Versos

VERMIFICANDO

Machuca…

Sangra!

É como bandeira perdendo a cor,

estirada ao tempo,

acreditando na brisa

que lhe rouba a alma.

Assim é…

Só ferida!

O ridículo apossando

de mediocridades.

O espelho é nítido,

grita o pus que sufoca

gestos ébrios por liberdade.

É como bandeira ao léu,

ao deus-dará…

que demora aos sete palmos

de todos os vermes.

Pouso Alegre/06/02/1993

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NADA A FAZER

Está ali, com um olhar vago de pedra cansada.

Quem arquitetou sua imobilidade?

Sol entrevado e sem gestos

com a solidão feroz articulando a sua poeira.

Estar ali já é ser inútil,

por isso vislumbra o seu túmulo

na sua essência de pedra.

Parece a gênese apodrecendo

no tumulto molecular dos dias.

Chamam a isso de vida?

Cálculos enrugados de uma engenharia concreta!

Continua ali, encravado,

na sua teimosia de ser homem.

Pouso Alegre/27/04/1993

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DESPERTAR

Ao saciar os seus desejos

passando pelas guerras,

encontrará onde o verbo repousa,

o caminho da vida

que te fará abrir os braços

para o que restou da paz.

Pouso Alegre/07/1993

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OLHAR

A vontade é de sumir

chuva adentro…

ir se molhando

na intimidade

das lágrimas.

Pouso Alegre/03/02/1993

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