Teixeira e seu clube pode “herdar” um estádio de futebol após a Copa de 2014 no Brasil. Como já descartaram o Morumbi, o famoso panetone, seria construído um novo estádio em São Paulo com o meu, o seu e o nosso dinheiro, ou seja, verba pública, e depois seria entregue de graça para o clube que até hoje ainda não tem a sua própria arena para realizar suas partidas. O que não falta é lobby para isso, principalmente de grande parte da mídia boleira. Isso é Brasil! Para a Toda Poderosa, Mano era o nome certo antes mesmo do convite a Muricy. Mas, agora não deixa de ser o segundo. Segundo nota oficial divulgada no site da CBF, o que determinou a escolha foi o entendimento de que é necessária uma imediata renovação na seleção e que Mano iniciará já na convocação para o amistoso do dia 10 de agosto contra os Estados Unidos. No comunicado oficial, a CBF faz elogios ao seu novo treinador. “Mano Menezes atende plenamente ao projeto traçado pela CBF. Técnico que conquistou o respeito pelo seu trabalho, marca a sua trajetória pelo equilíbrio e tem como característica o fato de gostar de trabalhar e lançar jovens jogadores.” Mas, afinal o que títulos importantes o novo técnico da seleção conquistou? Ele virou técnico de futebol em 1992, nas categorias de base de times gaúchos. Sua estreia em equipes principais aconteceu em 1997 e seu primeiro título em 2002, quando venceu o estadual com o Guarani de Venâncio Ayres. Nesse ano, o Rio Grande do Sul teve o Supercampeonato e o Campeonato Gaúcho, no qual não disputaram Inter, Grêmio, Juventude e Caxias, que competiam pela Copa Sul-Minas. Em 2004, ganhou projeção com o 15 de Novembro de Campo bom após uma campanha de destaque na Copa do Brasil, quando alcançou as semifinais. Acabou indo para o Caxias e, posteriormente, ao Grêmio. Pelo Grêmio, conseguiu o título da Série B de 2005, a famosa segunda divisão de futebol. Depois, levou o Campeonato Gaúcho e ficou em terceiro no Brasileiro de 2006. Em 2007, foi bi estadual e vice da Libertadores, em segundo lugar, após sucumbir diante do Boca Juniors, da Argentina. Depois que o time querido da Toda Poderosa caiu para a segunda divisão do campeonato brasileiro, Mano foi convidado a levar o clube de volta à elite do futebol brasileiro, após fatídica queda para a Série B, segunda divisão nacional. Acabou vencendo a Série B do Campeonato Brasileiro de 2008, ano em que também acabou com o vice da Copa do Brasil, ou seja, campeão da segunda divisão e vice. No ano seguinte venceria a Copa do Brasil, uma espécie de torneio de segunda categoria do futebol nacional, e conquistaria vaga na Libertadores de 2009. Também foi campeão paulista. Sim, é mesmo. Pelo exposto, o novo técnico da seleção não conquistou nenhum título realmente importante. Brasileiro da Série A? Não. Libertadores? Não. Mundial de Clubes? Não. Então, não passa de um técnico meia-boca. Mais um em meio a tantos do mesmo nível. Agora terei que torcer para a seleção do Azerbajão? Espero que até a Copa 2014, aqui no Brasil, a seleção brasileira tenha um técnico melhor. Chega de retranqueiro e adepto de futebol feio. Saiu Dunga, um pseudotécnico, que foi comandar a seleção sem ter treinado nenhum time antes, e entra Mano, sem nenhum título realmente importante. Depois de Dunga, a preferência na seleção de Branca de Neve era Zangado, mas com a negativa de seu clube, Soneca foi chamado, ou seria Atchim? Talvez seja Feliz. Dengoso com certeza não é. Mas, o técnico adequado para a seleção seria mesmo o Mestre. Onde estará o Mestre? Talvez não exista mais no reino do futebol.

Candidatos com a língua afiada

João Júlio da Silva
Os dois principais candidatos à Presidência da República nas eleições deste ano estão com a língua bem afiada em seus múltiplos ataques.
Ma, o que mais provoca certa histeria é a manifestação do presidente em favor de sua candidata. Toda vez que assim procede, é repercussão na certa. Haja manchetes, editoriais, artigos de especialistas políticos e páginas e páginas sobre o que foi dito.
Se a lei não permite que o presidente da República ou qualquer chefe do Executivo faça campanha eleitoral durante um evento oficial do governo, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva está se portando de maneira ilegal ao incluir em sua agenda presidencial a propaganda política em prol da candidata Dilma Rousseff (PT). Está errado? Está.
Mas, apenas ele faz isso? Não. O atual governador de São Paulo, Alberto Goldman, faz o mesmo em favor do candidato José Serra (PSDB)? Faz. Está errado? Está. Seu discurso vira destaque nos jornalões bons de bico e agências de notícias? Evidente que não. Ora!
As atitudes do presidente Lula e do governador Goldman, são bem semelhantes. A lei não é a mesma para os dois? Onde há arranjo de palanque com recursos público para promoção de candidato é abuso de poder. Uma campanha eleitoral deveria ser feita com total isonomia. Deveria, pois os candidatos que não têm padrinhos políticos fortes ficam prejudicados.
Na última semana o que mais se falou foi sobre as declarações do presidente Lula sobre Dilma, na ocasião do lançamento do edital para a construção do trem-bala (que até o momento não está indo para lugar nenhum). Na última terça-feira, durante a cerimônia oficial de lançamento do edital, o presidente Lula atribuiu a Dilma a responsabilidade pelo projeto do TAV (Trem de Alta Velocidade). “A verdade é a seguinte: eu não posso deixar de dizer, aqui, que nós devemos o sucesso disso tudo que a gente está comemorando aqui a uma mulher. Na verdade, nem poderia falar o nome dela porque tem um processo eleitoral, mas a história a gente também não pode esconder por causa de eleição”, disse o presidente. “A verdade é que a companheira Dilma Rousseff assumiu a responsabilidade de fazer esse TAV…”
O trem-bala também serviu para Serra criticar sua principal adversária. Dilma foi chamada de “produto de marketing” . “Ela precisa ser constantemente turbinada pela máquina do governo, pelos marqueteiros. A verdadeira Dilma não está aparecendo nessa campanha. O que está aparecendo é o produto de uma construção, da qual faz parte a máquina do governo”, disse Serra.
Dilma não deixou por menos. “Sinto muito, não foi a mídia que me criou, se fosse criação da mídia, não teria o potencial que eu tenho e que acho, atemoriza um pouco”, afirmou. “A acusação de que sou produto da mídia, me desculpe, eu sou produto do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um dos maiores governos que este país teve.”
O advogado do PSDB, o senhor Ricardo Penteado, disse não ter dúvidas de que as declarações de Lula contêm ilegalidade e irregularidade. Mas, senhor, e a postura de Goldman? “Não tenho o contexto das declarações. Devo supor que todas são absolutamente legais e regulares”. Ah, então tá!
Segundo consta, em 29 dos 37 discursos proferidos em cerimônias oficiais do dia da posse, 6 de abril, até 19 de junho, Goldman citou e elogiou a administração de Serra como governador.
Goldman enfatiza ser a continuidade de Serra. “Temos uma campanha, cada um vai se definindo como acha que deve se definir. Governo não tem candidato, quem tem candidato somos nós. Eu tenho candidato, os nossos companheiros devem ter candidatos – espero até que seja o meu”, disse numa cerimônia sem nenhuma cerimônia. Em outro evento, enalteceu compromissos e metas. “Neste Governo Serra, o que vinha sendo feito a gente dobra, todo ano a gente dobra.”
O caso trem-bala fez até com que a vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, requisitasse as fitas da cerimônia para estudar a possibilidade de entrar com ação contra Lula, por abuso de poder político em favor de Dilma. “Isso é absolutamente proibido”, afirmou.
Pelo exposto, é bem provável que até as eleições, as línguas dos dois principais candidatos à sucessão presidencial estarão com a língua bem mais afiada ainda. E que o eleitorado possa ter acesso tanto aos discursos de Dilma, Serra e Lula como os de Goldman. A democracia ficaria bem grata.

Cacique recusa, vai Índio mesmo

João Júlio da Silva

Com o grande “não” dado em alto e bom tom pelo ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), para o candidato a presidente, o também tucano, José Serra, o PSDB acabou abrindo mão da chapa ‘puro sangue’ e o DEM indicou o desconhecido Indio da Costa para o cargo de vice.
Na falta de tu, vai tu mesmo. Cacique recusa, vai Indio mesmo. Sem tu, buscaram alguém com uma estampa parecida com a do ingrato mineiro.
Mas, o que ficou bem nítido na escolha, sem dúvida alguma, é que a decisão ocorreu devido à pressão do DEM. Não teve jeito, os tucanos tiveram que abrir mão da chapa pura.

O deputado federal Antonio Indio da Costa (Rio) é ligado ao grupo político do ex-prefeito do Rio, Cesar Maia, ele mesmo, aquele que se acha dono do Rio de Janeiro. O acordo foi fechado no prazo limite permitido pela Lei Eleitoral. Oh, indecisão!

Com o quadro político ficando negro para os tucanos, principalmente com a queda nas pesquisas eleitorais, a saída foi Serra recomeçar a conversa com o DEM e rever a indicação do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para a vaga de vice-presidente. Nessa, o tucano paranaense foi rifado. Nem ele conhecia o escolhido. Então é assim, num dia o vice é o tucano Álvaro Dias e no outro já é o estranho demo Indio da Costa.

Vencido o impasse, Serra anunciou Indio como um “político da nova geração” e “peça fundamental na aprovação do projeto Ficha Limpa”. “Apresentamos aqui uma novidade que é um sinal de renovação e esperança para o nosso Brasil”, disse Serra no último dia 30 de junho. Indio tem 39 anos.

A ideia é tirar vantagens do fato de Índio ter sido o relator do projeto da Ficha Limpa. Dessa maneira, os bons de bico engrossam o discurso visando contrapor sua campanha de “fichas limpas” contra um governo que supostamente tolera desvios éticos. Acabado o mistério , agora é mirar o governo federal e sua candidata Dilma Rousseff (PT).

“O Serra estava entusiasmadíssimo com o Indio, com o perfil dele associado ao Ficha Limpa”, disse Aécio.

A escolha de Indio serviu ainda de estímulo para que o DEM recuperasse o ânimo em prol da campanha de Serra.

Indio é um político com trânsito nas principais alas dos demos. Mesmo tendo sua origem política ligada a Cesar Maia, Indio é um dos parlamentares mais próximos do líder do DEM, Paulo Bornhausen (SC). Seu perfil foi interpretado como ideal para unir o antigo PFL (do painho ACM) ao novo comando do DEM e com isso agregar as jovens e antigas lideranças do partido.

O certo é que Indio não fazia parte da primeira lista de “candidatos” do DEM para ser o vice de Serra. A lista original era formada pelos deputados José Carlos Aleluia (BA), Carlos Melles (MG) e pela vice-presidente do DEM Valéria Pires Franco (PA). O tucano acabou optando por Indio. O que surpreendeu até o deputado.

Mas, que raio de Indio é esse? Ele é filho de família abastada e da alta sociedade carioca e teve uma carreira política sempre ligada a Cesar Maia. Estilo “mauricinho”, Indio teve uma relação com Rafaella Cacciola – filha do ex-banqueiro Salvatore Cacciola, preso em Bangu 8 desde julho de 2008 por crime contra o sistema financeiro. O velho Cacciola dos noticiários. O moço é bem relacionado!

Indio começou a atuar na vida pública em 1993, no Conselho Municipal de Desenvolvimento do Rio. No ano seguinte, foi nomeado “prefeitinho” do Parque do Flamengo, depois administrador regional de Copacabana e Leme, tornando-se vereador em 1996. Reelegeu-se mais duas vezes, sem exercer o mandato – pois foi nomeado, nas duas, secretário municipal de administração municipal do padrinho Cesar Maia.

Apesar de ter sido relator do Ficha Limpa, como secretário, foi responsabilizado por uma licitação de merenda escolar considerada fraudulenta, que resultou na abertura de uma CPI em que foi pedido seu indiciamento. Não deu em nada. Quem ousaria mexer com o pupilo de Cesar Maia?
A crise aparentemente não afetou sua caminhada política. Em 2006, Índio chegou à Câmara dos Deputados com mais de 91 mil votos. Bela ficha limpa a do sujeito!


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